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À medida que o Irã intensifica sua retaliação contra a campanha militar de EUA e Israel com amplos ataques a infraestruturas essenciais do setor de petróleo do Golfo Pérsico, a condenação de líderes regionais cresce em escala e intensidade, em um momento em que a guerra no Oriente Médio afeta globalmente o preço dos combustíveis sem sinal de conclusão no curto-prazo. Uma série de países apelou por uma contenção por parte de Teerã, enquanto o primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman al-Thani acusou o país dos aiatolás de “traição” contra os seus vizinhos em meio aos repetidos ataques — que provocaram a maior variação no preço do petróleo no mercado internacional em anos, forçando líderes das principais economias do mundo a se reunirem em busca de soluções.
Guerra no Oriente Médio: Acompanhe a cobertura completa
Análise: Escolha de Mojtaba Khamenei como líder supremo do Irã sinaliza aposta dobrada em guerra com EUA e Israel
Consequência do conflito: Ataques a depósitos de combustível no Irã levantam alerta para risco de chuva ácida
Alvo de bombardeios israelenses contra depósitos de combustíveis no fim de semana, que fizeram o dia virar noite em áreas próximas a Teerã, o Irã disparou ataques aéreos contra os setores produtivos de Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos entre a noite de domingo e a madrugada desta segunda-feira, além de outros ataques contra Israel e posições americanas na região. Os bombardeios direcionados, somados ao fechamento quase total do Estreito de Ormuz, via navegável por onde passa 20% da produção mundial de petróleo, provocou uma alta histórica no preço do barril — com uma variação de US$ 101,50 dólares no mercado americano (na referência da West Texas Intermediate), aproximando-se de US$ 120 em mercados asiáticos.
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A Arábia Saudita denunciou quatro ataques separados envolvendo drones iranianos contra o campo de petróleo de Shaybah, explorado pela Aramco, maior empresa petrolífera do mundo. Cinco drones foram interceptados em uma janela de 12 horas, segundo o Ministério da Defesa saudita, que também relatou a intercepção de três mísseis balísticos que teriam como destino a base aérea Príncipe Sultan. Em um sinal dos crescentes riscos, funcionários americanos da missão diplomática dos EUA no país receberam uma ordem de saída obrigatória, segundo fontes ouvidas pelo New York Times — em uma decisão inédita, uma vez que os alertas anteriores eram recomendações de saída voluntária.
No Bahrein, projéteis iranianos atingiram diretamente a maior refinaria da empresa estatal BAPCO, a Al Ma’ameer, localizada na região de Sitra. Os projéteis provocaram um incêndio e danos materiais que o pequeno país do Golfo não revelou em detalhes. A companhia energética estatal precisou declarar que não cumpriria as obrigações contratuais, alegando motivo de força maior. O Ministério da Saúde disse que os ataques do Irã na região deixaram 32 civis feridos na noite de domingo.
Os Emirados Árabes Unidos anunciaram a morte de dois militares após um helicóptero envolvido nas operações de defesa aérea do país apresentar um mal funcionamento e cair, e afirmou que destroços de projéteis interceptados provocaram um incêndio na costa leste do país. O alvo seria uma instalação ligada às exportações de petróleo do país em Fujairah. O Catar, por sua vez, afirmou ter interceptado 17 mísseis balísticos e seis drones iranianos, sem descrever a quais alvos seriam destinados.
Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita interceptam drones iranianos
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A retórica iraniana ao longo de dez dias de guerra é que não ataca alvos dos países do Golfo de forma direta, e que os bombardeios na região miram apenas alvos israelenses e americanos nesses países — algo que não se comprova em campo, com dezenas de alvos civis atingidos desde o começo da guerra. Entre os vários comunicados emitidos a cada novo dia de conflito, os países afetados na região chegaram a anunciar que se reservavam ao direito de responder às agressões iranianas, em uma linguagem que foi interpretada em alguns momentos como um ultimato para uma tomada de parte no confronto. As sinalizações desta segunda-feira, porém, indicam que uma saída diplomática ainda é a preferência das ricas nações vizinhas.
Em uma entrevista à rede Sky News, o primeiro-ministro do Catar afirmou que os ataques desmedidos no Irã configuravam uma “traição” aos países vizinhos, em um linguagem forte de condenação de um país que tradicionalmente tenta manter neutralidade e portas-abertas ao diálogo. O governo do Catar condenou os ataques de Teerã à Arábia Saudita, que deixaram dois mortos em uma área civil, e disse que as ações do país configuram uma violação da lei internacional e “uma escalada perigosa que ameaça a segurança e a estabilidade da região”. A Arábia Saudita disse que a nação persa seria a “maior derrotada em caso de uma escalada mais ampla”.
Apesar da retórica, Riad não explicitou ameaças futuras ao Irã, restringindo-se a dizer que se reservava ao “total direito de tomar todas as medidas necessárias a defender sua segurança”. Abu Dhabi anunciou que não participará de nenhum ataque a partir de seu território. Em uma resposta direta sobre a condenação aos ataques iranianos, al-Thani afirmou em sua entrevista que uma escalada militar apenas aprofundaria a crise, rejeitando envolvimento bélico.
