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A montadora japonesa Honda informou, nesta terça-feira (24), que suspendeu as operações em sua fábrica em Guadalajara, a segunda maior cidade do México, devido à violência desencadeada após a morte, em uma operação militar, de um poderoso líder do narcotráfico.
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A Honda disse em um comunicado que está “avaliando as condições” de segurança depois que homens armados do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG) incendiaram veículos e bloquearam estradas em 20 dos 32 estados do país no domingo, em represália pela morte de seu líder, Nemesio Oseguera, conhecido como “El Mencho”.
Essas ações violentas ocorreram especialmente em Guadalajara, capital do estado de Jalisco, e em sua região metropolitana, onde fica uma das duas fábricas da Honda no México.
“Como medida de precaução, nossas operações em nossas instalações de Guadalajara foram temporariamente suspensas na segunda-feira, 23 de fevereiro”, informou à AFP uma porta-voz da montadora. As atividades serão retomadas “quando for apropriado”, acrescentou.
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A operação militar para capturar o chefe do cartel, de 59 anos, foi realizada no domingo, no estado de Jalisco, oeste do país. Durante e após os confrontos, pelo menos 27 agentes de segurança, 46 supostos criminosos e uma civil morreram, informaram as autoridades nacionais. Oseguera foi ferido e morreu quando era levado a um hospital.
O governo estadual informou nesta terça-feira que o sistema de transporte público opera a 70% de sua capacidade em Guadalajara e anunciou que as aulas nas escolas serão retomadas na quarta-feira.
A Honda tem duas fábricas no México, uma em El Salto, Jalisco, e outra em Celaya, no estado de Guanajuato.
O México abriga fábricas das principais empresas automotivas do mundo, como Honda, Ford, General Motors, BMW e Audi. O setor representa 3,6% do PIB do país.
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O exclusivo condomínio residencial Tapalpa Country Club foi o último refúgio do narcotraficante Nemesio Oseguera Cervantes, El Mencho, onde ele costumava descansar e se esconder estrategicamente. Na residência de número 39, construída em tijolo, telha e madeira, membros do Exército e da Guarda Nacional o localizaram após ele se encontrar com uma mulher, em meio a uma operação terrestre e aérea para capturá-lo, segundo a versão das autoridades federais.
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Um dia após a operação militar que terminou com a morte do narcotraficante, o El Universal conseguiu entrar na propriedade onde o nativo de Michoacán supostamente passou suas últimas horas entre pinheiros, jardins e uma atmosfera rural, típica desta região montanhosa.
Na cabana exclusiva, a fechadura da porta principal de madeira foi arrombada pelos militares para entrar na residência de dois andares, de onde El Mencho fugiu e foi posteriormente localizado no mato.
A área da entrada principal inclui uma cozinha e sala de jantar, onde foi encontrada uma grande quantidade de alimentos, principalmente frutas e verduras, além de uma geladeira contendo cortes de carne e peixe. El Mencho sofria de insuficiência renal e foi encontrado um medicamento chamado Tationil Plus, usado como agente terapêutico complementar para essa condição.
A propriedade possui quatro quartos que estavam desarrumados e continham roupas e perfumes de diferentes marcas, além de itens de higiene pessoal. Um deles possui um altar dedicado à Virgem de Guadalupe, a São Judas Tadeu e a São Charbel, com uma carta de janeiro de 2026 contendo o Salmo 91.
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“Nenhum mal lhe sobrevirá, nenhuma praga chegará à sua morada, pois ele dará ordens aos seus anjos a seu respeito, para que o guardem em todos os seus caminhos. Eles o sustentarão nas mãos, para que ele não tropece em alguma pedra”, diz um trecho da oração.
Dentro da cabine havia imagens de Nossa Senhora de Guadalupe, São Charbel e São Judas Tadeu, em casa onde o narcotraficante ‘El Mancho’ foi encontrado
Valente Rosas / El Universal
Foram encontrados também um livro de orações de Santa Rita de Cássia dirigido ao compadrito e um escapulário do Sagrado Coração de Jesus.
