Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta quinta-feira (19), a postura do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), rechaçou a guerra dos Estados Unidos contra o Irã e disse que irá escrever um artigo para publicar em jornais dos países que integram o Conselho para “chamar a atenção” sobre o problema. O colegiado tem como membros permanentes a China, os Estados Unidos, a França, o Reino Unido e a Rússia.
Lula afirmou que, na semana passada, conversou com vários presidentes desses países e pediu que eles “convocassem uma reunião”.
— Está na hora de vocês convocarem uma reunião, meu amigos. O restante do mundo não participa, mas esses cinco senhores que são membros efetivos do Conselho de Segurança deveriam se reunir para não permitir guerra, para evitar que o Trump invadisse a Venezuela, para evitar que invadisse o Irã. Eles são um Sonselho de Segurança e têm que evitar a guerra. Eu estou escrevendo um artigo para ser publicado nos jornais de cada país que integra o Sonselho de Segurança para chamar a atenção. Assumam a responsabilidade de parar com essa guerra — disse.
O presidente participou da 17ª Caravana Federativa, evento direcionado a prefeitos e vice-prefeitos para divulgar ações do governo federal, em São Paulo. Em um longo discurso, o petista fez diversas críticas aos gastos com guerras pelo mundo nos últimos anos e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e disse que as pessoas “estão perdendo o senso de moralidade”. Ele ainda lamentou os impactos da guerra do Irã no preço do petróleo, o que afeta o Brasil.
— Eu nunca pedi para ninguém concordar com o regime do Irã, eu mesmo não concordo. Mas a gente precisa aprender a respeitar a autodeterminação dos povos, a integridade territorial dos países, a gente não pode ter alguém achando que é dono de mundo, que levanta de manhã e diz “eu vou tomar o Irã, vou tomar o Panamá, a Venezuela”. Não é possível. O mundo precisa de paz, de comida, de educação e não de guerra. E por conta desse ataque, nós estamos com uma crise de petróleo, que está subindo no mundo inteiro — falou.
Lula afirmou que o governo federal vai fiscalizar, por meio da Receita Federal, o aumento abusivo no preço da gasolina, diesel e álcool nos postos de combustíveis, e voltou a conclamar os governadores a reduzirem o ICMS para combustíveis. A proposta, entretanto, foi rejeitada pelos estados. Em manifestação divulgada na terça-feira, o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) afirmou que cortar impostos não assegura alívio ao consumir e pode provocar perdas bilionárias de arrecadação, com impacto direto em áreas como saúde, educação e segurança pública.
— Tomamos a decisão de isentar de PIS e Cofins, fizemos a decisão de fazer mais uma proposta para que a gente pudesse subsidiar as importadoras, e mesmo assim o preço aumenta. Não aumentou apenas o preço do diesel, aumentou o do álcool, que não tem nada a ver com a guerra do Irã, aumentou o da gasolina que não tinha para que aumentar ainda, significa que nesse país tem bandido que quer lucrar até com a desgraça dos outros — acrescentou. Vamos fazer todo o esforço e pedir para os governadores fazer uma isenção de ICMS. Eles poderiam fazer uma isenção de ICMS para não permitir o aumento, e o governo federal se dispõe a devolver para eles a metade da isenção que eles derem, vamos ver se eles vão fazer.
Em comunicado conjunto, divulgado nesta quinta-feira, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Japão condenaram os recentes ataques retaliatórios do Irã contra infraestruturas energéticas no Golfo e pediram que o país cesse as ameaças a embarcações no Estreito de Ormuz, rota marítima vital para o escoamento de cerca de 20% do petróleo comercializado mundialmente. O grupo expressou sua “disposição” em contribuir com “esforços apropriados” para garantir a passagem segura pelo canal estratégico, bloqueado por Teerã desde o início da guerra.
Mudança de retórica: Trump ameaça destruir campos de gás do Irã após ataques contra o Catar; EUA cogitam reforço militar no Golfo, diz agência
Novo episódio da guerra: Irã alerta o Golfo sobre violenta retaliação após ataque a campo de gás compartilhado com o Catar
“A liberdade de navegação é um princípio fundamental do direito internacional”, afirma a declaração. “Os efeitos das ações do Irã serão sentidos por pessoas em todas as partes do mundo, especialmente pelas mais vulneráveis. Estamos prontos para contribuir com os esforços necessários para garantir a segurança da passagem pelo Estreito de Ormuz”.
