O presidente americano, Donald Trump, afirmou que os EUA tomarão “medidas muito fortes” contra o Irã, caso o regime dos aiatolás decida executar manifestantes detidos durante os massivos protestos antigoverno que tomam o país desde dezembro. A declaração de Trump, em entrevista à rede CBS News, ocorre em um momento em que autoridades iranianas se preparam para executar nesta quarta-feira o primeiro manifestante preso, identificado como Erfan Soltani, e o chefe do Judiciário iraniano defendeu publicamente a realização de julgamentos rápidos para presos nos protestos. ONGs que acompanham violações de direitos humanos no país afirmam que confirmaram 2,4 mil mortes em meio à dura repressão do regime, alertando que o número real pode ser ainda maior.
Fisiculturista, estudante de moda e jogador de futebol: Conheça vítimas de repressão a protestos no Irã
Temendo instabilidade: Rivais do Irã no Golfo alertam EUA contra ataque para tentar derrubar regime
— Tomaremos medidas muito fortes se isso acontecer — afirmou Trump, ao ser questionado em uma entrevista à emissora americana sobre relatos de que o governo do Irã começaria a realizar execuções de manifestantes nesta quarta-feira.
Initial plugin text
Em meio a um bloqueio dos meios de comunicação, incluindo um corte de internet que chega ao 6º dia, relatos sobre a repressão chegam ao Ocidente por meio de familiares que conseguiram contato com o país por meios como linhas fixas. Entre os relatos, a família de um manifestante identificado como Erfan Soltani, de 26 anos, afirmaram ter recebido informações de que ele será executado nesta quarta.
Ainda de acordo com a família, Soltani teria sido preso na quinta-feira durante protestos perto de Teerã, e foi condenado à pena de morte em um processo que durou apenas de dois dias — algo incomum mesmo para o padrão iraniano, o que foi apontado por observadores internacionais como um indicador da onda de repressão atual.
— Ele é apenas uma pessoa contrária à situação atual no Irã… Agora ele recebeu uma pena de morte por expressar sua opinião — disse a advogada Awyer Shekhi, parte da organização curda de direitos humanos Hengaw, em entrevista a BBC, acrescentando que tentou intervir no caso do manifestante, mas foi informada pelas autoridades judiciais que não havia mais um caso para apelar contra.
Galerias Relacionadas
Linha de frente da repressão: O que se sabe sobre a Basij, a milícia do regime iraniano
O caso de Soltani chega a público em um momento em que as autoridades judiciais do Irã parecem decididas a levar para os tribunais a repressão violenta vista nas ruas do país nos últimos dias. Em uma declaração transmitida na TV estatal, o chefe do Judiciário do Irã, Gholamhosein Mohseni Ejei, defendeu que fossem realizados “julgamentos rápidos” contra manifestantes detidos nos protestos — que o governo teocrático classificou como terroristas.
— Se alguém tocou fogo em uma pessoa, decapitou alguém antes de queimar seu corpo, devemos fazer nosso trabalho rapidamente — declarou Ejei durante uma visita a uma prisão, onde estão muitos dos detidos nos protestos.
Por que o Irã vive a maior onda de protestos desde 2022?
‘É um banho de sangue’: Repressão mais brutal do Irã produz filas e filas de sacos com cadáveres
Não está claro do que Soltani ou outros detidos foram acusados, porém o Gabinete da Procuradoria de Teerã emitiu um comunicado na terça-feira, afirmando que um número não especificado de pessoas será acusado de “moharebeh” (“guerra contra Deus”), um termo da lei islâmica que é considerado crime capital no Irã — e que foi amplamente utilizado para condenações à pena de morte no passado.
A agência de notícias Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos EUA, divulgou uma nova estimativa de mortos no país, apontando um total de 2.571 vítimas da repressão governamental. O total incluiria 2.403 manifestantes, 147 indivíduos ligados ao governo, doze menores de idade e nove civis que não participavam dos protestos.
Autoridades governamentais não confirmaram o número de mortos oficialmente, mas fontes ligadas ao regime afirmaram na terça-feira que um relatório que circulou entre funcionários da área de saúde mencionavam 3 mil mortos em todo o país.
‘Mártires’
Testemunhas que acompanharam os protestos em cidades iranianas disseram que a repressão das forças do regime provocaram um “banho de sangue”, descrevendo cenas com corpos espalhados pelo chão e sendo transportados em sacos pretos. A narrativa oficial de Teerã, porém, é de que as mortes foram causadas por terroristas — tanto de civis comuns, quanto das forças de segurança que caíram nos últimos dias.
