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Após meses de tensão diplomática, que envolveu acusações, sanções e ameaças, os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da Colômbia, Gustavo Petro, se encontraram pessoalmente pela primeira vez na Casa Branca nesta terça-feira. No começo do mês, logo depois de atacar a Venezuela e capturar o presidente Nicolás Maduro, Trump sugeriu que a Colômbia poderia ser o próximo alvo, mas um telefonema costurado por representantes dos dois governos abriu caminho para a reunião. Mas a bandeira branca temporária não significa que a desconfiança mútua tenha desaparecido.
“Hoje (terça-feira) inicio minha agenda em Washington como chefe de Estado, pronto para continuar fortalecendo a relação entre duas nações que compartilham um objetivo comum: a luta contra o narcotráfico, com uma abordagem que prioriza a vida e a paz em nossos territórios”, escreveu Petro na rede social X, pouco antes do início da reunião. “Minha família está comigo, me oferecendo seu carinho, antes do meu encontro com o presidente Trump.”
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A relação entre Petro e Trump começou da pior forma possível. Na mensagem em que parabenizou o republicano pela vitória eleitoral, Petro, primeiro presidente de esquerda da Colômbia, criticou as ideias de Trump para o clima, atacou sua promessa de deportar milhões de imigrantes e o apoio dos EUA a Israel na guerra em Gaza. Depois da posse e do início das deportações, ele barrou duas aeronaves que levavam imigrantes à Colômbia, mas recuou após a ameaça de tarifas.
Mas o grande campo de batalha entre Trump e Petro estava em um antigo terreno de cooperação entre EUA e Colômbia: o combate ao narcotráfico. No ano passado, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, disse que Petro era “amigo” da organização criminosa Tren de Aragua, baseada na Venezuela. Meses depois, em setembro, a Casa Branca retirou a certificação da Colômbia como parceiro no combate ao narcotráfico, apesar de prometer manter o financiamento.
Petro criticou a decisão, afirmando que o governo colombiano aumentou a pressão sobre os cartéis em seu território, com um volume crescente de apreensões de drogas e prisões de criminosos, e afirmou que o consumo de drogas era um problema da sociedade dos EUA, e não da Colômbia.
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O presidente foi além, e defendeu que soldados americanos descumprissem as ordens de Trump, durante um discurso no qual acusou os EUA de apoiarem “o genocídio em Gaza”. Em resposta, perdeu seu visto — a viagem aos EUA nesta terça só foi possível graças a uma autorização especial — e foi incluído na lista de sanções do Departamento do Tesouro. Washington alegou que ele era cúmplice do narcotráfico.
O ápice da crise veio em dezembro, em meio ao maior deslocamento militar dos EUA no Caribe em décadas, e que tinha na Venezuela de Maduro seu grande alvo. Em reunião de Gabinete, Trump disse que poderia atacar qualquer país que enviasse drogas aos Estados Unidos, citando a Colômbia e Petro. Ali, afirmou que “era melhor ele (Petro) se ligar, ou será o próximo”. Petro respondeu que Trump estava “desinformado”.
Após o ataque a Caracas e a captura de Maduro, o risco de uma ação na Colômbia ficou evidente. Trump chamou Petro de “doente que gosta de produzir cocaína e vendê-la para os Estados Unidos, e ele não vai continuar fazendo isso por muito tempo”, recomendando mais uma vez que ficasse atento.
Inicialmente, Petro e suas Forças Armadas disseram que estavam prontos para “pegar em armas”, mas houve um esforço nos bastidores para baixar a temperatura entre Bogotá e Washington. Os altos escalões da diplomacia colombiana acionaram contatos na capital americana — entre eles, o senador republicano Rand Paul, que se opôs ao ataque contra a Venezuela — e abriram caminho para o telefonema do dia 7 de janeiro e para a reunião desta terça. Mas as divergências entre os dois líderes, que ocupam campos políticos distintos, ainda são numerosas.
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Petro amenizou, mas não eliminou, as críticas às políticas do republicano, e vê com receio a reedição da Doutrina Monroe — América para os americanos — pelo governo atual. Além de exercerem uma presença mais intensa na região, Trump quer reduzir a presença de influências consideradas hostis, especialmente a China. A Colômbia é um dos poucos países da América Latina que têm nos EUA os principais parceiros comerciais, mas Pequim tem aumentado o volume de trocas comerciais. Por outro lado, Washington entende que a estabilidade da Venezuela pós-Maduro depende em boa parte da cooperação da Colômbia em matéria de controle de fronteiras e de grupos armados.
