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Quatro dias antes de completar 80 anos, o presidente dos EUA, Donald Trump, revelou a jornalistas o que gostaria de ganhar de aniversário, celebrado neste domingo: “Paz para todo o mundo”. Uma fala panglossiana que não esconde seu inferno astral. Ele ostenta índices históricos de desaprovação, tem uma lista cada vez menor de aliados, e segue distante de uma saída para a guerra que criou no Irã. Nem seus planos hiperbólicos para o apagar das velinhas (dele e do país) passaram ilesos: as obras em Washington estão na mira da Justiça, a série de shows prevista para as próximas semanas foi cancelada e o evento do UFC na Casa Branca deu margem a comparações inglórias.
— Não é que o Trump mudou do primeiro para o segundo mandato, o que mudou foi o entorno dele. ele está mais cercado de indivíduos cujo principal objetivo é prestar lealdade a Trump, pessoas cuja função é apenas dizer “sim, senhor” — disse Carlos Gustavo Poggio, professor do Departamento de Ciência Política do Berea College, ao GLOBO.— Isso tornou esse estilo caótico de tomar decisões por impulso mais evidente. Se no primeiro mandato ele falava algo absurdo, era, de alguma forma, sabotado em seu entorno.
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Desde janeiro de 2025, quando retornou à Casa Branca, Trump acumulou poderes, com o aval do Congresso afável e de um Departamento de Justiça disposto a fazer cumprir a agenda de perseguição de rivais, especialmente democratas. Analistas afirmaram que essa era uma “Presidência imperial”, e o republicano falou em tom de seriedade sobre um terceiro mandato, proibido pela Constituição.
Aliados externos se viram perdidos diante de críticas nada diplomáticas ou, no caso do líder ucraniano, Volodymyr Zelensky, humilhações. O tarifaço global, que confundiu retaliações comerciais com punições políticas, minou a credibilidade dos EUA, e a retomada do papel de “xerife do mundo”, especialmente na América Latina e Oriente Médio, não lhe rendeu novos amigos. Mas na novilíngua trumpista, era o caminho da “Era Dourada” dos EUA.
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Fora do núcleo duro do trumpismo, as coisas não são tão douradas após 510 dias de mandato. Suas taxas de aprovação estão perto das mínimas históricas — na última terça-feira, uma pesquisa da Reuters/Ipsos lhe deu apenas 35% —, e até seus eleitores em 2024 se mostram descontentes. O governo não apresentou medidas concretas para o custo de vida, e agravou o cenário ao provocar um dos maiores choques no setor de energia da História com a guerra contra o Irã. Segundo a Associação Automobilística Americana, encher o tanque ficou, em média, 39,2% mais caro desde 28 de fevereiro.
As variações de humor, decisões intempestivas, sintomas como as manchas nas mãos e as constantes visitas ao médico levantam questões sobre a aptidão para o cargo. Em abril, 51% dos entrevistados disseram à Reuters/Ipsos que as capacidades cognitivas do presidente se deterioraram no último ano, e só 26% o veem como uma pessoa equilibrada. Na última semana, uma deputada democrata classificou os cochilos de Trump em reuniões ministeriais de “risco à segurança nacional”.
Presidente dos EUA, Donald Trump, com os olhos fechados durante reunião de Gabinete
Doug Mills/The New York Times
A cinco meses das eleições de novembro, quando a Câmara e um terço do Senado serão renovados, esse é um cenário nada animador para o Partido Republicano. As projeções mostram que há chances consideráveis dos democratas assumirem o controle de ao menos uma das Casas, tornando os dois anos finais de Trump um potencial calvário — ou, no jargão político, um presidente “pato manco”, sem muito poder de fato para governar.
Publicamente, ele não parece incomodado. Em maio, ao ser questionado se tinha pressa para chegar a um acordo com o Irã, pensando nas urnas, disse que “não liga para as eleições de meio de mandato”. Na quarta-feira, em tom jocoso, afirmou que “ama a inflação” após divulgação de uma nova alta na taxa medida pelo governo. E a retomada dos bombardeios, na terça, revelou um presidente frustrado com uma guerra que não tomou os rumos que gostaria, e da qual não sabe como sair.
— Além da frustração, há o componente da pressão: ele percebeu que o relógio correu contra ele em uma guerra que os americanos não queriam, que causou impactos econômicos severos — afirmou ao GLOBO Paulo Velasco, professor de Relações Internacionais da Uerj. — Sob pressão, ele pode tomar decisões mais radicais, e ele precisa dar uma resposta e sair da maneira mais honrosa da guerra.
Mesmo com a ojeriza da maioria dos americanos ao governo e à guerra no Golfo — 63% reprovam a forma como conduz o conflito, apontou o YouGov na terça-feira — Trump não perdeu as rédeas do Partido Republicano. Em sua campanha de vendetas pessoais, priorizou candidatos leais e escanteou veteranos que não rezam por sua cartilha. No Texas, Ken Paxton, o polêmico procurador apoiado pelo presidente, venceu as primárias para a disputa a uma vaga no Senado, derrotando o veterano John Cornyn. Thomas Massie, que votou pela liberação dos arquivos de Jeffrey Epstein, foi derrotado por um trumpista nas primárias para uma vaga na Câmara pelo Kentucky.
