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O caso de Christina Marie Plante, que desapareceu aos 13 anos no Arizona em 1994, ganhou um novo desdobramento após sua localização: investigadores agora apontam que o sumiço pode ter sido resultado de uma disputa de custódia nunca esclarecida, e não de um sequestro, como se acreditou por décadas.
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Hoje com 44 anos e vivendo sob outro nome, Plante afirmou às autoridades que saiu de casa por vontade própria e contou com ajuda de familiares. Segundo o subxerife do Condado de Gila James Lahti, a informação surpreendeu os investigadores. “Essa foi uma informação da qual não tínhamos conhecimento antes de localizá-la” e, até então, “acreditávamos que tinha sido sequestrada”.
Versão aponta disputa familiar
A hipótese ganha força com o relato do ex-subxerife Terry Hudgens, que atuou no caso na época. Segundo ele, o pai tinha a guarda da adolescente, mas ela queria viver com a mãe.
Hudgens afirmou que um encontro foi combinado enquanto Plante caminhava em direção a um estábulo e que, depois disso, mãe e filha seguiram para o aeroporto em Phoenix, deixando o estado — “e talvez para fora do país”. “Era uma disputa de custódia”, disse.
Apesar dessa versão, o caso nunca foi oficialmente encerrado. Lahti confirmou que Hudgens liderou a investigação inicial, mas afirmou que a apuração seguiu aberta ao longo dos anos. “Ainda estamos no processo de apurar o que aconteceu e, à medida que novas informações surgirem, forneceremos atualizações”, declarou.
Buscas por décadas sem pistas concretas
O desaparecimento ocorreu em maio de 1994, em Star Valley. Plante foi vista pela última vez indo em direção a um estábulo onde ficava seu cavalo.
Na época, o caso foi classificado como “desaparecida/em perigo” e mobilizou buscas, mas nenhuma pista concreta foi encontrada.
Antes de desaparecer, ela teria comentado com amigos sobre a possibilidade de fugir, embora ninguém tenha levado a sério.
A adolescente vivia com um tio e uma tia, que chegaram a oferecer recompensa de 10 mil dólares por informações.
O caso foi incluído em bancos nacionais de pessoas desaparecidas e revisitado periodicamente, sem avanços relevantes até recentemente.
Mistério encerrado?
A localização foi anunciada nesta semana pelo xerife Adam Shepherd, o que levou o caso a ganhar repercussão nacional. Ainda não foi divulgado como Plante foi encontrada.
A capitã Jamie Garrett, responsável por localizá-la, afirmou que a mulher não queria ser encontrada. “Fiquei perplexo”.
Segundo ela, Plante disse que deixou a cidade porque não estava satisfeita com a vida que levava: “Acho que ela não estava feliz com onde vivia e com quem vivia, e fugiu.”
Garrett também relatou ter dito a ela que, durante anos, o caso foi tratado como crime, com a “impressão de que alguém havia te sequestrado”.
Mulher diz que não pretende retomar o passado
As autoridades não divulgaram detalhes sobre onde Plante esteve ao longo das últimas três décadas.
Segundo Garrett, ela afirmou que não pretende retomar o passado e “sequer pensa no assunto”:
— Ela disse que isso foi há muito tempo, que era uma vida antiga.
Considerada um dos locais mais sagrados do cristianismo, a Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, é apontada por tradições religiosas e estudos históricos como o lugar onde Jesus teria sido crucificado, sepultado e ressuscitado. O espaço voltou ao centro das atenções após ter sido atingido por fragmentos de um míssil iraniano em março, em meio à escalada de tensão no Oriente Médio.
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Localizada no noroeste da Cidade Velha, a cerca de 700 metros do Muro das Lamentações e da Esplanada das Mesquitas, a basílica reúne, em um único complexo, capelas, passagens antigas e áreas de veneração ligadas aos momentos finais da vida de Jesus. Com cerca de 120 metros de comprimento e 70 de largura, o espaço recebe peregrinos de todo o mundo.
A cúpula do Mosteiro Deir Al-Sultan no telhado da Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém
Amit Elkayam/The New York Times
Tradição histórica sustenta identificação do local
Para especialistas, a força do local está na continuidade histórica. O historiador Ariel Horovitz, do Moriah Center, afirma que a imagem do lugar como espaço de veneração remonta aos tempos de Jesus.
— A área da atual basílica, construída no século XII, é uma candidata muito forte a ser considerada o local real onde Jesus morreu e foi sepultado, porque a história do lugar como espaço de veneração pode ser rastreada praticamente até os tempos de Jesus — explica.
Freiras cristãs se emociam durante missa em memória do Papa Francisco na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém
John Wessels / AFP
Registros fora dos textos religiosos também são citados no debate. Na obra “Antiguidades Judaicas”, escrita no ano 93, o historiador Flávio Josefo descreve Jesus como “um homem sábio”, “autor de feitos surpreendentes” e “condenado à cruz por Pôncio Pilatos”.
Local resistiu a tentativas de apagamento ao longo dos séculos
Ao longo da história, o local passou por tentativas de descaracterização. No ano 135, o imperador romano Adriano mandou construir um templo dedicado à deusa Vênus sobre a área, com o objetivo de desencorajar a veneração cristã. Vestígios dessa estrutura ainda podem ser observados dentro da basílica.
A consolidação como centro do cristianismo ocorreu no século IV, após o Edito de Milão encerrar a perseguição aos cristãos. Por volta de 326, Helena, mãe do imperador Constantino, foi a Jerusalém identificar locais sagrados. O historiador Eusébio de Cesareia relatou que, após a remoção do templo romano, foi revelado “o venerável e santíssimo monumento da ressurreição do Salvador”.
