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O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, alertou neste domingo que um ataque dos Estados Unidos ao país desencadearia uma “guerra regional” no Oriente Médio, em resposta à forte mobilização militar americana no Golfo, que acumula 12 navios de guerra, liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln. Durante os intensos protestos que sacudiram as maiores cidades iranianas no início do ano, o presidente americano, Donald Trump, fez reiteradas ameaças de ataque caso o regime não parasse de matar manifestantes. Agora, ele condiciona uma ofensiva à um acordo nuclear.
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Comandante militar: Forças Armadas do Irã estão ‘plenamente preparadas’ contra ataque dos EUA e de Israel
— Os americanos devem saber que, se iniciarem uma guerra, desta vez será uma guerra regional — declarou Khamenei, de 86 anos, segundo a agência de notícias Tasnim. — [Trump] diz regularmente que trouxe navios (…) A nação iraniana não deve se assustar com essas coisas nem se deixar perturbar por essas ameaças.
A declaração, que figura uma intensa escalada de retórica entre os países, ocorre um dia depois do comandante do Exército do Irã, Amir Hatami, afirmar que as Forças Armadas do país estão em alerta máximo e “plenamente preparadas”, frente à mobilização militar americana no Golfo. O militar enfatizou que a tecnologia nuclear da República Islâmica “não pode ser eliminada”, em resposta às pressões de Trump.
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Também neste domingo, Teerã realizará um exercício militar com munição real no estratégico Estreito de Ormuz, a passagem que liga o Golfo Pérsico ao Irã por onde passa um quinto de todo o petróleo comercializado no país. O Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom) alertou o regime contra ameaças a navios ou aeronaves durante o exercício. Atualmente, segundo a agência Reuters, a Marinha dos EUA possui seis destróieres, um porta-aviões e três navios de combate litorâneo na região.
Uma solução diplomática continua sendo uma possibilidade, com Teerã afirmando estar pronta para negociações “justas” que não busquem restringir suas capacidades defensivas. Na noite de sábado, Trump se recusou a dizer se já havia tomado uma decisão sobre o Irã, mas afirmou que Teerã deveria negociar um acordo “satisfatório” para impedir que o país obtenha armas nucleares. No mesmo dia, o principal responsável pela segurança da República Islâmica confirmou avanços nas negociações.
Este é um dos momentos mais delicados na região desde a guerra de 12 dias entre Irã e Israel, no ano passado, que terminou após inéditos ataques dos EUA a instalações nucleares do país. Diante da repressão aos protestos, que deixaram milhares de mortos nas últimas semanas, Trump sinalizou que poderia “ajudar” os manifestantes, algo lido como uma possível ação militar.
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A mobilização militar no Golfo provocou o receio global de um confronto direto dos EUA com o Irã, que tem alertado reiteradamente que, neste caso, responderá com disparos de mísseis contra bases americanas no Oriente Médio e ataques contra os aliados de Washington, em particular Israel.
Em Teerã, durante seu discurso para uma multidão que celebrava o início de uma série de comemorações da Revolução Islâmica de 1979, Khamenei comparou os protestos a um “golpe de Estado”, afirmando que o objetivo da “sedição” era atacar os centros que governam o país. Os números oficiais apontam para 3.117 mortos, enquanto o grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos EUA, confirma a morte de 6.713 pessoas nas manifestações.
Em determinado momento, o líder supremo afirmou que os EUA estão interessados ​​no petróleo, gás natural e outros recursos minerais, dizendo que eles queriam “tomar posse deste país.
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— Não somos os iniciadores e não queremos atacar nenhum país, mas a nação iraniana desferirá um forte golpe contra qualquer um que a ataque e a assedie.
Em resposta à União Europeia
Na última quinta-feira, a União Europeia concordou em incluir a Guarda Revolucionária Islâmica na lista de “organizações terroristas” devido à sua resposta aos protestos. A medida correspondeu a classificações semelhantes adotadas pelos Estados Unidos, Canadá e Austrália.
