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Contexto: México promete abertura pacífica da Copa do Mundo em meio a protestos
— Vamos ver como se desenvolve o que está acontecendo com os professores e alguns outros grupos. Tenho que estar atenta a isso — disse Sheinbaum durante sua entrevista coletiva diária.
A presidente, que não comparecerá à cerimônia de abertura no Estádio Azteca após decidir doar seu ingresso a uma menina, havia anunciado que assistiria à partida no Zócalo, principal praça da capital mexicana e sede do maior fan fest organizado pela Fifa no país, onde torcedores podem acompanhar os jogos em telões. O local abriga ainda o Palácio Nacional, residência e local de trabalho de Sheinbaum. No entanto, a área está cercada por um acampamento montado pela Coordenadora Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), grupo dissidente do sindicato dos professores que está em greve desde a semana passada.
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As manifestações ganharam força nesta terça-feira, quando milhares de integrantes da CNTE bloquearam uma das principais avenidas que levam ao Azteca, palco da abertura da Copa do Mundo, marcada para quinta-feira. O protesto ocorreu a menos de 48 horas da cerimônia inaugural.
As autoridades também mobilizaram milhares de agentes e instalaram barreiras de concreto a um quilômetro do estádio para impedir o avanço dos manifestantes, que ainda não haviam chegado ao local.
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— Pretendemos chegar ao estádio — disse Ángel Villalobos, um dos professores que participavam do protesto. — O governo deu algumas respostas, mas elas não são nem favoráveis nem satisfatórias.
— Vamos continuar nossa luta aqui — disse Austreberto Flores, que também participava da manifestação.
— Nós vemos isso como uma provocação, como se fosse para dizer: “olhem como está ruim a situação no México” — afirmou Sheinbaum. — No México há muitos problemas, mas nós os enfrentamos. Não há uma questão relacionada a um descontentamento social.
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A presidente reiterou que a abertura do torneio não corre risco.
— Não há problema, a abertura vai acontecer e não vamos cair em nenhuma provocação. A Copa será aproveitada da mesma forma — declarou, descartando o uso da polícia para reprimir os manifestantes.
É a terceira vez que o México organiza uma Copa do Mundo, desta vez em conjunto com Estados Unidos e Canadá. O torneio começa em 11 de junho e terminará em 19 de julho.
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A CNTE, formada principalmente por professores dos estados de Oaxaca, Guerrero, Michoacán e Chiapas, reivindica o retorno do sistema público de aposentadorias para a categoria e aumentos salariais. Desde o fim da década de 1990, o México substituiu o modelo solidário de previdência por um sistema baseado em contas individuais de poupança privada, mudança que o governo considera inviável de reverter.
O governo afirma que melhorou as condições dos professores, destaca aumentos salariais recentes e defende a continuidade das negociações.
Como forma de pressão, os professores vêm realizando bloqueios diários na capital. Nesta semana, manifestantes chegaram a derrubar um conjunto de esculturas alusivas à Copa do Mundo instalado na avenida Paseo de la Reforma. Em uma marcha realizada nesta terça-feira em direção ao Estádio Azteca, também exibiram uma faixa com a mensagem “Boicote à Copa do Mundo da Fifa 2026”.
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Na tarde de segunda-feira, segundo informações do jornal El País, policiais da Secretaria de Segurança da Cidade do México apreenderam 59 explosivos em um ônibus vindo de Ayotzinapa, no estado de Guerrero, que transportava estudantes e professores para apoiar as manifestações da CNTE.
Segundo o sindicato, cerca de 10 mil pessoas participam do acampamento instalado no centro histórico da Cidade do México. O governo estima a presença de aproximadamente 3 mil manifestantes.
A CNTE ainda não descartou novas ações durante a abertura do Mundial e convocou manifestações para quinta-feira, quando o México enfrentará a África do Sul na partida inaugural. Familiares de pessoas desaparecidas também anunciaram protestos para a mesma data com o objetivo de chamar atenção para os casos de desaparecimento forçado no país.
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Apesar da mobilização, Sheinbaum insistiu que os protestos não refletem um cenário de crise social generalizada.
— Querem fazer parecer que no México temos uma ebulição social muito grande, e isso não é verdade — afirmou.
(Com AFP)








