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Horas depois do início dos ataques contra o Irã, no sábado passado, a Chancelaria russa condenou o conflito, e o classificou de “ato de agressão armada pré-planejado e não provocado” contra um Estado soberano. Um dia depois, chamou a morte do aiatolá Ali Khamenei de “assassinato cínico”. Apesar de ver mais um aliado cair no cenário internacional, a Rússia pode ser a grande beneficiada com a crise: o preço do petróleo disparou nos mercados, a Ucrânia corre o risco de ficar sem sistemas de defesa aérea, e o presidente Vladimir Putin viu alguns de seus pontos de vista corroborados pela decisão americana e israelense de lançar uma nova guerra.
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Com o virtual fechamento do Estreito de Ormuz, que levou à queda de 90% do tráfego de petroleiros e navios de transporte de Gás Natural Liquefeito (GNL), os preços das commodities de energia dispararam. O petróleo superou a barreira dos US$ 80 no início da semana, e um fechamento mais longo do estreito, por onde passam cerca de 20% da produção mundial, poderia levar a cotação até a casa dos US$ 100. Na Europa, os preços do gás dobraram desde segunda-feira.
Embora o petróleo russo esteja sob embargo internacional, Moscou ainda tem compradores, oferecendo a preços reduzidos e uma pronta entrega através de sua frota fantasma, algo crucial no momento em que centenas de petroleiros estão ancorados no Golfo Pérsico.
Navios petroleiros na região do Estreito de Ormuz
Giuseppe Cacace/AFP
Analistas estimam que dois dos maiores importadores do mundo, Índia e China, estão prontos para abrir os cofres e aumentar os pedidos dos campos russos, mesmo que precisem mudar políticas internas ou frustrar aliados. No ano passado, os EUA impuseram uma tarifa de 50% sobre as importações indianas por causa das compras de petróleo russo, e um acordo interino, firmado no ano passado, teria entre as cláusulas um compromisso para adquirir o produto de outras fontes.
— Quanto mais tempo durar a crise no Golfo Pérsico, mais benéfico será para a Rússia e mais fundos seu orçamento receberá para financiar sua agressão contra a Ucrânia”, disse Vyacheslav Likhachev, membro do Conselho de Especialistas do Centro para as Liberdades Civis, uma organização ucraniana sem fins lucrativos, à TV France 24.
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O potencial aumento das exportações ajudará os russos a resolverem outro problema: com os envios ao exterior em queda, o volume de petróleo estocado no país pode, em breve, suplantar a capacidade de armazenamento. Segundo estimativas independentes, esse gargalo, somado a ataques contra terminais de exportação e questões sazonais, como o congelamento de portos, poderiam levar a uma redução brusca na produção.
Caso as previsões se confirmem, os cofres federais teriam direito a um respiro após um ano de queda nas receitas e gastos elevados com a guerra. Segundo a agência Bloomberg, hoje há 4 trilhões de rublos (R$ 270 bilhões) em reservas acessíveis prontamente pelo governo — em 2022, ano do início da invasão, o volume era de quase 10 trilhões (R$ 670 bilhões) de rublos.
— Para o nosso orçamento, o ataque ao Irã é um grande ponto positivo — disse o propagandista e apresentador de TV Vladimir Solovyov na segunda-feira. — Se Trump atacar os campos de petróleo iranianos, então, por mais lamentável que pareça, nos tornaríamos um dos poucos países produtores de petróleo restantes.
Sem mísseis
A caótica expansão da guerra criou outra situação positiva para os russos. Sob ataque de mísseis, foguetes e drones, americanos, israelenses e as monarquias do Oriente Médio estão usando à exaustão seus sistemas de defesa aérea. No Chipre, onde um drone iraniano caiu em uma base britânica, aliados europeus deslocaram forças e sistemas de defesa aérea. Caso o conflito se estenda por mais tempo, os EUA devem mover recursos de outras regiões, como o Leste da Ásia, para o Golfo.
Com isso, os ucranianos se viram em uma situação perigosa. O país depende do sistema Patriot para defender instalações estratégicas, como centrais elétricas, contra os ataques russos. Segundo cálculos de Kiev, são necessários 60 mísseis por mês, mas os parceiros europeus se comprometeram com apenas cinco, isso antes da guerra no Irã. Ao mesmo tempo, a Rússia produz novos mísseis e centenas de drones graças à adequação de seu parque industrial à economia de guerra.
