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Uma tragédia no interior da Itália acabou com a morte de dois irmãos gêmeos, de 22 anos, que foram encontrados mortos e abraçados um ao outro, depois de sofrerem uma intensa descarga elétrica, em um gramado da cidade de Magione, na Itália. Francesco e Giacomo Fierloni estavam treinando os seus pássaros de estimação para uma temporada de caça na Europa, quando o acidente aconteceu, na última quinta-feira (23), segundo o portal britânico The Sun.
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Investigações da polícia local ainda ocorrem para entender o que de fato aconteceu. Mas, segundo informações preliminares, um dos irmãos estaria tentando salvar o outro quando também foi eletrocutado. Acredita-se que, durante os treinos, um dos pássaros pousou em um fio alto, quando um deles usou uma vara de fibra de carbono, comum para caçadores, para tentar fazê-lo descer. Sem saber que o cabo, que fica a 10 metros do chão, era de energia, ele o tocou acidentalmente e recebeu a descarga de cerca de 20 mil volts.
Depois de não voltarem para a casa e não atenderem aos telefonemas do pai, um tio foi procurá-los até localizar os corpos. Os paramédicos ainda tentaram reanimá-los, mas não tiveram sucesso.
O prefeito da cidade, Massimo Lagetti, publicou sobre a tragédia nas redes sociais, e lamentou o ocorrido. Os irmãos completariam 23 anos no próximo dia 23 de maio.
“Eu conhecia esses dois rapazes pessoalmente; eles eram pessoas maravilhosas, tanto profissionalmente quanto pessoalmente, verdadeiramente dois meninos de ouro. Agradeço a todos os estabelecimentos comerciais que permaneceram fechados durante as homenagens e um último e caloroso agradecimento a toda a nossa comunidade pelo que demonstraram em um momento de tanta necessidade”, escreveu ele, que ainda determinou luto para o dia 24 de abril na cidade.
Os irmãos tinham os pássaros como hobbie e se dedicavam a eles, quando não estavam trabalhando na empresa local do pai, que oferece serviços de aquecimento e encanamento.
O governo do presidente americano, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira uma ampliação dos métodos de aplicação da pena de morte em casos federais, incluindo execuções por pelotões de fuzilamento, eletrocussão e gás letal. A pena de morte é aplicada normalmente em nível estadual nos EUA, mas o governo federal também pode solicitar a execução para certos crimes.
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“A administração anterior descumpriu seu dever de proteger o povo americano ao se recusar a solicitar e implementar a punição máxima contra os criminosos mais perigosos, incluindo terroristas, assassinos de crianças e assassinos de policiais”, declarou o procurador-geral interino Todd Blanche em um comunicado. “[Sob o presidente Donald Trump,] o Departamento de Justiça volta a fazer cumprir a lei e a se posicionar ao lado das vítimas”.
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O presidente pôs fim, em 2020, durante seu primeiro mandato, a uma pausa de 17 anos nas execuções federais. Houve 13 execuções por injeção letal durante os últimos seis meses de mandato de Trump, mais do que sob qualquer líder americano em 120 anos. No primeiro dia de seu segundo mandato, o republicano pediu ampliar o uso da pena de morte “para os crimes mais vis”.
A medida do governo Trump enfrenta um obstáculo significativo. Legalmente, o governo federal só pode realizar execuções em estados que permitem a pena capital e executá-las de acordo com os protocolos estaduais. Durante anos, as execuções federais ocorreram em Indiana, estado que permite apenas a pena capital por injeção letal.
Atualmente, cinco estados dos Estados Unidos autorizam o pelotão de fuzilamento para execuções, mas apenas um — Carolina do Sul — utilizou esse método nos últimos anos. Nove estados permitem a eletrocussão, mas esse método não é usado desde 2020.
Dois estados executaram recentemente detentos por meio de hipóxia de nitrogênio, que consiste em bombear gás nitrogênio para uma máscara, provocando a asfixia do preso. O uso do gás nitrogênio como método de pena capital foi denunciado por especialistas das Nações Unidas como cruel e desumano.
A pena de morte foi abolida em 23 dos 50 estados dos Estados Unidos, enquanto outros três — Califórnia, Oregon e Pensilvânia — mantêm moratórias.
