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A Revolução Iraniana de 1979 é considerada um dos eventos geopolíticos mais importantes do século XX. Ela estabeleceu o modelo para uma nova forma de Islã político e deu início a um Estado teocrático estável, mais de quatro décadas depois de sua fundação. Mas antes que o movimento encabeçado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini (1902-1989) promovesse transformações profundas, o Irã era um lugar diferente, ao menos oficialmente. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Irã confirma morte do líder supremo Khamenei em ataques dos EUA e de Israel Ofensiva americana marca ápice de escalada de tensões envolvendo Washington e Teerã; Donald Trump fala em mudança de governo Obituário: Líder supremo dominou a política do Irã por quatro décadas. Teocracia em baixa: EUA atacam Irã em seu momento de maior fragilidade; veja como funciona a República Islâmica. O que pode acontecer? Da sobrevivência do regime ao retorno da monarquia: entenda os possíveis cenários para o Irã após ataque dos EUA. Análise: Ao lançar ataque contra o Irã sem objetivo definido, Trump evoca fracassos passados dos EUA
A mídia estatal do Irã confirmou neste sábado a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, em ataques dos EUA e de Israel contra alvos do país, afirmando que o período de luto público vai vigorar por 40 dias. A confirmação foi feita horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado a morte, afirmando que ela “é a maior chance para o povo iraniano recuperar seu país”, que, declarou, foi “amplamente destruído em apenas um dia”.
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Análise: Ao lançar ataque contra o Irã sem objetivo definido, Trump evoca fracassos passados dos EUA
Ali Khamenei: Líder supremo dominou a política do Irã por quatro décadas
Mais cedo, a mídia iraniana afirmou que a filha, o genro e a neta do líder supremo também foram mortos nos ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel contra a Irã. “Após contato com fontes bem informadas dentro da família do líder supremo, infelizmente foi confirmada a notícia do martírio da filha, do genro e da neta do líder revolucionário”, escreveu a agência de notícias Fars, informação reproduzida por outros meios iranianos.
Em uma publicação em sua plataforma Truth Social, Trump comemorou a morte do aiatolá e reverenciou a atuação das forças de inteligência americanas, destacando que, “trabalhando em estreita colaboração com Israel, não havia nada que ele, ou os outros líderes que foram mortos junto com ele, pudessem fazer”.
Comemorações em diversas partes de Teerã após a morte do líder Ali Khamenei
O presidente também prometeu que os bombardeios contra o território iraniano continuarão “pelo tempo que for necessário” para que os EUA alcancem seu “objetivo de paz em todo o Oriente Médio”.
“Isso não é apenas justiça para o povo do Irã, mas para todos os grandes americanos e para aqueles de muitos países ao redor do mundo que foram mortos ou mutilados por Khamenei e sua gangue de bandidos sedentos de sangue”, escreveu o presidente americano.
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O governo de Khamenei foi duramente marcado por conflitos, pela intensificação dos laços com os militares e pelo fortalecimento da Guarda Revolucionária, que hoje comanda boa parte do Estado iraniano.
Testemunhas relatam que gritos de alegria ecoaram por partes de Teerã e que moradores foram às janelas para aplaudir e tocar músicas comemorativas quando começaram a surgir os primeiros relatos extraoficiais de morte do líder supremo, às 23h (17h no Brasil), de acordo com diversas testemunhas, gravações de áudio e imagens compartilhadas nas redes sociais.
Comemorações em diversas partes de Teerã após a morte do líder Ali Khamenei
Mais cedo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, havia dito em um pronunciamento televisionado que havia “fortes indícios” de que o líder supremo do Irã havia morrido durante o ataque conjunto realizado por Israel e Estados Unidos contra a nação persa.
— Esta manhã destruímos, em um ataque surpresa, o complexo do tirano Khamenei no coração de Teerã (…) e há muitos indícios de que esse tirano já não esteja vivo — declarou.
Em seu pronunciamento, Netanyahu afirmou que os ataques mataram comandantes da Guarda Revolucionária, a força de elite do Irã, assim como autoridades graduadas do regime iraniano e funcionários nucleares. Segundo o premier israelense, a operação contra o Irã “continuará enquanto for necessário”, afirmando que, nos próximos dias, “atingiremos milhares de alvos” do regime.
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Afirmando que Trump é um “líder que mantém sua palavra”, Netanyahu agradeceu o líder americano por sua “liderança histórica”, afirmando que Israel entrou na guerra para “mudar fundamentalmente” a possibilidade de o país persa desenvolver uma arma nuclear e, assim, drasticamente aumentar sua ameaça contra os vizinhos.
Em seu anúncio divulgado no início da noite, Trump declarou ainda que autoridades americanas “estão ouvindo que muitos de seus membros da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), das Forças Armadas e de outras forças de segurança e policiais não querem mais lutar e estão buscando imunidade”.