Um vizinho do Country Club relatou que às 7h20 começou a ouvir tiros nos fundos de sua casa e, quando olhou, percebeu que eram soldados gritando “corram, ele está fugindo de nós!”, mas eles não olharam mais por medo. Ele relatou que os militares foram para a área chamada Alta Gracia e Rancho El Pinto, localizada na colina, onde se concentrou o confronto com os pistoleiros de El Mencho.
— Eles ficaram aqui por 45 minutos com armas de diferentes calibres e um helicóptero que disparou uma rajada de balas. A pessoa que nos ajudou disse que muitos traficantes de drogas haviam chegado recentemente.
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Ele comentou que muitas das casas no loteamento são alugadas e não se sabe quem chega ou “se El Mencho realmente morou aqui, mas ele passou por aquela área”.
Ele acrescenta:
— Agora está tranquilo, e ainda mais durante a semana, porque são principalmente cabanas de fim de semana; é raro encontrar alguém que more aqui, pois são casas de veraneio. Se você vier no verão, verá muito mais gente.
Grande quantidade de alimentos, especialmente frutas e verduras, foram encontradas na cozinha do imóvel onde estava ‘El Mancho’
Valente Rosas / El Universal
Em meio à tensão e à presença do Exército e da Guarda Nacional, os habitantes de Tapalpa tentam voltar à normalidade, mas o panorama em Pueblo Mágico continua sendo de ruas vazias e comércios fechados. Na segunda-feira, algumas pessoas saíram às ruas para o centro do município, mas ainda temem que a violência volte a eclodir.
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Para chegar ao município em Jalisco, é preciso atravessar os bloqueios com veículos incendiados que ainda não foram completamente removidos pelas autoridades estaduais e municipais.
O jornal El Universal contabilizou mais de 10 focos de incêndio em rodovias ao longo das fronteiras entre Guanajuato, Michoacán e Jalisco, alguns dos quais ainda estavam em chamas.
Caminhoneiros, comerciantes, turistas e passageiros sofreram com os bloqueios de estradas com veículos em chamas realizados no domingo por supostos membros do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), após o assassinato de seu líder, Nemesio Oseguera Cervantes, El Mencho.
Nas rodovias e estradas ao longo da fronteira entre Michoacán e Guanajuato, ainda são visíveis os estragos da ofensiva desencadeada pelos homens de El Mencho contra o Exército e a Guarda Nacional. A caminho do estado de Jalisco, pelo menos cinco caminhões foram vistos em chamas e ainda soltando fumaça na rodovia Yurécuaro-La Piedad.
Nas proximidades do município de Tanhuato, em Michoacán, moradores aproveitaram a situação para saquear um veículo que transportava ração para gado, sem que a Polícia Municipal interviesse.
Nesse momento, o Sr. Felix, morador da região, relatou que por volta das 9 horas de segunda-feira, homens armados atearam fogo e bloquearam a estrada de duas faixas com reboques. Ele alegou ter sido subjugado pelos homens, que o avisaram que voltariam “para matar pessoas”.
No cruzamento com a rodovia Morelia-Guadalajara, perto de Briceñas e Villa Jiménez, dezenas de caminhões com diversas mercadorias estão parados desde segunda, assim como caminhões de passageiros e veículos de transporte particular.
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Julián Velázquez Alcántar ficou retido junto com um grupo de mais de 20 pessoas que retornavam de Morelia para Coahuayana, no litoral de Michoacán, após participarem de um evento esportivo.
— Infelizmente, estamos presos aqui desde as 11h de ontem e não há previsão de quando a situação será resolvida para que possamos sair.
O viajante afirmou em entrevista que presenciou três ou quatro reboques incendiados, o que lamentou porque, segundo ele, “estão atacando terceiros que não têm nada a ver com isso”.
Ele disse que viajam para comunidades próximas para estocar alimentos para as mulheres e crianças que os acompanham.
— É triste porque tanto caminhoneiros quanto motoristas de ônibus estão aqui. Essa situação reflete o alto nível de insegurança no país, porque eles estão atacando pessoas inocentes que não têm nada a ver com isso; brigam e acabam nos machucando — comentou.