Já neste domingo, em uma demonstração de solidariedade durante a sessão legislativa em Teerã, os parlamentares vestiram o uniforme verde da Guarda Revolucionária Islâmica e entoaram cânticos como “Morte à América”, “Morte a Israel” e “Vergonha para você, Europa”.
Criticando duramente a “ação irresponsável” do bloco europeu, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que, de acordo com o “Artigo 7 da Lei sobre Contramedidas contra a Declaração da Guarda Revolucionária Islâmica como Organização Terrorista, os exércitos dos países europeus são considerados grupos terroristas”.
(Com AFP)
Um advogado americano disse à BBC, no final da noite deste sábado (31), que o suposto encontro da sua cliente com o ex-príncipe Andrew ocorreu na residência do ex-membro da família real, na propriedade de Windsor, a oeste de Londres, em 2010, quando ela tinha vinte e poucos anos. O relato mais recente surgiu depois que o Departamento de Justiça dos EUA divulgou um grande lote de documentos sobre o caso Epstein, incluindo fotografias de Andrew ajoelhado sobre uma mulher deitada no chão. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que o príncipe, agora em desgraça, deveria aceitar os pedidos para depor perante o Congresso americano sobre os crimes de Epstein.
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O advogado acrescentou que, após passar a noite com Andrew, a mulher afirmou ter recebido uma visita guiada ao Palácio de Buckingham.
— Estamos falando de pelo menos uma mulher que foi enviada por Jeffrey Epstein ao Príncipe Andrew — disse Edwards à BBC.
Ele afirmou que houve comunicação entre sua cliente e o ex-príncipe antes do suposto encontro e que agora está considerando entrar com uma ação civil em nome dela.
O advogado, que, segundo informações, representa mais de 200 sobreviventes dos abusos de Epstein, não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da AFP. Não foi possível contatar Andrew para comentar, mas ele negou repetidamente qualquer irregularidade relacionada a Epstein.
A alegação surge mais de uma década depois das acusações de agressão sexual contra o ex-Duque de York, feitas por outra acusadora de Epstein, Virginia Giuffre, terem vindo a público pela primeira vez.
Giuffre, cidadã americana e australiana que tirou a própria vida no ano passado, alegou ter sido vítima de tráfico humano para ter relações sexuais com Andrew três vezes, incluindo duas vezes quando tinha 17 anos. Após ela ter entrado com um processo contra ele, ele pagou-lhe uma indenização multimilionária em 2022 sem admitir qualquer culpa.
No final do ano passado, o rei Charles III retirou os títulos e honras reais de seu irmão, depois que Giuffre relatou as alegações em detalhes chocantes em um livro de memórias póstumo. Andrew, de 65 anos, já havia se afastado de suas funções reais em 2019 devido às acusações e seus laços com Epstein.
O ex-príncipe manteve a amizade mesmo depois de o financista americano, agora em desgraça, ter se declarado culpado na Flórida em 2008 por aliciar uma menor para prostituição. Epstein morreu em 2019 por suicídio na prisão enquanto aguardava julgamento por crimes sexuais contra menores.
Mesmo antes das últimas alegações, Andrew já estava sob pressão renovada devido à divulgação, na sexta-feira, de milhões de novos documentos sobre Epstein pelo Departamento de Justiça dos EUA. Isso incluía as constrangedoras fotografias sem data de Andrew ajoelhado sobre uma mulher, e e-mails entre ele e Epstein de 2010 propondo que o então príncipe jantasse com uma mulher russa de 26 anos “bonita e confiável”.
Em uma demonstração de solidariedade durante a sessão legislativa em Teerã, neste domingo (1), os parlamentares vestiram o uniforme verde da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e entoaram cânticos como “Morte à América”, “Morte a Israel” e “Vergonha para você, Europa”, conforme mostraram imagens da televisão estatal. Criticando duramente a “ação irresponsável” do bloco europeu, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que, de acordo com o “Artigo 7 da Lei sobre Contramedidas contra a Declaração da Guarda Revolucionária Islâmica como Organização Terrorista, os exércitos dos países europeus são considerados grupos terroristas”.