Na quarta-feira, o Exército israelense atacou o campo de gás South Pars, o maior campo de exploração de gás natural do planeta, compartilhado entre Irã e Catar. Trata-se de uma reserva responsável por abastecer cerca de 70% do consumo doméstico de gás natural da República Islâmica. Em retaliação, o Irã atacou Ras Laffan — o maior complexo industrial e porto de exportação de gás natural liquefeito (GNL) do mundo —, no Catar, causando “danos extensos”.
Initial plugin text
Também foram registrados ataques nesta quinta-feira à duas refinarias no Kuwait e contra uma instalação petrolífera no porto de Yanbu, no Mar Vermelho, utilizada pela Arábia Saudita para exportar petróleo sem passar pelo Estreito de Ormuz.
“Pedimos uma moratória imediata e geral sobre ataques a infraestruturas civis, especialmente instalações de petróleo e gás”, declararam os seis países.
Após os ataques iranianos ao Catar, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou destruir o maior campo de gás natural do Irã, elevando os riscos de uma escalada com efeitos globais. Segundo a agência Reuters, o Pentágono cogita um reforço nas tropas no Oriente Médio para dar mais opções a Trump, incluindo a de uma operação terrestre em solo iraniano.
Initial plugin text
Em publicação na sua plataforma Truth Social, Trump voltou a dizer que os EUA não foram informados com antecedência sobre o bombardeio israelense contra South Pars. A ação foi condenada pelas monarquias do Golfo e o republicano disse ser contra ações voltadas ao setor energético iraniano, de acordo com o relato de assessores.
“NENHUM OUTRO ATAQUE SERÁ FEITO POR ISRAEL contra este importantíssimo e valioso campo de South Pars, a menos que o Irã, imprudentemente, decida atacar um país inocente, neste caso, o Catar”, escreveu o presidente. “Nessa situação, os Estados Unidos da América, com ou sem a ajuda ou consentimento de Israel, explodirão maciçamente a totalidade do Campo de Gás de South Pars com uma força e potência jamais vistas ou testemunhadas pelo Irã”.
Entenda em 5 pontos: Por que é tão difícil reabrir o Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte global de 20% do petróleo?
Em resposta, um porta-voz da Guarda Revolucionária afirmou, em comunicado, ter advertido a EUA e Israel “que cometeram um grande erro ao atacar a infraestrutura energética do Irã”. “Se isso se repetir, os próximos ataques à sua infraestrutura energética e à de seus aliados não cessarão até sua completa destruição”, diz o texto, divulgado pela agência estatal Isna.
Um caça F-35 dos EUA fez um pouso de emergência após uma missão no Irã, e a suspeita é de que tenha sido atingido pelos sistemas locais de defesa, afirmaram fontes do governo dos EUA à rede CNN. Oficialmente, o Pentágono não detalhou o incidente, revelando apenas que a aeronave fez um pouso de emergência e que “o piloto está em condição estável”.
—Este incidente está sendo investigado — disse à CNN Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central dos EUA.
Novo pacote: Pentágono quer mais US$ 200 bilhões para guerra no Irã, diz jornal; veja os custos dos principais armamentos dos EUA
‘Esforços apropriados’: Japão e países europeus condenam ataques do Irã no Golfo e se dizem ‘dispostos a contribuir’ na segurança do Estreito de Ormuz
Pela manhã, o comandante do Estado-Maior Conjunto dos EUA, Dan Caine, afirmou que as aeronaves americanas estavam realizando incursões mais profundas em território iraniano, sem dar detalhes.
Segundo caça de quinta geração a integrar a Força Aérea dos EUA, o F-35 é uma das mais avançadas armas de combate dos EUA, capaz de atingir Mach 1.6 (1,6 vezes a velocidade do som), de realizar ataques de precisão e de burlar sistemas de monitoramento.
No ano passado, elas atuaram na operação contra instalações nucleares iranianas, que encerrou o conflito de 12 dias entre o Irã e Israel, e em janeiro ajudaram a eliminar sistemas de defesa na Venezuela durante a ofensiva que terminou com a captura do presidente Nicolás Maduro. A Força Aérea israelense também usa a aeronave desde 2017, participando de guerras em Gaza, Líbano, Iêmen e Irã.