Um comboio de militares e agentes da Procuradoria-Geral de Michoacán foi visto a caminho de Sahuayo para reforçar a segurança na região.
O rei Harald V foi hospitalizado nesta terça-feira durante uma estadia na ilha espanhola de Tenerife.
De acordo com comunicado divulgado pela Casa Real da Noruega, o monarca foi internado após apresentar um quadro de infecção e desidratação. Não foram divulgados, até o momento, mais detalhes sobre seu estado de saúde.
Aos 89 anos, Harald V está à frente da nobreza da Noruega desde 1991, quando assumiu o trono.
“O rei foi admitido no Hospital Universitario Hospiten Sur, em Tenerife, esta tarde. O rei está sendo curado de uma infeção e desidratação e a sua condição é boa”, diz o documento.
*Esta matéria está em atualização
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, denunciou uma “possível fraude” nas próximas eleições, questionando a confiabilidade do software usado para a contagem prévia dos votos. O país elegerá novos membros do Congresso em 8 de março e o sucessor de Petro em 31 de maio. O atual mandatário, primeiro presidente de esquerda na história do país, está impedido por lei de se candidatar novamente.
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Em uma longa mensagem no X na madrugada desta terça-feira, Petro expôs a suposta “persistência da fraude eleitoral na Colômbia”, que teria afetado sua força política nas eleições de 2014, 2022 e, segundo ele, nas próximas de 2026.
“O software de pré-contagem ilegal que existe hoje é o mesmo que existia na fraude de 2014 (…). Também temos provas de fraude em 2022”, afirmou.
“Dadas essas circunstâncias (…) que devo denunciar, a possível fraude só será enfrentada com 60 mil fiscais eleitorais” da esquerda nas mesas de votação, acrescentou.
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A Procuradoria-Geral, que fiscaliza a integridade dos funcionários públicos, rejeitou as declarações de Petro. Em comunicado, assegurou que a transparência das eleições está garantida e pediu respeito às autoridades eleitorais.
A “pré-contagem” é um registro rápido de votos a partir de amostras estatísticas das mesas eleitorais, que mais tarde é confirmado ou não por uma apuração oficial. O processo é usado em vários países da região e, na Colômbia, é um instrumento sem valor jurídico, que tem apenas fins informativos e permite conhecer os resultados com maior rapidez.
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Petro questiona a empresa colombiana ASD, que desenvolveu o software usado para a contagem preliminar nas eleições de 2014, 2022 e 2026.
Com a contratação dessa companhia, “não há segurança de transparência nas próximas eleições”, disse.
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O software da ASD já foi alvo de críticas nas eleições de dezembro em Honduras, nas quais a apuração foi paralisada com 57% de avanço na leitura das atas por “problemas técnicos”.
Petro defende que um software desenvolvido pelo Estado colombiano seja utilizado.
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O senador de esquerda Iván Cepeda, herdeiro político de Petro, lidera as pesquisas de intenção de voto junto com o advogado e empresário de direita Abelardo de la Espriella.
Um avião comercial da American Airlines foi retirado de operação após a descoberta de impactos de bala em sua estrutura durante uma inspeção de rotina no Aeroporto Internacional de Miami, na manhã desta terça-feira, confirmou a companhia ao GLOBO. A aeronave havia acabado de pousar após um voo que partiu da Colômbia.
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O Boeing 737 MAX 8 com matrícula N342SX, que havia operado o voo AA924 de volta a Miami após cumprir a rota Miami–Medellín (Colômbia), pousou normalmente no aeroporto norte-americano, sem relatos de problemas durante o voo. Passageiros e tripulantes desembarcaram sem incidentes antes da identificação das perfurações.
A equipe de manutenção da companhia encontrou os buracos de bala no aileron direito, uma superfície crítica de controle de voo responsável pelo equilíbrio lateral da aeronave. Após a detecção, a empresa suspendeu o uso do avião.