— Nós continuamos em busca de uma desescalada — disse o premier catari. — Eles são os nossos vizinhos. É nosso destino.
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Pressão do petróleo
Embora as consequências mais visíveis do conflito e dos ataques às instalações petrolíferas sejam no front — o Irã afirma que 1,3 mil pessoas morreram no país em 10 dias de conflito, enquanto contagens apontam 30 mortos em meio à retaliação no Oriente Médio, incluindo 8 militares americanos —, o mundo inteiro sente a repercussão econômica do conflito, com a subida de preço do mercado de hidrocarbonetos.
Os ministros das finanças do G7 se reuniram nesta segunda-feira para discutir a liberação de reservas de petróleo da Agência Internacional de Energia (AIE), criada em 1974 após o choque do petróleo que mantém reservas equivalentes a pelo menos 90 dias de importações líquidas de seus países-membro, mas decidiram esperar mais um pouco.
Os principais líderes europeus, como o chanceler alemão, Friedrich Merz, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, expressaram preocupação com o aumento do preço dos combustíveis e disseram monitorar de perto a situação. Outros países pelo mundo, como a Croácia, anunciaram desde já medidas para segurar a oscilação dos preços. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, chegou a sugerir que as sanções ao petróleo russo fossem suspensas para “criar oferta”. Emmanuel Macron, presidente da França, prometeu uma missão “apenas defensiva” no Golfo, para permitir a circulação de navios-petroleios.
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Em um posicionamento publicado pelo Financial Times, a consultoria de energia americana Rapidan Energy Group afirmou que a guerra em curso já provocou “a maior interrupção no fornecimento de petróleo da história”, superando o impacto da crise de Suez (1956-1957), quando 10% da oferta global foi interrompida. A interrupção dos fluxos de produção e isolamento do mercado global daqueles países produtores com grande capacidade ociosa foram apontados como motivos para a análise.
Para além dos ataques aéreos, Irã e EUA trocam acusações no campo retórico. O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, afirmou que os EUA atacaram o país em busca de tomar ilegalmente as riquezas petrolíferas. Teerã também advertiu sobre ataques contra o seu hub de exportação de petróleo, na ilha de Kharg — um centro logístico até agora poupado por americanos e israelenses.
Em uma declaração no Departamento de Estado, o secretário americano Marco Rubio afirmou que Teerã estaria tentando deixar o mundo “refém”.
— Creio que todos estamos vendo agora mesmo a ameaça que este regime teocrático representa para a região e para o mundo — disse Rubio. — Estão tratando de manter o mundo como refém. (Com AFP e NYT)
Dez dias após os Estados Unidos decidirem adiar a missão da Nasa que levará astronautas de volta à superfície da Lua, a China começou a divulgar detalhes de sua própria viagem lunar tripulada, anunciando hoje em um estudo o lugar onde deve tentar um pouso.
Ainda não está claro quando o país asiático será capaz de realizar uma missão do tipo, apesar do discurso oficial. O governo diz que o programa de exploração está com a agenda “em dia” para fazê-lo “por volta de 2030”. Independente de o prazo ser cumprido, agora já se sabe que os chineses tentarão um pouso numa região chamada Rimae Bode, perto do equador lunar.
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Essa região é considerada cientificamente valiosa por ter tipos variados de topografia e materiais na superfície para serem estudos. O terreno pouco acidentado a torna tambémuma área mais segura para tentar um pouso, e sua posição central, de frente para a face da Lua que fica virada para a Terra, facilita o trabalho.
Rimae Bode tem esse nome por ser um território marcado por duas grandes fissuras geológicas (do latim _Rima_) perto da encosta da cratera de Bode (batizada em homenagem ao astrônomo alemão Johann Bode).
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No estudo na revista Nature Astronomy, os chineses liderados pelo cientista Maosheng Yang, da Universidade de Geociências da China, em Wuhan, mostram que há pelo menos quatro pontos específicos de Rimae Bode onde sua nave poderia aterrissar.
“A caracterização dos locais de pouso para futuras missões tripuladas à Lua é fundamental para maximizar os resultados científicos” escreveram os pesquisadores no artigo. “Utilizamos dados orbitais para analisar a região equatorial de Rimae Bode, localizada na fronteira entre os ‘mares lunares’ e as ‘terras altas’, que é uma candidata prioritária para a futura missão tripulada chinesa.”
As informações usadas na pesquisa foram coletadas em grande parte pelos módulos orbitadores (que ficam na órbita da Lua, mas não pousam) que a China enviou ao satélite natural da Terra. O programa de exploração robótica Chang’e já enviou seis pacotes de dispositivos para lá, sendo que os quatro últimos tinham também módulos de pouso.
O novo estudo indica que Rimae Bode é particularmente interessante porque as rochas existentes ali podem dar uma pista sobre a composição do interior da Lua, que nunca foi estudado em grande profundidade.