— A Ucrânia nunca teve tantos mísseis para repelir ataques. Mais de 800 foram usados ​​somente nos últimos três dias — lamentou Zelensky durante entrevista coletiva nesta quinta-feira, em Kiev.
Mas o líder ucraniano tem um novo plano. Desde o fim de semana, ele conversa com líderes do Golfo para oferecer o conhecimento ucraniano para interceptar drones de tecnologia iraniana, os mesmos usados pela Rússia desde 2022, em troca de mísseis do sistema Patriot do modelo PAC-3. Ele afirmou que os EUA já pediram ajuda a Kiev.
— A questão principal é como proteger o espaço aéreo deles (países do Golfo). Nós mesmos convivemos com essa questão. Então vamos falar sobre as armas que nos faltam: mísseis do sistema PAC-3, se eles nos fornecerem, nós forneceremos interceptores — disse na terça. — Essa é uma troca justa. Certamente faremos isso. E se as equipes começarem a trabalhar agora, veremos qual será o resultado.
Conversas congeladas
A guerra no Golfo também paralisou as conversas sobre um cessar-fogo. A Rússia parecia querer ganhar tempo para avançar no campo de batalha, mesmo que a passos curtos e a um elevado custo humano. A principal demanda de Moscou é a cessão dos territórios conquistados, além de seu reconhecimento internacional, mas Kiev reluta. Hoje, 20% da Ucrânia são controlados pelos russos.
Nesta quinta, Zelensky afirmou que uma rodada de negociações prevista para os próximos dias foi adiada por causa dos ataques ao Irã, sem anunciar uma nova data. Longe de um acordo, ele ainda ouviu palavras duras de Trump sobre sua postura nas conversas.
— É impensável que ele seja o obstáculo. Ele não tinha as cartas na manga. Agora ele tem ainda menos cartas na manga — disse o líder americano ao portal Politico, acrescentando uma declaração que ecoou bem nos meios russos. — Acho que Putin está pronto para fazer um acordo.
Para o presidente russo, o ataque no Irã corrobora algumas de suas visões de mundo. EUA e Israel afirmam que a guerra foi lançada para conter “ameaças imediatas”. No discurso em que anunciou a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, Putin disse que suas “ações são de autodefesa contra as ameaças que nos são impostas e contra um desastre ainda maior do que o que está acontecendo hoje”.
A pressão externa pela mudança de regime, o incentivo a um levante popular e a exigência de limites ao desenvolvimento militar iraniano o torna menos apto a liberalizar a Rússia ou discutir mudanças em seus arsenais convencionais e nucleares. E a disposição de EUA e Europa em se envolverem em novas crises sem solução dá força a um argumento antigo seu: o de que o Ocidente está desmoronando, e que o futuro está na Ásia.
Além das centenas de mortos e feridos no Irã e no Líbano desde os primeiros ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o regime teocrático de Teerã no último sábado, dezenas de milhares de pessoas deixaram suas casas nas capitais iraniana e libanesa com medo dos bombardeios. Antes mesmo de o conflito completar uma semana, em Teerã, os relatos já eram de destruição intensa em muitos pontos da cidade. No Irã, centro da guerra, pelo menos 1.230 mortes já foram confirmadas pelas autoridades em seis dias de conflito, e mais de 6 mil pessoas ficaram feridas. Nos subúrbios de Beirute, os moradores receberam alertas de evacuação do governo israelense. No Líbano, o grupo Hezbollah — apoiado pelo Irã — lançou ataques contra Israel, e arrastou o país para o mapa bélico, mesmo apesar do não envolvimento do governo na guerra. Em ataques de resposta israelenses, mais de 100 pessoas morreram e mais de 600 ficaram feridas. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Washington restabelecerá as relações diplomáticas com Caracas, informou nesta quinta-feira o Departamento de Estado dos EUA, em um sinal de distensão após a derrubada do ex-presidente Nicolás Maduro em uma operação americana em janeiro. O acordo dos países, segundo a pasta americana, tende a criar estabilidade, além de promover uma reestruturação econômica e reconciliação política no país latino.
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“Os Estados Unidos e as autoridades interinas da Venezuela concordaram em restabelecer as relações diplomáticas e consulares. Este passo facilitará nossos esforços conjuntos para promover a estabilidade, apoiar a recuperação econômica e avançar na reconciliação política na Venezuela”, afirmou o Departamento de Estado em um comunicado.