Initial plugin text
Caso o ataque seja confirmado, seria o primeiro registrado contra aeronaves americanas desde o início da guerra contra o Irã. Na semana passada, uma aeronave de abastecimento dos EUA caiu no Iraque, em um incidente inicialmente atribuído a uma milícia pró-Teerã, mas que o Pentágono afirma ter sido um acidente envolvendo outro avião do mesmo modelo. O incidente ocorre no momento em que os EUA não deixam claro até quando vão manter a guerra, tampouco quais são seus objetivos claros. Nesta quinta-feira, o jornal Washington Post anunciou que pedirá mais US$ 200 milhões ao Congresso para incrementar arsenais e apoiar os esforços militares na região
O Pentágono planeja pedir ao Congresso dos EUA um orçamento suplementar de US$ 200 bilhões, ligado à guerra no Irã, no momento em que o governo do presidente Donald Trump se recusa a fornecer um prazo exato para o fim da ofensiva. A requisição, revelada pelo jornal Washington Post, deve enfrentar resistências na base republicana, ainda mais durante um ano eleitoral e se tratando de um conflito impopular entre os americanos.
Risco de escalada: Trump ameaça destruir campos de gás do Irã após ataques contra o Catar; EUA cogitam reforço militar no Golfo, diz agência
Guga Chacra: Do ‘America First’ à guerra no Irã
De acordo com o Post, citando fontes no Pentágono, o ponto central do pedido é ampliar a produção de armas consideradas estratégicas, usadas à exaustão nos 20 dias de conflito até agora. Mísseis capazes de perfurar instalações de concreto reforçado ou modelos como o Tomahawk, apontado como a arma que atingiu uma escola em Minab, no sul do Irã, e deixou mais de 170 mortos. Existe a preocupação particular com os estoques de armas defensivas, empregadas não apenas pelos americanos, mas também por seus aliados.
Para conter lacunas imediatas, os americanos realocaram recursos de outras regiões, como a Ásia, para o Oriente Médio: na Coreia do Sul, autoridades veem receio a retirada de baterias de sistemas como o Patriot e o THAAD, apontando para o risco de tornar o país vulnerável. Se a guerra se estender por mais tempo do que as “quatro ou seis semanas” repetidas por Trump, os problemas podem se agravar, especialmente contra armas mais simples e de fácil construção, como os drones do tipo Shahed, empregados pelos iranianos e pelos russos na Ucrânia.
Imagens divulgadas pelo Comando Central dos EUA mostra disparo de mísseis Tomahawk contra navios lançadores de mina do Irã
Reprodução/CENTCOM/X
Em janeiro, quando Trump deixou clara a intenção de atacar o Irã, a Casa Branca propôs aumentar em 50% o orçamento do Pentágono para 2027, chegando a US$ 1,5 trilhão. Segundo o presidente, isso permitiria a criação de um “Exército dos Sonhos”, e ampliaria a capacidade de produção de armamentos e munições, apontada por especialistas como um gargalo para manter adequadamente o estado de prontidão de defesa.
Mas esse não é um processo simples ou rápido. Em janeiro, a Lockheed Martin, fabricante do sistema Patriot, firmou um contrato com o Departamento da Guerra para incrementar a produção dos mísseis do modelo PAC-3 das atuais 600 unidades anuais para 2 mil por ano, meta que, com boa vontade, só será atingida na próxima década. Há questões ligadas ao acesso a materiais para a construção dos armamentos, preparo das linhas de montagem e a disponibilidade limitada de profissionais no setor.
— Injetar muito dinheiro na base industrial não garante que as coisas aconteçam mais cedo, mas com certeza você não vai conseguir nada mais cedo se não investir — disse Elaine McCusker, ex-controladora interina do Pentágono, que agora analisa o orçamento de Defesa no American Enterprise Institute, ao Washington Post.
Discurso em xeque: Inteligência americana contradiz Trump sobre alcance de mísseis iranianos e enriquecimento de urânio de República Islâmica
Enquanto o novo orçamento do Pentágono está em fase de negociações, Trump quer avançar mais rapidamente com o pacotaço de US$ 200 bilhões, sem ter a certeza se o processo será indolor. Para alguns funcionários da Casa Branca, as chances de aprovação nos atuais termos são pequenas. Nos bastidores, democratas prometem barrar a iniciativa, e não está claro como a base governista vai superar resistências da ala pró-austeridade fiscal ou de céticos com a guerra
Antes de reunião com a premier do Japão, Sanae Takaichi, na Casa Branca, Trump confirmou que fará o pedido, sem detalhar o valor do pacote. Em entrevista coletiva, o secretário da Guerra, Pete Hegseth, disse que “é preciso dinheiro para matar os bandidos”, acrescentando que “vamos voltar ao Congresso e falar com nossos representantes lá para garantir que tenhamos o financiamento adequado”.
