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Um relatório das Nações Unidas aponta que a maioria das 4,9 milhões de mortes de crianças registradas em 2024 poderia ter sido evitada. O documento alerta que os cortes recentes na ajuda internacional colocam em risco a meta global de acabar com mortes infantis evitáveis até 2030.
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Segundo a análise, o ritmo de avanço na redução da mortalidade de crianças menores de cinco anos desacelerou cerca de 60% desde 2015. Para especialistas, a tendência compromete o cumprimento dos objetivos globais e exige reforço imediato nos investimentos em saúde básica.
— Nenhuma criança deveria morrer de doenças que sabemos como prevenir — afirmou Catherine Russell, citando “sinais preocupantes” de estagnação no progresso, de acordo com o jornal inglês The Guardian.
Os dados mostram que a África Subsaariana e o Sul da Ásia concentram as piores taxas de mortalidade infantil. Nessas regiões, as mortes de recém-nascidos representam quase metade dos óbitos entre crianças menores de cinco anos.
Entre as principais causas estão parto prematuro, pneumonia e complicações durante o nascimento. Doenças infecciosas também seguem relevantes — a malária responde por cerca de 17% das mortes após o primeiro mês de vida.
A desnutrição aparece como fator crítico: cerca de 100 mil crianças morreram diretamente por desnutrição aguda grave em 2024, com maior incidência em países como Paquistão, Somália e Sudão. Além disso, a condição está associada a uma parcela significativa das mortes por outras doenças.
Cortes agravam cenário
O relatório destaca que todas essas causas são evitáveis com vacinação, acesso a cuidados básicos e fortalecimento dos sistemas de saúde. No entanto, a redução do financiamento internacional tem levado ao fechamento de unidades médicas.
Dados do Global Health Cluster indicam que 6.600 instalações de saúde foram impactadas por cortes em 2024, sendo que um terço teve de encerrar atividades.
— Os cortes na ajuda humanitária estão levando ao aumento de mortes evitáveis e ameaçando serviços essenciais — afirmou Abdurahman Sharif.
Especialistas alertam que o cenário atual pode reverter avanços conquistados nas últimas décadas. Além da falta de financiamento, conflitos armados e a crise climática ampliam a pressão sobre sistemas de saúde já fragilizados.
Para Danzhen You, a combinação desses fatores compromete programas de vacinação, combate à malária, nutrição e cuidados no período neonatal.
— Quando o financiamento é reduzido, os serviços são interrompidos e a vida das crianças fica mais vulnerável — disse.
A avaliação da ONU é de que, sem investimento contínuo, o mundo não apenas deixará de atingir a meta de 2030, como poderá assistir a um retrocesso nos indicadores de sobrevivência infantil.
As Forças Armadas da Coreia do Sul suspenderam todos os exercícios de tiro com armas de pequeno porte, incluindo rifles e pistolas, após uma criança ser atingida por um objeto suspeito de ser uma bala perdida.
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O caso ocorreu em um parquinho na cidade de Daegu, onde uma estudante do ensino fundamental foi ferida próximo ao pescoço. Ela foi levada ao hospital e recebeu alta posteriormente, segundo a mídia local.
O local do incidente fica a cerca de 1,5 km de um campo de tiro militar, onde, no momento, era realizado um exercício com munição real. As autoridades investigam se há relação entre a atividade militar e o ferimento da criança.
Histórico de incidentes com civis
O campo de tiro foi construído em 1995 e possui barreiras de proteção projetadas para conter projéteis. Exercícios com munição real no país costumam ocorrer sem incidentes, embora casos envolvendo civis sejam registrados ocasionalmente.
Em 2020, uma assistente de campo de golfe foi atingida na cabeça por uma bala na província de Jeolla do Sul, em um caso ligado a um campo de tiro militar próximo. Ela precisou passar por cirurgia de emergência.
No ano passado, as Forças Armadas também suspenderam atividades após caças lançarem bombas acidentalmente sobre um vilarejo na cidade de Pocheon, deixando quase 30 civis feridos. Na ocasião, foram interrompidos exercícios com munição real e voos de treinamento.
A investigação sobre o caso em Daegu está em andamento.
Um navio-tanque russo danificado após um suposto ataque com drones está à deriva no Mediterrâneo central e passou a ser tratado como uma potencial “bomba-relógio” ambiental por autoridades europeias. A embarcação, carregada com grandes quantidades de gás natural liquefeito (GNL) e combustível, preocupa Itália e Malta pelo risco de vazamento e desastre ecológico.
