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As férias finais do Ramadã começaram mais cedo para estudantes universitários em Bangladesh, em 9 de março, mas pelos motivos errados. As principais universidades do país anunciaram que as aulas estavam canceladas, com efeito imediato, até o fim do mês. O governo fechou os campi para economizar eletricidade, uma resposta drástica à crise global de energia provocada pela guerra no Golfo Pérsico.
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— Não parece férias para mim — diz Abdullah Al Mahmud Mehedi, de 23 anos, que cursa mestrado em ciências sociais na Universidade de Daca.
Assim como outros países, Bangladesh está preocupado com o abastecimento de petróleo bruto e gás natural. O acesso ao gás é motivo de especial preocupação. Cerca de metade da eletricidade do país é gerada em usinas que queimam gás. Quase um terço desse gás vem do Catar, e a guerra no Golfo praticamente bloqueou seu fluxo.
Além de fechar as universidades, o governo também começou a impor apagões temporários e outras medidas para economizar energia. Se o gás acabar, acaba também a eletricidade que mantém as luzes acesas e alimenta as fábricas essenciais para a economia exportadora de Bangladesh.
Tudo isso ocorre em meio à delicada situação política do país. Bangladesh elegeu um novo governo há apenas um mês, o primeiro desde a queda do regime de Sheikh Hasina, em agosto de 2024. O novo primeiro-ministro, Tarique Rahman, tomou posse em fevereiro declarando que sua vitória “pertence à democracia”, mas alertando que o país “inicia essa jornada” com uma economia frágil.
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Hasina foi derrubada após 15 anos no poder por um movimento liderado por estudantes, que canalizou uma profunda insatisfação popular diante de uma crise financeira. O modelo econômico de Bangladesh combina forte dependência da indústria de vestuário, responsável por quase 85% das exportações, com a importação de combustíveis e outros bens essenciais.
Esse modelo expõe o país a forças externas. Quando a Invasão da Ucrânia pela Rússia interrompeu o comércio global e elevou os preços de alimentos e petróleo, a economia de Bangladesh sofreu fortes abalos. Ainda assim, o setor têxtil sobreviveu à crise e ao caos político subsequente, assim como havia se reinventado após o colapso de uma fábrica em 2013, que matou 1.134 trabalhadores e afastou compradores estrangeiros.
Agora, a resiliência das fábricas de Bangladesh enfrenta um novo teste.
Mohiuddin Rubel, ex-diretor da Bangladesh Garment Manufacturers and Exporters Association e proprietário de várias fábricas, atribui a vulnerabilidade do país à sua falta de diversificação econômica.
— Os bangladeshianos são muito bons em fazer uma única coisa, como roupas prontas — afirma. — Não somos diversificados.
Segundo ele, o mesmo acontece com a rede elétrica do país, que faz pouco uso de energia renovável.
Shafiqul Alam, analista do Institute for Energy Economics and Financial Analysis em Daca, disse estar preocupado com a iminente escassez de gás e com a necessidade de manter as fábricas funcionando.
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Bangladesh já utiliza o chamado load shedding, ou apagões programados, normalmente de algumas horas, para reduzir a pressão sobre usinas sobrecarregadas. Esses apagões são um grande problema para fábricas modernas, que não podem simplesmente deixar milhares de trabalhadores parados. Muitas mantêm enormes geradores movidos a diesel prontos para cobrir eventuais falhas no fornecimento.
Esses geradores são uma alternativa cara às usinas térmicas movidas a gás, mas Bangladesh possui fontes alternativas para importar diesel, incluindo Singapura e Malásia.
Outro motivo de preocupação é o calor do verão, que chega cedo ao país. O governo pode ter de iniciar apagões programados já em abril, quando a demanda máxima de eletricidade deve ultrapassar 18 mil megawatts, segundo Alam.
— Mas isso precisa ser planejado adequadamente para que o setor industrial não seja prejudicado — acrescenta.
Uma forma de fazer isso, disse Alam, é incentivar a população a economizar energia em casa. Segundo ele, as residências consomem o dobro de eletricidade de todas as fábricas juntas.