— Fizemos algumas estimativas dos custos da guerra com base nos dados limitados disponíveis, mas há uma enorme incerteza, e o Congresso quer saber qual será o valor da conta — disse ao Washington Post Mark Cancian, consultor sênior do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS). — Se o governo pedir mais dinheiro, haverá uma grande batalha política, porque todo o sentimento anti-guerra se concentrará nesse pedido.
Presidente dos EUA, Donald Trump, e secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, a bordo do Air Force One
SAUL LOEB / AFP
De acordo com levantamento do CSIS, publicado pelo jornal Guardian, na primeira semana de conflito foram gastos US$ 5,7 bilhões com sistemas de defesa aérea, incluindo o THAAD e o Patriot, cujos mísseis custam entre US$ 3 milhões e US$ 4 milhões, e mais de 800 foram lançados pelos EUA nos primeiros sete dias da “Operação Fúria Épica”.
O mesmo estudo apontou que, naquele período, foram atingidos 2,5 mil alvos dentro do Irã, a um custo de US$ 5,5 bilhões — apenas nos mísseis de cruzeiro Tomahawk foram gastos US$ 1,2 bilhão. Somada a perdas em combate e gastos operacionais, a conta de uma semana de guerra foi de US$ 12,7 bilhões. O número é similar ao apresentado pelo Pentágono ao Congresso, US$ 11,3 bilhões semanais, e supera o orçamento anual da FDA, a agência responsável por fiscalizar a qualidade de alimentos e medicamentos nos EUA (US$ 7,2 bilhões). Os cálculos não incluem uma potencial invasão terrestre, algo que segue à mesa.
‘Cada gota de sangue tem seu preço’: Irã promete vingança após morte de ministro da inteligência em ataque de Israel
Vender essa conta ao eleitorado, mesmo o republicano, promete ser complicado.Na terça-feira, o instituto YouGov revelou que apenas 33% dos americanos são favoráveis à guerra, enquanto 56% são contra. Para 61%, a prioridade deveria ser o fim dos combates, e apenas 32% dizem confiar no presidente — entre os que se declaram independentes, cruciais na eleição de outubro, 63% desaprovam o trabalho de Trump na guerra. A sondagem detectou uma piora na confiança dos eleitores no futuro da economia, com especial preocupação com os custos dos combustíveis.
Na campanha que o levou à Casa Branca, em 2024, Trump prometeu reduzir a máquina federal, e levou ao governo o bilionário Elon Musk, com a meta de cortar os gastos em alguns trilhões de dólares. Mas após demissões que afetaram a capacidade de funcionamento do Estado, cortes em benefícios sociais e em agências como a Usaid, principal braço de assistência internacional dos EUA, os resultados ficaram aquém do prometido. Segundo o portal do Departamento de Eficiência Governamental (Doge), foram poupados US$ 215 bilhões em 2025 — pouco mais do que o Pentágono quer para financiar a nova guerra no Oriente Médio.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, disse que os Estados Unidos avaliam suspender as sanções ao fornecimento de petróleo iraniano que já está “em trânsito” nos próximos dias. Os comentários surgiram após uma nova alta nos preços do petróleo e do gás, na sequência do ataque do Irã à maior usina de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, no Catar, e das ameaças de destruição da infraestrutura energética da região. Foi o mais recente sinal da gravidade da crise energética global desencadeada pelos bombardeios conjuntos dos EUA e Israel ao Irã e pelos amplos ataques retaliatórios iranianos, refletindo o desespero do governo de Donald Trump em estancá-la rapidamente.
Entenda em 5 pontos: Por que é tão difícil reabrir o Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte global de 20% do petróleo?