Descobertas arqueológicas recentes fortalecem a hipótese tradicional. Em 2016, durante a restauração do “Edículo”, pesquisadores encontraram materiais datados de cerca do ano 350, indicando que a área já era venerada desde os primeiros séculos do cristianismo.
Outros achados incluem a presença de rocha natural sob a estrutura, compatível com a descrição bíblica de uma tumba escavada, além de vestígios de videiras e oliveiras de período pré-cristão, sugerindo a existência de um jardim no local.
Hipóteses alternativas têm menos evidências
Apesar do reconhecimento amplo, há teorias alternativas. O chamado Jardim do Túmulo, a cerca de 600 metros dali, também é apontado por alguns grupos, especialmente protestantes, como possível local do sepultamento.
Ainda assim, segundo Horovitz, as evidências são mais limitadas.
— Como evidências, menciona-se que é uma tumba com jardim localizada fora das muralhas da cidade e a forma de ‘crânio’ de uma colina próxima, como indica o Evangelho ao falar do Gólgota (‘calvário’). Mas não há muito mais — diz.
Para o historiador, o debate sobre o ponto exato não deve se sobrepor ao significado mais amplo da cidade.
— Costumo dizer aos peregrinos que não se fixem tanto em discutir se o local exato está 500 metros para um lado ou para o outro. Isso é importante para arqueólogos e historiadores. Mas, no essencial, toda Jerusalém é uma Cidade Santa que deve ser respeitada e preservada por todos.
Em recente reunião realizada na embaixada dos Estados Unidos em Caracas, reaberta na semana passada pelo governo do presidente Donald Trump, a encarregada de negócios americana, Laura Dogu, foi perguntada por diplomatas estrangeiros sobre a realização de futuras eleições presidenciais no país. Segundo contou ao GLOBO uma fonte diplomática estrangeira em Caracas, Dogu respondeu que o tema foi conversado com o presidente da Assembleia Nacional (AN), Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina Delcy Rodríguez, e que a resposta do novo homem forte do chavismo foi: “A eleição será tarde demais para vocês [governo americano] e cedo demais para nós [governo venezuelano].
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Passados três meses do ataque militar dos EUA à Venezuela, a conversa relatada pela encarregada de negócios americana reflete o jogo de poder que domina a política venezuelana. Trump é, na avaliação de fontes, analistas e jornalistas venezuelanos, o principal vencedor da nova Venezuela, na qual o chavismo liderado pelos irmãos Rodríguez tenta se consolidar como parceiro local dos americanos.
A chefe de Estado e o presidente da AN também são vistos como ganhadores de um jogo que começou há pouco mais de três meses, mas hoje sua força depende da validação americana. Como disse Jorge Rodríguez a Dogu, para ele e sua irmã a variável mais importante é o tempo. Delcy Rodríguez e o chavismo — que sobreviveu a um ataque inédito dos EUA a um país da América do Sul — precisam de tempo para recuperar o apoio perdido pela decadência social e econômica, e os anos de repressão e miséria.
Na avaliação de todas as fontes consultadas, uma futura eleição não acontecerá este ano. Delcy sabe que tem vários meses pela frente para se tornar uma candidata competitiva. Se disputasse uma eleição presidencial hoje com a líder opositora María Corina Machado como adversária, provavelmente seria derrotada, coincidiram as fontes ouvidas em Caracas.
— Delcy precisa estabilizar a economia e atrair investimentos. A presidente interina já está em campanha, e é provável que anuncie um aumento do salário mínimo em maio, após quatro anos de congelamento — afirma Blanca Vera Azaf, diretora do site de notícias Bitácora Econômica.
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Para ela, “nesses três meses houve avanços econômicos e políticos importantes, mas ainda há enormes incertezas e, também, mal-estar dentro do chavismo”.
— O madurismo foi sacrificado. Delcy avança no controle do poder, com o apoio dos EUA. Há setores do chavismo incomodados — aponta Azaf.
A presidente interina já mudou 14 dos 33 ministros de seu Gabinete. Foram afastadas pessoas nomeadas por Maduro e a ex-primeira-dama Cilia Flores, em uma clara sinalização política por parte dos irmãos Rodríguez. Embora Nicolás Ernesto Maduro Guerra, filho do presidente que está preso nos EUA, continue aparecendo ao lado de Delcy em eventos públicos, o madurismo está desaparecendo.
O desafio traçado por Delcy , afirmam analistas, é renovar o chavismo e deixar para trás um passado recente que implicou a perda de milhões de votos e o isolamento internacional. Os novos integrantes do governo são figuras como Oliver Blanco, vice-ministro para a América do Norte e a Europa, amigo da presidente interina e integrante do partido opositor Ação Democrática (um dos mais importantes da Venezuela pré-chavista).
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Blanco integrou a AN de 2015, ano em que a oposição obteve uma vitória histórica contra o chavismo e passou a ser maioria no Parlamento. Com o recrudescimento da repressão, o agora vice-ministro se exilou no México. Hoje, casado com o presidente da Cruz Vermelha da Venezuela, participa do que o governo americano chama de transição, e o chavismo liderado pelos irmãos Rodríguez espera que seja uma etapa de consolidação de um novo projeto de poder.
Muitas coisas estão mudando nesse processo, e muitas delas causam o mal-estar dentro do chavismo. Uma delas é a expressiva redução das imagens e símbolos sempre destacados ao longo dos 25 anos em que o chavismo governou sozinho a Venezuela. De acordo com a jornalista Sebastiana Barraez, que escreve no site Infobae, até mesmo dentro dos quartéis o panorama está mudando. Barraez revelou que o novo ministro da Defesa, general Gustavo González López, deu ordens de despolitizar a ainda chamada Força Armada Nacional Bolivariana (FANB). Como em outros espaços de poder, Delcy mostra querer menos ideologia e mais pragmatismo.