O presidente americano acrescentou esperar que as forças de segurança iranianas “se unam pacificamente aos patriotas iranianos” e trabalhem juntos para “trazer o país de volta à grandeza que ele merece”, processo que, segundo ele, deve começar em breve.
Os ataques militares no Oriente Médio, na manhã deste sábado, fecharam o espaço aéreo sobre o Irã e países vizinhos, levando companhias aéreas de todo mundo a cancelar ou redirecionar voos que passariam pela região — o que virou do avesso os planos de viajantes mundo afora. 
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A família da designer Beatriz Ferrari, de 32 anos, foi uma das afetadas. Depois de um ano de planejamento e um investimento, por pessoal, de mais de R$ 20 mil, ela e a mãe, Livia Ferrari, de 72, iam passar 20 dias na China ao lado de outros dez familiares.
Elas e quatro tios de Beatriz embarcaram na madrugada de sábado no Aeroporto do Galeão num voo da Emirates. Após seis horas de viagem, porém, a aeronave deu meia volta após o piloto informar aos passageiros que o espaço aéreo de Dubai, onde iriam pousar, estava fechado.
— O avião estava lotado. Veio de Buenos Aires, com escala no Rio, e seguiria para Dubai. Quando o piloto falou, foi um alvoroço na aeronave. Todo mundo se perguntando o que estava acontecendo, um clima de muita ansiedade. Conseguimos nos informar pela TV nas telinhas do avião — conta a designer.
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Um casal de tios de Beatriz, que saiu de Porto Alegre e seguiria para Pequim com conexão em Doha, no Catar, acabou “preso” no Cairo, no Egito, onde a aeronave da Qatar Airways teve que pousar. Os dois, segundo Beatriz, estão ainda sem informações do que fazer. 
Uma prima e uma amiga de Beatriz, que moram em Berlim e seguiriam de lá para Doha, onde fariam conexão para Pequim, nem chegaram a embarcar, e tiveram o voo cancelado por causa dos ataques. 
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  — É uma sensação de frustração muito grande, tínhamos muita expectativa, então é um balde de água fria. Só que, ao mesmo tempo, é um alívio. Imagina se chegamos em Dubai e as coisas pioram, ficamos presas lá? Fico preocupada com meus tios, que ainda não sabe o que fazer. Vamos torcer para que tudo fique tranquilo — desabafa Beatriz. 
Segundo o g1, outro voo impactado, também da Emirates, decolou do Aeroporto de Guarulhos às 1h32 deste sábado com destino à capital dos Emirados Árabes Unidos, mas pousou às 14h53 no terminal paulista novamente. 
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De acordo com o Aeroporto de Guarulhos, desde a sexta-feira quatro voos foram cancelados em função dos ataques ao Oriente Médio, sendo três da Qatar e um da Emirates.
Itamaraty recomenda suspensão de viagens
O Ministério das Relações Exteriores recomendou, neste sábado, que brasileiros não viajem ao Irã, Israel, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Jordânia, Iraque, Líbano, Palestina e Síria, diante da recente escalada das tensões no Oriente Médio. A orientação foi divulgada após o ataque lançado pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, e as retaliações registradas na região.
Para brasileiros que já se encontram nesses países, o Itamaraty divulgou uma série de medidas de segurança, especialmente em caso de ataques ou bombardeios. A recomendação é se dirigir imediatamente ao abrigo mais próximo.
Quem estiver na rua deve buscar estações de metrô, viadutos ou estacionamentos subterrâneos. Em casa, a orientação é priorizar cômodos internos, com ao menos duas paredes entre o ocupante e a área externa do edifício, manter portas e janelas fechadas e evitar permanecer na linha de visão do céu.
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O ministério também aconselha procurar abrigo antes de utilizar aplicativos de mensagens ou fazer chamadas telefônicas e manter reserva de água, enchendo banheiras ou recipientes grandes com água fria, diante da possibilidade de escassez.
Entre as recomendações gerais estão acompanhar os sites e redes sociais das embaixadas brasileiras na região, seguir rigorosamente as orientações das autoridades locais, evitar multidões e protestos, monitorar a mídia local, não deixar residências sem avaliar as condições de segurança e verificar se documentos de viagem têm pelo menos seis meses de validade. Em caso de cancelamento de voos, a orientação é procurar diretamente a companhia aérea para remarcação.