Novo episódio da guerra: Irã alerta o Golfo sobre violenta retaliação após ataque a campo de gás compartilhado com o Catar
— Nos próximos dias, poderemos retirar as sanções ao petróleo iraniano que está na água. (…) Usaremos os barris iranianos contra os iranianos para manter o preço baixo pelos próximos 10 ou 14 dias, enquanto continuamos esta campanha — disse Bessent ao canal americano Fox Business nesta quinta-feira, acrescentando que o governo tem “muitas alavancas” e “muito mais” à sua disposição.
Bessent acrescentou na entrevista que o governo dos EUA também poderia liberar mais petróleo de suas reservas estratégicas.
Os EUA já permitem a passagem de petróleo iraniano pelo Estreito de Ormuz, e esse país tem cerca de 140 milhões de barris “na água”, disse o secretário do Tesouro. Quando os EUA decidirem “revogar as sanções” ao petróleo iraniano que flutua no exterior, terão sido criados “cerca de 260 milhões de barris de energia excedentes”, disse Bessent, apontando também para a liberação de reservas de petróleo por diversos países.
Bessent afirmou posteriormente que o Departamento de Agricultura “provavelmente fará um anúncio sobre fertilizantes nos próximos dias”, visto que o conflito no Oriente Médio começa a onerar também os agricultores com custos mais elevados. Com os preços dos insumos já altos, os ataques fizeram os preços dispararem, uma vez que os navios que transportam materiais para a produção de fertilizantes estão praticamente impossibilitados de transitar pelo Estreito de Ormuz e sair do Golfo Pérsico.
Entenda: Como a guerra no Irã impacta o mercado global de gás?
Uma imagem mostra uma vista da fase 12 das instalações do campo de gás de South Pars, perto da cidade de Kangan, no sul do Irã
BEHROUZ MEHRI/AFP
Em busca de soluções
A retaliação de Teerã aos ataques iniciados pelos EUA e Israel em 28 de fevereiro praticamente paralisou o transporte marítimo comercial pelo canal, rota vital para o transporte global de 20% do petróleo, causando graves interrupções nas cadeias de abastecimento de energia.
Desde então, o governo de Donald Trump parece estar buscando soluções às pressas, enquanto as notícias dos mais recentes ataques à infraestrutura energética do Golfo fizeram o preço do petróleo Brent, a referência internacional, subir quase 10%, para US$ 118 o barril (R$ 623) na manhã desta quinta-feira. Os preços do gás natural na Europa dispararam até 30%.
Futuro incerto: Mortes na cúpula do regime ampliam repressão no Irã e elevam ansiedade entre autoridades, que temem ser novos alvos
Como parte de um alívio temporário das sanções impostas à Rússia após a invasão da Ucrânia, o Departamento do Tesouro já permitiu que navios e empresas ligadas ao regime iraniano transportem e vendam petróleo russo no mercado aberto. Esses navios ligados ao Irã estão sujeitos às suas próprias sanções americanas e têm operado como parte de uma chamada frota fantasma, transportando ilicitamente mercadorias e energia para a Rússia, Venezuela e outros países.
Mas os EUA agora precisam dessa rede para reduzir o preço do petróleo. Contudo, os esforços recentes de Washington e de outras nações, incluindo a liberação de reservas estratégicas para ajudar a reforçar o fornecimento de petróleo, pouco fizeram para aliviar os mercados.
A mudança repentina de posição em relação às restrições a navios, mesmo que temporária, ilustra até onde a Casa Branca está disposta a ir para conter as consequências econômicas de uma guerra que parece não ter fim à vista.
O Catar, um dos principais fornecedores globais de energia, afirmou que os ataques iranianos recentes danificaram instalações de gás, incluindo o terminal de Ras Laffan, a maior instalação de GNL do mundo. Os ataques iranianos foram uma retaliação ao ataque israelense a um importante campo de gás, compartilhado com o Catar, na quarta-feira.
Ataques com drones causaram incêndios em duas refinarias estatais no Kuwait, e um drone caiu em um importante terminal de exportação de energia na Arábia Saudita. Nos Emirados Árabes Unidos, autoridades informaram que responderam a incidentes em instalações de gás e em um campo de petróleo causados ​​por destroços de mísseis interceptados.
‘Estamos vencendo’
Ainda assim, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, demonstrou confiança em uma entrevista coletiva no Pentágono nesta quinta-feira, dizendo aos repórteres:
— Estamos vencendo de forma decisiva e em nossos termos — afirmou, mas recusando-se a oferecer um prazo para o fim da guerra.