Um dos riscos da estratégia da presidente é não conseguir manter a coesão dentro do chavismo e, sobretudo, no mundo militar. O país tem cada vez menos militares à frente de ministérios e cada vez mais tecnocratas próximos à presidente.
— O principal vencedor até agora é, sem dúvida, o governo de Trump. Ele conseguiu transformar um inimigo, antes aliado aos principais adversários dos EUA, numa espécie de sócio forçado — afirma Phil Gunson, do Crisis Group, que também classifica os irmãos Rodríguez como “vencedores claros”. — A presidente tem o respaldo de Trump e não enfrenta ameaças internas. Mas teremos de ver o que a maioria dos venezuelanos vai querer. Falta muito a ser feito.
Apoiadores de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela capturado pelos EUA, durante protesto em Caracas
Juan BARRETO / AFP
Uma das incógnitas nas últimas semanas é o futuro do temido Diosdado Cabello, ministro do Interior e historicamente considerado uma peça-chave do regime chavista. Cabello vem do mundo militar, participou das tentativas de golpe do ano de 1992 ao lado do ex-presidente Hugo Chávez e sempre ocupou posições de poder. É, principalmente, o homem que ainda controla grupos armados dentro do chavismo.
Na semana passada, circularam rumores sobre uma suposta negociação envolvendo o Brasil e um possível exílio de Cabello em território brasileiro. As versões foram negadas por fontes em Brasília mas, caso um pedido seja feito por EUA e Venezuela, o governo Lula, disseram as fontes, “avaliaria”.
— Depois de 3 de janeiro, a Venezuela tinha duas opções: virar o Irã ou tentar sobreviver da melhor maneira. Delcy está se posicionando e agora seu desafio é que o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) a acompanhe, sem fissuras — explica o jornalista Vladimir Villegas.
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Para conseguir o respaldo contundente do PSUV, a presidente interina precisa de Cabello. Mas, se o ministro do Interior se tornar uma figura capaz de ameaçar a estabilidade política e os planos futuros de Delcy, seu afastamento não seria uma surpresa.
Para os EUA, estabilidade significa um bom ambiente de negócios. Com a imediata redução da presença de sócios de China, Rússia e Irã, os empresários americanos também saíram ganhando nesse novo momento venezuelano. Segundo uma analista que falou sob condição de anonimato, “o ritmo dos investimentos americanos determinará o calendário político local”.
— Se Trump considerar que precisa realizar eleições rápido para dar mais garantias aos empresários, esse será o caminho.
Dentro do chavismo, por outro lado, especula-se uma derrota do americano nas eleições de novembro. Nesse cenário, a tutela americana poderia perder força.
O estrondo dos motores do foguete SLS que rasgou os céus na última quarta-feira, impulsionando a missão da Nasa Artemis II rumo à Lua, ecoou muito além da costa da Flórida. Por trás do espetáculo midiático, o lançamento marca o estopim de uma reconfiguração profunda no xadrez geopolítico protagonizada por Estados Unidos e China.
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O envio da cápsula Orion tripulada à Lua quebra um hiato de mais de cinco décadas. Diferentemente da corrida espacial do século passado, o objetivo central de Washington e Pequim agora não é apenas fincar uma bandeira na superfície da Lua, como fizeram na Apollo 11. Desta vez, a meta das potências espaciais é estabelecer uma infraestrutura contínua, explorar recursos e ditar as regras do jogo na nova economia cislunar.
Projeto de base dos EUA na Lua
Nasa
Para entender o momento atual da disputa, é preciso olhar para o passado. Em 2020, os Acordos Artemis estabeleceram regras de conduta para a exploração civil do espaço, entre elas a delineação de zonas de segurança operacional ao redor de infraestruturas lunares — ao que Pequim respondeu criando um tabuleiro paralelo, ao lado da Rússia.
— O plano da Artemis até então era montar uma estação espacial em órbita da Lua junto dos parceiros internacionais. Agora, estão deixando os parceiros para trás porque querem chegar antes da China na superfície da Lua. Além da ciência, existe aí um quesito simbólico importante em montar uma base em solo — avalia Lucas Fonseca, cientista e pioneiro do empreendedorismo espacial no Brasil.
Novo planejamento do Programa Artemis
Nasa
Frente ao rápido avanço do programa espacial chinês, os Estados Unidos estabeleceram recentemente uma guinada radical na empreitada lunar. O cronograma, há muito pressionado por atrasos técnicos e orçamentários, foi virado de cabeça para baixo pela nova liderança da Nasa, sob o comando do empresário Jared Isaacman.
Veículos lançadores de EUA e China
Editoria de Arte
O sonhado primeiro pouso tripulado, antes previsto para a Artemis III em 2027, foi empurrado para a Artemis IV um ano depois. Mais drástico ainda foi o abandono do projeto da estação orbital Gateway em prol do foco imediato na construção de uma base fixa na superfície lunar.
— Transformar a Artemis III em uma missão de teste na órbita da Terra foi uma atitude responsável. Reabastecimento espacial com fluidos criogênicos representa um desafio técnico imenso e explica os atrasos do programa. Paralelamente, deixar a estação orbital em segundo plano para priorizar um habitat na superfície também reflete a necessidade de cortar despesas e readequar o programa à realidade dos Estados Unidos — detalha Luís Eduardo Loures, professor de engenharia aeroespacial do ITA.
Foguete da Nasa Space Launch System (SLS)
Nasa
Nesse cenário, o administrador da Nasa abandonou qualquer eufemismo: confirmou que o país está, sim, em uma corrida espacial contra a China e que o sucesso americano agora “se mede em meses, não em anos”.