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— O governo precisa aumentar a conscientização pública sem causar pânico — afirma. Por exemplo, poderia mostrar quanto dinheiro uma casa com ar-condicionado economizaria ao ajustar o termostato de 24°C para 25°C.
A crise também pode abrir uma oportunidade diplomática. As relações entre Bangladesh e sua vizinha Índia estão tensas desde 2024, quando Hasina se refugiou em Nova Délhi. Ainda assim, segundo Aninda Islam Amit, autoridade do Ministério da Energia de Bangladesh, “em média, 15 mil toneladas de diesel devem chegar da Índia todos os meses”.
— Apoiar um vizinho durante uma crise é uma questão de cortesia — disse Amit.
No principal polo industrial de Bangladesh, a Daca Export Processing Zone, o fornecimento de eletricidade é garantido — e as fábricas de Rubel ocupam uma posição privilegiada dentro da área. A zona, criada em 1993, é um exemplo da prioridade que o país dá à indústria do vestuário. As máquinas de costura ali seriam as últimas a sofrer com um apagão.
Mas Rubel sabe que muitos bangladeshianos, incluindo colegas empresários, estão muito mais expostos à escassez de energia. Todos mantêm geradores a diesel.
— Fora da zona, as pessoas precisam deles com frequência — diz.
A ascensão de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã pode ter parecido sucinta, até predestinada. Na verdade, não foi nenhuma das duas hipóteses. Ele chegou ao posto depois de uma guerra interna, que guarda semelhanças com a série “Game of Thrones”: um trono vazio, um conselho de clérigos e duas dinastias — Khamenei e Khomeini — competindo entre si. Políticos agiram nos bastidores, comandantes defenderam seus quinhões e um ex-espião conhecido por planejar assassinatos entrou em campo.
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Mesmo em tempos de paz, encontrar o terceiro líder supremo do Irã, um homem que representa Deus na Terra e tem autoridade sobre militares e políticos, teria sido desafiador. Afinal, Ali Khamenei, que morreu nos primeiros momentos do conflito, ocupava o posto desde 1989.
Mas em meio à guerra contra EUA e Israel, essa escolha para um posto vitalício se tornou um teste de sobrevivência para a teocracia. Segundo fontes de diferentes cargos e níveis hierárquicos no Estado iraniano, Mojtaba Khamenei provavelmente não seria eleito se seu pai tivesse morrido de causas naturais — o aiatolá havia dado a seus assessores três nomes para sucedê-lo, e seu filho não estava entre eles.
Encontros secretos
No dia 3 de março, a Assembleia dos Especialistas, um órgão composto por 88 clérigos que tem entre suas funções escolher o líder supremo, realizou um encontro secreto e virtual para iniciar o processo de votação. Para que um novo líder seja confirmado, ele precisa de dois terços dos votos. Naquele mesmo dia, Israel bombardeou escritórios da Assembleia em Qom, matando alguns funcionários administrativos.
Desde a morte de Khamenei, no dia 28 de fevereiro, facções políticas rivais e comandantes da Guarda Revolucionária atuaram para fortalecer seus candidatos e proteger suas bases. A linha-dura do regime preferiu enfrentar os chamados internos e externos por mudança de regime, se pautando pela continuidade das políticas de governo. Facções moderadas queriam um rosto novo, com um estilo renovado de liderança e o fim das hostilidades com os EUA.
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Mojtaba Khamenei tinha aliados poderosos ao seu lado: a Guarida Revolucionária e seu novo chefe, Ahmad Vahidi; Ali Aziz Jaffari, estrategista da Guarda Revolucionária na atual guerra; e Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do Parlamento e ex-comandante da Guarda. Hossein Taeb, ex-chefe da unidade de inteligência da Guarda e responsável por assassinatos em outros países, também estava na linha de frente pró-Mojtaba.