Secretário da Guerra dos EUA, Pete Hegseth, após entrevista coletiva em Washington
Mandel NGAN / AFP
Segundo Hegseth, as Forças Armadas dos EUA atacaram mais de 7 mil alvos no Irã desde o início da guerra, há quase três semanas, danificando ou afundando mais de 120 navios da marinha iraniana e deixando seus portos militares “paralisados”. Ele descartou qualquer discussão sobre a condução da guerra e a possibilidade de que ela se expanda para um conflito regional, classificando-as como “ruído”.
Na Europa, porém, os líderes ficaram alarmados com os ataques contínuos na infraestrutura energética e com a disparada dos preços do petróleo e do gás.
— Essa escalada é imprudente — disse o presidente francês Emmanuel Macron a jornalistas em Bruxelas, nesta quinta-feira, antes de uma reunião de líderes da União Europeia, alertando que, se as instalações de produção de energia forem destruídas, o impacto da guerra durará muito mais tempo.
O ministro das Relações Exteriores do Irã alertou nesta quinta-feira para a “zero contenção” caso a infraestrutura do país seja atacada novamente. Abbas Araghchi afirmou nas redes sociais que o Irã usou até o momento apenas uma “fração” de seu poder e demonstrou contenção porque recebeu pedidos de desescalada. Ele não especificou quem fez esses pedidos.
Com New York Times, AFP e Bloomberg.
Um caça russo violou o espaço aéreo da Estônia nesta quarta-feira, provocando uma resposta de emergência da Otan e aumentando a tensão na região do Báltico. Segundo autoridades estonianas, a aeronave permaneceu por cerca de um minuto dentro do território do país antes de deixar a área.
Repórter fica ferido em ataque no Líbano durante transmissão e precisa retirar estilhaços do braço; veja vídeo
Bolha gigante: China usa tecnologia inflável para reduzir barulho e poluição em obras; veja vídeo
De acordo com o jornal inglês The Sun, o incidente ocorreu nas proximidades da ilha de Vaindloo, no Golfo da Finlândia, ao norte da Estônia. A incursão foi confirmada pelo ministro das Relações Exteriores do país, Margus Tsahkna, que afirmou que não houve ameaça direta à segurança nacional, mas classificou o episódio como uma violação grave.
— Não houve ameaça à segurança da Estônia, mas trata-se de mais uma demonstração de um padrão que se repete — declarou.
A violação acionou o sistema de policiamento aéreo da Otan no Báltico, que mobilizou unidades da Força Aérea Italiana para monitorar e responder à incursão. A missão, responsável pela vigilância do espaço aéreo de países da região, foi elogiada pelas autoridades estonianas pela rapidez na atuação.
Como resposta diplomática, o Ministério das Relações Exteriores da Estônia convocou o principal representante russo em Tallinn para prestar esclarecimentos. Segundo o governo, foi entregue uma nota formal de protesto.
O episódio marca a primeira violação do espaço aéreo estoniano por uma aeronave russa neste ano. Ainda assim, casos semelhantes já ocorreram anteriormente. Em setembro do ano passado, três aviões militares russos entraram no espaço aéreo do país por cerca de 12 minutos, em um episódio considerado mais prolongado.
Autoridades locais e aliados da Otan reagiram com críticas à ação. O primeiro-ministro da Estônia, Kristen Michal, afirmou que a conduta russa segue um padrão recorrente, enquanto líderes militares destacaram a necessidade de respostas firmes a cada nova incursão.
Um ataque no sul do Líbano deixou ferido o jornalista britânico Steve Sweeney, correspondente da emissora estatal russa RT, que precisou retirar estilhaços do braço após a explosão de um míssil nas proximidades. O incidente ocorreu enquanto ele gravava uma reportagem em área de conflito.
Bolha gigante: China usa tecnologia inflável para reduzir barulho e poluição em obras; veja vídeo
Câncer de pâncreas: o desafio silencioso da medicina moderna
As imagens do momento mostram o repórter em frente à câmera quando a explosão acontece a poucos metros de distância. Apesar da proximidade do impacto, Sweeney conseguiu se afastar e recebeu atendimento médico. Segundo a emissora, os ferimentos foram leves, mas exigiram a retirada de fragmentos do braço.