Antes de deixar a Casa Branca em janeiro de 2025, o presidente democrata Joe Biden, opositor da pena de morte, comutou as sentenças de morte de 37 dos 40 detentos condenados à pena capital em nível federal. Os três homens cujas sentenças de morte não foram comutadas foram um dos autores do atentado à maratona de Boston de 2013, um homem armado que assassinou 11 fiéis judeus em 2018 e um supremacista branco que matou nove fiéis negros em uma igreja em 2015. (Com AFP e NYT)
Mortes e desaparecimentos de ao menos dez pessoas ligadas a áreas científicas e técnicas nos Estados Unidos passaram a alimentar teorias conspiratórias na internet, gerando repercussão e mobilizando autoridades. Familiares das vítimas reagem às especulações e classificam o movimento como “repugnantes”.
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Os casos, que envolvem profissionais de diferentes áreas — de pesquisadores a assistentes administrativos — vêm sendo agrupados online sob a ideia de “cientistas desaparecidos”, apesar de não apresentarem conexão comprovada entre si. Entre os episódios está o assassinato do astrônomo Carl Grillmair, de 67 anos, morto a tiros em casa, na Califórnia, em fevereiro.
Um homem de 29 anos, Freddy Snyder, foi acusado de homicídio e invasão de domicílio e deve responder à Justiça. A viúva de Grillmair, Louise, rejeita as teorias que circulam na internet.
— Acho que é um completo absurdo. Quero dizer, existem os fatos, e eles estão aí — afirma.
Ela sustenta que o crime pode ter sido motivado por vingança. Segundo seu relato, o suspeito já havia aparecido armado na propriedade anteriormente, e um vizinho chegou a acionar o serviço de emergência.
— Veio por vingança, achando que Carl foi quem ligou para o 911 — disse.
Sobre o marido, afirmou que era “provavelmente a pessoa mais gentil que já existiu”.
Outro caso que passou a circular nas mesmas listas é o desaparecimento de William Neil McCasland, general aposentado da Força Aérea, no Novo México. Segundo a mulher, Susan McCasland Wilkerson, ele deixou o celular, levou uma arma e apresentava problemas de saúde recentes.
— Indícios de que ele planejou não ser encontrado — afirmou.
Ela também rebateu associações com teorias ufológicas. Disse que o marido estava aposentado havia quase 13 anos e “não tem nenhum conhecimento especial sobre corpos extraterrestres ou destroços do acidente de Roswell armazenados em Wright-Patt”. Em tom irônico, escreveu: “Neste momento, sem nenhum sinal dele, talvez a melhor hipótese seja que alienígenas o teletransportaram para a nave-mãe”.
O desaparecimento de Melissa Casias, assistente administrativa do Laboratório Nacional de Los Alamos, também foi incluído nas especulações. O marido, Mark Casias, indicou que ela pode ter sumido por vontade própria. “Foram as seis semanas mais difíceis de nossas vidas sem você”, escreveu. “Sierra e eu estamos ficando mais preocupados a cada dia. Acreditamos que você está bem, mas não entendemos por que não entrou em contato”.
Outros episódios citados envolvem um físico do MIT assassinado por um ex-colega, um pesquisador encontrado morto após problemas familiares e um cientista que morreu de “doença cardiovascular arteriosclerótica”.
Autoridades e especialistas descartam padrão
Apesar da diversidade de circunstâncias, os casos passaram a ser tratados como um conjunto por usuários na internet, o que levou ao interesse do Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes e à atuação do FBI.
Especialistas contestam a existência de padrão.
— A força de trabalho aeroespacial e nuclear dos EUA com acesso a segredos de Estado é de cerca de 700 mil pessoas — afirma escritor científico Mick West.
Segundo ele, “a mortalidade comum ao longo de 22 meses prevê cerca de 4 mil mortes, cerca de 70 homicídios e cerca de 180 suicídios”.
— A lista tem 10… As mortes são reais. O luto das famílias é real. O padrão não é.
Para familiares, o principal impacto tem sido emocional. Louise Grillmair afirma que tentou rebater as especulações com informações concretas.