Um funeral aberto foi realizado na capital iraniana, com forte cobertura da mídia estatal, nesta quarta, onde foram veladas cerca de 300 pessoas, incluindo forças de segurança e civis, tratados pelo governo como mártires. Milhares de pessoas compareceram aos arredores da Universidade de Teerã, acenando com bandeiras iranianas e participando das orações, segundo as imagens do local. (Com AFP)
Fisiculturista, estudante de moda e jogador de futebol: Conheça vítimas de repressão a protestos no Irã
Temendo instabilidade: Rivais do Irã no Golfo alertam EUA contra ataque para tentar derrubar regime
— Tomaremos medidas muito fortes se isso acontecer — afirmou Trump, ao ser questionado em uma entrevista à emissora americana sobre relatos de que o governo do Irã começaria a realizar execuções de manifestantes nesta quarta-feira.
Initial plugin text
Em meio a um bloqueio dos meios de comunicação, incluindo um corte de internet que chega ao 6º dia, relatos sobre a repressão chegam ao Ocidente por meio de familiares que conseguiram contato com o país por meios como linhas fixas. Entre os relatos, a família de um manifestante identificado como Erfan Soltani, de 26 anos, afirmaram ter recebido informações de que ele será executado nesta quarta.
Ainda de acordo com a família, Soltani teria sido preso na quinta-feira durante protestos perto de Teerã, e foi condenado à pena de morte em um processo que durou apenas de dois dias — algo incomum mesmo para o padrão iraniano, o que foi apontado por observadores internacionais como um indicador da onda de repressão atual.
— Ele é apenas uma pessoa contrária à situação atual no Irã… Agora ele recebeu uma pena de morte por expressar sua opinião — disse a advogada Awyer Shekhi, parte da organização curda de direitos humanos Hengaw, em entrevista a BBC, acrescentando que tentou intervir no caso do manifestante, mas foi informada pelas autoridades judiciais que não havia mais um caso para apelar contra.
Galerias Relacionadas
Linha de frente da repressão: O que se sabe sobre a Basij, a milícia do regime iraniano
O caso de Soltani chega a público em um momento em que as autoridades judiciais do Irã parecem decididas a levar para os tribunais a repressão violenta vista nas ruas do país nos últimos dias. Em uma declaração transmitida na TV estatal, o chefe do Judiciário do Irã, Gholamhosein Mohseni Ejei, defendeu que fossem realizados “julgamentos rápidos” contra manifestantes detidos nos protestos — que o governo teocrático classificou como terroristas.
— Se alguém tocou fogo em uma pessoa, decapitou alguém antes de queimar seu corpo, devemos fazer nosso trabalho rapidamente — declarou Ejei durante uma visita a uma prisão, onde estão muitos dos detidos nos protestos.
Por que o Irã vive a maior onda de protestos desde 2022?
‘É um banho de sangue’: Repressão mais brutal do Irã produz filas e filas de sacos com cadáveres
Não está claro do que Soltani ou outros detidos foram acusados, porém o Gabinete da Procuradoria de Teerã emitiu um comunicado na terça-feira, afirmando que um número não especificado de pessoas será acusado de “moharebeh” (“guerra contra Deus”), um termo da lei islâmica que é considerado crime capital no Irã — e que foi amplamente utilizado para condenações à pena de morte no passado.
A agência de notícias Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos EUA, divulgou uma nova estimativa de mortos no país, apontando um total de 2.571 vítimas da repressão governamental. O total incluiria 2.403 manifestantes, 147 indivíduos ligados ao governo, doze menores de idade e nove civis que não participavam dos protestos.
Autoridades governamentais não confirmaram o número de mortos oficialmente, mas fontes ligadas ao regime afirmaram na terça-feira que um relatório que circulou entre funcionários da área de saúde mencionavam 3 mil mortos em todo o país.
‘Mártires’
Testemunhas que acompanharam os protestos em cidades iranianas disseram que a repressão das forças do regime provocaram um “banho de sangue”, descrevendo cenas com corpos espalhados pelo chão e sendo transportados em sacos pretos. A narrativa oficial de Teerã, porém, é de que as mortes foram causadas por terroristas — tanto de civis comuns, quanto das forças de segurança que caíram nos últimos dias.
Um funeral aberto foi realizado na capital iraniana, com forte cobertura da mídia estatal, nesta quarta, onde foram veladas cerca de 300 pessoas, incluindo forças de segurança e civis, tratados pelo governo como mártires. Milhares de pessoas compareceram aos arredores da Universidade de Teerã, acenando com bandeiras iranianas e participando das orações, segundo as imagens do local. (Com AFP)