Vulcões lunares
A região tem uma espessa camada de detritos escuros: vidro criado por erupções de vulcões há bilhões de anos. Como esses materiais se originaram do interior profundo da Lua, estudá-los vai revelar coisas sobre a composição do ‘manto’ geológico lunar sem precisar de perfurações profundas.
Acredita-se que as principais fissura que dão nome ao lugar (Rima Bode 1 e Rima Bode 2), são marcas de “rios de lava” que escorreram durante esses eventos. Os mares de basalto que existem ali foram formados também por lava resfriada e possuem composições minerais distintas, com alto teor de titânio e tório.
Mapa digital da região lunar de Rimae Bode feito por sondas espaciais chinesas
Nature/divulgação
Além dessas características, na região da cratera Bode é possível encontrar ali rochas que sejam representativas da superfície lunar antiga, e até mesmo detritos resultantes de impactos com meteoros, que podem ajudar a estudar o histórico dessas colisões.
“Essa coleção de características pode fornecer bons insights sobre a evolução geológica da Lua e aprimorar nossa compreensão sobre a composição do manto lunar e de processos vulcânicos”, escrevem Yang e colegas.
Se uma primeira missão tripulada chinesa chegar antes de os americanos voltarem à Lua, o acesso a materiais provenientes de vulcões antigos seriam um grande trunfo. O programa Apollo, da Nasa, que explorou o satélite de 1969 a 1972, não coletou nenhum material desse tipo.
Corrida acirrada
O estudo dos cientistas chineses, uma demonstração de que seu país está consolidando o planejamento de suas missões, também tem o efeito de aquecer a corrida lunar do século 21 travada entre EUA e China. Enquanto os asiáticos se aceleram, os americanos dão sinal de ralentar.
A Artemis III, missão americana que tentaria a aterrissagem em 2027, foi replanejada e não mais vai fazê-lo. Agora o mais cedo que os EUA conseguiriam botar de volta os pés no satélite natural da Terra deve ser em 2028, na Artemis IV.
A Artemis II, que vai apenas orbitar a Lua, sem pouso, também já teve duas janelas de lançamento perdidas desde janeiro. Problemas detectados perto da decolagem adiaram os trabalhos, e essa próxima missão provavelmente não sai do chão antes de abril.
Os chineses, por outro lado, ainda precisam passar do estágio que foi a Artemis I: a missão não-tripulada americana que circulou a lua com uma nave capaz de abrigar astronautas, mas que foi comandada remotamente naquela ocasião.
O último anúncio relevante do programa lunar chinês ocorreu no início de fevereiro, quando o país obteve sucesso no teste de seu foguete lançador Longa Marcha-10 em baixa altitude. A agência espacial chinesa testou também um sistema emergencial para abortagem de missões, componente essencial de incursões tripuladas ao espaço. A Mengzhou, espaçonave carregada pelo foguete que efetivamente operaria na Lua, não teve muitas demonstrações ainda.
Se o calendário do programa americano sofrer mais atrasos, de todo modo, a agenda de exploração lunar dos dois países vai se aproximar ainda mais, acirrando mesmo a corrida.
O direcionamento dos ataques às infraestruturas de petróleo e gás na escalada do conflito no Oriente Médio pode transformar a alta temporária, conjuntural do preço do barril de petróleo — que, na manhã desta segunda-feira, esbarrou em US$ 120 — em uma questão estrutural. Até aqui, o problema era mais logístico, especialmente pelo fechamento do Estreito Ormuz, na região que abriga cinco dos dez maiores produtores globais de petróleo. No entanto, os ataques feitos pelo Irã a refinarias de petróleo e gás na Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait e Omã, além da investida israelense contra instalações petrolíferas em Teerã, podem levar a uma redução de oferta por um período mais prolongado. Isso poderia dificultar a queda da cotação, mesmo com o fim do conflito, explica Adriano Pires, sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Teerã nunca havia sofrido uma campanha de bombardeios tão intensa em um período tão curto. Os ataques aéreos coordenados entre Estados Unidos e Israel, que começaram há exatos 10 dias, atingiram o coração da vida civil, causando danos a hospitais, escolas e prédios residenciais, de acordo com a mídia estatal iraniana. Desde então, o Irã retaliou com uma ofensiva contra instalações americanas e israelenses em territórios vizinhos. Nesta segunda-feira, as Forças Armadas iranianas lançaram uma nova onda de ataques contra Israel e países do Golfo, na primeira ofensiva desde a escolha do aiatolá Mojtaba Khamenei como sucessor do pai, Ali Khamenei, líder supremo morto no primeiro dia de ataques.
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Ao longo desses 10 dias de conflito, mais de um terço dos pelo menos 700 locais atingidos em todo o Irã estavam situados em Teerã, de acordo com a organização sem fins lucrativos Ativistas de Direitos Humanos no Irã, que monitora a guerra.

O foco dos EUA e de Israel na extensa capital faz parte de uma estratégia de decapitação, que prosseguiu com a destruição de centenas de locais, incluindo um bunker subterrâneo na última sexta-feira, ligados às instituições militares e de segurança do Irã, todas controladas a partir de Teerã.