— Eu disse: ‘Bem, posso oferecer algo melhor que uma opinião. Eu tenho os fatos’.
Ela também classificou as teorias como “desrespeitosas com a memória deles”. Outros parentes usaram termos como “terríveis” e “repugnantes” para descrever a circulação de versões não comprovadas, enquanto alguns optaram por não se manifestar publicamente para evitar mais exposição.
Os enviados do presidente Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, viajarão neste sábado ao Paquistão para uma nova rodada de negociações com o Irã, em uma tentativa de pôr fim à guerra. O encontro ocorre mais de duas semanas após a primeira rodada, que terminou sem acordo entre os países.
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— Posso confirmar que o enviado especial Witkoff e Jared Kushner partirão novamente para o Paquistão amanhã pela manhã para iniciar conversas […] com representantes da delegação iraniana — declarou a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, à Fox News na sexta-feira.
O vice-presidente JD Vance, que liderou a comitiva negociadora na primeira rodada de conversas com os iranianos, não viajará ao Paquistão por enquanto, afirmou a secretária.
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— Confiamos que será uma conversa produtiva e que, com sorte, fará avançar as coisas rumo a um acordo — acrescentou Leavitt.
Conversas ocorrem duas semanas depois da primeira rodada
Witkoff, um parceiro de negócios de Trump que se tornou um negociador global itinerante, e Kushner, genro de Trump, estavam negociando com o Irã pouco antes de Israel e os Estados Unidos lançarem ataques em 28 de fevereiro, o que levou Teerã a acusá-los de engano.
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Durante a primeira rodada de conversas no Paquistão, Vance disse que o Irã rejeitou as exigências dos Estados Unidos sobre restrições ao seu controverso programa nuclear. Trump prorrogou indefinidamente um cessar-fogo, embora também tenha dado ordens para destruir qualquer navio iraniano que tente instalar minas no Estreito de Ormuz.
— O presidente sempre quer dar uma chance à diplomacia. É sempre sua primeira opção, e ele está disposto a fazer isso novamente aqui — disse Leavitt
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, publicou nas redes sociais, nesta sexta-feira, uma mensagem sobre a celebração do Dia Internacional do Multilateralismo e da Diplomacia para a Paz.
Na mensagem, Sharif afirmou que o Paquistão continua a ser guiado pelos princípios da Carta das Nações Unidas, apesar dos crescentes desafios à segurança global, e que continuará a promover a diplomacia para avançar a paz regional e internacional.
Ele também destacou os esforços de mediação em curso do Paquistão, afirmando que eles estão enraizados em um compromisso com a cooperação e a resolução de conflitos.
Em coletiva de imprensa no Pentágono nesta sexta-feira, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que o bloqueio americano à navegação iraniana continuará “pelo tempo que for necessário” para cumprir a missão “ousada e perigosa” de Washington de acabar com a ameaça do Irã à segurança global. Teerã, por sua vez, condiciona a retomada das negociações de paz com os EUA à suspensão do bloqueio, mas, segundo a imprensa americana, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, vai se encontrar com deverá se encontrar com o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e com Jared Kushner, genro do presidente americano, Donald Trump, neste fim de semana em Islamabad, no Paquistão, para seguir com os esforços diplomáticos.
Tanto Washington quanto Teerã têm buscado exercer controle sobre o Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% de petróleo e gás para comercialização mundial em tempos de paz, desde que concordaram com um cessar-fogo. O Irã afirma que apenas navios com permissão da Guarda Revolucionária Islâmica poderão passar. A Marinha americana diz estar interceptando todos os navios que chegam ou se dirigem a portos iranianos. Nos últimos dias, ambos os lados apreenderam embarcações que, segundo eles, violavam suas respectivas restrições à navegação.
— O Irã sabe que ainda tem uma janela de oportunidade para fazer uma escolha sábia na mesa de negociações — disse Hegseth ao reiterar um dos principais objetivos de Trump: impedir que o Irã obtenha armas nucleares, mas insistiu que os Estados Unidos não estavam “ansiosos por um acordo”.
Hegseth reclamou que manter o Estreito de Ormuz aberto não deveria ser responsabilidade dos Estados Unidos. Ele ecoou a queixa de Trump de que os europeus não estavam ajudando.