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Permanecia incerto qual seria o impacto imediato da decisão.
A lei foi aprovada pela primeira vez em 2019, quando os Estados Unidos classificaram a Guarda Nacional como uma organização terrorista.
A sessão de domingo ocorreu no 47º aniversário do retorno do exílio do falecido Aiatolá Ruhollah Khomeini, fundador da república islâmica em 1979.
A Guarda Revolucionária é o braço ideológico das forças armadas iranianas, encarregada de proteger a revolução islâmica de ameaças externas e internas. Eles foram acusados ​​por governos ocidentais de orquestrar uma repressão a um movimento de protesto recente que deixou milhares de mortos.
Teerã atribuiu a violência a “atos terroristas” fomentados pelos Estados Unidos e por Israel.
A União Europeia concordou na quinta-feira em incluir a entidade na lista de “organizações terroristas” devido à sua resposta aos protestos. A medida correspondeu a classificações semelhantes adotadas pelos Estados Unidos, Canadá e Austrália.
Ghalibaf afirmou que a decisão, “que foi tomada em conformidade com as ordens do presidente americano e dos líderes do regime sionista, acelerou o caminho da Europa para se tornar irrelevante na futura ordem mundial”. Ele acrescentou que a medida apenas aumentou o apoio interno à Guarda.
Ameaças e diálogo
A sessão legislativa ocorreu em um momento em que o Irã e os Estados Unidos trocaram advertências e ameaças de uma possível ação militar. A resposta de Teerã aos protestos levou o presidente dos EUA, Donald Trump, a ameaçar intervir, enviando um grupo de porta-aviões para a região. Nos últimos dias, porém, ambos os lados têm insistido que continuam dispostos a conversar.
— Ao contrário do alarde criado pela guerra midiática fabricada, os arranjos estruturais para as negociações estão progredindo — disse Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, no sábado.
Mais tarde, Trump confirmou que o diálogo estava em andamento, mas sem retirar suas ameaças anteriores. Ele disse à Fox News que o Irã estava “conversando conosco e veremos se podemos fazer algo, caso contrário, veremos o que acontece… temos uma grande frota a caminho de lá”.
Trump já afirmou acreditar que o Irã fará um acordo sobre seus programas nuclear e de mísseis em vez de enfrentar uma ação militar dos EUA.
Enquanto isso, Teerã afirmou estar pronta para negociações nucleares caso suas capacidades de mísseis e defesa não estejam na pauta.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou no sábado que “uma guerra não seria do interesse nem do Irã, nem dos Estados Unidos, nem da região”, durante uma conversa telefônica com seu homólogo egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, segundo o gabinete de Pezeshkian.
O primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al, que também atua como ministro das Relações Exteriores, realizou conversas no Irã no sábado para tentar “reduzir as tensões”, disse o Ministério das Relações Exteriores do reino.
Firouzeh, uma dona de casa de 43 anos que preferiu não revelar seu nome completo, disse que as tensões recentes a deixaram “muito preocupada e assustada”:
—Ultimamente, tudo o que faço é assistir ao noticiário até pegar no sono. Às vezes, acordo no meio da noite para conferir as atualizações.
O tubarão-branco é uma obra-prima da engenharia evolutiva. Esses belos predadores deslizam sem esforço pela água, cada movimento lento e deliberado da poderosa cauda impulsionando um corpo especializado em furtividade, velocidade e eficiência. Visto de cima, o dorso escuro se confunde com o azul profundo do oceano; visto de baixo, o ventre claro desaparece na superfície iluminada pelo sol.
Em um instante, o deslizar calmo se transforma em ataque, com aceleração para mais de 60 quilômetros por hora, a forma elegante, semelhante a um torpedo, cortando a água com pouca resistência. Então surge sua característica mais icônica: fileiras de dentes afiados como lâminas, perfeitamente moldados para a vida no topo da cadeia alimentar.
Há muito tempo os cientistas são fascinados pelos dentes do tubarão-branco. Exemplares fossilizados são coletados há séculos, e a estrutura larga e serrilhada dos dentes é facilmente reconhecida em mandíbulas e marcas de mordida de tubarões contemporâneos.