Exército israelense divulga imagens de ataque que destruiu bunker de líder supremo do Irã
Forças de Defesa de Israel (IDF)
“O bunker militar subterrâneo, localizado sob o complexo que abriga a direção do regime, no centro de Teerã, era utilizado pelo guia supremo como centro seguro de comando de urgência”, declarou o Exército israelense, em um comunicado, após o ataque.
Passo a passo da missão de ataque que matou Khamenei
Google Maps, Airbus/Soar Atlas e Arte O GLOBO
No dia seguinte, ao menos dois depósitos de petróleo foram atingidos por caças israelenses na capital, provocando uma chuva escura e oleosa e transformando o dia em noite, sob uma espessa nuvem de fumaça que encobriu o céu.
Depósitos de petróleo foram atingidos por caças israelenses na capital, provocando uma chuva escura e oleosa
Arash Khamooshi / The New York Times
Mas a campanha também atingiu locais de patrimônio cultural, estádios esportivos e atrações turísticas. O Palácio de Golestan, antiga residência real que remonta ao século XVI e Patrimônio Mundial da Unesco, foi danificado indiretamente por uma onda de explosões registradas na região, causada por ataques americano-israelenses, segundo informou a imprensa local nesta segunda-feira.
Palácio de Golestan, antiga residência real que remonta ao século XVI e Patrimônio Mundial da Unesco, foi danificado
Reprodução/Youtube | Reprodução/Redes sociais
Mais de 1.200 civis iranianos foram mortos no conflito, de acordo com ativistas de direitos humanos no Irã, mais que o dobro do número registrado na guerra de 12 dias com Israel em junho do ano passado. Os militares dos EUA e de Israel afirmam que não estão visando civis. Na última sexta-feira, o Comando Central dos EUA — que supervisiona a guerra — disse ter atacado centros de comando, quartéis-generais militares, sistemas de defesa aérea, a Marinha, locais de mísseis balísticos e centros de comunicações militares, entre outros alvos.
Imagem de satélite mostra fumaça saindo de uma base naval em Konarak, no sul do Irã. Os EUA e Israel lançaram um ataque de proporções sem precedentes contra o Irã em 28 de fevereiro.
Vantor / AFP
As imagens de satélite também mostram destruições em uma instalação de radar na base aérea de Zahedan, no leste do Irã, perto da fronteira com o Afeganistão e o Paquistão
Instalação de radar na base aérea de Zahedan, no leste do Irã
Reprodução/Vantor Tech
Os moradores de Teerã, uma metrópole de 17 milhões de habitantes, disseram que a cidade estava funcionando, mas esvaziada após um êxodo em massa de pessoas que tinham condições de sair e encontrar um lugar para morar. Aqueles que se aventuram a sair encontram as ruas de Teerã — normalmente congestionadas por um trânsito infernal — vazias em alguns bairros.
Guerra no Oriente Médio: imagens de satélite mostram antes e depois da destruição em áreas do Irã após ataques de EUA e Israel
Na última quinta-feira, um ataque devastou o estádio Besat, que normalmente sedia jogos de vôlei. Posteriormente, agentes de segurança foram filmados caídos no asfalto, feridos, dentro do estádio, de acordo com vídeos verificados pela Storyful. Especialistas militares, ouvidos pelo pelo Wall Street Journal, afirmaram que o traje dos homens era compatível com o da chamada Força Especial Antiterrorista do Irã, que desempenhou um papel fundamental na repressão violenta contra manifestantes em janeiro.
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Na noite de sexta-feira, o chefe de polícia do Irã, Ahmad-Reza Radan , ordenou que suas forças atirassem em saqueadores à vista. Caso “os policiais se deparem com ladrões, o confronto armado está previsto”, dizia a mensagem. Uma segunda mensagem dizia que a polícia havia tomado a “firme decisão de não apaziguar” os manifestantes, afirmando que alguns tinham “planos de matar”. A mensagem aconselhava as famílias a “cuidarem de seus filhos e adolescentes”.
Clérigos e voluntários da Guarda Revolucionária oram ao lado de escombros de uma delegacia destruída em ataques aéreos em Teerã
AFP
Teerã, de fato, nunca havia sofrido uma campanha de bombardeio tão intensa. Na década de 1980, o ditador iraquiano Saddam Hussein bombardeou cidades iranianas com caças e mísseis para pressionar o Irã a um cessar-fogo. Os bombardeios aéreos iraquianos sobre Teerã em 1986 mataram 422 pessoas ao longo de um ano. Durante outra campanha, em 1988, Teerã foi atingida por pelo menos 118 mísseis em 52 dias, matando centenas de pessoas.

Sistemas de defesa da OTAN interceptaram no espaço aéreo turco um míssil balístico disparado do Irã, informou nesta segunda-feira o Ministério da Defesa da Turquia. Segundo autoridades, este é o segundo incidente desse tipo em cinco dias. Na semana passada, outro projétil lançado por Teerã foi abatido na região.
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Turquia, Rússia, China e Índia: onde estão os aliados do Irã em meio à guerra no país?
“Meios de defesa aérea e antimísseis da OTAN no Mediterrâneo oriental neutralizaram um míssil balístico lançado do Irã que entrou no espaço aéreo turco”, afirmou o ministério em comunicado.
