Segundo o New York Times, na madrugada, Trump voltou a atacar líderes europeus com mensagens no Truth Social, reiterando seu desejo de anexar a Groenlândia. Enquanto os chefes de governo se reuniam em Davos, ele escreveu que havia “concordado em se encontrar” no local para discutir o tema, classificando o território semiautônomo dinamarquês como “imperativo para a segurança nacional e mundial” e acrescentando: “Não há como voltar atrás”.
Além das mensagens, Trump publicou uma montagem que mostra uma bandeira dos Estados Unidos fincada sobre o território da Groenlândia.
Ilustração divulgada pelo presidente
Captura de tela/Truth
Em uma das postagens, Trump afirmou: “Tive uma ótima conversa telefônica com Mark Rutte, Secretário-Geral da OTAN, sobre a Groenlândia. Concordei com uma reunião das diversas partes em Davos, na Suíça. Como deixei bem claro para todos, a Groenlândia é imprescindível para a segurança nacional e mundial. Não há como voltar atrás — nisso, todos concordam! Os Estados Unidos da América são, de longe, o país mais poderoso do planeta. Grande parte disso se deve à reconstrução de nossas Forças Armadas durante meu primeiro mandato, reconstrução essa que continua em ritmo ainda mais acelerado. Somos a única POTÊNCIA capaz de garantir a PAZ no mundo todo — e isso se faz, simplesmente, através da FORÇA! PRESIDENTE DONALD J. TRUMP”.
Confira a publicação:
Postagem de Trump
Captura de tela/Redes sociais/Truth
Ameaças de tarifas e reação europeia
Trump também ameaçou impor tarifas de 200% sobre o vinho e o champanhe franceses caso o presidente da França, Emmanuel Macron, recusasse o convite para integrar seu “conselho de paz” destinado a supervisionar um cessar-fogo em Gaza. Críticos da proposta afirmam, segundo o New York Times, que o órgão poderia enfraquecer o papel das Nações Unidas.
As ameaças tarifárias relacionadas à Groenlândia são “muito diferentes dos outros acordos comerciais”, disse o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, em Davos. “Portanto, eu exortaria todos os países a manterem seus acordos comerciais. Nós concordamos com eles e isso proporciona grande segurança”, afirmou.
Em entrevista coletiva no Fórum Econômico Mundial, Bessent pediu que as pessoas “relaxem, respirem fundo e deixem as coisas acontecerem”, enquanto as declarações de Trump sobre possíveis tarifas contra países europeus por causa da Groenlândia dominavam as conversas em Davos.
Stephanie Lose, ministra da Economia da Dinamarca, afirmou a jornalistas em Bruxelas que a União Europeia buscará o diálogo, mas não deve descartar opções diante de novas ameaças de tarifas americanas. “Não queremos agravar a situação, mas, é claro, se outros continuarem a intensificar as tensões, será necessária uma resposta europeia em algum momento”, disse ela antes de uma reunião de ministros das Finanças da UE.
A Suprema Corte dos Estados Unidos poderá divulgar decisões ainda hoje, incluindo um veredicto aguardado sobre as tarifas impostas por Trump, segundo o New York Times.
Autoridades ucranianas disseram que planejam realizar novas negociações com representantes americanos em Davos sobre um plano para encerrar a guerra com a Rússia. Com a crise envolvendo a Groenlândia ameaçando desviar a atenção, autoridades de Kiev pediram que o conflito não seja ofuscado.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que “é importante que o mundo não permaneça em silêncio” diante dos ataques russos noturnos que deixaram milhares de residências sem aquecimento e energia elétrica em temperaturas abaixo de zero. O chanceler ucraniano, Andriy Sybhia, disse que os ataques foram “um alerta para os líderes mundiais reunidos em Davos”, de acordo com o New York Times.