— A Europa e a Ásia se beneficiaram de nossa proteção por décadas, mas o tempo de tirar proveito sem contribuir acabou.
O secretário de Defesa dos EUA sugeriu que os aliados tradicionais dos EUA na Europa estão “se aproveitando da situação” e sendo desleais ao não usarem suas próprias forças para abrir o Estreito de Ormuz, que foi fechado devido à guerra do presidente Trump contra o Irã.
— Não estamos contando com a Europa, mas eles precisam do Estreito de Ormuz muito mais do que nós — insistiu Hegseth.
A manobra do Irã para bloquear o estreito interrompeu o fornecimento global de energia — especialmente na Europa, onde muitos líderes permanecem frustrados. O presidente francês, Emmanuel Macron, chegou a afirmar que os EUA não podem reclamar da falta de apoio “em uma operação que escolheram realizar sozinhos”.
As críticas contundentes de Hegseth ecoam as declarações de Trump de que outras nações deveriam “ir buscar seu próprio petróleo” e “começar a aprender a lutar por si mesmas”.
A Rússia e a Ucrânia realizaram a troca de 193 prisioneiros de guerra de cada lado nesta sexta-feira em mais um acordo entre os países em meio à guerra. A operação, mediada pelos Emirados Árabes Unidos e Estados Unidos, segundo o exército russo, foi confirmada por autoridades de Moscou e Kiev e marca um dos raros momentos de cooperação desde o início do conflito em meio a tentativas de manter canais mínimos de negociação abertos.
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Jornalistas da AFP presentes no local da troca, na região de Chernihiv, no norte da Ucrânia, viram dezenas de ucranianos desembarcando dos ônibus, pálidos, mas aliviados. Envoltos em bandeiras nacionais azuis e amarelas, eles se abraçavam ou choravam enquanto falavam ao telefone com suas famílias pela primeira vez em muito tempo.
Ucranianos desembarcando dos ônibus emocionados e aliviados
ROMAN PILIPEY / AFP
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou o retorno dos 193 combatentes que estavam na Rússia. Ele afirmou que os militares ucranianos defenderam o país em diferentes frentes, do leste ao sul, e que a maioria deles estava em cativeiro desde 2022.
— Eles defenderam a Ucrânia em várias frentes. Entre eles estão aqueles contra os quais a Rússia iniciou processos criminais, assim como feridos — afirmou no X.
O exército russo declarou, em comunicado, que os militares repatriados estão em Belarus, onde recebem a assistência médica e psicológica necessária.
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O Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos disse que, desde o início do conflito, realizou 22 mediações envolvendo a troca de 6.691 prisioneiros entre os dois lados em conflito.
No total, 9.048 ucranianos, em sua maioria militares, retornaram do cativeiro desde 2022, disse à AFP Petro Yatsenko, porta-voz do Centro de Coordenação Ucraniano responsável por prisioneiros de guerra.
Esta é a segunda operação desse tipo neste mês: em 11 de abril, Rússia e Ucrânia trocaram 175 prisioneiros de guerra de cada lado, poucas horas antes da entrada em vigor de uma trégua de Páscoa. As trocas de prisioneiros e corpos são o único resultado concreto de várias rodadas de negociações diretas entre os dois países, organizadas desde 2025 sob pressão dos Estados Unidos.
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Essas negociações, mediadas pelos EUA, estão paralisadas desde o início da guerra no Oriente Médio, desencadeada no final de fevereiro por bombardeios dos EUA e de Israel contra o Irã.
A ofensiva russa contra a Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, é o conflito mais sangrento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, com centenas de milhares de mortes em ambos os países, segundo estimativas.
Artefatos explosivos não detonados, desde bombas ou granadas até simples munições, tornaram-se uma visão comum na Faixa de Gaza, devastada pela guerra de dois anos entre Israel e Hamas. Essas armas, que frequentemente matam e mutilam pessoas, podem ameaçar os esforços de recuperação da região por décadas, afirmou a ONU nesta sexta-feira.