Alguns fragmentos caíram em uma área despovoada da província meridional de Gaziantep, sem causar vítimas, acrescentou a fonte.
“Reafirmamos que todas as medidas necessárias serão tomadas com firmeza e sem hesitação diante de qualquer ameaça ao nosso território e espaço aéreo. Recordamos que é de interesse geral atender aos alertas da Turquia a esse respeito”, concluiu o ministério.
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O alerta das autoridades turcas ocorreu uma hora depois de os Estados Unidos anunciarem o fechamento de seu consulado em Adana, no sudeste da Turquia, e recomendarem que funcionários do governo americano não essenciais e seus familiares deixem o país “devido a riscos à segurança”.
O Departamento de Estado anunciou a suspensão de todos os serviços consulares no local.
Em uma mensagem na rede X, a embaixada dos Estados Unidos também aconselhou seus cidadãos que se encontram no sudeste do país a deixarem o território “imediatamente”.
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Adana fica próxima da província meridional de Hatay, na fronteira com a Síria, no sul da Turquia, região onde na quarta-feira passada um míssil iraniano foi interceptado pelas defesas aéreas turcas e pela Aliança Atlântica.
Desde o início da ofensiva israelense e americana em 28 de fevereiro, o Irã respondeu com ataques de mísseis e drones em todo o Oriente Médio, com o objetivo de atingir ativos americanos na região.
Até o momento, a Turquia parecia não ser um alvo, apesar de tropas americanas estarem estacionadas em várias de suas bases, entre elas a base aérea de Incirlik, uma importante instalação da OTAN localizada nos arredores de Adana que teria sido o alvo do projétil disparado na semana passada.
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Um responsável da OTAN confirmou à AFP, na quinta-feira, que o alvo do ataque era de fato uma base no sul do país.
O episódio é particularmente sensível porque a Turquia é membro da OTAN, cujos países estão comprometidos com a defesa coletiva em caso de ataque a um aliado.
O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, advertiu Teerã sobre o episódio no sábado e pediu “prudência”.
— Falamos com nossos amigos no Irã e dissemos que, se se tratava de um míssil que perdeu sua rota, isso é uma coisa. Mas, se isso vai continuar (…) nosso conselho é: tenham cuidado — afirmou.
A Justiça francesa rejeitou nesta segunda-feira um pedido do ex-presidente Nicolas Sarkozy, que solicitou não cumprir a pena imposta em sua última condenação definitiva por se beneficiar de financiamento ilegal durante sua campanha eleitoral de 2012.
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Em novembro de 2025, a Corte de Cassação, o mais alto tribunal da França, confirmou a pena de seis meses de prisão em regime fechado para Sarkozy, que pode cumpri-la em casa com tornozeleira eletrônica, no chamado caso “Bygmalion”.
Mas o político conservador, de 71 anos, pediu que a pena fosse unificada com uma condenação anterior já cumprida, que o obrigou a usar tornozeleira eletrônica entre fevereiro e maio de 2025, no chamado caso das escutas telefônicas.
O tribunal criminal de Paris rejeitou o pedido, decisão que o ex-chefe de Estado, que governou entre 2007 e 2012, ainda pode recorrer, informou uma fonte próxima ao caso, confirmando informação do jornal Le Figaro.
O ex-presidente ainda enfrenta outros problemas judiciais. Entre 16 de março e 3 de junho, será realizado o julgamento em segunda instância sobre o suposto financiamento ilegal de sua primeira campanha presidencial, em 2007.
Em setembro, a Justiça o condenou a cinco anos de prisão por permitir que aliados se aproximassem da Líbia de Muamar Gaddafi, morto em 2011, para obter recursos destinados a financiar ilegalmente a campanha que o levou ao poder. Embora Sarkozy pudesse recorrer da sentença, o tribunal determinou a aplicação imediata da pena. Ele passou 20 dias na prisão parisiense de La Santé entre outubro e novembro antes de obter liberdade condicional.
Sua experiência na prisão — a primeira de um ex-chefe de Estado francês desde o fim da Segunda Guerra Mundial — foi descrita por ele como um “inferno” e uma “injustiça”, segundo relato publicado no livro Journal d’un prisonnier (Diário de um prisioneiro), que vendeu quase 100 mil exemplares em uma semana.
Um projeto ambicioso de nave interestelar chamado Chrysalis propõe transportar seres humanos a cerca de 40 trilhões de quilômetros da Terra em uma jornada de aproximadamente 400 anos. O conceito foi o vencedor de uma competição promovida pela Initiative for Interstellar Studies e do desafio internacional Project Hyperion, que incentiva equipes a imaginar espaçonaves capazes de sustentar múltiplas gerações durante viagens entre estrelas.
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A proposta prevê uma estrutura gigantesca de cerca de 58 quilômetros de comprimento, projetada para abrigar inicialmente cerca de mil pessoas — número reduzido propositalmente para evitar superpopulação ao longo dos séculos de viagem. O destino final seria o sistema estelar Alpha Centauri, onde se encontra o exoplaneta potencialmente habitável Proxima Centauri b, chamado por especialistas de ‘nova Terra’ ou ‘Terra 2′.