— É uma situação muito sui generis: um presidente que é muito popular dentro de seu partido, que usa isso para selecionar seus candidatos, mas cuja impopularidade no país tende a causar problemas para eles nas eleições — destaca Poggio. — E o caso do Texas (um estado de maioria republicana) pode ser o mais simbólico. Se os democratas levarem, seria muito relevante e ilustraria o problema dessa estratégia.
Guindastes na Casa Branca em meio a obras de salão de baile e arena de MMA
Kent NISHIMURA / AFP
Mas há algo a se considerar: até em seus piores momentos, o republicano deu demonstrações de força. A foto tirada em 2023, quando se entregou às autoridades da Geórgia em um processo sobre fraude nas eleições de 2020, viralizou dentro do movimento Maga e foi parar nas paredes da Casa Branca quando retornou ao cargo. A tentativa de homicídio em 2024 foi instrumentalizada pelo Partido Republicano, e se tornou crucial para sua vitória naquele ano.
— Ele sempre quer cantar vitória. É da personalidade dele. Por mais que as coisas estejam caóticas, ele tentará impor uma outra narrativa — explicou Velasco.
Agora, ele usa a celebração dos 250 anos da independência dos EUA para sair das cordas e aplicar algumas ideias.
— É uma oportunidade estupenda para para tentar se impor como líder, ou até para ser entrar, na marra, na lista dos grandes presidentes americanos — acrescenta Velasco. — Ele quer colher visibilidade, e isso é importante. E também tem muito da personalidade dele, da vaidade.
Ele demoliu parte da Casa Branca para construir um salão de baile, cujo valor supera os US$ 400 milhões. Perto do Memorial a Lincoln, um dos principais pontos turísticos de Washington, quer erguer um arco do triunfo de mais de 80 metros de altura, repleto de detalhes em dourado. As duas obras estão na mira da Justiça. No começo de junho, Trump cancelou shows previstos para Washington como parte dos festejos após uma série de desistências. Ao invés disso, anunciou que fará um discurso aos americanos.
Arena de MMA montada nos jardins da Casa Branca
SAUL LOEB / AFP
Neste domingo, dia do aniversário, Trump apadrinhará um evento do UFC nos jardins da Casa Branca, com uma arena para quase 5 mil pessoas. A paixão pelas lutas, o tom agressivo e as celebridades extravagantes ao seu lado evocaram um infame presidente ficcional, Dwayne Camacho, do distópico filme “Idiocracia”, um atleta de luta-livre interpretado por Terry Crews. Ao contrário de Trump, que se autointitula “um gênio muito estável”, comentaristas lembram que Camacho buscou pessoas de fora de seu círculo para resolver os problemas nacionais, e não ouviu apenas aqueles que só lhe dizem “sim, senhor”.
O sábado foi de protestos contra e a favor da imigração em Roma, com políticos de extrema direita defendendo a aprovação de uma lei para apertar a repressão contra estrangeiros e facilitar deportações. Os atos ocorrem um dia depois da entrada em vigor de um novo pacto migratório na União Europeia (UE), já alvo de críticas de organizações humanitárias.
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No ato da extrema direita, que reuniu cerca de 3 mil pessoas, o protagonista era o projeto que quer instituir o conceito da “remigração” no conjunto nacional de leis: pelo projeto, que não tem o apoio do governo da premier Giorgia Meloni ou de partidos de esquerda, as autoridades ganhariam poderes para ampliar a repressão aos imigrantes e para deportar mais rapidamente pessoas vistas como “indesejáveis”, incluindo aquelas com status legal.
— Queremos expulsar os imigrantes ilegais, expulsá-los, porque eles não deveriam estar aqui — acrescentou Luca Marsella, porta-voz do grupo neofascista Casapound, à AFP.
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Durante a marcha por ruas do centro de Roma, foram ouvidos gritos de “Duce, Duce”, apelido mais conhecido do ditador Benito Mussolini, um dos fundadores do fascismo. Em relato, o jornal Il Sole 24 Ore afirma que uma mulher fez, de sua janela, a saudação fascista, e foi recebida com aplausos pelos manifestantes. Comerciantes fecharam suas portas enquanto a multidão passava, e houve protestos de alguns transeuntes e moradores.
— Os imigrantes podem ficar se aceitarem as nossas regras de convivência; caso contrário, devem retornar aos seus países de origem — disse Susanna Rubei, dona de casa, à AFP.
Perto dali, o eurodeputado Roberto Vannacci, ex-membro da Liga (extrema direita) lançava seu novo partido, o Força Nacional, também com um discurso anti-imigração.