As perfurações só foram percebidas depois do desembarque dos passageiros, durante a inspeção pós-voo, procedimento padrão das equipes técnicas. A aeronave foi posteriormente levada em um voo não comercial até o centro de manutenção da American Airlines no Aeroporto Internacional de Dallas/Fort Worth para avaliações aprofundadas, incluindo a verificação de possíveis danos internos em hidráulica ou sistemas elétricos.
Autoridades dos dois países foram notificadas e trabalham para esclarecer as circunstâncias que levaram aos impactos. Não está claro de onde partiram os disparos. Segundo a American Airlines, nenhuma intercorrência relacionada ao voo foi registrada e nenhuma pessoa se feriu. A companhia comentou que está acompanhando de perto as investigações junto das autoridades.
Um avião comercial da American Airlines foi retirado de operação após a descoberta de impactos de bala em sua estrutura durante uma inspeção de rotina no Aeroporto Internacional de Miami, na manhã desta terça-feira, segundo o site especializado AIR Live. A aeronave havia acabado de pousar após um voo que partiu da Colômbia.
O Boeing 737 MAX 8 com matrícula N342SX, que havia operado o voo AA924 de volta a Miami após cumprir a rota Miami–Medellín (Colômbia), pousou normalmente no aeroporto norte-americano, sem relatos de problemas durante o voo. Passageiros e tripulantes desembarcaram sem incidentes antes da identificação das perfurações.
A equipe de manutenção da companhia encontrou os buracos de bala no aileron direito, uma superfície crítica de controle de voo responsável pelo equilíbrio lateral da aeronave. Após a detecção, a empresa suspendeu o uso do avião.
As perfurações só foram percebidas depois do desembarque dos passageiros, durante a inspeção pós-voo, procedimento padrão das equipes técnicas. A aeronave foi posteriormente levada em um voo não comercial até o centro de manutenção da American Airlines no Aeroporto Internacional de Dallas/Fort Worth para avaliações aprofundadas, incluindo a verificação de possíveis danos internos em hidráulica ou sistemas elétricos.
Autoridades dos dois países foram notificadas e trabalham para esclarecer as circunstâncias que levaram aos impactos. Não está claro de onde partiram os disparos.
Até o momento, a American Airlines não divulgou comunicado oficial com detalhes sobre o incidente. Autoridades aeroportuárias e agências de segurança aérea dos Estados Unidos e da Colômbia devem emitir posicionamentos assim que a investigação avançar.
Um avião comercial da American Airlines foi retirado de operação após a descoberta de impactos de bala em sua estrutura durante uma inspeção de rotina no Aeroporto Internacional de Miami, na manhã desta terça-feira, segundo o site especializado AIR Live. A aeronave havia acabado de pousar após um voo que partiu da Colômbia.
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A equipe de manutenção da companhia encontrou os buracos de bala no aileron direito, uma superfície crítica de controle de voo responsável pelo equilíbrio lateral da aeronave. Após a detecção, a empresa suspendeu o uso do avião.
As perfurações só foram percebidas depois do desembarque dos passageiros, durante a inspeção pós-voo, procedimento padrão das equipes técnicas. A aeronave foi posteriormente levada em um voo não comercial até o centro de manutenção da American Airlines no Aeroporto Internacional de Dallas/Fort Worth para avaliações aprofundadas, incluindo a verificação de possíveis danos internos em hidráulica ou sistemas elétricos.
Autoridades dos dois países foram notificadas e trabalham para esclarecer as circunstâncias que levaram aos impactos. Não está claro de onde partiram os disparos.
Até o momento, a American Airlines não divulgou comunicado oficial com detalhes sobre o incidente. Autoridades aeroportuárias e agências de segurança aérea dos Estados Unidos e da Colômbia devem emitir posicionamentos assim que a investigação avançar.
Dezessete organizações internacionais de ajuda humanitária afirmaram nesta terça-feira que recorreram à Suprema Corte de Israel para que possam continuar trabalhando na Faixa de Gaza e outros territórios palestinos, onde o Estado judeu pretende barrá-las a partir de 1º de março. A data foi definida por autoridades israelenses como prazo para que as entidades cumpram novas regras exigidas pelo governo, como a divulgação de nomes e informações de contatos dos funcionários dos órgãos, além de detalhes sobre financiamento e operações.