A oposição ao filho do aiatolá morto veio de lugares inesperados. Ali Larijani, chefe do Conselho de Segurança Nacional e que na prática comanda o Irã hoje, disse a membros da Assembleia dos Especialistas acreditar que o país precisava de um líder moderado e unificador, e que Mojtaba seria uma figura polarizadora. Masoud Pezeshkian, o moderado presidente iraniano, além de outros clérigos e funcionários do governo, se juntaram ao coro, segundo fontes.
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Este campo tinha dois candidatos em potencial: o ex-presidente Hassan Rouhani, que comandou as negociações para o acordo internacional sobre o programa nuclear do país, em 2015; e o neto de Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica, Hassan Khomeini, alinhado a partidos reformistas. Outro nome foi o de Alireza Arafi, acadêmico e jurista, era encarado como um nome com sólidas credenciais religiosas, mas considerado de fácil gerenciamento.
Em meio aos debates na Assembleia, a revolta contra o presidente dos EUA, Donald Trump, e o premier de Israel, Benjamin Netanyahu, deu força ao discurso de enfrentamento da linha dura, jogando os moderados para as margens. O interesse dos clérigos estava mais interessado na reencarnação de seu líder martirizado para vingar sua morte do que em resgatar um país em crise profunda.
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Mojtaba foi eleito na primeira rodada de votações, no dia 3 de março, confirmando que a Guarda Revolucionária hoje dá as cartas no país, e rapidamente foi dada a ordem para que a imprensa oficial anunciasse o nome do novo líder no dia seguinte.
Mas o processo só estava começando.
Larijani cancelou o anúncio, dizendo que seria um risco à vida de Mojtaba, no momento em que Trump e o governo de Israel ameaçaram eliminar qualquer sucessor. Ele sugeriu que esperassem até o fim da guerra. No dia 6 de abril, Israel usou bombas antibunker contra o complexo do líder supremo em Teerã, que ficou em ruínas. Mojtaba não estava lá.
A pausa no anúncio deu aos moderados uma última oportunidade para pressionar a Assembleia dos Especialistas, mas conseguir uma nova eleição exigiria razões sólidas.
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Larijani, aliado próximo de Ali Khamenei, argumentou que a votação virtual foi inválida, uma vez que a Constituição exige que a decisão seja feita de maneira presencial. A Assembleia também foi informada que Mojtaba, que se recuperava de ferimentos sofridos no primeiro dia da guerra, não queria o cargo. Por razões de segurança, contatá-lo diretamente era impossível.
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Mas outros disseram que recusar o posto era uma mera formalidade.
— Quando contaram a Mojtaba que fora eleito, ele disse “não quero aceitar, escolham outra pessoa” — afirmou Abdolreza Davari, um político próximo ao novo líder supremo, em entrevista por telefone de Teerã. — Essa recusa é costume entre os clérigos xiitas, uma forma de dizer “não estou atrás do poder”, mas eles eventualmente aceitam .
Os moderados afirmaram ter descoberto uma ordem nova e importante de Ali Khamenei, e pediram uma reunião presencial com a mesa diretora da Assembleia. No encontro, dois assessores do aiatolá morto testemunharam que ele não queria que seu filho, ou qualquer membro da família, o sucedesse.
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Eles ainda alegaram que a sucessão hereditária vai contra a essência da Revolução Islâmica de 1979, que derrubou a monarquia, e pediram que a votação inicial fosse anulada.
A ofensiva deixou os clérigos atordoados, e eles pediram tempo para consultas mais amplas. A Guarda Revolucionária, que defende Mojtaba,
Os generais
No dia 7 de março, Pezeshkian anunciou o fim dos ataques contra as nações árabes no Golfo Pérsico e pediu desculpas. Ele afirmou que a decisão veio de um conselho de transição, composto por três pessoas e do qual faz parte, e que era responsável por comandar o país até que um novo líder supremo fosse eleito.
Os generais da Guarda Revolucionária ficaram ultrajados. Vahidi, o comandante da Guarda, e Jaffari exigiram que a Assembleia dos Especialistas se reunisse para uma votação final e para anunciar Mojtaba Khamenei como novo líder. Taeb, o ex-espião, ligou para os 88 membros e pediu que apoiassem o Mojtaba, alegando que se tratava de um dever moral, religioso e ideológico.