Uma cidade espacial autossuficiente
A Chrysalis foi concebida como uma verdadeira cidade espacial. O projeto prevê um sistema de cilindros rotativos que girariam em velocidade suficiente para gerar gravidade artificial equivalente a cerca de 90% da gravidade da Terra, por meio da força centrífuga.
Sociedade da Chrysalis seria administrada por humanos com o apoio de inteligências artificiais.
Reprodução/Hyperion
A estrutura da nave funcionaria como um conjunto de camadas concêntricas, semelhante a bonecas russas encaixadas. No núcleo ficariam sistemas de comunicação e os módulos destinados ao pouso no planeta de destino. Ao redor desse centro, cinco camadas desempenhariam funções específicas.
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A primeira camada seria dedicada à produção de alimentos, com plantações, criação de animais, fungos e insetos, além de ecossistemas que replicariam florestas tropicais e boreais para preservar a biodiversidade. A segunda abrigaria espaços comunitários, como escolas, hospitais, parques e bibliotecas.
Chrysalis seria construída como uma boneca russa, com várias camadas de espaço vital envolvendo umas às outras em torno de um núcleo central
Giacomo Infelise, Veronica Magli, Guido Sbrogio’, Nevenka Martinello e Federica Chiara Serpe​)
Na terceira camada ficariam as moradias individuais dos habitantes. A quarta seria reservada às atividades de trabalho, incluindo indústrias voltadas à reciclagem, produção de medicamentos e fabricação de estruturas. Já a camada mais externa funcionaria como um grande depósito automatizado, onde robôs armazenariam ferramentas, equipamentos e materiais.
Sociedade planejada para séculos
Como a viagem duraria séculos, a vida dentro da nave teria de ser cuidadosamente planejada. O projeto prevê controle populacional para manter cerca de 1.500 habitantes ao longo das gerações, garantindo o equilíbrio entre recursos disponíveis e consumo.
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A governança da nave seria feita por humanos com apoio de sistemas de inteligência artificial, que ajudariam a preservar o conhecimento acumulado, manter a coesão social e orientar decisões de longo prazo.
Antes de embarcar em uma missão desse tipo, os primeiros tripulantes teriam de passar por um longo período de preparação. O plano prevê que eles vivam de 70 a 80 anos em isolamento na Antártida, em um ambiente que simularia as condições psicológicas e sociais da vida dentro da nave.
Desafios tecnológicos e dilemas éticos
Apesar da vitória na competição, os próprios criadores reconhecem que o projeto depende de tecnologias que ainda não existem em escala suficiente. Entre elas estão reatores de fusão nuclear capazes de usar deutério e hélio como combustível e sistemas avançados de propulsão interestelar.
Há também o desafio logístico: colocar em órbita uma estrutura de 58 quilômetros de comprimento está muito além da capacidade atual da engenharia espacial.
Além das barreiras técnicas, o conceito levanta questões éticas complexas. Embora os primeiros tripulantes possam escolher voluntariamente participar da missão, seus descendentes nasceriam e viveriam toda a vida dentro da nave, sem a possibilidade de retornar à Terra.
Por isso, os idealizadores defendem que uma missão desse tipo só faria sentido em um cenário extremo, no qual a humanidade não tivesse outra alternativa viável para garantir sua sobrevivência fora do planeta.
O maior eclipse solar do século XXI tem data marcada: em 2 de agosto de 2027, o dia irá virar noite por mais de 6 minutos em diversas regiões do Hemisfério Oriental. O fenômeno astronômico raro promete ser o mais longo observado em terra firme nos últimos 100 anos, alcançando um recorde de 6 minutos e 22 segundos de escuridão total.
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Onde será possível observar o fenômeno?
O fenômeno poderá ser visto parcialmente em áreas da Europa, África e Ásia. No entanto, a fase de totalidade — quando a Lua bloqueia completamente a luz do Sol — será visível apenas em uma faixa de cerca de 258 quilômetros de largura.
Segundo a NASA, essa faixa de totalidade percorrerá mais de 15 mil quilômetros e passará por dez países: Espanha, Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egito, Sudão, Arábia Saudita, Iêmen e Somália. No total, a sombra da Lua cobrirá cerca de 2,5 milhões de quilômetros quadrados da superfície terrestre.
O eclipse faz parte da série Saros 136, conhecida por produzir eclipses com fases de totalidade mais longas. Um evento com duração superior a essa só deve ocorrer novamente em 2114.
Por que o eclipse será tão longo?
A duração incomum do fenômeno está relacionada à posição da Lua no momento do eclipse. Nesse período, o satélite natural estará no perigeu, ponto da órbita em que fica mais próximo da Terra. Essa proximidade faz com que a sombra projetada pela Lua seja maior, permitindo que o Sol fique totalmente encoberto por mais tempo.