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As entidades consideram as regras invasivas e arbitrárias e dizem que a proibição prejudicará o fornecimento de assistência aos palestinos. Em comunicado conjunto, as organizações disseram ter pedido uma ordem liminar urgente para suspender o processo até uma decisão final. A nota sustenta que interromper as atividades dos grupos levará a um “colapso humanitário e a danos irreparáveis” para centenas de milhares de pessoas necessitadas, e que a proibição viola as obrigações de Israel como potência ocupante, demonstrando “falta de proporcionalidade”.
De acordo com o documento judicial, o governo de Israel tem até a tarde de quarta-feira para apresentar uma resposta. O Estado judeu, porém, tem minimizado a medida, com o COGAT, órgão militar israelense responsável por supervisionar assuntos civis em Gaza, afirmando que as organizações cujas licenças devem ser revogadas respondem por menos de 1% do total de ajuda que entra no território. Segundo o órgão, mais de 20 entidades continuarão operando após cumprir as novas exigências.
Dados pessoais
As organizações que se recusam a cumprir as exigências dizem temer o que o Estado judeu poderia fazer com os dados pessoais de seus funcionários, observando que pelo menos 133 trabalhadores humanitários foram mortos em ataques israelenses desde o início da guerra, em 2023. Para as ONGs, cumprir a exigência exporia funcionários a possíveis represálias, minaria o princípio da neutralidade humanitária e violaria a legislação europeia de proteção de dados.
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Os autores da ação dizem ter proposto alternativas práticas à entrega das listas de funcionários a Israel, incluindo “triagem independente de sanções” e “sistemas de verificação auditados por doadores”. Diferentemente do que foi alegado pelo órgão israelense que controla o acesso a Gaza, as organizações afirmam que, coletivamente, apoiam ou implementam mais da metade de toda a assistência alimentar em Gaza, além de 60% das operações de hospitais de campanha e todo o tratamento hospitalar de crianças que sofrem de desnutrição aguda.
Israel nega ter como alvo grupos de ajuda. Em alguns casos, afirmou ter atingido terroristas que haviam se infiltrado nas organizações ou que estavam disfarçados de trabalhadores humanitários. Em outros, os militares acabaram reconhecendo os erros. Israel, no entanto, atribui as mortes de civis ao Hamas, cujo ataque em 2023 desencadeou a guerra e cujos combatentes atuam em áreas densamente povoadas no enclave.
Athena Rayburn, diretora-executiva da AIDA, organização que reúne mais de 100 grupos internacionais que atuam nos territórios palestinos, disse a jornalistas nesta terça-feira que a presença dessas entidades em Gaza, onde a mídia estrangeira não tem permissão para entrar, também permite que observadores externos testemunhem a guerra. Rayburn ainda reforçou que as ONGs desempenham um papel vital ao lado da ONU e de outros provedores de ajuda.
— Essa petição pode proteger esse trabalho que salva vidas e permitir mais tempo para encontrar uma solução para essa questão — afirmou.
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A grande maioria dos 2 milhões de moradores de Gaza depende de organizações de ajuda para obter alimentos, água, atendimento de saúde, abrigo e outros itens essenciais, após a ofensiva israelense de dois anos ter destruído grande parte do território. Centenas de milhares vivem em tendas, e a reconstrução ainda não começou após o frágil cessar-fogo alcançado em outubro. Ainda assim, os autores da petição afirmam que a proibição, prevista para março, já começou na prática, com o bloqueio de suprimentos e negação de vistos a funcionários estrangeiros.
— Não conseguimos levar equipes internacionais para dentro de Gaza desde o início de janeiro. As autoridades israelenses negaram qualquer entrada em Gaza, mas também na Cisjordânia — disse à AFP Filipe Ribeiro, chefe de missão do Médicos Sem Fronteiras (MSF) nos territórios palestinos. — Por enquanto, ainda estamos trabalhando em Gaza e planejamos manter nossas operações enquanto pudermos.