Veja vídeo:
Initial plugin text
O cinegrafista que acompanhava o jornalista, Ali Rida, também escapou sem ferimentos graves. Ele afirmou que a equipe foi atingida mesmo estando identificada como imprensa, com coletes e credenciais visíveis, e acusou Israel de ter realizado o ataque de forma deliberada.
Até o momento, o governo israelense não se pronunciou sobre o episódio.
O ataque ocorre em meio à escalada de tensões na região. Nos últimos dias, Israel intensificou operações militares no sul do Líbano e também em Beirute, alegando que os alvos são posições do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã.
Uma influenciadora austríaca pode ter sido enterrada viva dentro de uma mala após ser vítima de violência, segundo novas informações divulgadas por promotores do caso. A vítima, Stefanie Pieper, de 31 anos, foi encontrada morta em uma área de floresta dias após desaparecer.
Acidente: Turista é morta por elefante ‘em questão de segundos’ em safári na Zâmbia
Símbolo do Ramadã: Lua crescente de 4,5 metros é vandalizada em ponto turístico; caso é investigado nos EUA
De acordo com as autoridades, o laudo da autópsia não conseguiu determinar com precisão o momento da morte, o que abre a possibilidade de que ela ainda estivesse viva ao ser colocada na mala e enterrada.
— É inteiramente possível que ela ainda estivesse viva quando foi colocada na mala — afirmou um porta-voz da promotoria.
Stefanie desapareceu em novembro, após não comparecer a um ensaio fotográfico, o que levou colegas a acionarem a polícia. Dias depois, o corpo foi localizado dentro de uma mala enterrada em uma área de mata na Eslovênia, próximo à fronteira com a Áustria.
O principal suspeito é o ex-namorado da vítima, também de 31 anos. Ele foi preso inicialmente na Eslovênia e, após ser extraditado para a Áustria, confessou o crime e indicou o local onde o corpo estava escondido.
Segundo as investigações, a influenciadora apresentava sinais de estrangulamento e lesões no rosto. Peritos, no entanto, não descartam que parte dos ferimentos tenha ocorrido enquanto ela ainda estava dentro da mala, possivelmente tentando escapar.
Antes de desaparecer, Stefanie teria enviado mensagens a amigos relatando a presença de uma pessoa suspeita nas proximidades de seu apartamento. O suspeito permanece em prisão preventiva e pode enfrentar pena de prisão perpétua caso seja condenado. O julgamento está previsto para ocorrer ainda este ano.
Stefanie Pieper era conhecida nas redes sociais por conteúdos de moda e beleza, com cerca de 50 mil seguidores.
O Brasil anunciou na quarta-feira que está enviando ajuda humanitária a Cuba, que enfrenta crise econômica e pressão crescente do presidente dos EUA, Donald Trump. O governo comunista de Cuba confirmou que está em negociações com os EUA, que interromperam o fornecimento de petróleo essencial à ilha, provocando apagões em todo o país, ao mesmo tempo em que pressionam outras nações a interromper o uso de médicos e profissionais de saúde cubanos, em uma tentativa de restringir outra importante fonte de receita e divisas.
Caminhando ‘no fundo de um poço já fundo’: Sob escassez e sem combustível, cubanos veem mudança na Venezuela quase com esperança
Em meio a apagão total: Navio-tanque russo carregado com petróleo e aparentemente a caminho de Cuba pode aliviar crise de combustíveis
— Estamos fazendo várias doações, seja de remédios, seja de alimentos — afirmou Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores, a jornalistas, acrecsentando que o Brasil busca proteger os cubanos de dificuldades adicionais. — São doações de caráter humanitário.
Remessas de medicamentos, incluindo tratamentos para tuberculose e outros fármacos essenciais, chegaram por via aérea nos últimos dias, acrescentou Padovan.
A assistência alimentar tem se mostrado mais complexa do ponto de vista logístico, e passa pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA), da ONU. O Brasil está doando 20 mil toneladas de arroz, 150 toneladas de feijão, 150 toneladas de arroz polido e 500 toneladas de leite em pó, segundo Padovan.
Sem coleta adequada: Falta de serviços básicos afunda ruas de Havana em lixo e esgoto
Os esforços do Brasil se alinham a medidas recentes do México, onde a presidente Claudia Sheinbaum enviou toneladas de itens básicos a Cuba — embora, sob pressão dos EUA, tenha suspendido os embarques de petróleo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participará no sábado da cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), em Bogotá, Colômbia. Em 2024, o Brasil firmou parceria com os Emirados Árabes Unidos para enviar leite em pó, arroz, soja e milho à ilha.