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De acordo com a CNN Portugal, o navio, identificado como Arctic Metagaz, transporta cerca de 900 toneladas de diesel e mais de 60 mil toneladas de GNL. Sem tripulação e sem controle de navegação, ele permanece à deriva entre Malta e a ilha italiana de Lampedusa há vários dias.
Imagens aéreas mostram a embarcação com danos significativos, inclinada e com um rasgo na lateral, além de sinais de material vazando para o mar. O incidente teria ocorrido no início de março, quando o navio foi alvo de um ataque com drones em águas internacionais, segundo o governo russo. Moscou classificou o episódio como um “ato de terrorismo” e atribuiu a ação à Ucrânia, que não comentou o caso.
A tripulação, formada por cerca de 30 pessoas, abandonou o navio após um incêndio a bordo. Alguns sofreram queimaduras e foram resgatados pela Guarda Costeira da Líbia.
Desde então, a embarcação se transformou em uma preocupação crescente para autoridades italianas. O governo da primeira-ministra Giorgia Meloni realizou reuniões de emergência e decidiu que o navio não deve ser levado a portos italianos, devido ao alto risco.
— Trata-se de uma bomba-relógio cheia de gás — disse um representante do governo italiano envolvido nas discussões.
Equipes de emergência e rebocadores foram posicionados na região, prontos para atuar em caso de agravamento da situação. No domingo, o navio estava a cerca de 32 quilômetros da ilha de Linosa, no sul da Itália.
Especialistas ambientais alertam que um eventual vazamento pode ter consequências graves e duradouras. Segundo o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), a carga do navio é “extremamente perigosa” e pode gerar incêndios, contaminação da água e danos irreversíveis à vida marinha.
A área onde o navio se encontra é considerada uma das mais ricas em biodiversidade do Mediterrâneo, rota de espécies como atum-rabilho e espadarte, além de abrigar ecossistemas sensíveis. Além do risco ambiental, o caso também expõe a chamada “frota fantasma” da Rússia — navios antigos utilizados para driblar sanções internacionais impostas após a invasão da Ucrânia em 2022.
Os melífagos-regentes já foram abundantes nas florestas do sudeste da Austrália, reunindo-se em grandes bandos vistosos. Hoje, essas aves canoras pretas e amarelas estão criticamente ameaçadas, com apenas algumas centenas restantes na natureza. À medida que as aves desapareceram da paisagem, seu canto característico — uma melodia suave e trêmula que os machos usam para defender território e atrair parceiras — também se perdeu.
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Em vez disso, alguns machos jovens passaram a adotar cantos de espécies totalmente diferentes. Outros produziram versões mais curtas e simples do canto padrão. Já os melífagos nascidos em zoológicos, como parte de um programa de reprodução em cativeiro, não aprenderam a melodia.
Agora, cientistas estão restaurando esse canto ao utilizar alguns indivíduos habilidosos como tutores vocais. Os pesquisadores constataram que melífagos-regentes que conheciam o canto padrão conseguiram ensiná-lo a aves jovens nascidas em cativeiro antes de sua soltura na natureza. Algumas dessas aves “alunas” chegaram a aprender o canto bem o suficiente para ensiná-lo à geração seguinte, segundo artigo publicado no mês passado na revista Scientific Reports.
Canto é essencial para reprodução
Embora mais pesquisas ainda sejam necessárias, os cientistas esperam que o programa de tutoria, que continua em andamento, ajude a aumentar as taxas reprodutivas na natureza e, possivelmente, faça com que os últimos melífagos-regentes voltem a cantar a mesma melodia.
— O canto tradicional tem algum valor intrínseco, mas também é muito importante que as aves tenham um canto estável — explica Daniel Appleby, biólogo da conservação da Universidade Nacional da Austrália e um dos autores do estudo: — O canto é fundamental para a reprodução.
O estudo também reflete uma compreensão crescente da importância da cultura animal — e o reconhecimento de que programas de conservação bem-sucedidos podem precisar encontrar formas de preservar comportamentos aprendidos socialmente, como o canto das aves.
— À medida que a reprodução em cativeiro para conservação e reintrodução se torna cada vez mais essencial para a sobrevivência das espécies, precisamos considerar a cultura — afirma Appleby.
População reduzida e perda de aprendizado
A população de melífagos-regentes caiu drasticamente ao longo do século XX, à medida que seus habitats florestais foram desmatados. Hoje, estima-se que cerca de 250 indivíduos vivam em florestas fragmentadas do sudeste da Austrália, espalhados por uma área do tamanho da Espanha.