O Itamaraty divulgou os contatos de emergência das repartições diplomáticas brasileiras na região:
Embaixada em Teerã: +98 (0) 912-148-5200
Embaixada em Tel Aviv: +972 54 803 5858 (recomenda-se também baixar o aplicativo do Home Front Command (https://www.oref.org.il/en)
Embaixada em Doha: +974 6612 6585
Embaixada no Kuwait: +965 6684 0540
Embaixada em Abu Dhabi: +971 50 668 3258
Embaixada em Manama: +973 3364 6483
Embaixada em Amã: +962 7 7558 4460
Embaixada em Bagdá: +964 780 929 1396
Embaixada em Beirute: +961 70 108 374 – Canal WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029VarNJEqJUM2gCsrVNj0i
Escritório de Representação em Ramala: +972 59 205 5510
Embaixada em Damasco: +963 933 213 438
Segundo o ministério, situações de emergência são aquelas que exigem atuação imediata do agente consular e envolvem risco à vida, à segurança ou à dignidade humana de cidadãos brasileiros no exterior.
Aviões evitam o Irã devido ao fechamento do espaço aéreo
Reprodução/Flightradar24.com
Imagens do site de rastreamento Flightradar24h mostram o espaço aéreo iraniano praticamente vazio.
De acordo com a agência Reuters, entre as companhias que anunciaram mudanças está a Lufthansa, que suspendeu voos de e para Tel Aviv, em Israel, Beirute, no Líbano, e Amã até 7 de março. A empresa alemã também cancelou operações para Dubai durante o fim de semana. A KLM cancelou o voo entre Amsterdã e Tel Aviv previsto para sábado, enquanto a Air France suspendeu viagens programadas para este sábado entre Paris, Tel Aviv e Beirute.
Outras empresas adotaram medidas semelhantes. A Wizz Air interrompeu todos os voos para Israel, Dubai, Abu Dhabi e Amã com efeito imediato até 7 de março. Já a Air Arabia cancelou operações para o Irã, o Iraque e outros destinos da região.
Trump confirma morte de líder supremo do Irã em ataques dos EUA e de Israel Ofensiva marca ápice de escalada de tensões envolvendo Washington e Teerã; Donald Trump fala em mudança de governo Obituário: Líder supremo dominou a política do Irã por quatro décadas. Teocracia em baixa: EUA atacam Irã em seu momento de maior fragilidade; veja como funciona a República Islâmica. O que pode acontecer? Da sobrevivência do regime ao retorno da monarquia: entenda os possíveis cenários para o Irã após ataque dos EUA. Análise: Ao lançar ataque contra o Irã sem objetivo definido, Trump evoca fracassos passados dos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no início da noite deste sábado que o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto durante os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã. Em seu anúncio, Trump afirmou que a morte de Khamenei “é a maior chance para o povo iraniano recuperar seu país”.
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Em uma publicação em sua plataforma Truth Social, Trump comemorou a morte do aiatolá e reverenciou a atuação das forças de inteligência americanas, destacando que “trabalhando em estreita colaboração com Israel, não havia nada que ele, ou os outros líderes que foram mortos junto com ele, pudessem fazer”.
“Isso não é apenas justiça para o povo do Irã, mas para todos os grandes americanos e para aqueles de muitos países ao redor do mundo que foram mortos ou mutilados por Khamenei e sua gangue de bandidos sedentos de sangue”, escreveu o presidente americano.
*Em atualização
Segundo líder supremo do Irã depois da revolução de 1979 e a figura política mais importante do país depois do aiatolá Ruhollah Khomeini, o aiatolá Ali Khamenei morreu neste sábado em ataques dos EUA e de Israel ao Irã, deixando em aberto o seu processo de sucessão e o próprio futuro da República Islâmica, anunciou o presidente dos EUA, Donald Trump. A confirmação veio após o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ter dito que havia fortes indícios de sua morte.
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Khamenei nasceu em um dos centros do islã do Irã, Mashad, em junho de 1939. Segundo filho de um teórico religioso, chamado pelo futuro líder supremo de “um pouco cético”, não teve uma infância de luxos, morando em uma casa pequena com seus pais e sete irmãos.
Na juventude, seguiu o caminho do pai nos estudos religiosos, e aos 19 anos foi para Qom, a “capital religiosa” do Irã, onde passou a ter contatos com intelectuais de diversas correntes políticas. Ali, teve aulas com o já influente Ruhollah Khomeini — na época, em meados dos anos 1960, começava a surgir um movimento organizado de oposição ao xá Reza Pahlevi, ao qual Khamenei se uniu em seus primeiros momentos.
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Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei (C), em evento com comandantes das Forças Armadas
KHAMENEI.IR/AFP PHOTO
Como escreveu o jornalista e dissidente Akbar Ganji em um longo perfil sobre as bases intelectuais de Khamenei para a revista Foreign Affairs, talvez nenhum líder religioso do Irã tenha sido tão cosmopolita como ele, um ávido consumidor de obras de autores clássicos iranianos, russos e franceses: em 2001, em uma entrevista na TV, disse que “Os Miseráveis”, de Victor Hugo, era o melhor romance da História.