O eclipse faz parte da série Saros 136, conhecida por produzir eclipses com fases de totalidade mais longas. Um evento com duração superior a essa só deve ocorrer novamente em 2114
Getty Images
Durante a fase de totalidade, o ambiente não ficará completamente escuro como à noite. Segundo o site especializado Space.com, o efeito será semelhante a um crepúsculo repentino, com uma espécie de penumbra de 360 graus ao redor do horizonte.
Informações falsas nas redes sociais
Nos últimos dias, circularam nas redes sociais publicações afirmando que “o mundo ficará totalmente no escuro por seis minutos” e que o fenômeno não se repetirá por cem anos. A informação não é correta.
Apesar de a duração ser considerada longa para um eclipse solar, a escuridão total só poderá ser observada dentro da faixa específica por onde a sombra da Lua passará.
Além disso, não haverá outro eclipse solar em agosto de 2027. O próximo fenômeno do tipo previsto para aquele ano será um eclipse solar parcial em 21 de setembro, visível principalmente em regiões do oceano Pacífico, incluindo áreas próximas a Fiji, Taiti e Nova Zelândia.
Como observar o fenômeno?
Para assistir ao eclipse, será necessário estar dentro da faixa de totalidade e contar com boas condições climáticas. Entre os locais considerados favoráveis para observação estão a cidade de Tarifa, na Espanha, praias da Tunísia e a cidade egípcia de Luxor.
Se o céu estiver limpo nessas regiões, será possível observar o momento exato em que o disco solar desaparece completamente por alguns minutos.
Além de atrair turistas interessados em astronomia, o fenômeno também deve servir como oportunidade para pesquisas científicas.
Por que acontecem os eclipses solares?
De acordo com a NASA, um eclipse solar ocorre quando o Sol, a Lua e a Terra ficam quase perfeitamente alinhados e a Lua passa entre o Sol e o nosso planeta, projetando sua sombra sobre a Terra.
Essa configuração não acontece em todas as luas novas porque a órbita da Lua é inclinada cerca de cinco graus em relação à órbita da Terra. Por isso, na maioria das vezes, a sombra do satélite passa acima ou abaixo do Sol quando vista da Terra.
Existem diferentes tipos de eclipses solares. No eclipse total, a Lua cobre completamente o disco solar e permite observar a coroa do Sol. No eclipse anular, a Lua está um pouco mais distante da Terra e não cobre totalmente o Sol, deixando um anel luminoso visível ao redor. Já no eclipse parcial, apenas parte do Sol é encoberta. Há ainda os eclipses híbridos, que podem parecer totais ou anulares dependendo do local de observação.
Passageiros enfrentam filas de até três horas nos controles de segurança de aeroportos dos Estados Unidos devido à falta de funcionários da Administração de Segurança no Transporte (TSA, na sigla em inglês), em meio à paralisação parcial do governo federal. O problema afeta principalmente grandes terminais e ocorre no início do período de férias de primavera no país, quando o fluxo de viajantes aumenta.
A escassez de agentes está ligada ao impasse político em Washington que interrompeu o financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês). Sem orçamento aprovado, cerca de 50 mil funcionários da TSA seguem trabalhando sem receber salário integral, o que tem elevado o número de faltas e reduzido a capacidade de atendimento nos pontos de inspeção.
Os atrasos já foram registrados em aeroportos importantes, como os de Houston, Nova Orleans, Atlanta e Charlotte. Em alguns casos, as filas ultrapassaram duas ou três horas e chegaram a se estender para áreas externas dos terminais. Autoridades aeroportuárias passaram a recomendar que passageiros cheguem com três a cinco horas de antecedência antes dos voos.
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No aeroporto William P. Hobby, em Houston, viajantes relataram esperas superiores a três horas para passar pelo controle de segurança. Em Nova Orleans, o aeroporto internacional Louis Armstrong também registrou atrasos prolongados, atribuídos diretamente à redução de efetivo da TSA.
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A situação ocorre em um momento de forte demanda por viagens. Estima-se que cerca de 171 milhões de passageiros circulem pelos aeroportos americanos durante a temporada de “spring break”, cerca de 4% a mais do que no ano passado. O aumento do fluxo amplia os efeitos da falta de funcionários e tem causado atrasos e perda de voos.
Representantes da indústria aérea pressionam o Congresso para resolver o impasse orçamentário rapidamente. O grupo Airlines for America alertou que a paralisação coloca em risco o funcionamento eficiente do sistema de transporte aéreo e aumenta a pressão sobre os trabalhadores da segurança aeroportuária.
A paralisação parcial do Departamento de Segurança Interna começou em fevereiro, após parlamentares não chegarem a um acordo sobre o financiamento do órgão, em meio a disputas políticas relacionadas à política de imigração nos Estados Unidos.
A escolha do aiatolá Mojtaba Khamenei, filho linha-dura do assassinado aiatolá Ali Khamenei, como novo líder supremo do Irã, envia uma sinalização de que Teerã não recuará em uma guerra que já se espalhou por todo o Oriente Médio e ganha escala global com a turbulência provocada nos mercados de energia.