— Estudá-los é um pesadelo, como se pode imaginar — disse Appleby, que integra um laboratório apropriadamente chamado Grupo de Pesquisa de Aves Difíceis.
Essa baixa densidade populacional pode explicar por que o canto da espécie começou a mudar. Normalmente, os jovens aprendem a melodia ao ouvir e observar machos adultos, mas menos aves no ambiente significam menos oportunidades de aprendizado.
Um problema paralelo surgiu no programa de reprodução em cativeiro, onde os jovens frequentemente tinham pouco contato com machos adultos durante o período crítico de aprendizado. Quando essas aves nascidas em zoológicos eram soltas na natureza, emitiam “cantos estranhos e rudimentares”, disse Appleby, e poucas conseguiam encontrar parceiras selvagens.
Experimentos e resultados do programa
Diante disso, Appleby e seus colegas decidiram ensinar o canto selvagem às aves nascidas em cativeiro nos zoológicos Taronga e Taronga Western Plains. Ao longo de vários anos, testaram diferentes estratégias.
Algumas aves jovens foram mantidas em viveiros com alto-falantes que reproduziam gravações do canto selvagem do amanhecer ao entardecer.
— Isso simplesmente falhou por completo— conta Appleby: — Não notamos nenhuma diferença nas aves.
Outras, porém, tiveram tutores reais: dois machos nascidos na natureza que cantavam o repertório tradicional da espécie. Quando os filhotes passaram a viver próximos a esses tutores — primeiro em viveiros vizinhos e depois no mesmo espaço — começaram a reproduzir o canto.
— Após três meses, começamos a ouvir as primeiras versões do canto tradicional — relata.
Para obter bons resultados, os cientistas descobriram que era necessário manter turmas pequenas, com no máximo cinco aves por tutor. Nesses grupos reduzidos, muitas aves produziram cantos praticamente indistinguíveis do padrão selvagem.
— Essas aves produziram cantos muito bons — tão bons que, no ano seguinte, elas próprias se tornaram tutoras — diz Appleby.
Seus “alunos”, por sua vez, também aprenderam o canto tradicional. Segundo a cientista de conservação Rebecca Lewis, do Zoológico de Chester, no Reino Unido, o método tem potencial para manter o aprendizado por várias gerações “sem grandes problemas”
— É excelente. É um método sustentável — diz.
Preservação da cultura animal
De fato, o programa de tutoria continua em andamento. Os pesquisadores pretendem acompanhar de perto as aves treinadas para avaliar seu desempenho na natureza e verificar se o canto tradicional se espalha à medida que filhotes selvagens passam a aprender ao ouvir esses indivíduos.
O estudo demonstra que é possível que programas de reprodução em cativeiro adotem medidas concretas para preservar a cultura de espécies ameaçadas, afirmou Peter McGregor, especialista em comunicação animal e canto de aves do ISPA — Instituto Universitário, em Portugal, que também não participou da pesquisa.
— Eles fizeram o trabalho difícil de aplicar isso em populações em cativeiro — explica: — Está cada vez mais claro que muitos aspectos críticos da sobrevivência e reprodução dos animais são aprendidos socialmente.
A constelação Starlink, fundada pelo bilionário americano Elon Musk, ultrapassou a marca de 10.000 satélites, 15 vezes mais que sua concorrente europeia Eutelsat, informou à AFP a Look Up, uma startup francesa especializada em vigilância espacial.
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Com seu último lançamento em 13 de março, a partir da base de Vandenberg, na Califórnia, a Starlink agora possui 10.003 satélites, muito à frente da constelação OneWeb da Eutelsat, que tem 651 satélites. A constelação Amazon Leo, da empresa fundada por outro bilionário americano, Jeff Bezos, possui 210 satélites. As empresas chinesas Guo Wang e Qian Fan têm 154 e 108 satélites, respectivamente.
— A Starlink ultrapassando a marca de 10.000 satélites ativos demonstra que um agente privado agora pode, sozinho, estruturar grande parte da atividade em órbita baixa — disse à AFP Michel Friedling, ex-comandante espacial francês e cofundador da Look Up.
As megaconstelações comerciais desempenham “um papel central” no equilíbrio econômico e estratégico, e a capacidade de observar o que acontece na órbita é “uma importante questão de soberania”, acrescentou ele.