A Assembleia se reuniu novamente no dia 8 de março, de forma virtual, e debateu as questões dos moderados. Alguns disseram que deveriam honrar os desejos de Ali Khamenei e descartar seu filho. Outros apontaram que a Constituição não exige que tomem decisões com base nos desejos do antecessor, e que têm a autoridade de votar de forma independente. Todos concordaram que, em tempos de guerra, a votação virtual seria legítima.
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Cada um dos clérigos escreveu um nome em um pedaço de papel, dobrou em um envelope e selou com cera. Mensageiros levaram pessoalmente as cédulas a uma comissão responsável por contar e validar os votos.
Mojtaba Khamenei recebeu 59 dos 88 votos, superando a marca dos dois terços, mas deixando evidente que não é unanimidade. Pouco antes da meia-noite, a mídia estatal anunciou o novo líder supremo, e as parabenizações e declarações de lealdade rapidamente surgiram, mesmo de pessoas que votaram contra ele. Ao menos publicamente, o regime está com Mojtaba, que não é visto desde o início da guerra.
Em apenas duas semanas de conflito, mais de 1 milhão de pessoas foram forçadas a deixar suas casas no Líbano, pressionando cidades que já enfrentavam uma grave crise econômica e acolhiam mais de 1 milhão de refugiados sírios. No Vale do Beeka, uma das regiões afetadas pelos bombardeios e também destino de milhares de deslocados, a chefe do escritório de campo do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) em Zahle, Raquel Trabazo, acompanha de perto o agravamento da crise humanitária. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Um juiz americano impôs, nesta segunda-feira, um revés ao governo de Donald Trump ao bloquear a aplicação de mudanças importantes na política de vacinação promovidas pelo secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., duramente criticadas por muitos médicos. O tribunal federal de Massachusetts interrompeu a reforma que Kennedy, cético em relação às vacinas, vem implementando ao longo do último ano e também suspendeu as decisões apresentadas pelo painel encarregado de formular as recomendações de imunização.
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Sob a direção de Kennedy, o Departamento de Saúde anunciou alterações drásticas no calendário de vacinação pediátrica, reduzindo o número de injeções recomendadas de forma universal, inclusive contra doenças como gripe e hepatite A. Além disso, o secretário de Saúde de Trump faz parte de um importante painel consultivo sobre imunização, ao lado de figuras com visões contra as vacinas semelhantes às suas.
Diversas organizações médicas, entre elas a Academia Americana de Pediatria e o Colégio Americano de Médicos, contestaram as mudanças de política, e, nesta segunda-feira, o juiz Brian Murphy afirmou que elas eram efetivamente “arbitrárias e caprichosas”, como alegava a ação.
“Existe um método pelo qual historicamente essas decisões têm sido tomadas: um método de natureza científica, consagrado na lei por meio de requisitos de procedimento”, escreveu o juiz. “Lamentavelmente, o governo ignorou esses métodos e, com isso, minou a integridade de suas ações.”
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O Departamento de Saúde “espera que a decisão deste juiz seja revogada”, declarou à AFP seu porta-voz, Andrew Nixon. A Academia Americana de Pediatria qualificou a decisão como “histórica e bem-vinda” e afirmou em comunicado que a reforma havia “semeado o caos e a confusão entre pais e pediatras”.
É quase certo que o Departamento de Saúde apelará da decisão, o que colocará as principais organizações médicas em confronto com o governo federal enquanto a questão sobre quem tem a última palavra na definição das políticas de imunização percorre os tribunais.
Em meio à escala de violência no Oriente Médio — que teve início com o ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro —, a 98ª edição do Oscar teve poucas referências políticas. Uma breve fala do ator Javier Bardem chamou a atenção, quando apresentava uma categoria. O espanhol fez uma referência aos ataques ao país persa e ao genocídio sofrido pelos palestinos na Faixa de Gaza, cometido por Israel há mais de dois anos.