“Se a gente ficar aquém, eu vou ser demitido. Se a gente estiver em casa assistindo o nosso rival chegar à Lua antes de nós, eu vou ser demitido, enquanto outros prestam depoimento no Congresso explicando onde foram parar esses bilhões de dólares”, disse Isaacman.
A marcha silenciosa de Pequim
Do outro lado do mundo, a China avança com uma previsibilidade que contrasta frontalmente com as idas e vindas da política espacial americana. Sem o alarde típico do Ocidente, o programa espacial chinês segue um planejamento linear estruturado desde o início dos anos 1990. Foi essa visão de longo prazo que permitiu ao país desenvolver o programa Shenzhou e erguer sua própria estação orbital, a Tiangong.
Projeto da China para base na Lua em parceria com a Rússia
CNSA
A estratégia da China é lançar a nave e o módulo de pouso em foguetes separados, que se encontram na órbita da Lua antes de descer. Com o controle estatal centralizado, Pequim mantém a afirmação contundente de que colocará seus taikonautas no solo lunar até 2030, um prazo considerado altamente crível por ex-administradores da Nasa.
— A abordagem chinesa é mais simples que a americana. O problema atual deles, contudo, é terminar o lançador Long March (“Longa Marcha”) 10. Desenvolver um foguete dessa magnitude não é trivial. Vale lembrar que foi exatamente por não conseguirem desenvolver seu lançador a tempo que os soviéticos perderam a corrida para os americanos no fim dos anos 60 — compara o professor do ITA.
Teste da nave chinesa que vai pousar na Lua
CCTV
O peso do setor privado
Enquanto a China conta com o peso do Estado para investir pesadamente sem escrutínio civil, o modelo norte-americano tornou-se umbilicalmente dependente do setor privado. Essa relação trouxe inovações de baixo custo e cadência ágil, mas insere a imprevisibilidade corporativa no cronograma federal.
— Diferente da corrida espacial na Guerra Fria, o que vemos agora é um cenário econômico e empresarial muito diferente. É uma época em que as empresas privadas se tornaram essenciais, exigindo a busca de um novo marco político e regulatório para coordenar a ação dessas companhias com agências governamentais como a Nasa — explica Maurício Santoro, colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha.
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Apesar das analogias tentadoras, classificar a atual conjuntura como uma mera repetição da Guerra Fria parece simplificar uma realidade bastante multifacetada. Tratados internacionais, como o do Espaço Sideral da década de 1960, proíbem expressamente reivindicações de soberania sobre a Lua ou qualquer corpo celeste.
HLS da SpaceX na Lua com a Terra ao fundo (à esquerda) e um HLS Blue Moon da Blue Origin (à direita) com um astronauta trabalhando ao lado
Nasa
No entanto, o Artigo IX do mesmo tratado exige que os países evitem “interferência prejudicial” nas missões de outros Estados. Na prática, quem chegar primeiro ao polo sul lunar — rico em gelo — controlará zonas operacionais estratégicas imensas.
— O desenvolvimento crescente das capacidades que envolvem o espaço tem um impacto muito grande na geopolítica. O espaço é visto do mesmo jeito que olhamos anteriormente para pedaços de terra, para o mar ou para o ciberespaço. São locais absolutamente estratégicos, ocupados por vários países ao mesmo tempo, e fomentam a competitividade contínua — argumenta Daniel Rio Tinto, professor de relações internacionais da FGV.
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A história ensina que liderar uma corrida não se resume a cruzar a primeira linha de chegada: a União Soviética foi pioneira em feitos espaciais, mas o triunfo cultural e diplomático foi dos EUA com a Apollo 11.
O lançamento da Artemis II marca, portanto, a largada de uma maratona de resistência em que o verdadeiro teste não será apenas chegar antes da China em 2030, mas sim evitar o legado limitado do programa Apollo. O sucesso definitivo da nova corrida envolve a construção de uma base permanente e de uma economia cislunar autossustentável que abra portas para Marte e o espaço profundo.
Camila Pavan tinha 9 anos quando um médico disse que ela estaria numa cadeira de rodas aos 15. Errou no diagnóstico e ela passou mais de uma década tratando uma doença que não tinha. Quando casou, tentou engravidar. Engravidou, ficou quatro meses de repouso, mas perdeu o bebê e sua saúde nunca mais foi a mesma. Entendeu, então, que gestar não seria o caminho. O que veio depois levou anos, dois países, uma pandemia e uma quarentena em um hotel ucraniano, antes de ela poder, finalmente, conhecer Pietra.
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A história de Camila não é isolada. No Brasil, a “barriga de aluguel”, hoje chamada de gestação por substituição, é restrita à chamada “barriga solidária”: permitida apenas para parentes de até quarto grau, sem qualquer compensação financeira, e sujeita à autorização do Conselho Federal de Medicina quando fora desse vínculo. Comercialmente, é proibida. Esse vazio legal empurra casais brasileiros que não se encaixam nas regras para fora do país, onde um mercado global, estruturado e crescente, está pronto para recebê-los.
Os advogados Marcelo e Taíse Rayes chegaram à gestação por substituição depois de quase sete anos de tentativas, caminhos convencionais, científicos, doação de material genético e uma adoção cogitada. Escolheram os Estados Unidos pela língua, pelo fuso e pela estrutura jurídica consolidada. Lá, o processo culminou num contrato de mais de 70 laudas, dois advogados independentes e trâmites entre os estados do Tennessee e da Califórnia.
A escolha da gestante, explicam, não funciona como se imagina: não são os pais que decidem, mas a própria gestante que define o casal. Após entrevistas e períodos de resposta que podem levar semanas, ela decide se “vai com a cara” de quem vai contratar. Os Rayes receberam dois “nãos” antes de encontrar a mulher que gestaria seu filho Lucca.