“Nosso compromisso está orientado a ajudar o povo venezuelano a avançar por meio de um processo por etapas que crie as condições para uma transição pacífica rumo a um governo eleito democraticamente”, acrescentou.
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Com menos de uma semana depois da captura de Maduro, o governo venezuelano já havia anunciado a retomada dos contatos diplomáticos diretos com os EUA, pontuando que o objetivo era “restabelecer as missões diplomáticas em ambos os países”. Algo que se concretiza agora.
Em um comunicado cuidadoso, feito para equilibrar a leitura da decisão tanto dentro quanto fora do país, o governo afirmava que o restabelecimento das embaixadas tem o “propósito de abordar as consequências da agressão e do sequestro do presidente e da primeira-dama [Cilia Flores], assim como abordar uma agenda de trabalho de interesse mútuo”.
Na prática, a medida era a base para a normalização das relações diplomáticas entre os dois países, quase 16 anos depois de os EUA retirarem seu embaixador de Caracas e quase sete anos desde o rompimento oficial dos laços diplomáticos, durante o primeiro governo de Donald Trump.
Desde a derrubada de Maduro, Trump também aumentou a pressão sobre a Colômbia e o México, afirmando que os dois governos de esquerda são lenientes com o narcotráfico. Alegação similar foi a base para justificar a ação contra Maduro, que é denunciado por conspiração para o narcoterrorismo e por uso de armas para proteger operações de tráfico.
(Com AFP e New York Times)
O presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizou nesta quinta-feira que deve focar as atenções de seu governo na mudança de regime em Cuba, depois que entender que a guerra no Irã chegar ao fim. A ilha, sob embargo dos EUA desde os anos 1960, enfrenta uma séria crise econômica, agravada pelo bloqueio às importações de petróleo imposto pelo republicano.
— O que está acontecendo com Cuba é incrível. E nós achamos que queremos resolver isso [com o Irã] primeiro — disse Trump em um evento na Casa Branca. — Mas é só uma questão de tempo até que você e muitas pessoas incríveis estejam de volta em Cuba
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Trump se dirigia ao secretário de Estado, Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, sugerindo que há um plano em curso para o país, comandado por um regime socialista desde 1959, e que desde 1962 enfrenta um dos mais duros e longevos embargos econômicos do mundo.
— Ele [Rubio] fez um trabalho fantástico em um lugar chamado Cuba — afirmou o presidente.
Em seu primeiro mandato, Trump reverteu boa parte das políticas de distensão com o regime adotadas por seu sucessor, Barack Obama, que visitou Havana em 2016 e se encontrou com o então presidente, Raúl Castro. De volta à Casa Branca, ele apertou o passo, com novas restrições e ameaças mais explícitas de mudança de regime.
Cubana posa diante de cartaz comemorativo da visita do presidente dos EUA, Barack Obama, a Cuba
Yuri CORTEZ / AFP
A medida mais contundente veio em janeiro, dias depois da invasão americana a Caracas, que culminou com a captura do presidente Nicolás Maduro e a guinada pró-Washington dos chavistas que permaneceram no poder. Trump suspendeu os envios de petróleo venezuelano — principal fornecedor de Cuba — e agravou a crise já enfrentada pela ilha. O governo precisou reduzir atividades econômicas, decretar racionamentos e adotar um severo plano de contingência. Empresas aéreas suspenderam voos e o setor turístico, um dos pilares do PIB local, já sente o impacto.
— Bem, é por causa da minha intervenção, intervenção que está acontecendo. Obviamente, caso contrário, eles não teriam esse problema. Cortamos todo o petróleo, todo o dinheiro… tudo que vinha da Venezuela, que era a única fonte — disse Trump, em entrevista ao portal Politico nesta quinta-feira. — Há quanto tempo vocês ouvem falar em Cuba, Cuba, Cuba, há 50 anos? E essa é uma das pequenas coisas para mim.
Os EUA ainda ameaçaram impor sanções a países que exportem petróleo a Cuba e apreender petroleiros que tentem romper o embargo. Na semana passada, Washington anunciou que permitiria que empresas privadas adquirissem petróleo, desde que não repassem ou revendam o produto ao Estado. Ao mesmo tempo, deixava no ar a intenção de se livrar dos atuais dirigentes, através de uma intervenção armada, ou convencê-los a seguirem a sua cartilha.