— Ou vocês estão conosco, os defensores da cidadania e da soberania, ou estão com Ursula von der Leyen (presidente da Comissão Europeia), Mario Draghi (ex-presidente do Conselho Europeu) e a globalização — declarou Vannacci, em um evento fechado à imprensa mas transmitido pela internet. — Na minha opinião, neste momento, ninguém deveria entrar na Itália.
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Em outra área de Roma, grupos de esquerda realizaram um ato em repúdio à ideia da “remigração”. Entre os cartazes, pedidos para a saída de Meloni do cargo e pelo fim de despejos, remoções forçadas e retomadas de posse de estrangeiros. Entre as bandeiras de sindicatos e partidos de esquerda, havia uma profusão de símbolos palestinos. Não houve relatos de confrontos entre os dois grupos de manifestantes.
Os protestos ocorreram um dia depois da entrada em vigor de um novo pacto migratório na União Europeia, que aperta as regras para a concessão de asilo, em meio a um debate crescente sobre a forma como pessoas de fora do bloco são admitidas, uma das principais bandeiras da extrema direita e que permeia o meio político em todos os países europeus. Para grupos de defesa dos direitos humanos, o plano na prática fecha as portas da UE a imigrantes que fogem de regiões em crise e que merecem ser tratados com dignidade.
Uma banhista de 35 anos ficou gravemente ferida após ser atacada por um tubarão na manhã deste sábado (13) na praia de Coogee Beach, em Sydney, na Austrália. Antes do incidente, o animal já havia sido avistado por imagens aéreas captadas por um drone, que registrou o tubarão nadando em águas rasas da baía por cerca de 25 a 30 minutos, segundo informações do site News.au e de outros veículos de imprensa locais.
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O ataque ocorreu por volta das 11h15, enquanto a mulher fazia voltas de natação próximo à faixa de areia, acompanhada de outras duas pessoas. Segundo testemunhas, um salva-vidas que estava em uma prancha correu para prestar socorro após ouvir gritos vindos da água.
— Vi as barbatanas do tubarão. A nadadora estava fazendo voltas não muito longe da praia. O salva-vidas fez um sinal de X com os braços e o alarme de tubarão foi acionado — relatou uma testemunha ao portal.
De acordo com relatos, havia muito sangue na água após o ataque. Testemunhas disseram ter ouvido alguém gritar “tubarão” momentos antes dos pedidos de socorro. Algumas estimativas apontam que o animal media até 3,5 metros de comprimento, sendo descrito como “do tamanho de um carro”.
O morador Stephen Denneny afirmou que seu drone registrou o tubarão circulando pela baía durante vários minutos antes de seguir em direção ao local do ataque. As imagens reforçam que o animal já estava próximo dos banhistas antes do ataque acontecer.
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Um salva-vidas que estava de folga também entrou na água para ajudar a vítima. Segundo relatos, o tubarão chegou a agarrar a mulher e arrastá-la antes que ela fosse resgatada. Com apoio de outros socorristas e banhistas, a nadadora foi levada até a areia, onde recebeu os primeiros atendimentos.
Um médico que estava em momento de lazer na praia ajudou a estabilizar a vítima até a chegada das equipes de emergência. Ela foi encaminhada ao Hospital St. Vincent’s em estado crítico, com ferimentos graves nos braços e nas pernas.
A polícia de Nova Gales do Sul informou que a mulher foi retirada da água por populares, que iniciaram os primeiros socorros antes da chegada dos agentes e paramédicos. Um helicóptero de resgate também foi mobilizado para o atendimento, segundo o site.
Após o ataque, todas as praias administradas pelo Conselho de Waverley foram fechadas por precaução. As autoridades orientaram nadadores e surfistas a permanecerem fora da água até novo aviso.
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Chris Pepin-Neff, especialista em políticas de proteção contra tubarões da Universidade de Sydney ouvido pelo site, afirmou que o ataque foi “muito, muito estranho” por diversos motivos.
Com base na temperatura da água relativamente fria, de 18 graus, nos recentes movimentos e avistamentos de tubarões e na natureza do ataque, Pepin-Neff disse que sua hipótese fundamentada é que o tubarão envolvido era um tubarão-branco.
Nesta praia, são instaladas redes de proteção contra tubarões em parte do verão e outono, até o fim de abril. Nos meses do meio do ano, no entanto, a praia conta com linhas de pesca com isca smart, tecnologia de monitoramento que rastreia e alerta sobre a presença de tubarões em tempo real.
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Milhares de pessoas se reuniram neste sábado em Belfast para afirmar que “o ódio é a única ameaça nas ruas” e denunciar os distúrbios anti-imigração ocorridos após um ataque com faca pelo qual um sudanês foi formalmente acusado, constatou a AFP.
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— Estou chocada, realmente chocada — declarou à AFP Hilary Hunter, de 63 anos, durante o protesto realizado em frente à prefeitura da capital norte-irlandesa e convocado pela organização Unite Against Racism.