Ao mesmo tempo, seus anos acadêmicos moldaram posições de sua trajetória política, a começar pela ideia de que o Ocidente e os valores das democracias liberais estavam diante de um declínio inevitável, e que expressavam uma visão de mundo abertamente islamofóbica. Também era um admirador das ideias do poeta egípcio Sayyid al-Qutb, principal teórico da Irmandade Muçulmana e que propagava a ideia de um Estado islâmico: para Khamenei, “o Islã sem um governo e uma nação muçulmana sem o Islã são algo sem sentido”.
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Ideias que coincidiam com o pensamento de Khomeini, que durante o reinado de Mohammad Reza Pahlevi agregou o apoio de todos os campos da sociedade, passando de líderes religiosos até o histórico partido comunista iraniano, o Tudeh, culminando com a Revolução Islâmica de 1979. Em fevereiro daquele ano, Pahlevi pilotaria seu Boeing 707 do aeroporto de Mehrabad, em Teerã, pela última vez, abrindo caminho para o retorno de Khomeini do exílio e a fundação da República Islâmica, como queria Khamenei, que não tardou a se inserir no novo governo.
Revolucionário
Próximo de outro nome dominante da vida política iraniana, Ali Hashemi Rafsanjani, Khamenei conseguiu um posto de vice-ministro da Defesa em 1979, ocupando ainda uma cadeira no novo Parlamento. O futuro líder supremo também foi indicado como o imã das orações de sexta-feira, um dos postos de maior prestígio no país.
Mas, em 1981, sua trajetória daria uma guinada brusca: naquele período, o Irã enfrentava uma violenta invasão do Iraque, e os principais grupos políticos travavam suas próprias batalhas pelo poder.
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Em junho, dias depois de o Parlamento aprovar o impeachment do então presidente, Abolhassan Bani Sadr, Khamenei sofreu um atentado em uma mesquita de Teerã, que por pouco não o matou, mas o deixou com sequelas permanentes em um dos braços e nas cordas vocais. Em agosto, após o assassinato de outro presidente, Mohammed Ali Rajai, também em um atentado, Khamenei foi escolhido para sucedê-lo.
Seu governo foi duramente marcado pela guerra, que deixaria cerca de um milhão de mortos, pela intensificação dos laços com os militares e pelo fortalecimento da Guarda Revolucionária, que hoje comanda boa parte do Estado iraniano.
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Ditador do Iraque, Saddam Hussein
INA/AFP
O antagonismo aos EUA se intensificou diante do apoio de Washington a Saddam Hussein na guerra que durou oito anos: em 1987, usou a tribuna da Assembleia Geral da ONU para atacar as políticas americanas para seu país, no passado e no presente.
— Nosso povo demonstrou fé em seus objetivos, e que dará até mesmo a vida para permanecer comprometido com eles. Uma nação assim não pode ter medo dos Estados Unidos ou de qualquer outra potência — disse Khamenei. — Com a graça de Alá, nossa nação mostrará que a verdade prevalece e que a vitória pertence aos crentes justos.
Impossibilitado de concorrer novamente à Presidência, e diante dos problemas de saúde de Khomeini, Khamenei voltou-se para o processo de sucessão do líder supremo. Àquela altura, o aiatolá Ali Montazeri era o favorito, mas críticas que fez milhares de execuções extrajudiciais de dissidentes, ordenadas pelo próprio Khomeini, o tiraram da disputa. Após a morte do líder supremo, em 1989, coube à Assembleia dos Especialistas, órgão responsável pela escolha, decidir quem ocuparia o posto.
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Khamenei agora era o favorito, mas dependeu de uma questionável mudança na Constituição para ser confirmado: ele não tinha as credenciais religiosas necessárias, e a reforma sofreu duras críticas de outros clérigos. Montazeri não participou da escolha, uma vez que tinha sido posto em prisão domiciliar, onde permaneceu até sua morte, em 2009.
Presidente eleito do Irã, Hassan Rouhani (2º da E para D), em visita ao mausoléu do fundador da República Islâmica, nos arredores de Teerã
ATTA KENARE / AFP
Dentro do complexo modelo de poder no Irã, o líder supremo tem a decisão final em políticas de Estado, como na economia e na diplomacia. Choques com o presidente, eleito pelo povo e que não necessariamente segue suas ideias, não são raros.
Foi o que aconteceu em determinados momentos do primeiro mandato de Rafsanjani, um moderado e que tinha como tarefa central a reconstrução no pós-guerra. O processo de reformas econômicas e sociais sofreu interferências do líder supremo e de seus aliados no Parlamento. Dissidentes eram reprimidos nas ruas e por vezes obrigados a deixar o país.