A expansão da constelação tem ampliado o acesso à internet em áreas remotas e de difícil cobertura, como zonas rurais, regiões de floresta e alto-mar. Com milhares de satélites já em órbita baixa, o serviço consegue alcançar locais onde a infraestrutura terrestre, como cabos de fibra óptica e antenas, é limitada ou inexistente, e contribui para diminuição de lacunas históricas de conectividade e inclusão digital de populações antes desconectadas.
Esses números consolidados são baseados em dados processados ​​pelo Synapse, uma plataforma de rastreamento e análise do tráfego espacial desenvolvida pela Look Up. A plataforma agrega diversas fontes públicas e proprietárias de dados orbitais, incluindo os anúncios de lançamento da Starlink, excluindo satélites inativos, cruzados com as observações da Look Up.
A empresa está atualmente implantando uma rede global de radares para monitorar o tráfego espacial.
Antes de a humanidade enviar satélites, telescópios, sondas, armas e astronautas ao espaço, o físico americano Robert Goddard realizou um experimento decisivo em uma fazenda de família em Auburn, no estado de Massachusetts. Há exatos 100 anos, em 16 de março de 1926, o local se transformou em uma espécie de Cabo Canaveral improvisado para o lançamento do primeiro foguete movido a combustível líquido da história.
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“O irmãos Wright nos levaram ao ar”, afirmou Kevin Schindler, historiador do Observatório Lowell, no Arizona, e coautor de “Robert Goddard’s Massachusetts”. “Goddard nos levou além”, conclui.
Nascido em 1882, na cidade próxima de Worcester, Goddard cresceu fascinado por ciência e pelas obras de ficção científica de H.G. Wells e Jules Verne. Ainda adolescente, aos 17 anos, subiu em uma cerejeira e imaginou desenvolver um veículo capaz de viajar até Marte. A partir dali, dedicou sua vida à pesquisa com foguetes, tornando-se professor de física na Universidade Clark em 1914.
Embora foguetes já existissem havia séculos — desde a China antiga, na forma de fogos de artifício — eles utilizavam combustível sólido, que não podia ser controlado após a ignição. “Um motor sólido é basicamente um bastão de dinamite”, explicou Wendy Whitman Cobb, professora da Air University. “Depois que você acende, não há como parar.”
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Goddard, assim como os cientistas Konstantin Tsiolkovsky e Hermann Oberth, percebeu no início do século XX que combustíveis líquidos seriam essenciais para viagens espaciais. Mais potentes e controláveis, eles permitiriam maior precisão. Ainda assim, a ideia era vista com ceticismo.
O próprio The New York Times criticou o cientista em editorial, afirmando que ele “parece carecer do conhecimento distribuído diariamente nas escolas secundárias” e alegando que foguetes não funcionariam no vácuo. Ridicularizado, Goddard ganhou o apelido de “Moon Man” (homem da Lua). “Isso certamente o incomodava”, disse Schindler. “Ele não gostava de ser ridicularizado.”
Apesar das críticas, o cientista seguiu com seus experimentos. Sem acesso ao hidrogênio líquido, optou pela gasolina como propelente e batizou o foguete de Nell, em referência à peça “Salvation Nell”. O equipamento foi montado próximo a uma plantação de repolho na fazenda de sua tia, com ajuda da esposa, Esther, e de dois assistentes.
No dia do lançamento, a estrutura de cerca de três metros foi abastecida manualmente com gasolina e oxigênio líquido. Não houve contagem regressiva. A ignição foi feita com um maçarico acoplado a uma haste.
Por volta das 14h30, o foguete entrou em funcionamento e decolou lentamente, atingindo cerca de 12 metros de altura antes de perder estabilidade e cair a aproximadamente 56 metros de distância. O voo durou apenas 2,5 segundos — menos que o primeiro voo dos irmãos Wright, em 1903.
O feito, no entanto, passou quase despercebido à época. “Ninguém estava realmente interessado”, afirmou Schindler. O próprio Goddard registrou o evento de forma discreta em seu diário, embora depois tenha reconhecido o marco como um ponto de virada no desenvolvimento de foguetes.
Hoje, lançamentos espaciais são rotineiros — mais de 300 ocorreram apenas em 2025. Foguetes modernos transportam satélites, telescópios, sondas e astronautas, além de abastecerem estações espaciais. Ainda assim, o princípio básico permanece semelhante ao de Goddard: veículos alongados que geram empuxo ao expelir gases em alta velocidade.