Os acontecimentos dos últimos dias “nos fazem voltar aos tempos sombrios”, afirmou ela, referindo-se aos episódios de violência entre republicanos, em sua maioria católicos, e unionistas protestantes que marcaram a Irlanda do Norte até 1998.
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Na noite de terça-feira, distúrbios eclodiram em bairros predominantemente unionistas após a divulgação de um vídeo mostrando um ataque com faca contra um homem ocorrido na segunda-feira em Belfast.
Os tumultos foram seguidos por confrontos com a polícia na quarta-feira, quando manifestantes violentos, frequentemente jovens mascarados, atacaram principalmente residências de pessoas pertencentes a minorias étnicas.
Milhares se reúnem em protesto contra xenofobia a racismo em Belfast
HENRY NICHOLLS / AFP
Suspeito detido
Durante a manifestação deste sábado, aplausos e gritos de apoio foram ouvidos quando um orador prestou homenagem à vítima do ataque, Stephen Ogilvy, que perdeu um dos olhos.
A família dele, que pediu respeito à sua privacidade, informou na quarta-feira que seu estado de saúde era estável.
“Belfast é contra o racismo”, “Combatamos o racismo, construamos solidariedade” e “o ódio é a única ameaça às nossas ruas” eram algumas das mensagens exibidas em cartazes.
— Vocês são a Belfast que eu represento — declarou a prefeita, Róis-Máire Donnelly, que também afirmou ter recebido ameaças de morte.
O vereador Seamas de Faoite, do Social Democratic and Labour Party, partido nacionalista, disse estar “consternado” tanto com o ataque quanto com a violência que se seguiu.
O suspeito do ataque, Hadi Alodid, um sudanês de 30 anos, foi acusado na quarta-feira de tentativa de homicídio e compareceu perante um juiz. Ele permanecerá detido até sua próxima audiência, marcada para 8 de julho.
A Irlanda do Norte já foi palco de manifestações anti-imigração em 2024 e 2025, assim como outras regiões do Reino Unido.
Um tribunal britânico sentenciou, nesta sexta-feira, um grupo de ativistas que invadiu uma fábrica de armas israelenses no país a penas que, somadas, passam de 20 anos de prisão. Os quatro foram considerados culpados por danos criminosos por um júri no mês passado, mas o juiz responsável pelo caso afirmou agora que o incidente tinha as marcas de um ato terrorista.
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Na decisão, o juiz Jeremy Johnson determinou que não havia justificativa para o uso de “força gratuita e violenta” na invasão à fábrica da Elbit Systems nos arredores de Bristol, em 2024, e que suas ações tiveram o claro intuito de influenciar as decisões do governo. Para ele, os atos de Charlotte Head, Samuel Corner, Leona Kamio, e Fatema Rajwani tiveram um claro componente “terrorista”.
Na época, o grupo invadiu a fábrica com uma van e destruiu uma série de equipamentos, computadores e itens usados na linha de produção, causando um prejuízo estimado em £ 1 milhão. Uma segurança que tentou conter a ação foi atingida por um martelo e fraturou a coluna. Segundo os ativistas, o objetivo era destruir drones usados por Israel na guerra na Faixa de Gaza, algo que a empresa nega fabricar naquela instalação. Os quatro integram a Palestine Action, que desde julho de 2025 está na lista de organizações terroristas do governo britânico. Outras 18 pessoas foram detidas e estão sendo processadas por suspeita de terem apoiado a operação.
Os réus foram considerados culpados por um júri no mês passado, mas ativistas afirmam que o magistrado não informou aos jurados que poderia incluir as acusações de terrorismo na sentença, como o fez nesta sexta-feira. Segundo juristas, foi a primeira vez que pessoas condenadas por danos criminosos recebem o rótulo de “terrorista” no Reino Unido. Do lado de fora do tribunal, 72 pessoas foram presas por ostentarem cartazes em apoio à Palestine Action.
Uma manifestante segura um cartaz que diz ‘Eu me oponho ao genocídio, eu apoio a Palestine Action’ do lado de fora do Supremo Tribunal do Reino Unido, em Londres, em 13 de fevereiro de 2026
BEN STANSALL / AFP
De acordo com a legislação em vigor, eles serão monitorados pela polícia por até 15 anos, e precisarão notificar as autoridades cada vez que comprarem um carro, trocarem de telefone celular ou computador ou abrirem uma conta de banco ou de e-mail.
— É revoltante ver quatro jovens presos por ação direta contra um fornecedor de armas para Israel — disse o líder do Partido Verde, Zack Polanski, citado pela rede BBC. — Foi um ataque verdadeiramente perigoso ao direito de protestar.
Em comunicado, a ONG que batalha pela libertação de ativistas envolvidos com o ataque à fábrica da Elbit, a Filton 25, disse que seus atos “não são terrorismo, são um dever”. Kerry Moscogiuri, diretora executiva da Anistia Internacional no Reino Unido, declarou que “o dano criminoso nunca foi tratado como terrorismo no sistema de justiça do Reino Unido e é perigoso tratá-lo da mesma forma” e que “é completamente desproporcional punir manifestantes por dano criminal como se fossem terroristas, uma sentença que os acompanhará pelo resto de suas vidas.”