— O governo cubano está conversando conosco e está em uma situação muito difícil — disse Trump, em declarações na sexta-feira passada. — Eles não têm dinheiro. Não têm nada agora, mas estão conversando conosco e talvez possamos ter uma tomada de poder amigável em Cuba.
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Na Casa Branca, o presidente ainda celebrou a nova era de intervenções armadas dos EUA pelo mundo, a começar pela América Latina, região que tem destaque na nova política de segurança nacional americana. Ele não citou as alegações de que estaria violando a lei internacional.
— Tivemos um sucesso tremendo de muitas maneiras diferentes. Eu construí e reconstruí as Forças Armadas no meu primeiro mandato, e estamos usando-as, mais do que eu gostaria, para ser honesto, mas quando as usamos, descobrimos que elas certamente funcionam — afirmou o presidente. — Quando olhamos para a Venezuela, quando olhamos para a Operação Martelo da Meia-Noite no Irã (em junho de 2025), que preparou o terreno para o que estamos fazendo agora, tem sido algo realmente incrível.
Os Estados Unidos afundaram mais de 30 navios iranianos, enquanto os ataques com mísseis balísticos e drones das forças de Teerã diminuíram consideravelmente desde o início da ofensiva contra a república islâmica no último sábado, afirmou nesta quinta-feira um alto oficial americano.
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“Já ultrapassamos os 30 navios afundados e, nas últimas horas, atingimos um navio porta-drones iraniano de tamanho aproximado ao de um porta-aviões da Segunda Guerra Mundial. E, enquanto falamos, ele está em chamas”, declarou o almirante Brad Cooper em uma coletiva de imprensa.
Os “ataques com mísseis balísticos diminuíram 90% desde o primeiro dia” e “os ataques com drones diminuíram 83%”, disse Cooper, chefe do Comando Central, responsável pelas forças americanas no Oriente Médio.
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Os Estados Unidos lançaram em 28 de fevereiro uma campanha de bombardeios contra o Irã junto com as forças israelenses, e Teerã respondeu lançando ondas de drones e mísseis contra outros países da região.
Destruir as capacidades de mísseis balísticos do Irã e sua marinha são dois dos principais objetivos apresentados por Washington na operação contra o país, que os Estados Unidos batizaram de “Fúria Épica”.
A Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) declarou nesta quinta-feira o Peru responsável pela esterilização forçada e pela morte de uma mulher camponesa em 1997, informou o organismo.
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A prática fez parte de um programa de planejamento familiar implementado pelo falecido ex-presidente Alberto Fujimori durante os últimos quatro anos de seu mandato, que terminou em 2000 após uma década no poder marcada por graves violações de direitos humanos e escândalos de corrupção.
A Corte “declarou a responsabilidade internacional do Estado peruano pela esterilização forçada e posterior morte de Cecilia Edith Ramos Durand, ocorrida em 1997”, afirma a sentença.
Ramos Durand, que morreu após o procedimento, teria recebido visitas constantes de profissionais de saúde com o objetivo de convencê-la a se submeter a uma laqueadura, segundo a denúncia apresentada à Justiça interamericana. A mulher apresentou complicações médicas durante a operação e foi transferida para uma clínica na cidade de Piura, onde foi internada em estado de coma.
O marido de Ramos apresentou então uma denúncia contra a equipe médica que participou da cirurgia, mas o caso foi arquivado. Desde então, o processo penal foi reaberto e arquivado novamente em pelo menos duas outras ocasiões.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira que deveria ter um papel na escolha do novo líder do Irã e que Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei e apontado como o principal candidato a suceder o pai, seria uma escolha “inaceitável”. Os comentários do republicano foram os mais explícitos, até o momento, sobre sua visão do papel americano na formação de um novo governo em Teerã.
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— O filho de Khamenei (morto no primeiro dia da guerra em um ataque coordenado entre EUA e Israel) é um peso leve. Tenho que participar da nomeação, como com Delcy — disse Trump, em entrevista à agência Reuters e ao site de notícias Axios, fazendo uma comparação com a Venezuela, onde a presidente interina Delcy Rodríguez, sob pressão, tem cooperado com ele depois que os EUA depuseram o líder chavista Nicolás Maduro, em janeiro.
O presidente americano também afirmou que os EUA provavelmente voltariam à guerra dentro de cinco anos, caso não haja um líder favorável a Washington no Irã.