Mas, até agora, surpreendentemente pouco se sabia sobre um dos aspectos mais fascinantes dessas estruturas tão bem moldadas: como elas mudam ao longo da mandíbula e para atender às diferentes exigências ao longo da vida do animal. Nossa nova pesquisa, publicada na revista Ecology and Evolution, buscou responder a isso.
De dentes em forma de agulha a lâminas serrilhadas
Diferentes espécies de tubarões evoluíram dentes adequados às suas necessidades alimentares, como dentes em forma de agulha para segurar lulas escorregadias; molares largos e achatados para esmagar moluscos; e lâminas serrilhadas para fatiar carne e gordura de mamíferos marinhos.
Os dentes de tubarão também são descartáveis — eles são constantemente substituídos ao longo da vida, como uma esteira rolante que empurra um novo dente para a frente a cada poucas semanas.
Os tubarões-brancos são mais conhecidos por seus grandes dentes triangulares e serrilhados, ideais para capturar e comer mamíferos marinhos como focas, golfinhos e baleias. Mas a maioria dos juvenis não começa a vida caçando focas. Na verdade, eles se alimentam principalmente de peixes e lulas, e geralmente só passam a incorporar mamíferos à dieta quando atingem cerca de 3 metros de comprimento.
Isso levanta uma questão fascinante: os dentes que surgem nessa “esteira rolante” mudam para enfrentar desafios específicos das dietas em diferentes estágios de desenvolvimento, assim como a evolução produz dentes adaptados às dietas de diferentes espécies?
Estudos anteriores tendiam a se concentrar em um pequeno número de dentes ou em um único estágio da vida. O que faltava era uma visão completa, ao longo de toda a mandíbula, de como o formato dos dentes muda — não apenas entre a mandíbula superior e a inferior, mas da frente da boca até o fundo, e da fase juvenil à adulta.
Os dentes mudam ao longo da vida
Quando examinamos dentes de quase 100 tubarões-brancos, padrões claros emergiram.
Primeiro, o formato dos dentes muda drasticamente ao longo da mandíbula. Os seis primeiros dentes de cada lado são relativamente simétricos e triangulares, bem adequados para agarrar, perfurar ou cortar a presa.
Depois do sexto dente, porém, o formato muda. Os dentes tornam-se mais parecidos com lâminas, mais adaptados para rasgar e cisalhar a carne. Essa transição marca uma divisão funcional dentro da mandíbula, em que diferentes dentes desempenham papéis distintos durante a alimentação, de forma semelhante ao que ocorre com os incisivos na frente e os molares no fundo da boca humana.
Ainda mais marcantes são as mudanças que ocorrem à medida que os tubarões crescem. Com cerca de 3 metros de comprimento corporal, os tubarões-brancos passam por uma grande transformação dentária. Os dentes juvenis são mais finos e frequentemente apresentam pequenas projeções laterais na base, chamadas cúspides acessórias (cusplets), que ajudam a segurar presas pequenas e escorregadias, como peixes e lulas.
À medida que os tubarões se aproximam dos 3 metros, essas cúspides desaparecem e os dentes se tornam mais largos, mais espessos e serrilhados.
De muitas formas, essa mudança reflete um ponto de virada ecológico. Tubarões jovens dependem de peixes e presas pequenas, que exigem precisão e capacidade de agarrar corpos menores. Tubarões maiores passam a mirar cada vez mais mamíferos marinhos: animais grandes e rápidos, que exigem poder de corte, e não apenas aderência.
Quando os tubarões-brancos atingem esse tamanho, eles desenvolvem um estilo completamente novo de dente, capaz de fatiar carne densa e até mesmo ossos.
Alguns dentes se destacam ainda mais. Os dois primeiros dentes de cada lado da mandíbula — os quatro dentes centrais — são significativamente mais espessos na base. Eles parecem ser os principais dentes de “impacto”, que absorvem a força da mordida inicial.
