Plano americano: Trump convida Lula, Milei, Erdogan e líderes do Egito e Canadá a integrar ‘Conselho da Paz’ para Gaza
Entenda: Conselho de paz de Gaza prevê mandato de três anos e cargos vitalícios por US$ 1 bilhão
“Sim, ele foi convidado”, respondeu Trump a um repórter na Flórida que perguntou se ele havia convidado Putin para participar da instituição.
Trump também ameaçou na segunda-feira impor tarifas de 200% sobre o vinho e o champanhe franceses devido à intenção do presidente francês, Emmanuel Macron, de recusar seu convite para o mesmo conselho: – Vou impor uma tarifa de 200% (…). E ele vai participar. Mas ele não precisa participar – disse ele.
A Casa Branca convidou diversos líderes mundiais para fazerem parte deste conselho, presidido pelo próprio Trump, incluindo o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney.
Os países membros — representados por seus chefes de Estado ou de governo — podem aderir por três anos, ou por um período mais longo se pagarem mais de US$ 1 bilhão em dinheiro no primeiro ano, de acordo com o documento fundador obtido pela AFP na segunda-feira.
Trump ‘presidente inaugural’
“O Conselho da Paz é uma organização internacional que busca promover a estabilidade, restaurar a governança confiável e legítima e garantir a paz duradoura em regiões afetadas ou ameaçadas por conflitos”, afirma o preâmbulo de seus “estatutos”.
O texto critica “as muitas abordagens para a paz” que “institucionalizam as crises em vez de permitir que as pessoas avancem”, numa clara alusão às Nações Unidas.
Considera também necessário ter “uma organização internacional de paz mais ágil e eficaz”.
Trump será “o presidente inaugural do Conselho da Paz”, com amplos poderes, e o único autorizado a convidar países a participar, a seu critério. Ele terá a palavra final nas votações.
Ele também poderá revogar a participação de um país – exceto em caso de veto por dois terços dos Estados-membros – e terá “autoridade exclusiva” para “criar, modificar ou dissolver entidades subsidiárias” do Conselho da Paz, sendo “a autoridade final quanto ao significado, interpretação e aplicação” dos estatutos fundadores.
Este conselho foi originalmente concebido para supervisionar a reconstrução de Gaza, mas seu estatuto não parece limitar sua função ao território palestino ocupado.
Contra Instituições Internacionais
A ideia do conselho parece contrariar instituições internacionais como a ONU. Trump tem criticado regularmente as Nações Unidas e anunciou este mês que seu país se retirará de 66 organizações e tratados internacionais, aproximadamente metade dos quais ligados à ONU.
Neice Collins, porta-voz do presidente da Assembleia Geral da ONU, declarou à imprensa: “Só existe uma organização universal e multilateral para tratar de questões de paz e segurança, e essa é a Organização das Nações Unidas”.
O Conselho da Paz começou a tomar forma no sábado, com convites estendidos aos líderes de vários países. Trump também nomeou o Secretário de Estado, Marco Rubio; o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair; seu principal negociador de conflitos, Steve Witkoff; e seu genro Jared Kushner como membros.
Israel se opôs à composição de um “conselho executivo para Gaza” que operaria dentro da organização maior.








