As autoridades do Irã anunciaram que concederão um subsídio mensal a todos os cidadãos do país para aliviar a pressão econômica, após uma semana de protestos, que chegam ao oitavo dia neste domingo. Durante os protestos — motivados pela incerteza econômica após a desvalorização da moeda —, ao menos 12 pessoas morreram, incluindo integrantes das forças de segurança, de acordo com um balanço baseado em informações oficiais. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, diz ser solidário à “luta do povo iraniano”.
Com moeda em queda livre: Irã vê nova onda de protestos contra a crise econômica, e regime fica em alerta
Veja: Protestos contra alto custo de vida deixam ao menos seis mortos e 30 detidos no Irã
— As pessoas poderão receber um valor equivalente a 1 milhão de tomans (cerca de R$ 40) por mês, que será creditado em suas contas por um período de quatro meses — afirmou a porta-voz do governo iraniano, Fatemeh Mohajerani, em entrevista à televisão estatal, acrescentando que o valor poderá ser utilizado para a compra de determinados produtos, com o objetivo de “reduzir a pressão econômica sobre a população”.
No Irã, que tem uma população de mais de 85 milhões de habitantes, o salário mínimo é de cerca de US$ 100 (mais de R$ 500, na cotação atual), enquanto os salários mensais médios giram em torno de US$ 200 (cerca de R$ 1.000). Os iranianos utilizam majoritariamente celulares e cartões de débito para compras do dia a dia, em vez de dinheiro em espécie.
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Há anos, a economia iraniana enfrenta duras sanções impostas pelos Estados Unidos e pela comunidade internacional devido ao programa nuclear de Teerã. A moeda nacional perdeu mais de um terço de seu valor frente ao dólar americano no último ano, provocando uma forte queda no poder de compra da população e amplo descontentamento no país.
As manifestações dos últimos dias foram organizadas, em maior ou menor escala, em pelo menos 40 cidades, em sua maioria de porte médio e localizadas no oeste do país, segundo uma contagem da agência de notícias francesa France-Presse (AFP) baseada em comunicados oficiais e reportagens da imprensa.
Segundo a ONG Hengaw, sediada na Noruega e especializada na defesa dos direitos humanos, a Guarda Revolucionária — o Exército ideológico do Irã — abriu fogo contra manifestantes no condado de Malekshahi, na província ocidental de Ilam, no sábado, matando quatro membros da minoria curda. Outra ONG, a Iran Human Rights, também com sede na Noruega, apresentou o mesmo número de mortos, além de relatar cerca de 30 feridos.
Com as próprias mãos
Israel é “solidário com a luta do povo iraniano, com suas aspirações à liberdade e à justiça”, afirmou Netanyahu neste domingo, em seu primeiro comentário público desde o início do movimento de protestos no Irã.
Durante uma reunião do conselho de ministros, o premier disse ter tratado do tema com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante sua recente visita oficial a Washington.
Leia também: Irã diz que intervenção seria ‘linha vermelha’ e ameaça resposta após Trump falar em apoiar manifestantes
— É perfeitamente possível que estejamos em um momento em que o povo iraniano tome seu destino com suas próprias mãos — afirmou Netanyahu, referindo-se ao movimento de protestos que sacode o Irã desde 28 de dezembro.
Irã e Israel, inimigos declarados desde a criação da República Islâmica em 1979, enfrentaram-se em junho em uma guerra de 12 dias, desencadeada por um ataque israelense de magnitude sem precedentes contra instalações militares, nucleares e áreas habitadas no território iraniano.
‘Morte ao ditador’
Novos confrontos esporádicos e letais entre manifestantes e forças de segurança eclodiram na noite de sábado. As concentrações em Teerã foram classificadas como “limitadas” pela agência de notícias Fars e descritas como “compostas geralmente por grupos de entre 50 e 200 jovens”. Segundo a agência, foram ouvidos slogans políticos como “morte ao ditador”, voltados ao líder supremo, Ali Khamenei, mas não houve distúrbios de grande escala, à exceção de “alguns lançamentos de pedras e o incêndio de alguns contêineres de lixo”.