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Camila foi antes desse ecossistema existir. Em 2012, não havia informação na internet sobre o tema. Pesquisou sozinha, embarcou para os Estados Unidos e voltou sem conseguir: era caro demais, US$ 120 mil na época (hoje cerca de R$ 600 mil). Tentou a Índia, que logo fechou as portas para estrangeiros.
Foi para a Ucrânia, onde o processo custava entre € 39 mil e € 40 mil (R$ 210 mil e R$ 220 mil). Chegou sem referência, nem falar ucraniano. Lá, sem poder escolher a gestante, regra da clínica mais acessível ao seu orçamento, transferiu embriões. Negativo. Tentou de novo. Pietra nasceu em junho de 2020, no meio da pandemia. Camila mobilizou embaixadas, chegou a Kiev no último minuto e ficou dez dias em quarentena num hotel designado pelo governo. Conheceu a filha dois dias depois do parto.
— Ela me esperou.
Regras diferentes
Hoje trabalha como consultora e já ajudou mais de 45 famílias. Mas carrega também o que aprendeu com o que não teve: na clínica que escolheu, não pôde nem fazer uma videochamada com a gestante.
— Vira uma pessoa que vai gestar e depois é descartada. Uma incubadora humana.
É exatamente contra isso que ela diz trabalhar — insistindo em aproximar as partes, humanizar um processo que, segundo ela, tem uma linha muito tênue entre o cuidado e o abuso.
Para quem busca esse caminho com mais suporte, agências especializadas funcionam como porta de entrada. Com operação global e destinos que incluem Colômbia, México, Estados Unidos, Armênia e Geórgia, essas empresas acompanham o processo do primeiro atendimento até a certidão de nascimento.
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Os planos começam em torno de US$ 59 mil (cerca de R$ 295 mil). Os mais procurados, com garantia de nascimento independentemente do número de tentativas, partem de US$ 65 mil (R$ 325 mil). O perfil dos clientes brasileiros é diverso: casais heterossexuais que esgotaram outras tentativas, casais homoafetivos para quem essa é muitas vezes a única via de ter filhos com vínculo genético, e também pais e mães solo.
Cada destino tem suas próprias regras. A Geórgia atende apenas casais heterossexuais estrangeiros. A Colômbia opera por jurisprudência, sem uma lei específica — o que cria instabilidade jurídica para todas as partes. Os EUA têm a estrutura mais consolidada, mas também os custos mais altos.
Para a socióloga Rosana Machin, da Faculdade de Medicina da USP, o crescimento desse fluxo faz parte de um fenômeno maior: as chamadas cadeias globais de fertilidade — redes transnacionais em que países com legislação permissiva se tornam destinos, gametas circulam entre fronteiras e o acesso à tecnologia reprodutiva depende, sobretudo, de poder econômico.
No Brasil, 95% dos serviços de reprodução assistida estão no setor privado. Machin, que coordena a REDLIBRE, rede latina de investigadores em biotecnologias reprodutivas, mapeou fluxos que vão além do óbvio: mulheres angolanas que vinham a São Paulo fazer reprodução assistida, engravidavam aqui e tinham filhos com dupla cidadania; ou a importação de óvulos da Espanha e da Argentina para suprir escassez no mercado brasileiro.
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O que a pesquisadora questiona de forma mais direta é a camada que costuma ficar invisível: o trabalho das mulheres que gestam. Segundo ela, muitas vêm de países com dificuldades financeiras, e o processo é sistematicamente enquadrado numa perspectiva altruísta — o que, na prática, suprime a dimensão econômica do que fazem.
A comparação que ela traz é reveladora: quando homens doam sêmen para clínicas, o ato é tratado como um trabalho remunerado, sem romantização. Quando mulheres doam óvulos ou gestam para outros, isso é tratado como um presente, uma dádiva.
— Quando ela demonstra mais interesse na compensação financeira do que no ideário de amor, pode ser descartada como candidata — diz.
Poder econômico
Machin também aponta riscos concretos em contextos com menos regulamentação: gestantes que entram no processo endividadas, perdem o bebê no meio da gestação, não recebem nada e ainda perdem o emprego por não poderem trabalhar durante o repouso.
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Em países como a Colômbia, observou agências pressionando gestantes a usarem o sistema público de saúde para exames — transferindo custos privados para o Estado. A conclusão de anos de pesquisa, porém, não é pela proibição. O problema não é a prática em si, mas a ausência de regras claras, que deixa as mulheres muito mais vulneráveis ao arbítrio de clínicas e agências.
— Quanto maior a regulação e a proteção aos direitos das mulheres, maior a proteção.
Para ela, a ausência de dados, política pública e debate estruturado no Brasil não é um detalhe: é o problema central.
— A gente tem dificuldades de as mulheres exercerem o direito à interrupção da gestação até nos casos previstos em lei. Dificuldades de acesso à contracepção. E, ao mesmo tempo, cresce um mercado internacional que abre portas para quem tem poder econômico — conclui
No quarto dia da Missão Artemis II, a primeira a mandar astronautas em direção à Lua em cinco décadas, os astronautas veem a Terra se distanciar de suas janelas, enquanto fazem os preparativos para um sobrevoo histórico. Em uma videochamada, um dos tripulantes comparou a jornada à sensação de de “cair do céu”, e novas imagens foram divulgadas a bordo da espaçonave.
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Em uma das imagens, intitulada “Pensando em você, Terra”, o comandante da missão, Reid Wiseman, aparece no local mais frequentado pelos tripulantes na jornada: a janela da cápsula Orion. Nas declarações à imprensa e ao comando da missão, Wiseman, Jeremy Hansen, Victor Glover, e Christina Koch descrevem o nosso planeta — onde toda a História humana se desenvolveu ao longo de milhares de anos — como uma das imagens mais impressionantes de suas vidas.