“Assemelha-se aos carros”, comparou Brian Weeden, da Aerospace Corporation. “Ainda temos quatro rodas e volante. Houve tentativas diferentes, mas a forma básica permanece.”
Os avanços, porém, são significativos. Motores atuais são mais complexos, contam com sistemas de navegação sofisticados e alguns foguetes conseguem até pousar de volta na Terra.
Goddard continuou seus experimentos, realizando novos lançamentos e registrando mais de 200 patentes. Após enfrentar resistência de moradores locais, mudou-se para Roswell, no Novo México, com apoio do aviador Charles Lindbergh. Ao longo da vida, lançou cerca de três dezenas de foguetes, alcançando altitudes de até 2.700 metros.
Ele morreu em 1945, vítima de câncer de garganta, sem receber amplo reconhecimento. “Ninguém realmente acreditava que isso era possível”, disse Cobb. “Goddard é quase um visionário descartado.”
Seu legado, porém, moldou a exploração espacial moderna. Tecnologias baseadas em seus estudos são usadas até hoje pela NASA, que batizou em sua homenagem o Goddard Space Flight Center, em Maryland.
Décadas após sua morte, o jornal que o criticou reconheceu o erro. Em 17 de julho de 1969, um dia após o lançamento da missão Apollo 11, o The New York Times publicou: “Investigações e experimentos adicionais confirmaram as descobertas de Isaac Newton no século XVII e agora está definitivamente estabelecido que um foguete pode funcionar no vácuo tanto quanto na atmosfera. O Times lamenta o erro.”
A definição do cronograma para a missão Artemis II — que enviará astronautas às proximidades da Lua pela primeira vez em mais de meio século — ocorreu após a conclusão de uma revisão dos problemas técnicos que adiaram tentativas de lançamento em fevereiro e março.
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— É um voo de teste e não está isento de riscos, mas nossa equipe e nosso hardware estão prontos — disse Lori Glaze, administradora associada interina da Diretoria de Desenvolvimento de Sistemas de Exploração da NASA. Segundo ela, dependendo da conclusão dos trabalhos restantes para preparar o voo, — estamos no caminho para um lançamento já em 1º de abril. E estamos trabalhando para essa data.
A missão Artemis II deve levar uma tripulação de quatro astronautas para dar a volta pelo lado oculto da Lua, sem pousar na superfície lunar, e retorná-los à Terra em uma viagem de cerca de 10 dias. Assim como sua antecessora, a Artemis I, a missão será lançada por um foguete gigante chamado Space Launch System. Missões futuras da NASA, previstas para 2028, tentarão levar astronautas de volta à superfície lunar.
Os quatro astronautas da missão são Reid Wiseman, comandante da missão; Victor Glover, piloto; e os especialistas de missão Christina Koch e Jeremy Hansen. Glover será o primeiro homem negro a viajar ao redor da Lua, e Koch, a primeira mulher. Já Hansen, da Canadian Space Agency, será o primeiro astronauta não americano a realizar a viagem.
Tripulação da Artemis II, a partir da esquerda: Victor Glover, que será a primeira pessoa negra a viajar ao redor da Lua; Jeremy Hansen; Christina Koch; e Reid Wiseman, comandante da missão
Divulgação/Nasa via The New York Times
Os quatro astronautas entrarão em um período de quarentena na quarta-feira.
A NASA havia levado o foguete e a cápsula Orion até a plataforma de lançamento em janeiro, em preparação para uma tentativa de voo no início de fevereiro. No entanto, a missão Artemis II foi adiada em um mês devido a um vazamento de hidrogênio ocorrido durante o abastecimento dos tanques do foguete em um ensaio geral.
A agência concluiu um ensaio bem-sucedido no fim de fevereiro, mas especialistas identificaram uma interrupção no fluxo de hélio para o estágio superior do foguete. O hélio é usado para pressurizar o hidrogênio e o oxigênio líquidos que funcionam como propelentes do motor. Como resultado, a NASA retirou o foguete e a cápsula da plataforma e os levou de volta a um enorme hangar chamado Vehicle Assembly Building para reparos.
Segundo Shawn Quinn, gerente do Programa de Sistemas Terrestres de Exploração da NASA, os engenheiros identificaram uma vedação que bloqueava o fluxo de hélio e ajustaram seu design.
O lançamento da Artemis II foi então remarcado para abril. Inicialmente, o lançamento só poderia ocorrer nos dias 1º, 3, 4, 5 ou 6 de abril. Mas, segundo Glaze, análises adicionais permitiram incluir o dia 2 na janela de lançamento, totalizando seis possíveis datas.