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Em sua fala para apresentar a categoria de Melhor Filme Internacional, o ator deu início com a frase: “Não à guerra e Palestina livre”. Na lapela de seu smoking preto, usava dois broches. Um deles com o menino Handala, um símbolo da luta pela libertação da Palestina diante da opressão e violência cometidas por Israel, que vêm desde os anos 1960 com a constante expansão irregular e anexação de terras. O segundo broche, com o escrito “No a la Guerra” (“Não à guerra”, em espanhol) fazia referência ao atual conflito iniciado por EUA e Israel no Oriente Médio. A peça, lembrou Bardem, foi usada por ele na cerimônia do Prêmio Goya, na Espanha, em 2003, ano em que os Estados Unidos, no governo de George W. Bush, invadiu o Iraque.
O ator explicou os dois itens da lapela em sua passgem pelo tapete vermelho da premiação.
— Estou usando um broche que usei em 2003, durante a guerra do Iraque, que foi uma guerra ilegal. E aqui estamos nós, 23 anos depois, com outra guerra ilegal, criada por Trump e Netanyahu, criando muitos danos. E muitas pessoas inocentes sendo assassinadas e bombardeadas. E também resistência do povo palestino com o Handala, que é um simbolismo de um menino de 10 anos que foi desenhado em 1969 por um palestino, dizendo que, enquanto ele não voltar para sua terra natal, ele não vai crescer. Então, ele ainda tem 10 anos e está esperando para voltar para sua terra — disse Bardem.
Também no tapete vermelho, em entrevista à Variety, o ator afirmou que se manifestar durante a cerimônia do Oscar era importante para ele
— Acho importante entender, conscientizar, que você pode fazer as duas coisas. Você pode fazer parte da comunidade cinematográfica, que é uma comunidade importante, e também ser um cidadão que usa essa enorme plataforma para denunciar o que considera uma injustiça. Nesse caso, é o genocídio na Palestina, que ainda está acontecendo porque o dito cessar-fogo, até este momento, 600 pessoas foram assassinadas, metade delas crianças. O que está acontecendo em West Bank, os abusos aos direitos civis e direitos humanos. A limpeza étnica que está acontecendo em West Bank é horrível e não estamos falando o suficiente sobre isso — destacou o ator espanhol.
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Javier Bardem apresentou a categoria em que concorriam os filmes estrangeiros, em relação aos Estados Unidos. Nela estava “A Voz de Hind Rajab”, com direção e roteiro de Kaouther Ben Hania, que remonta o assassinato brutal de Hind Rajab, uma menina palestina de 6 anos que morreu alvejada por tiros de soldados de Israel. Ela e parte da família estavam no carro do tio tentando fugir da Faixa de Gaza, que tem sido cercada e bombardeada pelo governo de Benjamin Netanyahu.
A criança e um primo sobreviveram quando o veículo foi atingido num bombardeio. Eles conseguiram entrar em contato com um serviço de emergência para atendimento. A ambulância que atendeu ao chamado e o carro onde estavam as crianças foram alvejados por um tanque sob comando de soldados de Israel que, segundo evidências, disparou 335 tiros. Ninguém sobreviveu ao ataque, inclusive os dois paramédicos que prestavam socorro.
No ano passado, a expansão e a escalada de violência propagadas por Israel foram levadas ao Oscar através do filme do cineasta palestino Hamdan Ballal, que saiu com uma estatueta de melhor documentário por “Sem chão”. O longa denuncia os abusos que palestinos sofrem em seu próprio território por parte de israelenses. O prêmio e a visibilidade conquistada não intimidaram colonos e soldados de atacarem o cineasta e sua família nos meses seguintes.
Duas jogadoras de futebol iranianas treinaram com o clube australiano Brisbane Roar após solicitarem asilo no país. E uma delas publicou uma foto com uma dirigente da Fifa em que diz: Tudo vai ficar bem”.
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Sete integrantes da seleção feminina de futebol do Irã, que disputa a Copa da Ásia, pediram asilo na Austrália na semana passada após serem consideradas “traidoras” em seu país por se recusarem a cantar o hino nacional na partida de abertura do torneio.