Comandante da Missão Artemis II, Reid Wiseman, observa a Terra pela janela da cápsula Orion
Nasa/Divulgação
Em declarações à imprensa, Hansen, primeiro astronauta não americano em uma jornada à Lua, mencionou a manobra conhecida como injeção translunar, que coloca a nave em trajetória rumo à Lua, executada na quinta-feira com um bem-sucediddo acionamento dos motores.
— Tive a sensação de que estávamos caindo do céu em direção à Terra, e disse ao Reid: “Parece que vamos nos chocar contra ela” — afirma. — É incrível. Na verdade, a evitamos (…). Estava tão perto (…). Foi realmente fenomenal.
Christina Koch, especialista de missão da Artemis II, olha pela janela da cápsula Orion
Nasa/Divulgação
Na sexta-feira, os astronautas ouviram do comando da Nasa que estavam mais perto da Lua do que da Terra, e na noite deste sábado a espaçonave estava a quase 300 mil km de distância do nosso planeta. Na conversa com os jornalistas, Hansen afirmou que espera observar o lado oculto da Lua e presenciar “um eclipse do Sol atrás da Lua”, deixando uma mensagem às novas gerações, incentivando-as a “seguir suas paixões” e a “compartilhá-las com os outros”.
— Para alcançar grandes coisas como o que estamos fazendo nesta cápsula, viajar até a Lua, voar ao redor da Lua, é preciso ter uma grande equipe por trás. E isso vale para todos nós em nossas vidas — afirma.
Equipe da Artemis II durante a jornada para a Lua, a bordo da capsula Orion
Nasa/Divulgação
A travessia até a chamada “esfera de influência lunar” — ponto em que a gravidade da Lua passa a predominar — deve levar cerca de três dias. Durante esse período, os astronautas também testam novos trajes espaciais, projetados para garantir sobrevivência por até seis dias em caso de despressurização. A chegada às proximidades da Lua está prevista para a noite de segunda-feira, quando a a tripulação iniciará a fase de observação do satélite, incluindo regiões do lado oculto nunca vistas diretamente por humanos.
Nasa lança missão Artemis II, que fará primeiro sobrevoo tripulado da Lua em 53 anos
A Artemis II segue uma trajetória chamada “retorno livre”, que utiliza a gravidade lunar para trazer a cápsula de volta à Terra sem necessidade de acionamento dos motores. O percurso em formato de “oito” garante não apenas eficiência, mas também segurança em caso de falhas no sistema de propulsão. Se mantido o cronograma, a missão Artemis II deve atingir a maior distância já percorrida por seres humanos em relação à Terra, superando o recorde da missão Apollo 13, em 1970. Na ocasião, apesar de não conseguir pousar na Lua devido a problemas técnicos, a tripulação estabeleceu a marca que permanece até hoje.
Seis dos sete cidadãos do Chade que foram sequestrados por integrantes do Boko Haram no Níger, no último dia 31, seguem reféns do grupo jihadista. Vídeos dos homens foram divulgados pelos combatentes para exigir o pagamento de resgate. Ao todo, pedem uma quantia de cerca de US$ 1,3 milhão (cerca de R$ 7 milhões na cotação atual).
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Um sétimo homem, que foi feito refém na mesma ocasião foi assassinado enquanto estava em poder dos jihadistas. A execução do refém foi gravada e amplamente compartilhada online, de acordo com a agência APA News. Isto é uma das táticas de grupos terroristas para pressionar o pagamento de resgate pelos outros reféns, além de fazer pressão psicológica às autoridade e à população.
Os homens estavam na região do Lago Chade, no centro-norte da África e que faz fronteira entre quatro países: Chade, Nigéria, Níger e Camarões.
O grupo terrorista também divulgou imagens dos reféns e um vídeo em que um dos reféns faz uma apelo urgente às autoridades do Chade, entre eles, o presidente e o primeiro-ministro. Na gravação, em que fala em francês, ele cita o valor de 500 milhões de francos CFA (cerca de US$ 900 mil, na cotação atual) para sua liberação.
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Reprodução / Redes sociais
Este homem foi identificado como o médico Tisembe Lamsikreo. Segundo a família, em entrevista à AFP, ele viajou para Niamey, capital do Níger, para se especializar em cirurgia pediátrica. No dia do sequestro, ele estava viajando de volta para o Chade após a morte de seu pai quando foi levado pelo Boko Haram.
A esposa do médico, Sidonie Kambe Loue Badarde, disse à AFP que “a família iniciou uma campanha de arrecadação de fundos para sua libertação”. Até o momento, afirmou que não havia sido contatada pelas autoridades do país.
Ao final do vídeo em que o médico faz seu apelo, um integrante do grupo armado ameaça com novas ações caso o resgate não seja pago e exige que o valor seja pago “o mais rápido possível”.
Para os outros cinco reféns, ainda sem identificação divulgada, o grupo pede o rasgate no valor de 50 milhões de francos CFA (cerca de US$ 400 mil, na cotação atual).
O ataque aconteceu poucas horas depois da visita do presidente chadiano, General Mahamat Idriss Déby Itno, à Nigéria, onde ações contra o terrorismo foi um dos principais temas de discussão. A região do Lago Chade se transformou em alvo frequente de ataques de grupos jihadistas, destaca a APA News.