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O Serviço das Nações Unidas para a Ação contra Minas Terrestres (UNMAS) afirmou que, desde o início do conflito, em 7 de outubro de 2023, mais de 1.000 pessoas foram mortas em Gaza devido a “conflitos indiretos”, causados ​​pelos resquícios da guerra. Julius Van der Walt, chefe do UNMAS no Território Palestino Ocupado, afirmou que metade das vítimas conhecidas eram crianças.
Comparado com a pequena extensão geográfica do enclave — considerando a altíssima densidade populacional —, isso significa que existe aproximadamente um artefato explosivo a cada 600 metros.
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Publicado no ano passado, um relatório da “Save the Children UK”, uma instituição de caridade britânica que atua em mais de 100 países, constatou que, em 2024, o uso de armas explosivas em Gaza deixou cerca de 475 crianças por mês com deficiências potencialmente permanentes, incluindo amputações. De acordo com Narmina Strishenets, conselheira sênior para Políticas Humanitárias e de Conflitos da “Save the Children UK”, Gaza tem “o maior grupo de crianças amputadas” do mundo.
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Omar Al-Qattaa / AFP
Van der Walt afirmou que a UNMAS ainda não conseguiu realizar um levantamento abrangente da extensão total do problema, mas “as evidências já sugerem uma alta densidade de contaminação por munições explosivas em toda a Faixa de Gaza”.
— Ainda estamos apenas começando a entender o nível de contaminação — reconheceu ele.
Ele mencionou uma avaliação que indica que, na melhor das hipóteses, custará cerca de US$ 541 milhões (mais de R$ 2,7 bilhões, na cotação atual) para lidar com a ameaça de munições explosivas não detonadas. A contaminação, inclusive dentro de montanhas de destroços, é tão vasta e tão variada que provavelmente, segundo ele, continuará sendo um problema por décadas.
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Antes do conflito, Gaza já era um dos lugares mais densamente povoados da Terra, com cerca de 6 mil pessoas por quilômetro quadrado, disse Van der Walt, salientando que a guerra reduziu efetivamente o espaço disponível pela metade e dobrou a densidade populacional.
— Armas explosivas estão sendo usadas em todos os territórios, inclusive em campos de refugiados densamente povoados — acrescentou ele, apontando para um caso recente em que artefatos explosivos foram encontrados dentro de uma tenda onde pessoas estavam vivendo havia várias semanas.
Ao mesmo tempo, ainda de acordo com o chefe da UNMAS, “os comboios humanitários correm o risco de detonação ao percorrerem a Faixa de Gaza, e os esforços iniciais de recuperação ficam essencialmente paralisados ​​antes mesmo de começarem”.
Quase trinta anos após a emblemática visita de sua mãe, a princesa Diana, a Angola, o príncipe Harry acompanhou nesta sexta-feira, em Bucha, na Ucrânia, operações de desminagem com uso de drones e robôs.
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Equipado com óculos de realidade virtual e um colete de proteção, Harry pilotou um drone com inteligência artificial usado para detectar e mapear artefatos explosivos, segundo a organização Halo Trust.
O príncipe também operou um robô projetado para recolher objetos perigosos do solo. Imagens divulgadas pela ONG mostram um equipamento em formato semelhante ao de um cachorro.
Com óculos de realidade virtual e colete de proteção, Príncipe Harry acompanha operação de desminagem com drones e robôs na Ucrânia
AFP
A visita remete à ação de Diana em janeiro de 1997, quando atravessou um campo minado em Angola, em um gesto que chamou atenção mundial para os riscos das minas terrestres.
Harry destacou o avanço tecnológico na área.
— É impressionante ver como a tecnologia torna a desminagem mais inteligente, mais rápida e mais segura — afirmou: — Quando minha mãe foi para a Angola, os desminadores trabalhavam de joelhos. Hoje utilizam drones, inteligência artificial e robôs para maior precisão e proteção. Não é apenas um avanço, salva vidas.
Com óculos de realidade virtual e colete de proteção, Príncipe Harry acompanha operação de desminagem com drones e robôs na Ucrânia
AFP
Durante a passagem por Bucha, a cerca de 30 quilômetros de Kiev, o príncipe também prestou homenagem às vítimas de massacres atribuídos às forças russas no início da invasão da Ucrânia.