Apenas duas jogadoras, Fatemeh Pasandideh e Atefeh Ramezanisadeh, permanecem na Austrália, já que as outras mudaram de ideia e decidiram voltar para casa.
Organizações de direitos humanos acusaram Teerã de pressionar atletas mulheres no exterior, ameaçando seus familiares ou confiscando seus bens caso desertem ou façam declarações contra a República Islâmica.
A jogadora iraniana Fatemeh Pasandideh (à direita) com Jill Ellis, diretora de futebol da FIFA
Reprodução / Instagram / @fatemehpasandideh10
Por sua vez, as autoridades iranianas acusaram a Austrália de pressionar as jogadoras a permanecerem no país da Oceania.
“Bem-vindas, Fatemeh Pasandideh e Atefeh Ramezanisadeh”, declarou Kaz Patafta, CEO do Brisbane Roar, ao compartilhar fotos nesta segunda-feira (16) das duas treinando e sorrindo com o time da A-League.
Pasandideh postou uma foto no Instagram com Jill Ellis, diretora de futebol da FIFA e ex-técnica da seleção feminina dos EUA, com a legenda: “Tudo vai ficar bem”.
Ambas as jogadoras estão hospedadas em um local não divulgado e recebendo apoio do governo e da comunidade iraniana na Austrália.
O corpo de um turista americano foi encontrado em uma trilha em Ushuaia, na Argentina, na noite do último domingo (15), horário local. Segundo as primeiras informações, o homem, de 37 anos, entrou sozinho numa trilha que liga a Laguna Esmeralda à geleira Ojo del Albino, um dos trechos mais exigentes da cordilheira da região. Equipes de resgate foram até o local após o turista, que estava no país à passeio, ser dado como desaparecido.
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A operação, iniciada na manhã daquele daquele dia, se estendeu por horas, envolveu diversas instituições e exigiu um grande esforço de mobilização. O trabalho só foi concluído na primeiras horas da manhã desta segunda-feira (16) para transportar o corpo por uma trilha íngreme, rochosa e tomada pela vegetação. O corpo foi encontrado m uma área montanhosa acidentada e de difícil acesso.
A vítima foi identificada como Sean Christopher Bartel, segundo a mídia internacional. Ele tinha sido dado como desaparecido após não retornar à sua hospedagem temporária na cidade. Segundo fontes oficiais ouvidas pelo jornal La Nacion,, o turista havia chegado recentemente a Ushuaia para fazer turismo e planejava diversas excursões às montanhas .No último dia 11, às 09h31 (horário local), ele retirou um Toyota Etios branco no aeroporto, com data de devolução agendada para o último sábado (14), às 15h. Para concluir o processo, um funcionário da agência registrou que o visitante mencionou entre suas atividades planejadas os circuitos da Laguna Esmeralda, Cerro Guanaco, Parque Nacional Tierra del Fuego e Geleira Martial.
O alerta foi acionado quando o veículo não foi devolvido como previsto. A empresa procurou a polícia para relatar sobre o sumiço do carro. Equipes foram até a acomodação temporária onde Sean estava hospedado. No endereço encontraram todos os seus pertences,. Foi registrado um boletim de ocorrência de pessoa desaparecida, e a busca pelo veículo começou nos locais que o próprio visitante havia mencionado. O carro foi localizado no estacionamento da trilha que leva à Laguna Esmeralda, o que permitiu a ativação do protocolo de busca e resgate em montanha.
Fontes oficiais informaram que, uma vez iniciada a operação, as equipes se concentraram nas áreas de trânsito mais prováveis ​​em direção à geleira Ojo del Albino, um setor distante das trilhas habituais e com alto nível de dificuldade. Às 18h26 de domingo, os socorristas encontraram o turista morto em uma área íngreme e irregular. A causa exata da morte está sendo investigada, mas as avaliações iniciais sugerem que Sean caiu em uma ravina. A operação foi concluída por volta de 1h40 desta segunda-feira, após o corpo ser retirado em uma maca por uma área de difícil acesso, com baixas temperaturas e terreno instável.