A Embaixada do Chade no Níger divulgou um documento em que “solicita a todos os cidadãos a máxima vigilância, especialmente nesse trecho”. No texto, o embaixador Abdoulaye Abdelkerim Abbo Grou recomenda “fortemente” três pontos, sendo eles: “evitar qualquer deslocamento isolado e priorizar viagens em comboios seguros; informar sistematicamente as autoridades administrativas, bem como as Forças de Defesa e Segurança (FDS), antes de qualquer deslocamento; e cumprir rigorosamente as orientações de segurança estabelecidas pelas autoridades locais”.
“A Embaixada deseja tranquilizar a comunidade nacional quanto ao seu total empenho e acompanha com a maior atenção a evolução da situação. Reforça que qualquer informação oficial adicional será comunicada oportunamente por seus canais habituais”, finaliza o texto.
Um ataque russo com drones contra um mercado da cidade de Nikopol, na região ucraniana de Dnipropetrovsk, deixou cinco mortos e 25 feridos neste sábado, segundo as autoridades locais. Entre os feridos, uma jovem de 14 anos e dois homens de 28 e 72 anos se encontravam em estado grave, indicou o chefe da administração militar regional, Oleksander Ganja.
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Fotos divulgadas pelas autoridades mostram bancadas do mercado destruídas e vários corpos estendidos no chão. Ganja também informou pelo menos 14 feridos em bombardeios noturnos com drones de longo alcance, 11 deles na região de Sumy (norte), e três na de Dnipropetrovsk.
No sul do país, em Kherson, uma mulher morreu e outras duas ficaram feridas em um bombardeio durante a manhã contra um ponto de transporte público, segundo o governador regional, Oleksander Prokudin. E em Kharkiv (nordeste), os bombardeios deixaram seis feridos, incluindo uma menina de 11 anos, indicaram as autoridades locais.
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Na Rússia, um ataque noturno ucraniano com mísseis e drones contra a região de Rostov, no sul, na fronteira com a Ucrânia, deixou um morto e quatro feridos em estado grave, e danificou um navio, indicou o governador regional, Yuri Sliusar. Outro bombardeio atingiu a região de Luhansk, ocupada pelas forças russas, e matou um menino de oito anos e seus pais, de acordo com as autoridades locais instaladas por Moscou.
A principal agência de segurança interna russa, a FSB, anunciou ter descoberto um suposto plano, associado a Kiev, para matar um alto integrante do governo. De acordo com a FSB, os explosivos foram instalados em uma moto do lado de fora de um centro comercial de Moscou, uma tática descrita como similar à usada para assassinar, em dezembro de 2024, Igor Kirillov, chefe da divisão de armas químicas, radiológicas e biológicas das Forças Armadas do país. Um homem de nacionalidade uzbeque, acusado de montar a bomba, foi condenado à prisão perpétua no ano passado.
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Neste sábado, o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, se reuniu em Istambul com o seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, para conversar sobre segurança energética e marítima, e também sobre os esforços para pôr fim à guerra entre Ucrânia e Rússia, informou a Presidência turca. As negociações estão travadas, e o conflito no Irã fez com que os EUA “perdessem” o empenho em um acordo.
Erdogan “destacou a importância que a Turquia dá à segurança da navegação no Mar Negro e o caráter crucial da segurança do abastecimento energético”, ressaltou seu gabinete. Os dois líderes abordaram as relações bilaterais entre Turquia e Ucrânia, “os esforços de paz no conflito entre Rússia e Ucrânia, e os acontecimentos regionais e internacionais”, acrescentou. Zelensky disse que os dois conversaram sobre os “passos para implementar projetos conjuntos no desenvolvimento da infraestrutura de gás, assim como de oportunidades para a exploração de jazidas de gás”.
Cerca de 20 barcos franceses zarparam neste sábado (4) do porto de Marselha para se unir a uma flotilha internacional que pretende reunir uma centena de embarcações com o objetivo de romper o bloqueio israelense e chegar à Faixa de Gaza.
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“Gaza, Marselha está contigo!”, gritaram mais de mil pessoas, que compareceram para apoiar a iniciativa dos barcos Thousand Madleens, que homenageiam a pescadora Madleen Kulab, da Faixa de Gaza.
Um ativista sobe no mastro de um barco com uma bandeira palestina em L’Estaque, parte do porto de Marselha, no sul da França, em apoio a uma flotilha que transporta ativistas do movimento ‘Thousand Madleens to Gaza’, em 4 de abril de 2026
Clement Mahoudead / AFP
As embarcações, a maioria veleiros, zarparam sob aplausos e cânticos, para se unir em alto-mar à flotilha Global Sumud, da qual a maioria dos barcos vai partir no próximo dia 12, da cidade espanhola de Barcelona. Eles farão uma escala de uma semana no sul da Itália, para um “treinamento de não violência”.
“O objetivo é voltar a dar visibilidade à Palestina. Não se fala muito dela neste momento, devido ao contexto internacional”, disse Manon, integrante de uma das tripulações. O coletivo também quer “romper o bloqueio, para que os palestinos possam receber ajuda humanitária”, acrescentou a dona do barco.
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No outono de 2025, uma primeira flotilha, de meia centena de barcos, integrada por personalidades políticas e ativistas, foi abordada pela Marinha israelense de forma ilegal, segundo seus organizadores e a Anistia Internacional. Os tripulantes foram detidos e expulsos por Israel.
Uma ativista segura uma faixa com o desenho de uma menina e os dizeres ‘Todos os olhos em Gaza!’ em l’Estaque, parte do porto de Marselha, no sul da França, em apoio a uma flotilha que transporta ativistas do movimento ‘Thousand Madleens to Gaza’, em 4 de abril de 2026
Clement Mahoudead / AFP
Nova flotilha a partir da Espanha
Uma flotilha de ativistas pró-palestinos que tentou chegar à Faixa de Gaza no ano passado anunciou na última quinta-feira (2) que vai lançar uma nova missão ao território, que partirá da cidade espanhola de Barcelona no próximo dia 12.