A NASA pretende levar o foguete de volta à plataforma até 19 de março. De acordo com Quinn, ainda é necessário concluir algumas tarefas no Vehicle Assembly Building antes do deslocamento, incluindo a remoção de plataformas ao redor do foguete e diversos procedimentos de checagem.
— Isso é basicamente tudo — disse Quinn. — Estamos perto.
Da esquerda para a direita: Jeremy Hansen, Victor Glover, Reid Wiseman e Christina Hammock Koch são os quatro astronautas da Artemis II
Divulgação/Nasa
A equipe da missão afirmou na quinta-feira que não será necessário realizar um novo ensaio geral de contagem regressiva com abastecimento antes da tentativa de lançamento em abril.
— Toda vez que abastecemos o veículo, isso reduz um pouco a vida útil desses tanques — disse Glaze. — Se conseguirmos abastecer com sucesso, quero poder autorizar o lançamento. É onde estamos neste momento.
Autoridades da NASA se recusaram a discutir datas alternativas para lançamento além de abril, caso novos problemas impeçam a missão dentro da atual janela.
— Sim, há oportunidades em outros meses — afirmou Glaze —, mas neste momento estamos totalmente focados em abril.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, negou na noite desta terça-feira uma reportagem que afirmava que autoridades de Washington teriam pressionado Cuba a destituir seu presidente, Miguel Díaz-Canel. O secretário de Estado disse em sua conta no X que um artigo do New York Times era “falso” e parte de um padrão de reportagens que se baseiam em “charlatães e mentirosos que se dizem bem informados”.
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O jornal noticiou na segunda-feira que autoridades do governo Trump haviam pedido a Cuba que destituísse o presidente, mas não pressionaram pela derrubada completa do governo comunista. Rubio não especificou se estava negando o artigo inteiro ou partes específicas dele.
Rubio, ex-senador cubano-americano por Miami, defende há anos o fim do governo comunista em Cuba, estabelecido por Fidel Castro após a revolução de 1959.
Díaz-Canel prometeu nesta terça-feira uma “resistência inflexível” às ameaças de Trump de tomar o controle da ilha comunista.
O republicano afirmou na segunda-feira que espera ter “a honra de tomar Cuba, de alguma forma”. Ele também falou em “libertá-la”, em meio a negociações com as autoridades de Havana.
Um levantamento inédito publicado nesta quarta-feira revela que governos e partidos autoritários ao redor do mundo têm desenvolvido um sistema internacional de colaboração com o objetivo de se fortalecer mutuamente. Segundo os dados analisados pela organização Ação pela Democracia (Action for Democracy), coletados a partir de janeiro de 2024, China e Rússia juntas, estão envolvidas em mais da metade dos eventos de colaboração registrados em 2024 e 2025, com Moscou presente em 28,6% deles, enquanto Pequim aparece em 23,9%. A segunda linha de atores mais frequentes evidencia Irã (12,4%) e Turquia (12,3%), seguidos pela Arábia Saudita (9,3%), Egito (8,8%) e Índia (8,3%), com Cazaquistão (7,1%), Azerbaijão (6,7%) e Paquistão (6,7%) completando a lista dos dez principais. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Um ataque com drone ucraniano matou uma pessoa na região de Krasnodar, no sul da Rússia, informou o governador regional nesta quarta-feira.
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“Drones das Forças Armadas da Ucrânia atingiram prédios na capital regional”, publicou o governador de Krasnodar, Veniamin Kondratiev, no Telegram. Ele especificou que uma pessoa morreu no ataque.
“Um total de três prédios foram danificados. Um incêndio começou em um apartamento em um dos prédios, mas foi rapidamente extinto”, acrescentou.
Governador de estado russo atingido por ataque ucraniano disse que três prédios foram danificados, mas incêndio foi controlado; uma pessoa morreu
Reprodução
A Ucrânia frequentemente lança ataques contra a Rússia em resposta aos bombardeios russos, que atingem o território ucraniano quase diariamente desde que Moscou invadiu o país vizinho em fevereiro de 2022.
Kiev afirma que seus ataques têm como alvo instalações militares e de energia. Os Estados Unidos pressionam a Ucrânia e a Rússia para que cheguem a um acordo de cessar-fogo, mas as negociações de paz estão paralisadas devido à guerra no Oriente Médio.

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