Especialistas ouvidos pelo La Nacion explicaram sobre os desafios do terreno. O percurso segue da Rodovia Nacional 3 até a geleira Ojo del Albino, passando pela Laguna Esmeralda, e envolve entre 20 e 21 quilômetros. A caminhada leva entre 8 a 9 horas. O trecho final, da lagoa até a geleira, é uma subida muito íngreme através de floresta de lenga, turfeiras, rochas expostas e trechos de gelo, exigindo um guia de montanha ou habilidades técnicas adequadas. Nos últimos anos, a área tem visto um aumento no número de visitantes inexperientes, o que levou a repetidos alertas da Comissão de Resgate de Ushuaia, uma das instituições envolvidas na operação deste fim de semana.
As autoridades vão iniciar as investigações legais e policiais para determinar as circunstâncias precisas da morte . Entre os pontos a serem investigados, segundo fontes ligadas ao caso relataram ao La Nacion, estão o nível de experiência do turista, se era a primeira vez que ele fazia aquela trilha; o horário em que iniciou a trilha e as condições climáticas dos dias anteriores , que incluíam baixas temperaturas e maior risco de congelamento; e visibilidade reduzida em altitudes mais elevadas. Também estão tentando determinar se ele estava sozinho ou acompanhado.
A descoberta do veículo, a implementação do protocolo de busca e os esforços de resgate permitiram aos investigadores reconstruir o percurso do turista. A distância entre sua hospedagem e o início da trilha, as caminhadas que ele havia planejado e a localização final do seu corpo serão elementos-chave para determinar o momento e as decisões que ele tomou antes de se aventurar sozinho em uma das áreas mais desafiadoras da Serra de Ushuaia.
O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou nesta segunda-feira que espera ter “a honra de assumir o poder em Cuba” durante seu mandato, em meio a negociações em andamento com o regime de Havana, que está em crise devido ao consumo de energia.
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— Acredito sinceramente que terei a honra de assumir o controle de Cuba, de alguma forma — disse Trump a repórteres no Salão Oval. — Quero dizer: ou a libertem, ou a levem. Acho que posso fazer o que quiser, se ela quiser que eu lhe diga a verdade. É uma nação muito fragilizada neste momento. Seria uma grande honra.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, reconheceu na sexta-feira que ambos os governos estão em negociações, em meio a um bloqueio quase total imposto por Washington ao fornecimento de petróleo bruto à ilha, que sofre com apagões generalizados.
Trump não esconde o seu desejo de uma mudança de regime em Cuba, governada pelo Partido Comunista e localizada a apenas 150 km dos EUA. Segundo Washington, o país representa uma “ameaça excepcional”, principalmente por suas estreitas relações com a Rússia, a China e o Irã, aliados de Havana.
Desde meados de janeiro, o presidente Trump assegurou que seu governo já mantinha conversas com altas lideranças da ilha, imersa há seis anos em uma crise sem precedentes, agravada pelo bloqueio petrolífero imposto pelos EUA.
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A situação se agravou após a ofensiva do governo Trump contra a Venezuela. Washington prendeu o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, assumiu o controle da estatal petrolífera do país e bloqueou o envio de combustível para Cuba, que dependia de Caracas como principal fornecedora de petróleo.
A escassez de diesel já obrigou o governo cubano a reduzir serviços públicos, incluindo transporte coletivo e cirurgias eletivas em hospitais, segundo relatos divulgados pela imprensa americana.
Dependente de importações para cerca de 60% de seu abastecimento de combustível, especialistas estimam que Cuba poderia ficar sem reservas ainda neste mês.
O governo afegão acusou, nesta segunda-feira (16), o Paquistão de matar “muitos civis” em um ataque a Cabul que atingiu “um centro de tratamento de drogas”. Os dois países estão em conflito há meses. O Paquistão alega que seu vizinho abriga combatentes do movimento Talibã paquistanês (TTP), que reivindicaram a responsabilidade por ataques mortais em seu território. As autoridades afegãs negam essa acusação.