Na quinta-feira, em Kiev, Harry havia pedido ao presidente russo, Vladimir Putin, que encerrasse a guerra e defendeu maior participação dos Estados Unidos nas negociações.
O governo da Venezuela deu por concluída a aplicação da lei de anistia aprovada em fevereiro, pouco mais de dois meses após sua implementação. A presidente interina, Delcy Rodríguez, anunciou o fim do processo na quinta-feira, afirmando que a medida beneficiou 8,6 mil pessoas perseguidas por motivos políticos, que estavam presas ou submetidas a diferentes formas de restrição de liberdade. A declaração foi feita apenas um dia antes de Delcy receber o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, no país, marcando o primeiro encontro oficial de um chefe de Estado na Venezuela desde a captura de Nicolás Maduro por forças americanas em janeiro.
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O anúncio de Delcy foi feito durante uma reunião com a comissão encarregada da reforma do sistema judicial, liderada pelo ministro do Interior e Justiça, Diosdado Cabello. Delcy afirmou que os excluídos poderão buscar alternativas em instâncias como o Programa Convivência Democrática e Paz e a Comissão para Reforma da Justiça Penal, que, disse, seguem abertos para tratar situações não contempladas.
A lei foi apresentada pelo chavismo como um instrumento de reconciliação voltado a episódios específicos de violência política ocorridos entre 1999 e 2026, delimitados a 13 períodos de protesto. Na prática, no entanto, organizações de direitos humanos apontam que a aplicação foi seletiva e deixou centenas de pessoas de fora. Entidades como o Foro Penal ainda contabilizam centenas de detidos — incluindo militares — que não foram beneficiados, além de milhares de pessoas que permanecem com restrições judiciais relacionadas a processos políticos.
Enquanto dados oficiais indicam mais de 8 mil beneficiados, organizações independentes apresentam estimativas distintas sobre o número de presos em detenção. O Foro Penal cita 473 detidos, enquanto a ONG Justiça, Encontro e Perdão afirma que ainda há 672 pessoas presas. A organização criticou o fim unilateral da medida, classificando-o como um fator de insegurança jurídica e de vulnerabilidade para as vítimas. Delcy chegou a anunciar que pediria à ONU a verificação das listas de libertados, mas a iniciativa não se concretizou.
“Pretender dar por concluído esse instrumento de forma unilateral representa um ato de insegurança jurídica que deixa as vítimas em absoluta vulnerabilidade e envia um sinal alarmante ao sistema judicial”, declarou a ONG em comunicado citado pelo El País.
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Críticas também se concentram na ausência de medidas de reparação e na falta de reconhecimento dos danos sofridos por pessoas processadas por razões políticas. Ativistas apontam que, além da exclusão de exilados e de indivíduos acusados de promover ações estrangeiras — ponto que atinge diretamente setores da oposição —, o processo foi marcado por entraves iniciais e decisões consideradas discricionárias.
— A anistia foi muito bem-sucedida — disse Delcy, comparando o processo com outros ocorridos ao redor do mundo. — Sempre haverá vozes que buscam perturbar os processos. Fiz comparações que colocam esta lei de anistia em um patamar muito elevado, comparada à da África do Sul, que durou sete anos, ou à da Espanha, que está em vigor desde 2024. Este processo nos levou à reflexão e a pensar em como corrigir o rumo da Venezuela e erradicar o ódio.
Visita oficial
Enquanto isso, Caracas recebe nesta sexta-feira o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, marcando a primeira visita oficial de um presidente desde a retirada de Maduro do poder. O encontro, confirmado após tentativas frustradas anteriores, é visto como um avanço na consolidação de Delcy no poder. Delegações de alto nível de ambos os países estão reunidas na capital venezuelana desde quinta-feira.
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Embora haja interesses econômicos em pauta, como a retomada de projetos energéticos e comerciais entre os dois países, Petro indicou que a reunião terá como foco principal a segurança na fronteira. Com mais de 2 mil quilômetros de extensão, a região — especialmente a área do Catatumbo — é marcada por conflitos armados, presença de grupos ilegais e forte produção de coca, o que provoca deslocamentos em massa.