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Mojtaba — cujo pai governou o Irã por quase 37 anos até ser morto no ataque inicial de EUA e Israel ao país, em 28 de fevereiro — obteve uma “votação decisiva” na Assembleia dos Especialistas para virar o novo líder supremo, informou a mídia iraniana na noite de domingo. O clérigo xiita de 56 anos mantém laços profundos com o Corpo da Guarda Revolucionária do Irã, braço militar mais ideológico e fiel ao regime teocrático, que já prometeu total obediência ao seu novo comandante.
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— [Mojtaba] compartilha muitas das mesmas inclinações ideológicas de seu pai e terá como objetivo manter a continuidade, inclusive da guerra — afirmou a analista de geoeconomia da Bloomberg, Dina Esfandiary. — [A eleição de Mojtaba] sugere que o Irã não mudará de tática na guerra do Oriente Médio.
A escolha foi rapidamente criticada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que está sob pressão em seu país à medida que o conflito eleva o preço do petróleo ao nível mais alto em quatro anos. Em uma fala à rede americana Fox News, o republicano afirmou que “não está feliz” com a escolha de Mojtaba — na semana passada, ele já havia classificado o filho de Khamenei como uma opção “inaceitável”.
Trump não escondeu ao longo da escalada militar que via como desejável um desfecho no formato do obtido na Venezuela após a captura de Nicolás Maduro, em que uma ala chavista considerada menos hostil a Washington, mas parte do poder dominante, aceitasse liderar uma transição ditada pelos EUA. O presidente disse, por exemplo, que Reza Pahlevi, filho do último xá do Irã, parecia “uma pessoa muito simpática”, mas que o fato de não estar no país há anos enfraqueceria qualquer chance de assumir o governo de forma imediata. Em contrapartida, o próprio Trump disse na semana passada que as baixas causadas pelos bombardeios americanos e iranianos foram tão pesadas para o regime, que provavelmente não haviam mais “nomes moderados” a quem propor um acordo.
Manifestantes pró-governo mostram imagem do novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, nesta segunda-feira
Atta Kenare/AFP
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Horas antes da confirmação pela Assembleia dos Especialistas, o presidente sugeriu que uma nova liderança teria que obter uma “autorização” de Washington se quisesse durar.
— Ele [novo líder] vai precisar da nossa aprovação. Se não tiver nossa aprovação, não vai durar muito. Queremos garantir que não tenhamos que voltar atrás a cada 10 anos, quando não houver um presidente como eu que fará isso — afirmou Trump à rede ABC News, antes de saber o nome exato do novo líder supremo.
A indicação de Mojtaba, no contexto descrito, demonstra porém uma aposta de Teerã de contrariar os interesses americanos e uma tentativa de continuidade, segundo a diretora do programa para o Oriente Médio e Norte da África da Chatham House, Sanam Vakil.
— [A escolha de Mojtaba] sugere a continuidade da mesma estratégia de sempre: repressão interna e resistência internacional — disse a diretora em entrevista ao Wall Street Journal.
Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, em foto de 2019
Reprodução
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Em declarações no sábado, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, já havia dito que as exigências de uma rendição incondicional do regime era uma “ilusão” que a liderança americana teria que levar para a tumba.
No plano externo, a indicação veio seguida de novos bombardeios contra Israel e variadas posições na região do Golfo. Ao menos um civil ficou morto em Israel, aparentemente atingido por estilhaços de um projétil interceptado na zona central do Estado judeu. Instalações do setor do petróleo na Arábia Saudita e no Bahrein também ficaram sob fogo iraniano — o petróleo Brent subiu para US$ 101, às 9h55 em Londres nesta segunda-feira, tendo o aumento contido quando ministros das finanças do Grupo dos Sete apontaram que se reuniriam para discutir uma possível liberação conjunta de reservas de petróleo para aumentar a oferta. Trump chamou o petróleo a US$ 100 de um “pequeno preço a pagar” e disse que o custo “cairá rapidamente quando a destruição da ameaça nuclear do Irã terminar”.
Internamente, a nomeação de Mojtaba tem outras significações. Veterano da Guarda Revolucionária do Irã durante a Guerra Irã-Iraque (1980-1988), onde exerceu funções principalmente longe do front, o aiatolá respaldou as principais forças de repressão à oposição doméstica do regime, mantendo um contato próximo com alguns de seus líderes por décadas — incluindo às milícias Basij, durante a repressão a movimentos populares em 2009. O líder do Conselho de Segurança Nacional, Ali Larijani, disse que a escolha rápida demostrava que a capacidade do regime de tomar decisões estava preservada, apesar dos ataques sofridos ao longo de 10 dias.
Além do vínculo próximo com a estrutura de poder, a ascensão de Mojtaba guarda uma expressão simbólica extra que demonstra a continuidade. Ao eleger o filho de Ali Khamenei, a Assembleia dos Especialistas ignorou as restrições do próprio aiatolá e de seu antecessor, Ruhollah Khomeini, sobre a transmissão de cargos por hereditariedade — um traço da monarquia Pahlevi que foi combatido pela Revolução Islâmica de 1979. Aparentemente, a certeza de manutenção da estrutura de poder prevaleceu sobre os dogmas da revolução. (Com Bloomberg)

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