Além da MSF, maior fornecedor de suprimentos médicos depois das agências da ONU e da Cruz Vermelha, estão entre as organizações proibidas grupos conhecidos como o Conselho Norueguês para Refugiados, a Oxfam e a Medical Aid for Palestinians. À Associated Press, o MSF reforçou que não consegue enviar nenhum tipo de suprimento, incluindo antibióticos, analgésicos, anestésicos e curativos, desde o mês passado. Nesse cenário, disse a entidade, “grupos vulneráveis estão em maior risco de não receber o atendimento de que precisam”.
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A proibição ocorre em meio ao endurecimento da postura de Israel em relação a atores humanitários em geral, após ter proibido a agência da ONU para refugiados palestinos, a UNRWA, de atuar em Israel no início de 2025. A UNRWA, que Israel acusou de empregar pessoas que participaram do ataque do Hamas em 7 de outubro, também não pode mais coordenar com as autoridades israelenses na Cisjordânia ocupada — situação que deverá se repetir com as ONGs proibidas.
— Argumentamos que Israel agiu aqui sem qualquer autoridade, porque, segundo os Acordos de Oslo, toda a questão do registro de organizações era tratada pela Autoridade Palestina — disse Yotam Ben-Hillel, advogado israelense que apresentou o recurso em nome das organizações internacionais. — Esta é uma nova era na forma como Israel lida com organizações internacionais sem fins lucrativos. (Com AFP)
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, descartou nesta terça-feira riscos para os torcedores que visitarem Guadalajara, uma das sedes da Copa do Mundo de 2026, após uma ofensiva do narcotráfico provocar temor na cidade e em boa parte do país no domingo.
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Sheinbaum afirmou, em entrevista coletiva, que não existe “nenhum risco” para os visitantes e ofereceu “todas as garantias” para que a metrópole do oeste do México receba as quatro partidas programadas para seu território em junho próximo.
No domingo, a violência criminosa irrompeu na região após a morte do chefe do narcotráfico Nemesio Oseguera, líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), em uma operação militar. Durante a ação e os confrontos posteriores, morreram ao menos 27 agentes de segurança, 46 supostos criminosos e uma civil, informaram as autoridades na segunda-feira.
O CJNG respondeu ao desdobramento das forças oficiais com a queima de veículos, comércios e bloqueios de estradas em 20 dos 32 estados do país, deixando imagens que circularam pelo mundo a menos de quatro meses do início do principal torneio do futebol, que será disputado de 11 de junho a 19 de julho.
Na Cidade do México e em Monterrey, as outras duas sedes mexicanas do Mundial — que também será realizado nos Estados Unidos e no Canadá — não foram registrados incidentes violentos. Uma porta-voz da FIFA disse à AFP que, por ora, a entidade não pretende comentar sobre a segurança na próxima sede do torneio.
Pablo Lemus, governador do estado de Jalisco, onde fica Guadalajara, classificou como “completamente falso” que a cidade possa perder partidas da Copa do Mundo. “Não há absolutamente nenhum risco de perder nenhuma das três sedes” no México, acrescentou em entrevista coletiva.
A seleção mexicana tem programado para quarta-feira um amistoso contra a Islândia no estádio La Corregidora, no estado de Querétaro (centro), onde no domingo foi suspensa uma partida da primeira divisão devido à violência. Na segunda-feira, o Tri divulgou na rede social X fotos de seus jogadores e dos atletas islandeses treinando em Querétaro.
Volta à normalidade
Nemesio Oseguera, conhecido como El Mencho, era até então o narcotraficante mais procurado pelo governo dos Estados Unidos, que oferecia por ele uma recompensa de 15 milhões de dólares. O chefe do cartel, de 59 anos, comandava o CJNG, uma das organizações criminosas mais poderosas do mundo, designada por Washington como organização terrorista estrangeira em fevereiro de 2025.
A reação do cartel à morte de seu líder provocou temor em cidades próximas, como Puerto Vallarta, um concorrido balneário da costa do Pacífico, frequentado por turistas e residência de cidadãos canadenses e norte-americanos.