A área é palco, por exemplo, de um conflito armado entre as guerrilhas do Exército de Libertação Nacional (ELN) e dissidências das extintas FARC. Petro afirmou que pretende fortalecer a inteligência binacional, declarando que, sem isso, “as bombas caem no lugar errado, (…) matando pessoas, como já aconteceu na Colômbia”.
Do lado venezuelano, Cabello lançou, no fim de 2024, a Operação Relâmpago do Catatumbo contra grupos de narcotraficantes. Durante as operações, foram detidos prefeitos opositores, juízes e promotores supostamente envolvidos em atividades ilegais. Na ocasião, o chavista vinculou os criminosos da região à “direita colombo-venezuelana”.
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Na semana passada, Petro disse, em entrevista à agência EFE, que sua proposta para destravar o futuro da Venezuela consiste em um governo com participação do chavismo e da oposição “por um ou dois anos” — o que, segundo ele, abriria caminho para “eleições realmente livres”.
A proposta não consta nos planos oficiais de Miraflores e o governo de Delcy Rodríguez não comentou o assunto. Petro se distanciou do governo Maduro após as contestadas eleições de 2024, quando Edmundo González declarou-se vencedor e divulgou atas que comprovariam sua vitória, enquanto Maduro negou o resultado sem apresentar provas.
A delegação colombiana começou a chegar à Venezuela no início da semana. Ao todo, 83 integrantes do governo Petro viajaram ao país e se reuniram em comissões com uma centena de funcionários venezuelanos. Os temas prioritários foram questões fronteiriças, migratórias e consulares, além de educação e cultura, cooperação energética e gestão de riscos, segurança alimentar, comércio, indústria e turismo.
Jeffrey Epstein hospedou em apartamentos em Londres mulheres que posteriormente relataram ter sido vítimas de abuso sexual, mesmo após a polícia britânica optar por não avançar em uma investigação sobre suspeitas de tráfico sexual internacional envolvendo o financista, segundo revelou uma reportagem da BBC. De acordo com e-mails presentes nos arquivos analisados, algumas dessas mulheres foram pressionadas por Epstein a recrutar outras pessoas para o esquema.
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Documentos contidos nos chamados “arquivos Epstein” — incluindo recibos, e-mails e registros bancários — mostram que o empresário alugou ao menos quatro apartamentos no bairro nobre de Kensington e Chelsea, na capital britânica. Seis mulheres hospedadas nos imóveis mais tarde denunciaram ter sido vítimas de abuso sexual por parte de Epstein.
De acordo com a BBC, muitas dessas mulheres saíram da Rússia e de países do Leste Europeu e foram levadas ao Reino Unido após a Polícia Metropolitana de Londres decidir, em 2015, não investigar a denúncia feita por Virginia Giuffre. Uma das acusadoras mais conhecidas de Epstein, Giuffre afirmou ter sido traficada internacionalmente para Londres.
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Na época, a polícia alegou ter seguido “linhas razoáveis de investigação”, incluindo entrevistas com Giuffre e cooperação com autoridades americanas.
Os documentos analisados revelam ainda detalhes da estrutura mantida pelo financista para acomodar e movimentar mulheres em Londres. Em alguns casos, Epstein teria pagado cursos para que elas estudassem na cidade, muitas delas com visto de estudante.
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Mensagens encontradas pela rede britânica também mostram o controle exercido por Epstein sobre as vítimas. Em uma delas, ele usa linguagem agressiva ao repreender uma mulher por reclamar das condições do imóvel. Em outra, uma delas envia fotos de modelos que conheceu em Londres para avaliação do financista.

As evidências também mostram que algumas das vítimas eram deslocadas entre o Reino Unido e outros países da Europa enquanto o esquema seguia ativo. Segundo a investigação, essa estrutura permaneceu funcionando até pouco antes da prisão de Epstein, em 2019.
Jeffrey Epstein morreu em agosto de 2019 em uma prisão nos Estados Unidos, enquanto aguardava julgamento por acusações federais de tráfico sexual. Desde então, milhares de documentos ligados ao caso vieram a público, expondo detalhes da rede internacional operada pelo financista e ampliando questionamentos sobre possíveis falhas de autoridades em diferentes países.

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