Em 1997, o establishment foi surpreendido pela eleição de Mohammed Khatami, um clérigo reformista que não escondia a vontade de melhorar os laços com os EUA, então a única superpotência no planeta. Como aponta Ganji, o discurso antiamericano de Khamenei se intensificou, assim como suas tentativas de minar os planos do novo governo para modificar a sociedade iraniana. O Parlamento, aliado de Khamenei, removeu vários ministros, e vozes progressistas foram silenciadas por meio do fechamento de jornais ou assassinatos políticos.
Com a chegada do conservador Mahmoud Ahmadinejad, um polêmico ex-prefeito de Teerã conhecido por seus comentários antissemitas, Khamenei obteve um certo alinhamento. O antagonismo aos EUA se intensificou, assim como os passos para o desenvolvimento do programa nuclear, acusado de ter fins militares — Khamenei chegou a emitir uma fatwa, um decreto religioso, negando tal possibilidade, mas muitos questionam se a ordem realmente existe.
— Não queremos uma arma nuclear. Não por causa do que dizem, mas por nós mesmos, por causa da nossa religião, por causa das nossas razões racionais. Esta é tanto a nossa fatwa religiosa quanto a nossa fatwa racional — declarou em um discurso em 2015. — Nossa fatwa racional é que não precisamos de armas nucleares hoje, amanhã ou nunca. As armas nucleares são uma fonte de problemas para um país como o nosso.
Apoiadores do candidato à Presidência do Irã Mir Hossein Mousavi durante protesto em Teerã
BEHROUZ MEHRI/AFP
Em 2009, após a contestada reeleição de Ahmadinejad, o líder supremo acusou os manifestantes que tomaram as ruas de serem uma ferramenta de “mudança de regime” patrocinada pelos EUA. Como esperado, ele aprovou a ampla repressão que deixou centenas de mortos e levou milhares à prisão. O líder supremo ainda deu aval para outras ondas de repressão, como a de 2022 a 2023, quando multidões foram às ruas contra as draconianas regras morais do país, que têm no uso do véu pelas mulheres seu maior expoente. Em 2026, autorizou outra contra manifestantes que se levantaram contra o regime, em uma repressão que deixou estimadas dezenas de milhares de mortos.
Sucessão
Um ponto central da ideologia de Khamenei é uma preocupação quase paranoica com supostas ameaças à República Islâmica: os ecos da invasão americana ao Iraque, das sanções internacionais e de uma “conspiração internacional” para derrubar o regime guiaram discursos e decisões. Mas em 2015, apesar das críticas públicas, ele deu aval às negociações de um acordo sobre o programa nuclear do país, firmado com cinco outros países, incluindo os EUA. Em troca de limites às atividades atômicas, parte das sanções seria suspensa, dando novo fôlego a uma economia com sérios problemas.
O plano viria abaixo em 2018, quando Donald Trump retirou os EUA do acordo e ampliou a política de sanções. Um ano depois, disse ter alertado o então presidente Hassan Rouhani sobre os riscos de lidar com os EUA e, em 2022, já em meio às negociações para a reativação do plano, disse que as conversas eram “fúteis”. Em 2026, passou a pressionar por um novo acordo enquanto estabelecia perto do Oriente Médio a maior mobilização militar dos EUA na região desde a guerra do Iraque.
Ali Khamenei lidera orações em mesquita durante encerramento do Ramadã
Khamenei.ir/AFP
Por questões de saúde, Khamenei foi se ausentando cada vez mais da vida pública, evitando grandes deslocamentos e reduzindo o número de visitas de aliados e líderes estrangeiros, especialmente durante a pandemia da Covid-19, que matou 144 mil iranianos. Em vez do combativo líder, conhecido por seus discursos incisivos contra seus inimigos, Khamenei era cada vez mais uma figura simbólica, com decisões políticas delegadas a assessores.
Mesmo assim, Khamenei entrou na lista de alvos de Israel, com o premier, Benjamin Netanyahu, dizendo que sua morte poderia levar ao fim do conflito.
Além do legado político de quase quatro décadas, a morte de Khamenei deixa no ar dúvidas sobre quem será seu sucessor. Até o ano passado, o então presidente Ebrahim Raisi era considerado um dos nomes mais fortes para se tornar o líder supremo, mas ele morreu em um acidente aéreo, desfazendo um acerto que era dado como praticamente certo. Outro candidato era seu filho, Mojtaba, mas ao contrário da sucessão de Khomeini, o processo atual pode ser bem mais complexo.
Como aponta Sina Toossi, pesquisador do Centro de Políticas Internacionais, Khamenei angariou tanto poder ao longo de sua carreira que será difícil, senão impossível, manter a coesão do cargo com apenas uma pessoa, sugerindo a formação de uma junta, possivelmente comandada pela ala mais conservadora do regime. Outra hipótese é a de que o novo líder supremo terá um aspecto mais simbólico do que prático, em meio a uma transição da estrutura da República Islâmica mais ampla, na qual a Guarda Revolucionária concentraria o poder e deixaria os clérigos em segundo plano.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado que o governo americano acredita que os relatos de que o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, morreu nos ataques contra o país “são verdadeiros”. Imagens de satélite capturadas pela Airbus mostram a destruição no complexo da residência oficial do aiatolá na capital Teerã, principal local para receber autoridades de alto escalão, após ataques militares dos Estados Unidos e de Israel realizados nas primeiras horas da manhã deste sábado.