No entanto, Sheinbaum afirmou nesta terça-feira que a situação “pouco a pouco está se normalizando” e que os aeroportos de Puerto Vallarta e Guadalajara operam sem problemas. Ao longo da segunda-feira, também foram registrados bloqueios, mas em menor número. A presidente assegurou em sua coletiva que foram apenas entre seis e sete e que “todos foram desmobilizados”.
Segundo o governo do estado de Jalisco (oeste), nesta terça-feira as atividades econômicas são retomadas e as escolas reabrirão na quarta-feira. Devido à jornada conturbada do fim de semana, dois jogos de futebol foram suspensos no domingo em Jalisco e outro no estado de Querétaro, no centro do México.
Além de quatro partidas da fase de grupos da Copa do Mundo — entre elas um dos confrontos mais aguardados dessa etapa, entre Uruguai e Espanha — Guadalajara sediará, junto com Monterrey (nordeste), o torneio de repescagem que, no fim de março, definirá os dois últimos classificados para o Mundial.
Nesse torneio participarão seis seleções, nenhuma europeia: Bolívia, República Democrática do Congo, Iraque, Nova Caledônia, Jamaica e Suriname.
Um total de 179 pessoas deixou a prisão na Venezuela, beneficiadas pela recém-promulgada lei de anistia, informou o chefe da comissão parlamentar que acompanha o processo. A histórica lei, impulsionada pela presidente interina Delcy Rodríguez, prevê o arquivamento de processos penais de centenas de presos políticos. Enquanto o governo celebra a aplicação da medida, alguns advogados e beneficiários denunciam atrasos e entraves nos tribunais para a concessão da liberdade plena.
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O deputado Jorge Arreaza afirmou que o sistema de Justiça já recebeu 4.293 pedidos de anistia.
Do total, cerca de 3.000 pessoas que estavam em liberdade condicional passaram a ter liberdade plena, também com base na lei promulgada em 19 de fevereiro.
— É extraordinário o ritmo que está sendo alcançado — comemorou Arreaza em coletiva de imprensa.
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Apesar dos números divulgados pelo governo, potenciais beneficiários denunciam dificuldades na tramitação dos pedidos.
A lei de anistia, que não tem aplicação automática, exige que aqueles que queiram optar pelo benefício compareçam aos tribunais para revisar cada caso e determinar o arquivamento do processo ou a anulação da sentença.
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Advogados de presos políticos e de libertados com medidas cautelares foram na segunda-feira aos tribunais em Caracas para apresentar os primeiros pedidos, mas a maioria encontrou negativas e atrasos ao protocolar seus documentos.
— Os tribunais que nos submeteram arbitrariamente a processo continuam sendo nossos algozes, não se pode permitir que violem a lei de anistia — denunciou Rodrigo Cabezas, ex-ministro das Finanças de Hugo Chávez, em liberdade condicional desde julho de 2025.
Ele explicou que o tribunal responsável por seu caso não admitiu o pedido ao indicar que “não há expediente”.
— Reitero que não cometi crime algum e reivindico, como meu direito humano, que se encerre a fraude processual que me afetou junto a meus entes queridos — acrescentou.
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A lei determina que os tribunais têm prazo máximo de 15 dias para “verificar os pressupostos da anistia”.
— Disseram a algumas pessoas que elas não podem receber os documentos, a outras que sim, mas que precisam esperar um tempo prudencial para ter resposta — explicou à AFP o advogado Omar Mora Tosta, que lidera a defesa de integrantes do partido da líder opositora María Corina Machado detidos.
O sindicato dos trabalhadores da imprensa afirmou, por sua vez, que “nenhum tribunal recebeu os requerimentos” de um grupo de jornalistas que solicitou o benefício.
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Alguns casos foram tramitados.
— Fui atendida na defensoria pública e houve receptividade muito boa — indicou Liomary Espina, de 57 anos, que espera resposta a seu pedido em três dias úteis.
A Assembleia Nacional criou uma comissão especial para acompanhar e tratar casos excluídos na lei.

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