— O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz para o Irã — acrescentou.
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As declarações de Trump deixam claro que o modelo do presidente para o Irã, como ele mesmo disse ao New York Times (NYT) no último domingo, seria replicar a instalação de um novo presidente na Venezuela — cenário que o republicano classificou como “perfeito” — após a operação americana derrubar Maduro e enviá-lo para uma prisão federal em Nova York, onde aguarda julgamento junto com sua esposa, Cilia Flores.
Em menos de dois meses, de fato, Trump deu aval para duas ações militares contra regimes considerados algozes históricos de Washington. A primeira, em 3 de janeiro, capturou o então líder da Venezuela, Nicolás Maduro. A outra, em 28 de fevereiro, matou o então líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. No entanto, assim como afirmou o próprio Trump durante uma coletiva de imprensa na última terça-feira, no Salão Oval, a situação no Irã é totalmente diferente.
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Muitos analistas apontam que existem enormes diferenças entre o Irã — um país de 92 milhões de habitantes governado por uma complexa combinação de clérigos e pela Guarda Revolucionária Islâmica — e a Venezuela. Ainda assim, Trump continua citando esse exemplo, inclusive em conversas com líderes mundiais e membros do Congresso.
No Salão Oval, ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz, Trump disse que o pior cenário no Irã seria a chegada de um novo governo “tão ruim quanto o anterior”, e que “a maioria das pessoas que tínhamos em mente [para comandar o país] já morreu”.
Presidente dos EUA, Donald Trump, antes de reunião com o chanceler alemão, Fredrich Merz, na Casa Branca
ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP
A declaração de Trump também é a mais recente de uma série de afirmações contraditórias sobre os objetivos de guerra de Washington contra o Irã. Logo após os primeiro ataques americano-israelenses, no último sábado, ele pediu que o povo iraniano se levantasse e derrubasse o regime. No dia seguinte, disse ao NYT que tinha três nomes em mente para assumir o posto de líder supremo no Irã, embora depois tenha declarado à emissora ABC que acreditava que eles haviam sido mortos nos dias de bombardeios.
Os comentários de Trump sobre mudança de regime na República Islâmica certamente lembrarão os iranianos de um período marcante da história do país: o golpe de 1953, conduzido pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos), que derrubou o então primeiro-ministro democraticamente eleito Mohammad Mossadegh, para garantir o acesso britânico ao petróleo da região. À época, esse golpe acabou levando à instalação do xá do Irã, Mohammad Reza PahlEvi, que foi deposto na Revolução Iraniana de 1979.
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Em 2009, o então presidente americano, Barack Obama, reconheceu o papel da CIA no golpe iraniano em um discurso no Cairo, admitindo que “os Estados Unidos desempenharam um papel significativo na derrubada de um governo iraniano democraticamente eleito”. Na ocasião, ele foi criticado por republicanos por parecer pedir desculpas pelas intervenções passadas dos EUA na política iraniana.
Por ora, não está claro de que forma Trump poderia desempenhar um papel na escolha de um novo líder supremo do Irã, uma decisão tomada por uma assembleia de altos clérigos muçulmanos xiitas, em sua maioria fortemente contrários aos Estados Unidos — Trump foi criado como presbiteriano.
Mas, seus comentários indicam uma disposição de trabalhar com alguém de dentro da República Islâmica em vez de tentar depor o regime, inimigo declarado de Washington desde que a revolução islâmica de 1979 depôs o xá pró-ocidental.
O filho do xá falecido, Reza Pahlevi, propôs voltar como figura de transição antes de o país redigir uma nova Constituição como uma democracia laica. Nesta quinta-feira, inclusive, Pahlevi disse que qualquer novo líder supremo do Irã seria ilegítimo.
A guerra no Oriente Médio obrigou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a suspender as operações em seu centro global de logística de emergência em Dubai, disse o chefe da agência da ONU nesta quinta-feira. Tedros Adhanom Ghebreyesus alertou que o impacto do conflito, desencadeado pelos ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no sábado, “vai além dos países imediatamente afetados”.
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“As operações no centro logístico da OMS para emergências globais de saúde em Dubai estão atualmente suspensas devido à insegurança”, disse ele em uma coletiva de imprensa.
No ano passado, o centro logístico de Dubai processou mais de 500 pedidos de emergência para 75 países em todo o mundo, disse Hanan Balkhy, diretora regional da OMS para o Mediterrâneo Oriental, a jornalistas.