Na segunda-feira, será julgado um recurso apresentado pelo governo britânico à decisão da Alta Corte do país, que em fevereiro considerou ilegal o banimento da Palestine Action com base na lei antiterrorismo. Desde a inclusão na lista de organizações terroristas, centenas de pessoas foram presas por expressarem apoio ao grupo, mesmo que silenciosamente.
O acordo de paz entre Estados Unidos e Irã pode ser concluído nas próximas 24 horas, segundo o governo do Paquistão, que atua como mediador entre os dois países.
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‘Estamos fartos’: Entre ameaças de ataque e promessas de acordo, iranianos esperam pelo fim da guerra
“Estamos mais perto do que nunca de um acordo de paz. Com a finalização provavelmente nas próximas 24 horas, o Paquistão se prepara para a assinatura eletrônica do acordo imediatamente depois, seguida de discussões técnicas na próxima semana”, afirmou o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, na rede social X.
Sharif já tinha dito na tarde de sexta-feira, também via X, que o texto final de um memorando estaria pronto.
“Podemos confirmar que um texto final, acordado por ambas as partes [EUA e Irã], do acordo de paz foi alcançado, e o Paquistão está agora trabalhando em estreita colaboração com os dois lados para finalizar os próximos passos”, anunciou Sharif em uma publicação na rede social X.
Depois de semanas de negociações estagnadas, Washington e Teerã revelaram nos últimos dias que estavam próximos de um acordo para acabar com o conflito, iniciado em 28 de fevereiro com a ofensiva conjunta de Israel e dos Estados Unidos contra a República Islâmica.
Guga Chacra: EUA e Irã, entre um acordo e o abismo
A incerteza, no entanto, persistiu, com uma intensa troca de ameaças e hostilidades. Neste sábado, o governo dos Estados Unidos anunciou que derrubou vários drones iranianos que pretendiam atacar navios comerciais no Estreito de Ormuz.
A televisão estatal iraniana Irib informou que o ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi declarou que, sem a conclusão de um acordo sobre todas as questões, não é possível afirmar com certeza que um princípio de acordo com os Estados Unidos foi alcançado.
O Paquistão tenta levar as duas partes a um acordo desde a instauração, em 8 de abril, de um cessar-fogo. Islamabad foi a sede, em abril, de negociações sem sucesso entre os países para um acordo de paz.
‘Não aconteça amanhã’
Horas depois do post do primeiro-ministro paquistanês, o ministério das Relações Exteriores do Irã informou que o memorando esperado com os Estados Unidos para encerrar as hostilidades não será assinado no domingo.
— Temos de esperar para ver o momento exato da assinatura, embora ela não aconteça amanhã — afirmou o porta-voz do ministério, Esmaeil Baqaei, de acordo com a agência de notícias estatal IRNA. — A possibilidade de isso ocorrer nos próximos dias não pode ser descartada — acrescentou.
O acordo de paz entre Estados Unidos e Irã pode ser concluído nas próximas 24 horas, segundo o governo do Paquistão, que atua como mediador entre os dois países.
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“Estamos mais perto do que nunca de um acordo de paz. Com a finalização provavelmente nas próximas 24 horas, o Paquistão se prepara para a assinatura eletrônica do acordo imediatamente depois, seguida de discussões técnicas na próxima semana”, afirmou o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, na rede social X.
Sharif já tinha dito na tarde de sexta-feira, também via X, que o texto final de um memorando estaria pronto.
“Podemos confirmar que um texto final, acordado por ambas as partes [EUA e Irã], do acordo de paz foi alcançado, e o Paquistão está agora trabalhando em estreita colaboração com os dois lados para finalizar os próximos passos”, anunciou Sharif em uma publicação na rede social X.
Depois de semanas de negociações estagnadas, Washington e Teerã revelaram nos últimos dias que estavam próximos de um acordo para acabar com o conflito, iniciado em 28 de fevereiro com a ofensiva conjunta de Israel e dos Estados Unidos contra a República Islâmica.
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A incerteza, no entanto, persistiu, com uma intensa troca de ameaças e hostilidades. Neste sábado, o governo dos Estados Unidos anunciou que derrubou vários drones iranianos que pretendiam atacar navios comerciais no Estreito de Ormuz.
A televisão estatal iraniana Irib informou que o ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi declarou que, sem a conclusão de um acordo sobre todas as questões, não é possível afirmar com certeza que um princípio de acordo com os Estados Unidos foi alcançado.
O Paquistão tenta levar as duas partes a um acordo desde a instauração, em 8 de abril, de um cessar-fogo. Islamabad foi a sede, em abril, de negociações sem sucesso entre os países para um acordo de paz.
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, assassinado em 28 de fevereiro no início da ofensiva dos EUA e de Israel contra a República Islâmica, será enterrado em 9 de julho, em sua cidade natal, Mashhad, no nordeste do país. A informação foi divulgada neste sábado pela televisão estatal.