A Promotoria norueguesa pediu, nesta quarta-feira, uma pena de sete anos e sete meses de prisão para Marius Borg Høiby, filho da princesa herdeira Mette-Marit, julgado por estupros e agressões a quatro mulheres.
Sexo, drogas e álcool: Acusado de estupro, filho da princesa de Noruega reconhece uma vida de excessos
‘Pelo menos que eu saiba’: Em julgamento por estupro, filho da princesa da Noruega nega ter drogado suposta vítima
— O estupro pode deixar sequelas duradouras e destruir vidas — argumentou o promotor Sturla Henriksbø no penúltimo dia do julgamento no tribunal de Oslo. — Pode ser algo que a vítima carregue por toda a vida — justificou.
Høiby, filho de uma relação de sua mãe anterior ao casamento com o príncipe herdeiro Haakon, permanece sob custódia durante o julgamento, onde enfrenta 40 acusações que podem totalizar 16 anos de prisão. O homem de 29 anos admite alguns atos, mas nega as acusações mais graves, em particular os supostos estupros de quatro mulheres que não tinham condições de reagir. Vestido com jeans e uma camisa polo azul de mangas curtas que deixava à mostra suas tatuagens, Høiby, que não é formalmente membro da família real, permaneceu impassível ao ouvir a pena solicitada contra ele.
O caso manchou gravemente a imagem da monarquia norueguesa. Tudo começou em 4 de agosto de 2024, quando a polícia prendeu Høiby, suspeito de agredir sua companheira na noite anterior. Após confiscar telefones e computadores, a polícia encontrou filmes e vídeos que documentavam os supostos crimes pelos quais foi acusado.
“Com direito a tudo”
As quatro supostas vítimas de agressão sexual não perceberam que haviam sido estupradas — segundo a acusação — até mais tarde, quando a polícia lhes mostrou as imagens e explicou sua natureza potencialmente criminosa.
Os supostos estupros teriam ocorrido após noites de festa, durante as quais Høiby supostamente consumiu álcool e drogas, e após relações sexuais consensuais. Um desses estupros teria ocorrido no porão da residência do príncipe Haakon e da princesa Mette-Marit, enquanto o casal estava em casa.
Em sua alegação final, o promotor Henriksbø descreveu Høiby como alguém “que acredita ter direito a tudo” e que não se preocupa em consultar suas parceiras sexuais “quando elas adormecem enquanto ele quer mais”.
Galerias Relacionadas
Durante o julgamento, Høiby alegou que todas as relações sexuais foram consensuais e que não tinha o hábito de fazer sexo com pessoas adormecidas. Em relação às supostas agressões contra mulheres, o promotor o descreveu como um homem “propenso a acessos de raiva, ciumento e que, especialmente sob o efeito de substâncias, pode perder o controle”.
— Ele pode perder o controle, gritar, atirar telefones, até facas, socar paredes. E ouvimos relatos de estrangulamento, espancamentos e cusparadas — relatou o promotor. — Marius Borg Høiby não é um monstro. Nenhum de nós é. Somos todos seres humanos, com qualidades boas e ruins. Ele não deve ser julgado por quem ele é, mas pelo que fez — enfatizou.
Na sexta-feira, o filho da princesa desabou em lágrimas ao falar da “pressão da mídia” que, segundo ele, o “apagou como pessoa”.
— Não sou mais Marius; sou um monstro. Tornei-me alvo de todo o ódio da Noruega — lamentou.
Høiby também é acusado de transportar 3,5 kg de maconha, fazer ameaças, violar ordens de restrição, danificar propriedade, invadir privacidade e cometer infrações de trânsito.
O jovem alto e loiro passou grande parte do julgamento sentado, desenhando, mascando chiclete ou usando tabaco. Após a declaração da acusação, os representantes das supostas vítimas se pronunciarão e, em seguida, a defesa apresentará suas alegações finais na quinta-feira. O veredicto não é esperado antes de várias semanas, ou mesmo meses.

Assine nossa newsletter

e seja avisado quando surgirem novos artigos

Copyright ® 2025 - Todos os Direitos Reservados

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e está sujeito à Política de Privacidade e aos Termos de Uso do Google.

plugins premium WordPress