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Em Malekshahi, um condado com cerca de 20 mil habitantes e com uma expressiva população curda, os confrontos causaram no sábado a morte de um integrante das forças de segurança, de acordo com a mídia iraniana. Segundo a Fars, “alguns agitadores tentaram invadir uma delegacia, e dois suspeitos foram abatidos”.
Esses protestos são considerados os mais significativos no Irã desde o movimento de 2022–2023, desencadeado pela morte sob custódia policial de Mahsa Amini, detida por supostamente violar o rígido código de vestimenta imposto às mulheres.
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— As pessoas poderão receber um valor equivalente a 1 milhão de tomans (cerca de R$ 40) por mês, que será creditado em suas contas por um período de quatro meses — afirmou a porta-voz do governo iraniano, Fatemeh Mohajerani, em entrevista à televisão estatal, acrescentando que o valor poderá ser utilizado para a compra de determinados produtos, com o objetivo de “reduzir a pressão econômica sobre a população”.
No Irã, que tem uma população de mais de 85 milhões de habitantes, o salário mínimo é de cerca de US$ 100 (mais de R$ 500, na cotação atual), enquanto os salários mensais médios giram em torno de US$ 200 (cerca de R$ 1.000). Os iranianos utilizam majoritariamente celulares e cartões de débito para compras do dia a dia, em vez de dinheiro em espécie.
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Há anos, a economia iraniana enfrenta duras sanções impostas pelos Estados Unidos e pela comunidade internacional devido ao programa nuclear de Teerã. A moeda nacional perdeu mais de um terço de seu valor frente ao dólar americano no último ano, provocando uma forte queda no poder de compra da população e amplo descontentamento no país.
As manifestações dos últimos dias foram organizadas, em maior ou menor escala, em pelo menos 40 cidades, em sua maioria de porte médio e localizadas no oeste do país, segundo uma contagem da agência de notícias francesa France-Presse (AFP) baseada em comunicados oficiais e reportagens da imprensa.
Segundo a ONG Hengaw, sediada na Noruega e especializada na defesa dos direitos humanos, a Guarda Revolucionária — o Exército ideológico do Irã — abriu fogo contra manifestantes no condado de Malekshahi, na província ocidental de Ilam, no sábado, matando quatro membros da minoria curda. Outra ONG, a Iran Human Rights, também com sede na Noruega, apresentou o mesmo número de mortos, além de relatar cerca de 30 feridos.
Com as próprias mãos
Israel é “solidário com a luta do povo iraniano, com suas aspirações à liberdade e à justiça”, afirmou Netanyahu neste domingo, em seu primeiro comentário público desde o início do movimento de protestos no Irã.
Durante uma reunião do conselho de ministros, o premier disse ter tratado do tema com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante sua recente visita oficial a Washington.
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— É perfeitamente possível que estejamos em um momento em que o povo iraniano tome seu destino com suas próprias mãos — afirmou Netanyahu, referindo-se ao movimento de protestos que sacode o Irã desde 28 de dezembro.
Irã e Israel, inimigos declarados desde a criação da República Islâmica em 1979, enfrentaram-se em junho em uma guerra de 12 dias, desencadeada por um ataque israelense de magnitude sem precedentes contra instalações militares, nucleares e áreas habitadas no território iraniano.
‘Morte ao ditador’
Novos confrontos esporádicos e letais entre manifestantes e forças de segurança eclodiram na noite de sábado. As concentrações em Teerã foram classificadas como “limitadas” pela agência de notícias Fars e descritas como “compostas geralmente por grupos de entre 50 e 200 jovens”. Segundo a agência, foram ouvidos slogans políticos como “morte ao ditador”, voltados ao líder supremo, Ali Khamenei, mas não houve distúrbios de grande escala, à exceção de “alguns lançamentos de pedras e o incêndio de alguns contêineres de lixo”.
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Em Malekshahi, um condado com cerca de 20 mil habitantes e com uma expressiva população curda, os confrontos causaram no sábado a morte de um integrante das forças de segurança, de acordo com a mídia iraniana. Segundo a Fars, “alguns agitadores tentaram invadir uma delegacia, e dois suspeitos foram abatidos”.
Esses protestos são considerados os mais significativos no Irã desde o movimento de 2022–2023, desencadeado pela morte sob custódia policial de Mahsa Amini, detida por supostamente violar o rígido código de vestimenta imposto às mulheres.