“As cadeias de suprimentos humanitários de saúde estão agora sendo postas em risco”, alertou Hanan, explicando que “as operações do centro estão temporariamente suspensas devido à insegurança, ao fechamento do espaço aéreo e às restrições que afetam o acesso ao Estreito de Ormuz”.
Segundo ela, a interrupção estava “impedindo o acesso a US$ 18 milhões em suprimentos humanitários de saúde, enquanto outros US$ 8 milhões em remessas não conseguiam chegar ao centro de distribuição”. A crise afetou mais de 50 pedidos de suprimentos de emergência de 25 países, além de cerca de US$ 6 milhões em medicamentos destinados à Faixa de Gaza, devastada pela guerra.
‘Uma tábua de salvação extremamente importante’
Além disso, ela alertou que US$ 1,6 milhão em suprimentos para laboratórios de pesquisa sobre poliomielite estavam retidos, o que poderia ter impactos graves no Afeganistão e no Paquistão, onde a doença é endêmica. Hanan afirmou que a OMS estava discutindo e coordenando com as autoridades dos Emirados Árabes Unidos sobre como continuar utilizando o centro.
O governo também estava em negociações com outros países e parceiros humanitários sobre a utilização de outros centros em Nairóbi, Dacar e Brindisi para estabelecer outras rotas. Caso o conflito se prolongue, Hanan reconheceu que poderá haver necessidade de discutir “todos os tipos de rotas rodoviárias ou terrestres potenciais, possivelmente através do Reino da Arábia Saudita”, mas afirmou que a OMS espera que isso não seja necessário.
“O centro de operações em Dubai é uma tábua de salvação extremamente importante para a resposta humanitária”, disse ela.
‘Riscos nucleares’
Quanto ao impacto direto da guerra, Hanan afirmou que a agência de saúde da ONU estava coordenando a resposta na área da saúde em 16 países afetados e apoiando os ministérios da saúde e parceiros “para manter os serviços essenciais”. A OMS também estava “reforçando a vigilância de doenças e se preparando para possíveis vítimas em massa e deslocamentos”, disse ela.
Em 2025, centro logístico de Dubai processou mais de 500 pedidos de emergência para 75 países em todo o mundo
Fadel Senna/AFP
Entretanto, o Irã não fez nenhum “pedido formal de suprimentos específicos” à OMS, “já que seu sistema está retendo e suportando a situação atual”, disse Balkhy. Mas ela afirmou que a OMS estava “aumentando o nível de preparação para riscos químicos, biológicos, radiológicos e nucleares”. Tedros também mencionou as ameaças às instalações nucleares representadas pelo conflito.
“Qualquer comprometimento da segurança nuclear pode ter sérias consequências para a saúde pública”, alertou ele.
A OMS também soou o alarme sobre os mais de uma dúzia de ataques a serviços de saúde registrados até quinta-feira, em um conflito que nem sequer completou uma semana. A organização afirmou ter verificado até o momento 13 ataques contra serviços de saúde no Irã, que resultaram em quatro mortos e 25 feridos, enquanto um ataque no Líbano matou três paramédicos e feriu outros seis.
“De acordo com o direito humanitário internacional, os cuidados de saúde devem ser protegidos e não atacados”, disse Tedros.
O presidente dos EUA, Donald Trump, demitiu sua secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, na quinta-feira, e anunciou planos para substituí-la pelo senador Markwayne Mullin, de Oklahoma. Isso se dá depois que ela foi interrogada por legisladores republicanos esta semana em audiências no Congresso sobre vários assuntos, incluindo seu conhecimento sobre um lucrativo contrato de publicidade. Trump anunciou a mudança nas redes sociais, juntamente com uma nova função, até então inexistente, para Noem: enviada especial para o “Escudo das Américas”, que ele disse ser uma nova iniciativa de segurança para o Hemisfério Ocidental. Trump é próximo de Mullin, um republicano e ex-lutador de MMA, e conversa com ele regularmente.
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Noem — primeira funcionária do gabinete a ser demitida no segundo mandato de Trump — estava entre as figuras-chave do governo que cumpriam sua iniciativa de deportação em massa, pela qual ele fez campanha agressivamente e que foi fortemente influenciada por Stephen Miller, um importante assessor da Casa Branca.