Enquanto isso, o terceiro e o quarto dentes superiores são um pouco mais curtos e inclinados, sugerindo um papel especializado em segurar presas que se debatem. Seu tamanho e posição também podem ser influenciados pela estrutura do crânio subjacente e pela localização de tecidos sensoriais importantes envolvidos no olfato.
Também encontramos diferenças consistentes entre as mandíbulas superior e inferior. Os dentes inferiores são moldados para agarrar e segurar a presa, enquanto os superiores são projetados para cortar e desmembrar — um sistema coordenado que transforma a mordida do tubarão-branco em uma ferramenta de alimentação altamente eficiente.
Uma história de vida escrita nos dentes
Em conjunto, essas descobertas contam uma história convincente.
Os dentes dos tubarões-brancos não são armas estáticas, mas registros vivos do estilo de vida em mudança do animal. A substituição contínua compensa dentes perdidos e danificados, mas, tão importante quanto isso, permite atualizações de design que acompanham as mudanças na dieta ao longo do desenvolvimento.
Essa pesquisa nos ajuda a entender melhor como os tubarões-brancos têm sucesso como predadores de topo e como seu sistema de alimentação é finamente ajustado ao longo da vida.
Ela também destaca a importância de estudar os animais como organismos dinâmicos, moldados tanto pela biologia quanto pelo comportamento. No fim, os dentes de um tubarão-branco não revelam apenas como ele se alimenta — eles revelam quem ele é, em cada fase da vida.
* Emily Hunt é doutoranda, Escola de Ciências da Vida e Ambientais, Universidade de Sydney. David Raubenheimer é cátedra Leonard P. Ullman em Ecologia Nutricional, líder do eixo de Nutrição do Charles Perkins Centre, presidente da Sydney Food and Nutrition Network, Universidade de Sydney. Ezequiel M. Marzinelli é professor associado, Faculdade de Ciências, Universidade de Sydney.
* Este artigo foi republicado de The Conversation sob licença Creative Commons. Leia o original.
A cena, conta o governador, não saiu mais de sua cabeça. Tim Walz passava por uma área comercial na cidade mais populosa do estado que comanda, no Meio-Oeste dos Estados Unidos, quando, ao baixar o vidro do carro, identificou expressões de pânico. Pessoas fugiam às pressas, deixando para trás o que carregavam. Minutos tensos se passaram até todos entenderem que os SUVs pretos não eram veículos do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês), mas parte da segurança estadual de Minnesota. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
A cena, conta o governador, não saiu mais de sua cabeça. Tim Walz passava por uma área comercial na cidade mais populosa do estado que comanda, no Meio-Oeste dos Estados Unidos, quando, ao baixar o vidro do carro, identificou expressões de pânico. Pessoas fugiam às pressas, deixando para trás o que carregavam. Minutos tensos se passaram até todos entenderem que os SUVs pretos não eram veículos do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês), mas parte da segurança estadual de Minnesota. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Em meio às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de avançar numa ofensiva para ocupar a Groenlândia, no mesmo mês em que militares americanos atacaram a Venezuela e capturaram o líder do país, Nicolás Maduro, uma voz inesperada chamou a atenção do mundo. Foi a do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, no Fórum Econômico Mundial de Davos. Num discurso firme e contundente, Carney afirmou que o mundo não vive uma transição, mas, sim, uma “ruptura”. E lançou um debate que envolve diversos países no mundo, entre eles o Brasil: o que podem fazer as chamadas potências medianas diante dessa ruptura da ordem que estava vigente desde o fim da Segunda Guerra Mundial? Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
“Deixei o paraíso da Ilha Grande, no litoral fluminense, há pouco mais de cinco meses. Lá, era marinheiro mercante e surfista nas horas vagas. Troquei o azul do mar de Lopes Mendes pelo cinza das trincheiras e o branco da neve ucraniana, onde nesses últimos dias enfrentamos uma temperatura de -20°C. Muita gente acha que vim por aventura, mas foi uma decisão de muita consciência. Não conseguia ficar em casa, no conforto, sabendo que um povo inteiro estava sendo esmagado. Como servi no Exército, tinha algo a oferecer. Eu sentia que era meu dever moral dizer: “Vocês não estão sozinhos.” Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O principal responsável pela segurança do Irã afirmou neste sábado que houve avanços em direção a negociações com os Estados Unidos, mesmo em meio ao agravamento das tensões militares entre os dois países. A declaração ocorreu no mesmo dia em que o chefe do Exército da República Islâmica advertiu Washington contra o lançamento de ataques, afirmando que as forças iranianas estão em plena prontidão defensiva e militar para responder a qualquer ação.