O funeral de Ali Khamenei estava inicialmente previsto para março, mas foi adiado em consequência da guerra. A cerimônia terá duração de seis dias, a partir de 4 de julho, em Teerã e nas cidades sagradas de Qom e Mashhad.
Ali Khamenei permaneceu no poder durante quase 37 anos. Ele foi sucedido por seu filho Mojtaba Khamenei, nomeado em 8 de março. O novo líder supremo do Irã, no entanto, não aparece em público ao menos desde o ataque que matou o pai.
Mojtaba Khamenei divulga primeira mensagem
Reprodução e Tasnim News Agency, CC BY 4.0
Fontes dizem que Mojtaba Khamenei teria sofrido ferimentos graves no mesmo bombardeio que matou seu pai. Em maio, no entanto, um funcionário do alto escalão do Ministério da Saúde iraniano afirmou que o atual líder supremo teria sofrido apenas “ferimentos superficiais” no ataque.
Um vídeo publicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na rede Truth Social, mostra o ataque aéreo que matou o chefe do grupo criminoso de origem venezuelana Tren de Aragua. Niño Guerrero foi morto em uma operação militar americana realizada em coordenação com autoridades da Venezuela, anunciaram Washington e Caracas na sexta-feira (12) à noite.
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A imagem a que mostra a vista aérea de um edifício rodeado de vegetação, quando ocorre uma explosão, que levanta uma nuvem de fumaça. Não é possível distinguir claramente ninguém nas imagens.
“Sob minhas ordens, o Comando Sul dos Estados Unidos realizou um ataque rápido e letal para eliminar Niño Guerrero, do tristemente conhecido Tren de Aragua”, publicou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na rede Truth Social. “Essa ação foi coordenada de perto com nossos amigos na Venezuela, com quem estamos trabalhando muito bem”, acrescentou.
A Venezuela confirmou pouco depois que Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como Niño Guerrero, havia sido “neutralizado” e que houve “confrontos” com integrantes de “estruturas do crime organizado”.
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El Niño Guerrero morreu em uma “operação coordenada” com os Estados Unidos, executada no estado de Bolívar, no sudeste do país, afirma um comunicado do Ministério das Comunicações venezuelano. “Teve apoio tecnológico especializado e aconteceu com mecanismos de cooperação e de troca de informações de inteligência”, acrescentou a pasta.
Os Estados Unidos realizaram em janeiro uma incursão militar em Caracas e capturaram o então presidente Nicolás Maduro, atualmente preso em Nova York, acusado de narcotráfico. Desde então, a ex-vice-presidente Delcy Rodríguez governa como presidente interina, sob as pressões de Washington.
“Como resultado, os terroristas do Tren de Aragua não têm mais um refúgio seguro na Venezuela nem em qualquer outro lugar”, afirmou Trump na Truth Social.
‘Organização terrorista’
Os Estados Unidos classificaram o Tren de Aragua como uma organização terrorista em janeiro de 2025. O grupo, que atua em vários países da América Latina, surgiu em 2014, na prisão de Tocorón, no estado de Aragua, e se dedica à prática de extorsão, assassinatos encomendados, tráfico de drogas, prostituição, tráfico de pessoas e até garimpo ilegal, embora também tenha empreendido em alguns negócios legalizados.
O Departamento de Estado americano oferecia uma recompensa de R$ 25 milhões por informações que levassem à prisão ou condenação do líder do Tren de Aragua. Ele foi alvo de sanções dos Estados Unidos em julho de 2025, juntamente com outros cabeças da organização.
Ataque contra o grupo criminoso venezuelano Tren de Aragua
US PRESIDENT DONALD TRUMP’S TRUTH SOCIAL ACCOUNT / AFP
Em dezembro, promotores federais de Nova York apresentaram acusações contra 70 membros da gangue, entre eles Guerrero, por associação criminosa e tráfico de drogas e armas de fogo. Após ocupar militarmente a prisão de Tocorón em setembro de 2023, o governo Maduro anunciou que havia “desmantelado totalmente” a gangue. Naquela época, Niño Guerrero era um fugitivo da Justiça.
Segundo o centro de análises Insight Crime, Guerrero, que teria 42 anos, tornou o grupo “o que ele é hoje durante sua prisão em Tocorón”. Sob sua liderança, o local “se tornou uma das prisões mais notórias do país, em grande parte devido à política não oficial do governo venezuelano de entregar o controle de algumas prisões a chefões do crime conhecidos como ‘pranes'”.
Após uma noite de tempestades, tanto políticas quanto meteorológicas, trabalhadores começaram a remover o nome do presidente dos EUA, Donald Trump, da fachada de mármore branco do John F. Kennedy Center for the Performing Arts nas primeiras horas da manhã deste sábado, atendendo a uma decisão de um juiz federal que considerou ilegal a mudança de nome da instituição.