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Após uma escalada em outubro que deixou dezenas de mortos, os combates haviam diminuído, mas recomeçaram com intensidade em 26 de fevereiro, após uma onda de ataques paquistaneses. Islamabad declarou “guerra aberta” em 27 de fevereiro e atacou Cabul no mesmo dia.
Nesta segunda-feira, jornalistas da AFP ouviram várias explosões fortes no centro da capital afegã, logo após aeronaves militares sobrevoarem a área, por volta das 21h (16h30 GMT). Colunas de fumaça subiram ao céu.
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“O regime paquistanês violou mais uma vez o espaço aéreo do Paquistão, atacando um centro de tratamento para dependentes químicos em Cabul, matando e ferindo muitos civis, em sua maioria dependentes químicos em tratamento”, declarou o porta-voz do governo, Zabihullah Mujahid, na agência de notícias X. “Condenamos este crime e o classificamos como um ato desumano que viola todos os princípios”, acrescentou.
O Paquistão não reagiu a essas acusações.
As explosões, ocorridas poucos dias antes do festival que marca o fim do Ramadã, provocaram pânico na capital afegã. Famílias que passeavam após quebrar o jejum buscaram refúgio em suas casas, observou um fotógrafo da AFP.
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Uma mãe aterrorizada saiu correndo de um prédio para implorar ao filho que entrasse imediatamente, testemunhou um jornalista da AFP. Outros moradores fugiram para os porões em busca de abrigo.
Por volta das 22h, o fogo da defesa antiaérea cessou e sirenes de ambulâncias puderam ser ouvidas. A Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA) confirmou na sexta-feira que 75 civis foram mortos no Afeganistão desde a escalada dos combates em 26 de fevereiro.
Os bombardeios estão afetando Cabul e as províncias fronteiriças no leste e no sul do país.
O Programa Mundial de Alimentos da ONU começou a distribuir ajuda emergencial para 20.000 famílias afegãs deslocadas pelo conflito com o Paquistão e alertou que “a instabilidade persistente levará milhões de pessoas a uma fome ainda maior”.
Uma entrevista cedida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, há 39 anos, mostrou que o mesmo fazia alerta sobre uma “ameaça” representada pelo líder supremo — na época, Ruhollah Khomeini, antecessor de Ali Khamenei — do Irã aos objetivos dos americanos.
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A entrevista de Trump foi conduzida pela jornalista Barbara Walters, falecida em 2022, em dezembro de 1987, quando ele tinha 41 anos de idade. Durante a conversa com Walters, Donald Trump diz quais seriam seus planos, caso fosse presidente, para uma possível guerra contra o Irã, ação que se tornou real quase quatro décadas depois com os recentes confrontos entre os EUA e Israel contra a nação persa.
— Da próxima vez que o Irã atacar este país, entrem lá e tomem uma de suas grandes instalações petrolíferas, e eu digo tomem mesmo, fiquem com ela e recuperem suas perdas, porque este país já perdeu muito por causa do Irã — disse Trump, que à época ainda não tinha vivido nenhum mandato presidencial.
Trump também descartou a possibilidade da Rússia, antiga União Soviética, enviar tropas para defender seus aliados no Irã. Acrescentou também que estava mais preocupado com o aiatolá Khomeini, chamando-o de ” algo que ninguém jamais viu “.
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A entrevista de Walters no programa 20/20 da ABC também revelou como o futuro presidente de dois mandatos gastava milhares em anúncios de jornal com críticas aos EUA por protegerem petroleiros estrangeiros sem compensação quando o Irã atacava navios no Estreito de Ormuz.
Os comentários quase que proféticos do futuro presidente americano surgiram mais de 30 anos antes de os EUA e Israel lançarem uma campanha militar a Teerã. A ofensiva, entre tantas mortes, culminou no óbito do atual líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.
— Vai haver uma guerra, e ela vai começar no Oriente Médio — previu Trump a Walters durante a entrevista.

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