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Washington deslocou um grupo naval de combate liderado pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln para águas próximas ao Irã, depois que o presidente americano, Donald Trump, ameaçou intervir na esteira de uma repressão mortal a protestos antigovernamentais no país. A chegada da flotilha elevou os temores de um confronto direto, e Teerã advertiu que responderia com ataques de mísseis contra bases, navios e contra aliados dos EUA — especialmente Israel — em caso de ataque.
Meios militares dos EUA mobilizados no Oriente Médio
Arte/ O GLOBO
Trump, no entanto, afirmou acreditar que o Irã preferirá fechar um acordo sobre seus programas nuclear e de mísseis a enfrentar uma ação militar americana. Em resposta, autoridades iranianas disseram que Teerã está disposto a dialogar sobre o tema nuclear, desde que seus mísseis e suas capacidades de defesa não entrem na pauta das negociações.
— Contrariando a agitação da guerra midiática fabricada, os arranjos estruturais para as negociações estão avançando — afirmou Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, um dia depois de o Kremlin informar que ele manteve conversas em Moscou com o presidente russo, Vladimir Putin.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também se pronunciou neste sábado, afirmando que um conflito mais amplo prejudicaria tanto o Irã quanto os Estados Unidos. A declaração foi feita durante uma ligação com o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, segundo a Presidência iraniana.
— A República Islâmica do Irã nunca buscou, nem de forma alguma busca, a guerra e está firmemente convencida de que uma guerra não seria do interesse nem do Irã, nem dos Estados Unidos, nem da região — disse Pezeshkian.
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Antes disso, o chefe do Exército iraniano, Amir Hatami, havia advertido os EUA e Israel contra qualquer ataque, afirmando que suas forças estavam “em plena prontidão defensiva e militar” para responder.
— Se o inimigo cometer um erro, sem dúvida colocará em risco sua própria segurança, a segurança da região e a segurança do regime sionista — declarou Hatami, segundo a agência estatal IRNA, acrescentando que a tecnologia e o conhecimento nuclear do Irã “não podem ser eliminados”.
Escalada de tensões
Com a escalada das tensões, autoridades iranianas se apressaram em negar que vários incidentes ocorridos neste sábado estivessem ligados a qualquer ataque ou sabotagem. Entre eles, uma explosão na cidade portuária de Bandar Abbas, no sul do país, que bombeiros locais disseram ter sido causada por um vazamento de gás.
Na sexta-feira, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) afirmou que a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) realizaria “um exercício naval com disparos reais de dois dias” no Estreito de Hormuz, ponto estratégico para o trânsito global de energia. Em comunicado, o CENTCOM advertiu a IRGC contra “qualquer comportamento inseguro e pouco profissional nas proximidades das forças dos EUA”.
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A declaração foi criticada pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, que se manifestou em rede social: “Operando ao largo de nossas costas, o Exército dos EUA agora tenta ditar como nossas Poderosas Forças Armadas devem conduzir exercícios de tiro em seu próprio território”, escreveu ele no X.
Os Estados Unidos designaram a IRGC como organização terrorista em 2019, medida que a União Europeia seguiu na quinta-feira, provocando reações indignadas em Teerã. Em junho, os EUA realizaram ataques contra instalações nucleares-chave do Irã, quando se juntaram brevemente a Israel em uma guerra de 12 dias contra seu rival regional.