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Em uma ligação telefônica com a NBC News, o presidente americano disse que Khamenei “matou muitas pessoas” e “destruiu um país”. Questionado sobre quando receberia a confirmação sobre o estado de saúde de Khamenei, Trump disse:
— Conversei com muitas pessoas além do governo e temos certeza, acreditamos que essa é uma história verdadeira. As pessoas que tomam todas as decisões, a maioria delas já se foi — declarou o presidente.
Testemunhas relatam que gritos de alegria ecoaram por partes de Teerã e que moradores foram às janelas para aplaudir e tocar músicas comemorativas após a notícia da morte do líder supremo. As comemorações começaram pouco depois das 23h (17h no Brasil), de acordo com diversas testemunhas, gravações de áudio e imagens que circulam nas redes sociais. No entanto, ainda não há confirmação oficial de que o aiatolá tenha morrido durante os ataques de hoje.
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te e que moradores foram às janelas para aplaudir e tocar músicas comemorativas após a notícia da morte do líder supremo. As comemorações começaram pouco depois das 23h (17h no Brasil), de acordo com diversas testemunhas, gravações de áudio e imagens que circulam nas redes sociais. No entanto, ainda não há confirmação oficial de que o aiatolá e.
Mais cedo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou em um pronunciamento televisionado neste sábado que há “fortes indícios” de que o líder supremo do Irã morreu durante o ataque conjunto realizado por Israel e Estados Unidos contra a nação persa. Paralelamente, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que “não poderia confirmar” a situação de Khamenei.
— Esta manhã destruímos, em um ataque surpresa, o complexo do tirano Khamenei no coração de Teerã (…) e há muitos indícios de que esse tirano já não esteja vivo — declarou.
Duas redes de televisão israelenses informaram na noite deste sábado que Trump e Netanyahu viram uma “foto do corpo” de Khamenei.
“Altos funcionários israelenses foram informados sobre a eliminação de Khamenei. Seu corpo foi retirado dos escombros de seu complexo” residencial, indicou a TV pública KAN. Segundo a emissora Channel 12, “uma foto do corpo foi mostrada para Netanyahu e Trump”.
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Tempo indeterminado
Trump disse que a operação coordenada dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã pode ‘durar muito’ ou terminar ‘em dois ou três dias’. Segundo o republicano, existem várias opções de “saída” para a desescalada do conflito após os ataques que tiveram início na manhã deste sábado.
— Posso prolongar o processo e assumir o controle total, ou encerrar tudo em dois ou três dias e dizer aos iranianos: “Nos vemos daqui a alguns anos, se vocês começarem a reconstruir (seu programa nuclear)” — afirmou numa entrevista por telefone à Axios em sua primeira declaração desde os ataques.
O presidente americano afirmou ainda que, de qualquer forma, os iranianos “levarão vários anos para se recuperar desse ataque”. O líder republicano afirmou ter tomado a decisão de autorizar a operação devido à falta de progresso nas negociações nucleares desta semana, lideradas por seus enviados, Steve Witkoff e Jared Kushner:
— Os iranianos se aproximaram e depois recuaram, se aproximaram e depois recuaram. Entendi, portanto, que eles não querem realmente um acordo.
O Irã tem uma bomba atômica? Como a República Islâmica montou programa nuclear alvo de ataque de EUA e Israel
Uma segunda razão para dar o aval ao ataque, disse Trump, foi a conduta do Irã nas últimas décadas. Segundo o presidente, após pedir à sua equipe para compilar todos os ataques conduzidos pelo país nos últimos 25 anos, ele constatou que “todos os meses eles faziam algo ruim, explodiam ou mataram alguém”.
O chefe do Executivo americano também afirmou que o Irã começou a reconstruir algumas das instalações nucleares que os EUA e Israel atingiram durante junho do ano passado. Segundo a Axios, analistas independentes constataram a construção de atividades em algumas das instalações, mas não concluíram que o Irã tenha de fato retomado a atividade nuclear.
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom, na sigla em inglês), unidade responsável por operações no Oriente Médio, divulgou imagens dos ataques aéreos e navais realizados pelo país junto a Israel contra o Irã neste sábado.
