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A superioridade do candidato socialista no primeiro turno contrariou as pesquisas realizadas até então, que apontavam que Ventura, líder do partido radical Chega, na primeira colocação. Seguro, de 63 anos , incorporou em sua campanha a imagem de integrador e moderado, defensor da democracia e dos serviços públicos frente ao “extremismo”.
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— Convoco todos os democratas, todos os progressistas e todos os humanistas a concentrarem seus votos em nossa candidatura — declarou, no último dia de campanha.
Ventura, que se autoproclamou como “candidato do povo”, encerrou sua campanha pedindo aos outros partidos de direita para não “colocarem obstáculos” em um eventual segundo turno com o candidato socialista — as mesmas projeções que indicavam a dianteira no primeiro turno para o candidato, previam sua derrota no segundo turno, em 8 de fevereiro. Pouco após o fechamento das urnas, e com os números indicando sua ida ao segundo turno, o candidato disse esperar unir todos os votos de direita a seu favor no segundo turno.
— O que vamos ter a partir de amanhã é uma luta entre o socialismo e quem não quer o socialismo — disse Ventura, em uma fala registrada pelo jornal português Público. — [Agora é hora de] liderar a direita, agregar, juntar esforços para evitar o que ninguém à direita quer, que é um socialista em Belém.
Sob a liderança de Ventura, o Chega cresceu e conquistou uma presença massiva no Parlamento de Portugal, conquistando 60 deputados nas legislativas de maio. Apesar dos recentes resultados, a sigla ainda é vista com desconfiança por outros partidos de direita, que evitam uma aproximação com os radicais.
Em uma primeira manifestação após os resultados parciais, o primeiro-ministro Luís Montenegro disse que sua sigla, o Partido Social Democrata (PSD), não apoiaria nenhum candidato no 2º turno, após seu concorrente, Luis Marques, pode terminar em quinto lugar, com entre 8% e 11% dos votos, segundo as projeções — em uma frustrante quinta colocação.
A avaliação inicial do premier foi de que a “divisão de votos” com outros candidatos de centro-direita, como o terceiro colocado, Cotrim, teria tirado a corrente política governista do segundo turno.
O Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português (PCP) anunciaram apoio expresso a Seguro ainda na noite do domingo, convocando seus eleitores a se posicionarem contra o avanço da extrema direita no país.
— [Impõe-se evitar] uma agenda e concepções reacionárias, retrógradas e antidemocráticas de questionamento do regime democrático e de ostensiva desvalorização e ataque à Revolução de Abril — disse o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo. — [Fazê-lo] exige de forma clara e evidente o voto contra a candidatura de André Ventura e conduz o voto em António José Seguro.
O presidente português não tem poderes executivos, mas pode ter um papel de árbitro em caso de crise, pois tem o direito de dissolver o Parlamento para convocar eleições legislativas. O vencedor do segundo turno vai substituir o conservador Marcelo Rebelo de Sousa, eleito duas vezes em primeiro turno. (Com AFP)