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As letras começaram a ser retiradas pouco depois das 3h da manhã (no horário local), após a instituição solicitar uma extensão do prazo que terminaria à meia-noite. Matt Floca, diretor-executivo do Kennedy Center, pediu a um tribunal federal distrital mais 12 horas para certificar o cumprimento da ordem, atribuindo o atraso a uma tempestade de verão.
Os trabalhadores passaram cerca de oito horas na sexta-feira montando enormes andaimes diante da seção da fachada que exibia o nome de Trump. Em seguida, nas primeiras horas de sábado, penduraram grandes lonas brancas na estrutura. Isso bloqueou a visão da remoção, que representava uma importante vitória simbólica para os opositores da tomada de controle do icônico centro de artes por Trump.
No entanto, uma abertura nas lonas permitiu que um fotógrafo do New York Times observasse um trabalhador retirando da parede a letra “A”. Não houve som de ferramentas elétricas; a letra aparentemente foi removida manualmente.
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Durante toda a sexta-feira, advogados de Trump e do Kennedy Center tentaram obter uma intervenção judicial para manter o nome do presidente na fachada enquanto recorriam da decisão.
Mas, depois que tanto o tribunal distrital quanto um tribunal federal de apelações negaram os pedidos de suspensão imediata da decisão, os trabalhadores passaram a erguer os andaimes com determinação para alcançar as letras. Uma plateia barulhenta de algumas centenas de pessoas se reuniu para acompanhar.
O conselho diretor do centro, alinhado a Trump, votou há quase seis meses pela inclusão do nome do atual presidente dos EUA na instituição, provocando indignação em Washington e uma crise no principal centro cultural da capital americana. Em uma instituição já abalada pela intervenção presidencial, as 18 novas letras fixadas ao edifício — menos de um dia após a votação — elevaram ainda mais a tensão.
Trabalhadores começam a retirar o nome de Donald Trump da fachada do Kennedy Center, em Washington
Alex Kent/NYT
Parlamentares democratas condenaram a medida como um ato de “narcisismo”; vários artistas cancelaram apresentações no centro; e a deputada Joyce Beatty, membro do conselho por direito do cargo, entrou com uma ação judicial classificando a mudança como uma “violação flagrante do Estado de Direito”. Beatty acompanhou a operação na manhã de sábado, permanecendo na praça em frente ao Kennedy Center mesmo após a equipe de trabalho deixar o local por volta das 4h.
O debate sobre a adequação da mudança de nome produziu uma cena incomum em Washington. Durante dois dias, o centro cultural às margens do rio Potomac recebeu uma enxurrada de visitantes não para assistir a uma sinfonia ou balé, mas para verificar se o nome do presidente seria removido do mármore. Enquanto observadores mantinham vigília, uma sucessão constante de acontecimentos judiciais alimentava a incerteza sobre se a remoção realmente aconteceria.
Champanhe gelada
Na quinta-feira, um dos primeiros sinais de movimentação surgiu quando seguranças instalaram grades metálicas pretas para bloquear a entrada principal e a passagem próxima à fachada do edifício. Visitantes questionavam voluntários e seguranças sobre quando as letras seriam retiradas, mas obtinham poucas respostas.
A poucos minutos dali, moradores do complexo Watergate planejavam festas improvisadas. Duas organizações de voluntários, Hands Off the Arts e Free the Kennedy Center, coordenaram uma transmissão ao vivo da fachada por meio de uma câmera instalada em uma varanda do Watergate.
Christine Lienert e Debra Wilfong mantiveram champanhe gelado aguardando a retirada das letras. Quando souberam, na quinta-feira à noite, que isso não ocorreria naquele momento, guardaram novamente as garrafas. Na sexta-feira, Lienert voltou com o champanhe, mas acabou indo embora quando percebeu que a remoção poderia demorar horas; o gelo de sua caixa térmica já havia derretido.
Nem todos os presentes eram favoráveis à retirada do nome. Jeanette Mercado e seu marido, Bert, viajaram de Wasco, no Vale Central da Califórnia, para visitar os monumentos da capital e se depararam com os andaimes e a multidão.
— Gosto de Trump, gosto do que ele está fazendo pelo nosso país, acho que ele é uma bênção para nosso país e não vejo nada de errado em acrescentarem seu nome — afirmou Jeanette, quase sem conseguir ser ouvida em meio aos gritos de “tirem isso daí”.
Seu marido, também apoiador de Trump, tinha uma opinião diferente:
— Deveria haver um senso de continuidade aqui. Por que inserir o seu próprio nome? — questionou.
Em dezembro de 2025, o conselho do Kennedy Center votou pela inclusão do nome de Trump no edifício em reconhecimento ao que dirigentes descreveram como sua dedicação à instituição e sua ajuda para garantir US$ 257 milhões destinados a uma reforma considerada necessária.
Quando o juiz federal Christopher R. Cooper decidiu sobre a ação de Joyce Beatty no final de maio, concluiu que o conselho não possuía autoridade para renomear unilateralmente a instituição. Segundo ele, esse poder pertence exclusivamente ao Congresso, citando a legislação de 1964 que dedicou o centro à memória de Kennedy, defensor das artes e apoiador de sua criação.