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Entenda: EUA e Israel fazem ataque coordenado contra o Irã com promessa de fim do regime dos aiatolás e da ameaça nuclear
No vídeo, é possível ver mísseis sendo lançados, aviões decolando de navios e alvos militares iranianos sendo atingidos. Na publicação, o perfil do Centcom escreveu que seu objetivo é “defender o povo americano, eliminando as ameaças iminentes do regime iraniano”.
Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) divulga como ocorreram os disparos contra Irã
“O Presidente ordenou uma ação ousada. As forças do Centcom estão desferindo um golpe esmagador e implacável”, acrescentou.
A ataque coordenado dos EUA e de Israel contra o Irã, que começou na manhã deste sábado, teve centenas de instalações militares e lideranças do regime iraniano entre seus alvos, incluindo o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e o presidente Masoud Pezeshkian.
Premier de Israel: Há ‘fortes indícios’ de que aiatolá Ali Khamenei morreu durante ataque ao Irã
O presidente americano, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciaram que a ação tinha por objetivo não apenas a destruição dos programas nuclear e de mísseis iraniano, mas também a mudança de regime — em um momento em que a Revolução Islâmica enfrenta a maior crise interna de seus 47 anos.
De acordo com as Forças Armadas israelenses, foram atingidos cerca de 500 alvos no Irã, entre sedes do governo e instalações militares, incluindo lançadores de mísseis no Oeste do país.
O porta-voz do Crescente Vermelho no Irã, Mojtaba Khaledi, afirmou que 20 das 31 províncias foram afetadas. Entre as principais cidades, estão a capital Teerã, Tabriz e Isfahã — essa última, onde fica uma das principais centrais nucleares do programa iraniano.
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Um dos alvos atingidos foi o complexo da residência oficial de Khamenei, na capital Teerã. Imagens de satélite mostram a destruição, com uma coluna negra de fumaça, edifícios colapsados e danos estruturais graves.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou haver “muitos indícios” de que o líder supremo do Irã, Khamenei, foi morto no ataque. Segundo a mídia israelense, o complexo residencial foi atingido por ’30 bombas’.
Em entrevista à ABC News, porém, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse que Khamenei está vivo.
Os ataques deste sábado realizados pelos EUA e Israel ao Irã provocaram desconforto imediato entre alguns dos aliados do presidente americano, Donald Trump, na base MAGA, da sigla em inglês de “Make America Great Again” (“Faça a América Grande de Novo”). Apoiadores do líder republicano expressaram temores de que os ataques pudessem arrastar os Estados Unidos para mais um conflito prolongado no Oriente Médio, sinalizaram um “descumprimento” da promessa de campanha de Trump em 2024 — de se concentrar na economia e não em conflitos externos — e alertaram que a ação militar no Golfo Pérsico poderia prejudicar os republicanos nas eleições de meio de mandato de novembro.
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Trump argumentou que a ofensiva era necessária para derrubar o regime iraniano, mesmo que isso provavelmente custaria vidas americanas. No entanto, vários apoiadores proeminentes de Trump pressionaram por mais explicações, alertando que as autoridades precisavam apresentar argumentos mais abrangentes para aqueles que o apoiavam, em parte devido à sua promessa de garantir que não haja “nenhuma nova guerra”.
— Temos que ser honestos e admitir que há uma sensação de que isso não foi suficientemente comunicado ao público americano — disse Andrew Kolvet, porta-voz do Turning Point USA, no programa “The Charlie Kirk Show”.
Esse sentimento foi ecoado por outros aliados do presidente americano em declarações públicas e nas redes sociais. E refletiu preocupações dentro da órbita de Trump de que houve pouca coordenação na comunicação antes do ataque, para que os aliados pudessem articular adequadamente o plano geral do governo.
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Reagan Box, uma das várias candidatas republicanas para substituir a ex-deputada dos EUA Marjorie Taylor Greene na Geórgia, disse que, embora seja apoiadora de Trump e faça parte da base MAGA, não apoia os ataques ao Irã. Embora classifique a liderança da República Islâmica “hedionda”, ela afirmou à Reuters que “toda vez que tentamos fazer uma mudança de regime, especialmente no Oriente Médio, acabamos por desestabilizá-lo”.
Segundo a CNN, assessores de Trump também expressaram preocupação, em conversas privadas, com os riscos políticos de uma guerra prolongada com o Irã, que poderia diminuir ainda mais o entusiasmo da base MAGA — além de desviar a atenção de Trump das questões internas, ainda consideradas as principais preocupações do governo antes das eleições de meio de mandato.
Os Hodgetwins, uma dupla popular de podcasters conservadores que são apoiadores de Trump, criticaram os ataques em uma postagem para seus 3,5 milhões de seguidores no X, que classificaram como “antitéticos” em relação à campanha de 2024 do presidente.
“Libertar o povo do Irã não é o motivo pelo qual votei em Trump”, dizia a publicação.