A primeira viagem da Flotilha Global Sumud pelo Mediterrâneo até a Faixa de Gaza, bloqueada por Israel durante o conflito contra o grupo militante palestino Hamas, atraiu a atenção mundial. A interceptação de seus barcos por Israel e a detenção dos ativistas quando se aproximavam do território palestino para entregar ajuda provocaram uma condenação internacional.
Ativistas se reúnem em l’Estaque, parte do porto de Marselha, no sul da França, em apoio a uma flotilha que transporta ativistas do movimento ‘Thousand Madleens to Gaza’, em 4 de abril de 2026
Clement Mahoudead / AFP
O grupo, que descreveu sua primeira tentativa como uma missão humanitária, informou que a nova viagem vai reunir mais de 80 embarcações e mil participantes internacionais. “O custo da falta de ação é muito alto para ser assumido”, destacou, acrescentando que um movimento terrestre vai se somar à ação marítima, para pressionar vários países.
“Enquanto a Faixa de Gaza enfrenta um bloqueio, violência e privações cada vez mais intensos, a missão é uma intervenção baseada em princípios e não violenta, uma defesa da dignidade humana, um chamado a permitir o acesso humanitário e uma exigência de prestação de contas em nível internacional”, destacou o grupo.
Ativistas seguram uma faixa com os dizeres “L’Estaque apoia a flotilha para Gaza” em L’Estaque, parte do porto de Marselha, no sul da França, em apoio a uma flotilha que transporta ativistas do movimento ‘Thousand Madleens to Gaza’, em 4 de abril de 2026
Clement Mahoudead / AFP
A Faixa de Gaza vive sob um cessar-fogo acordado em outubro, após dois anos de um conflito desencadeado pelo ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023. Ambos os lados se acusaram repetidamente de violar o cessar-fogo.
O Ministério da Saúde da Faixa de Gaza afirmou que ataques israelenses já mataram mais de 700 palestinos desde a trégua, e Israel apontou que cinco soldados do país morreram no mesmo período.
A guerra contra o Irã e seus próximos passos devem comprometer quase todo o estoque de mísseis de cruzeiro do país, em mais uma lacuna do arsenal da maior potência militar do planeta. Segundo a agência Bloomberg, centenas de mísseis do tipo JASSM-ER, capazes de atingir alvos a mais de mil quilômetros de distância, foram retirados de outras bases ao redor do mundo e levados ao Oriente Médio, onde foram usados à exaustão.
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Citando uma fonte militar próxima ao Pentágono, a Bloomberg afirma que o reposicionamento foi ordenado no final do mês passado, coincidindo com o primeiro ultimato do presidente Donald Trump para que Teerã reabra o Estreito de Ormuz. Os armamentos foram enviados a bases do Comando Central dos EUA, responsável por ações no Oriente Médio, e à base de Fairford, no Reino Unido.
Segundo a fonte, mais de mil mísseis do tipo JASSM-ER foram empregados desde o começo da guerra — depois das movimentações, restam apenas 425 unidades para cenários que não envolvam o Irã. No começo do ano, 47 mísseis foram lançados durante a invasão à Venezuela, que culminou com a captura do presidente Nicolás Maduro.
Fabricados pela Lockheed Martin, os mísseis de cruzeiro da família JASSM são capazes de evitar sistemas de defesa aérea e atingir alvos a mais de mil quilômetros de distância, em sua versão de alcance expandido, e são lançados a partir de bombardeiros, como o B-52 ou o B-1, além de caças de combate. Cada um custa US$ 1,5 milhão.
O Pentágono não se pronunciou.
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Desde o dia 28 de fevereiro, os EUA afirmam ter atingido mais de 12 mil alvos dentro do Irã, empregando uma quantidade poucas vezes vistas de seus armamentos mais avançados, e em um ritmo bem mais rápido do que sua indústria é capaz de repor. No fim de março, o jornal Washington Post revelou que foram lançados mais de 850 mísseis de cruzeiro Tomahawk, e um militar citado pela reportagem disse que os estoques disponíveis no Oriente Médio estavam “perigosamente baixos”.
O elevado uso de sistemas de defesa contra os mísseis e drones iranianos — lançados em uma quantidade e frequência que surpreendeu comandantes nos EUA — reduziu os arsenais de mísseis de interceptação, como os usados no sistema Patriot. Nas últimas semanas, armamentos defensivos, como os usados no sistema THAAD, foram realocados de outras regiões, especialmente da Ásia, em direção ao Oriente Médio. Caso Trump decida intensificar sua guerra contra Teerã, com ataques mais intensos e uma potencial invasão terrestre, seus arsenais serão colocados à prova mais uma vez.
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Mais do que ter meios de lutar uma guerra cujas metas são incertas e cujo apoio popular é cada vez menor nos EUA, especialistas apontam que o uso elevado de armas no Oriente Médio pode deixar o país mais vulnerável no futuro. Em sua proposta para o Orçamento 2027, a Casa Branca defendeu a ampliação da capacidade de produção de armamentos a curto prazo.
— Temos o suficiente de tudo, incluindo mísseis Tomahawk, Patriot e THAAD, para lutar o conflito atual, ou seja, a “[Operação] Fúria Épíca” — disse ao jornal Military Times Mark Cancian consultor sênior Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS). — O problema é o efeito em outros teatros de operações, como a Ucrânia e o Pacífico Ocidental, um conflito contra a China. E os estrategistas estão muito preocupados com o fato de que a redução dos estoques enfraquecerá nossa capacidade de dissuasão ou de combater um conflito nessas regiões.
(Com Bloomberg)

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