“O rótulo ‘Trump Kennedy Center’ acrescenta um nome inteiramente novo ao título formal da instituição”, escreveu Cooper, “e relega o nome do presidente Kennedy ao segundo plano”.
O juiz concedeu ao centro um prazo de duas semanas, até sexta-feira, para restaurar o nome original no edifício e em todos os materiais oficiais.
Queda na venda de ingressos
Ao recusar suspender seu próprio prazo na sexta-feira, Cooper observou que o Kennedy Center já havia tomado medidas para cumprir a decisão. Na semana anterior, funcionários receberam instruções para alterar imediatamente formulários, contas em redes sociais e assinaturas de e-mail. Pouco depois, o nome de Trump desapareceu do topo do site oficial do centro.
“Esses esforços enfraquecem a ideia de que os réus sofreriam dano irreparável ao cumprir integralmente a ordem”, escreveu o magistrado.
Ao solicitar a suspensão da decisão ao tribunal de apelações, o Kennedy Center argumentou, entre outras coisas, que remover o nome agora e eventualmente restaurá-lo depois seria “extremamente confuso para o público”.
O recurso continha argumentos jurídicos e referências a precedentes, mas também apresentava uma introdução em estilo que lembrava o modo de escrever de Trump, com sua pontuação peculiar e tendência à autopromoção.
Assinado por Brett A. Shumate, procurador-geral adjunto do Departamento de Justiça, o documento afirmava que a retirada do nome poderia prejudicar seriamente a arrecadação de recursos, pois muitos doadores que contribuíram com milhões de dólares só teriam feito isso porque o nome Trump estava no edifício.
“Muitos fizeram isso”, acrescentava o texto, “porque adoravam o conceito de dois Grandes Presidentes, um Republicano e um Democrata, trabalhando juntos como um só — de muitas formas, uma relação bipartidária!”
Os advogados de Joyce Beatty responderam que o recurso foi apresentado “na última hora”, numa tentativa transparente de pressionar o tribunal e manipular o sistema judicial.
As decisões de Cooper ameaçaram enfraquecer o esforço de Trump para remodelar a paisagem cultural de Washington. No início de seu segundo mandato, ele transformou o Kennedy Center em peça central dessa visão.
Trump assumiu o controle da instituição internamente, removendo indicados do governo Biden do conselho e substituindo-os por aliados que rapidamente o elegeram presidente do órgão. Também promoveu mudanças estéticas externas, como pintar de branco colunas douradas para adequá-las ao seu gosto. No principal evento da instituição, o Kennedy Center Honors, atuou pessoalmente como apresentador.
Em fevereiro, Trump anunciou a intenção de fechar o centro por dois anos para resolver problemas de manutenção que considerava graves.
A ação movida por Beatty também contestou esse fechamento planejado, questionando se a medida não teria sido concebida para ocultar a queda nas vendas de ingressos e a saída de artistas.
Após meses de disputa judicial, Cooper concordou em bloquear temporariamente o fechamento, concluindo que o conselho havia tomado uma decisão “mal informada e aparentemente predeterminada” ao aprovar o plano presidencial. Contudo, afirmou que não continuaria impedindo a medida caso os conselheiros analisassem a questão de forma séria.
Autoridades alinhadas a Trump no Kennedy Center anunciaram imediatamente que recorreriam da decisão sobre a mudança de nome, afirmando estar confiantes de que os tribunais reconheceriam “a vontade do conselho de homenagear as contribuições históricas do presidente Trump ao centro cultural da nação”.
Os planos para o recurso tornaram-se menos certos depois que Trump reagiu à decisão com uma publicação furiosa nas redes sociais. Sem controle sobre os assuntos do centro, escreveu ele, não tinha “nenhum interesse em continuar o que só poderia ser uma jornada sem esperança para a ‘TERRA DO NUNCA’”.
O nome do presidente aparecia não apenas na fachada, mas também em papéis timbrados, cartazes e placas de sinalização. Nesta semana, uma placa de estacionamento tinha a palavra Trump coberta por fita branca, enquanto em um dos ônibus do centro o nome havia sido riscado com marcador preto.
Ainda assim, o conselho decidiu prosseguir com o recurso.
Na sexta-feira, Allerton Kilborn, de 79 anos, levou um livro para passar o tempo enquanto aguardava o que esperava ser a retirada do nome de Trump. Ele saiu de sua casa em Chevy Chase, Maryland, e permaneceu mais de 12 horas no local, alternando entre a área externa e o interior climatizado do centro.
— Pela aventura. Isto é história” — disse. — Sou tão velho que conheci John Kennedy pessoalmente e sempre fui um enorme admirador dele — afirmou. Para ele, acrescentar o nome de Trump ao memorial dedicado a Kennedy foi uma profanação. — Não sou religioso, mas vejo isso em termos religiosos — concluiu.

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