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Mas seu mandato foi marcado por uma série de controvérsias, e seu destino foi alvo de especulações entre os aliados de Trump por várias semanas. Na quinta-feira, o presidente contradisse as declarações que Noem fez sob pena de perjúrio em sua audiência perante um painel do Senado na quarta-feira: que Trump havia aprovado uma campanha publicitária sobre segurança nas fronteiras com Noem.
“Eu nunca soube nada sobre isso”, disse Trump à Reuters. Uma porta-voz da Casa Branca se recusou a comentar e encaminhou um repórter do New York Times os comentários de Trump à Reuters.
Noem enfrentou o escrutínio dos legisladores sobre a campanha, na qual o governo gastou US$ 220 milhões (mais de R$ 1 bilhão, na cotação atual). A empresa responsável pela campanha tinha ligações com o marido da ex-porta-voz de Noem. Os anúncios destacavam Noem, incluindo uma cena filmada a cavalo no Monte Rushmore, no estado natal do ex-governador da Dakota do Sul.
Pressionada em uma audiência separada na terça-feira sobre o processo de adjudicação dos contratos por trás da campanha publicitária, Noem disse que tudo passou por “um processo competitivo” e que nenhum nomeado político esteve envolvido. Na quarta-feira, ela disse que o contrato “foi feito corretamente, tudo feito legalmente”.
O senador John Kennedy, republicano da Louisiana que questionou veementemente a Noem sobre os contratos de publicidade, disse aos repórteres na quinta-feira que recebeu uma ligação do presidente sobre o depoimento dela.
“Digamos assim”, disse ele. “A lembrança dele e a lembrança dela são diferentes.”
A Casa Branca publicou nas redes sociais um vídeo promocional das operações militares dos Estados Unidos contra o Irã que mistura imagens reais de ataques com cenas do videogame Call of Duty: Modern Warfare 3, provocando críticas e perplexidade entre usuários da internet.
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O vídeo, divulgado na conta oficial da Casa Branca na rede social X, começa com a animação de uma sequência de ataques do jogo conhecida como “MGB” (“Bombas Guiadas em Massa”, do inglês), um recurso secreto ativado por jogadores que conseguem eliminar 30 adversários sem morrer.
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Após a animação, a gravação passa a exibir uma montagem de imagens reais de operações militares recentes, incluindo jatos de combate, navios de guerra e mísseis sendo lançados contra alvos. Entre os registros aparecem imagens desclassificadas de ataques atingindo um navio, veículos e o que parece ser um complexo militar.
A publicação foi acompanhada da legenda: “Courtesy of the Red, White & Blue”, ou “Cortesia do Vermelho, Branco e Azul”, em referência às cores da bandeira americana.
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A divulgação ocorreu no mesmo dia em que milhares de pessoas participaram no Irã de um funeral coletivo em homenagem a cerca de 175 civis mortos em bombardeios que destruíram uma escola primária. A Casa Branca nega responsabilidade direta por esse ataque específico, mas afirmou que o caso está sendo investigado, segundo o jornal britânico The Guardian.
Ainda não está claro se a desenvolvedora do jogo, Activision, ou sua controladora, Microsoft, autorizaram o uso das imagens na publicação oficial do governo americano.
Nos últimos anos, a Microsoft tem enfrentado críticas relacionadas ao conflito no Oriente Médio. Reportagem do The Guardian apontou que a agência militar de vigilância de Israel utiliza amplamente serviços de computação em nuvem e a plataforma Azure da empresa para monitorar palestinos. A companhia negou as acusações e afirmou em um comunicado que realizou revisões internas e externas e “não encontrou evidências até o momento de que as tecnologias Azure e de inteligência artificial da Microsoft tenham sido usadas para atingir ou prejudicar pessoas no conflito em Gaza”.
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A publicação da Casa Branca também provocou reação negativa nas redes sociais. Muitos usuários classificaram o vídeo como insensível e compararam a montagem a um videogame.
“Cara, eu não sou politizado, mas fazer memes sobre matar toneladas de civis é insanamente sem noção e distópico’, escreveu um usuário no X.
Houve ainda comparações com a série distópica Black Mirror. “A Casa Branca fazer vídeos exaltando guerras e postá-los nas redes sociais oficiais é o nível de distopia no qual vivemos hoje em dia”, escreveu um comentário. “Black mirror não conseguiria fazer um episódio mais louco”, concluiu.

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