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Efeitos eleitorais
Enquanto pesquisas de opinião pública mostram consistentemente que a principal preocupação dos americanos é o aumento do custo de vida, grande parte dos primeiros 13 meses de Trump à frente da Casa Branca em seu segundo mandato foi dominada por questões de política externa. Os líderes republicanos no Congresso temem que o descontentamento dos eleitores se reflita nas eleições de novembro.
Membros do Congresso têm se manifestado sobre os ataques dos Estados Unidos ao Irã, e republicanos e democratas divergem significativamente. Os republicanos, em sua maioria, elogiaram o presidente Trump pelo que consideraram uma operação crucial contra um país que há muito ameaçava os Estados Unidos e seus aliados. Muitos evitaram abordar a questão de se o presidente precisava de autorização do Congresso para realizar uma operação militar de longa duração, e os que divergiram publicamente mencionaram este tópico como uma crítica à determinação da Casa Branca.
O senador Rand Paul, republicano de Kentucky e patrocinador da resolução bipartidária de poderes de guerra, compartilhou “simpatia pela situação do povo iraniano”, mas disse nas mídias sociais que “se oporia a outra guerra presidencial”. Em sua publicação, ele destacou que “a Constituição conferiu o poder de declarar ou iniciar guerra ao Congresso por um motivo, para tornar a guerra menos provável”.
Sob o mesmo argumento, o deputado Thomas Massie, republicano de Kentucky e fervoroso oponente da intervenção militar no exterior, descreveu os ataques nas mídias sociais como “atos de guerra não autorizados pelo Congresso”. O deputado republicano anunciou que trabalharia com seu colega democrata Ro Khanna para “forçar uma votação no Congresso sobre esta guerra com o Irã”.
“Eu me oponho a esta guerra. Isso não é ‘América Primeiro'”, declarou Massie no X, fazendo referência a um dos slogans de Trump.
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Os democratas alertaram que o Trump estava arrastando o país para outra guerra prolongada no Oriente Médio e colocando em risco desnecessariamente as tropas americanas. Democratas e um pequeno bloco de republicanos na Câmara e no Senado planejavam forçar uma votação na próxima semana sobre se deveriam impedir o presidente de declarar guerra ao Irã sem a aprovação do Congresso.
O governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, que é presidenciável, afirmou que, embora apoie a mudança de regime no Irã e acredite que o país não deva possuir armas nucleares, isso “não justifica que o presidente dos Estados Unidos se envolva em uma guerra ilegal e perigosa que colocará em risco a vida de nossos militares americanos e de nossos amigos, sem justificativa para o povo americano”.
A Lei de Poderes de Guerra de 1973 exige que as administrações notifiquem o Congresso em até 48 horas após o envio das forças armadas dos EUA para hostilidades ou para situações em que o envolvimento iminente em hostilidades seja claramente indicado. A lei visava garantir transparência e supervisão legislativa na ausência de uma declaração formal de guerra.
“Esta administração é obrigada pela Lei de Poderes de Guerra de 1973 a notificar o Congresso em até 48 horas após o envio das forças armadas dos EUA para hostilidades ou para situações em que o envolvimento iminente em hostilidades seja claramente indicado. A lei tinha como objetivo garantir transparência e supervisão legislativa na ausência de uma declaração formal de guerra.”
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O presidente da Câmara, Mike Johnson, republicano da Louisiana, afirmou que Trump havia esgotado as “soluções pacíficas e diplomáticas” para frustrar as ambições nucleares do Irã e que agora o Irã estava “enfrentando as severas consequências de suas ações malignas”.
Segundo ele, o Grupo dos Oito — os líderes da Câmara e do Senado de ambos os partidos — foi informado esta semana de que uma ação militar no Irã era uma possibilidade “para proteger as tropas e os cidadãos americanos no Irã”. Ele afirmou que o Irã e seus aliados “ameaçaram a América e as vidas americanas”, minaram os interesses dos EUA e “colocaram em risco a segurança de todo o Ocidente”.
O senador John Thune, republicano da Dakota do Sul e líder da maioria, elogiou Trump por tomar medidas, dizendo que o Irã “representava uma ameaça clara e inaceitável” aos Estados Unidos e seus aliados há anos e que “recusou as vias de saída diplomáticas”. Ele disse que o secretário de Estado, Marco Rubio, havia fornecido atualizações sobre a operação na última semana e que o governo informaria os membros do Congresso sobre os ataques.
O Grupo dos Oito, que por lei deve ser mantido informado em tempo real sobre operações secretas de inteligência, também costuma ser notificado de ações militares, embora o governo Trump nem sempre o tenha feito. Presidentes de ambos os partidos há muito buscam um controle militar mais unilateral e argumentam que a lei infringe sua autoridade constitucional como comandante-em-chefe, resultando frequentemente em notificações limitadas, tardias ou restritas.
(Com AFP e New York Times)

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