Cenário local
No plano interno, protestos em todo o país contra o aumento do custo de vida começaram em 28 de dezembro e depois se transformaram em um movimento antigovernamental mais amplo, que atingiu o auge em 8 e 9 de janeiro. As autoridades classificaram os episódios como “distúrbios” e atribuíram a responsabilidade aos Estados Unidos e a Israel.
O número oficial de mortos divulgado pelo governo é de 3.117. No entanto, a agência Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos Estados Unidos, afirmou ter confirmado 6.563 mortes, incluindo 6.170 manifestantes e 124 crianças.
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No sábado, Pezeshkian pediu a seu governo que atendesse às queixas da população após as manifestações e que “servisse ao povo”. Na fronteira de Kapikoy, que separa o Irã da Turquia, onde pouco mais de 100 pessoas cruzaram neste sábado, iranianos relataram desejo de liberdade em relação aos líderes clericais em Teerã.
— Nós também queremos ser livres, ver turistas como na Turquia… Todo mundo nos vê como terroristas. Com os mulás, voltamos 100 anos — disse Shabnan, usando um pseudônimo. — Eles estavam atirando em nós pelas costas. Chegaram a nos atingir através das janelas. Todo mundo perdeu entes queridos, amigos, vizinhos, conhecidos. .
Rosa, de 29 anos, que viajava para Istambul a partir da travessia, afirmou que a pressão americana em relação aos protestos não é suficiente.
— Agora é tarde demais. Sabemos que eles não virão por nós, mas pelo petróleo. Pelos próprios interesses. Nós não contamos — disse.
O enviado especial do presidente americano Donald Trump, Steve Witkoff, disse, neste sábado, ter mantido conversas “construtivas” durante um encontro na Flórida, Estados Unidos, com o enviado russo, Kirill Dmitriev, como parte dos esforços de mediação dos EUA para pôr fim a quase quatro anos de guerra na Ucrânia.
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A reunião ocorreu apenas um dia antes de negociadores ucranianos e russos se encontrarem em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, para debater um plano de paz apoiado pelos EUA.
“Nos sentimos encorajados por esta reunião, que demonstra que a Rússia está trabalhando pela paz na Ucrânia”, escreveu Witkoff em sua conta no X.
Na publicação, ele afirmou que a delegação americana também incluiu o secretário do Tesouro, Scott Bessent; o genro do presidente, Jared Kushner; e o assessor da Casa Branca Josh Gruenbaum.
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Uma fonte próxima às negociações informou à AFP que o encontro começou às 8h00 no horário local (10h no horário de Brasília). Nenhuma das partes deu detalhes sobre o conteúdo da reunião.
Dmitriev, o principal enviado econômico do presidente russo, Vladimir Putin, já havia se reunido com Witkoff e Kushner em janeiro, à margem do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.
Ele também manteve conversas com negociadores americanos sobre a Ucrânia durante uma visita a Miami em dezembro.
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Está previsto que a segunda rodada de conversas em Abu Dhabi comece amanhã, embora o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, tenha dito que o calendário pode sofrer alterações devido à crise entre os EUA e o Irã.
Zelenski afirmou, neste sábado, que tem reuniões diplomáticas “na próxima semana”, o que parecia descartar o encontro previsto em Abu Dhabi no domingo entre seus negociadores e a delegação russa.
— Estamos em contato permanente com a parte americana e esperamos que nos dê esclarecimentos sobre as próximas reuniões. A Ucrânia está disposta a trabalhar em todos os formatos de trabalho. É importante que essas reuniões aconteçam e que resultem em resultados concretos — acrescentou.
As equipes da Ucrânia e da Rússia também se reuniram na sexta-feira e no sábado da semana passada em Abu Dhabi, no que foram as primeiras negociações presenciais sobre o plano de paz impulsionado por Trump.
Os EUA afirmam que ambas as partes estão perto de alcançar um acordo, mas até agora não foram capazes de chegar a um compromisso. O principal impasse é a questão da divisão territorial de algumas áreas da Ucrânia, segundo Kiev.
O Kremlin afirmou na sexta-feira que Putin havia aceitado um pedido de Trump para interromper temporariamente os ataques contra a Ucrânia.

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