O líder colombiano também quer aparar arestas antes da eleição presidencial de maio. Aliados de Petro temem que o agravamento da crise com Washington seja usado pelos adversários para minar a candidatura de seu aliado, Iván Cepeda. Há o risco de uma interferência de Trump na votação, como a declaração de apoio a um rival, como fez em processos recentes na América Latina. Se retornar para casa com bons resultados na bagagem, Petro eliminaria um dos principais argumentos de seus rivais na votação: o de que está destruindo as relações com os EUA.
Como gesto simbólico, o mandatário colombiano levou a Washington uma cesta tradicional de itens colombianos, incluindo café e chocolate, produzidos por famílias que trocaram o plantio da coca por cultivos de alimentos através de programas do governo.
Um juiz federal de Manhattan informou que realizará uma audiência nesta quarta-feira para considerar a suspensão do site do Departamento de Justiça dos EUA que hospeda milhões de arquivos do caso de Jeffrey Epstein, empresário e investidor americano que foi acusado de uma série de crimes sexuais e morreu na prisão em 2019, após nomes de vítimas terem sido divulgados indevidamente. A falha em omitir as informações virou a vida de quase 100 sobreviventes “de cabeça para baixo”, argumentaram os advogados de um grupo de vítimas em uma carta no domingo.
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O pedido dos advogados ocorreu após a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, reconhecer em carta ao tribunal, na segunda-feira, que o Departamento trabalhou durante o fim de semana e “removeu vários milhares de documentos e mídias que podem ter incluído, inadvertidamente, informações de identificação de vítimas”. Ela atribuiu o ocorrido a “diversos fatores, incluindo erros técnicos ou humanos”.
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A procuradora-geral, junto com seu vice, Todd Blanche, e Jay Clayton, o procurador dos EUA em Manhattan, escreveram que os documentos em questão passariam por novas edições e seriam republicados prontamente — “idealmente dentro de 24 a 36 horas”.
O embate entre os advogados das vítimas e o departamento segue a liberação, na sexta-feira, de três milhões de documentos, imagens, vídeos e outros registros relacionados a Epstein. A publicação foi ordenada sob uma lei promulgada em novembro, com a condição de que as informações das vítimas fossem editadas (tarjadas). Bondi afirmou em sua carta que o departamento possui equipes de funcionários dedicadas a monitorar solicitações de vítimas e seus advogados para adicionar novas proteções aos materiais postados.
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‘Emergência em curso’
Na carta pedindo que o site do Departamento de Justiça seja retirado do ar temporariamente, até que as edições adequadas sejam feitas, os advogados também solicitaram a nomeação de um monitor independente para supervisionar o processo. Eles descreveram a situação como “uma emergência em curso que exige intervenção judicial imediata”.
“Para as vítimas de Jeffrey Epstein, cada hora importa”, escreveram os advogados Brittany Henderson e Brad Edwards. “O dano é contínuo e irreversível.”
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Departamento de Justiça dos EUA
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A carta foi endereçada aos juízes Richard M. Berman, que supervisionou o caso de Epstein, e Paul A. Engelmayer, que supervisiona o caso de Ghislaine Maxwell, cúmplice do milionário que foi julgada, condenada e cumpre pena de 20 anos de prisão.
O juiz Berman, que ordenou a audiência em um breve despacho na segunda-feira, disse reconhecer a “preocupação e a urgência” do assunto e convidou os advogados a trazerem seus clientes com eles.
“Não tenho certeza do quão útil poderei ser”, acrescentou Berman, dizendo que incentivou os advogados e o procurador Clayton a trabalharem “para resolver as questões pendentes de boa-fé”.
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Pedidos das vítimas
Henderson e Edwards, em sua carta aos juízes, afirmaram que não há “grau concebível de incompetência institucional suficiente para explicar a escala, a consistência e a persistência das falhas ocorridas — particularmente quando a única tarefa era simples: omitir nomes conhecidos de vítimas antes da publicação”.
Eles incluíram comentários de várias clientes do escritório. Uma mulher, identificada apenas como Jane Doe 2, disse que todos os seus e-mails foram postados sem edições e que “vários artigos já foram publicados” sobre ela. Outra mulher, Jane Doe 5, escreveu que está sendo assediada pela mídia e por terceiros. “Por favor, imploro que apaguem meu nome!!!”.
Uma terceira mulher, Jane Doe 8, disse que suas informações bancárias privadas foram tornadas públicas e que ela estava tentando cancelar seus cartões e contas.
A Nasa anunciou, nesta terça-feira (3), que adiou para março o lançamento de sua primeira missão tripulada à Lua em mais de meio século, após detectar um vazamento de combustível durante um teste importante.
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A agência espacial americana realizou nas primeiras horas desta terça uma simulação em “condições reais”. O exercício estava previsto como o último grande ensaio antes do lançamento no dia 8 deste mês, próximo domingo.
“Com a conclusão do teste geral hoje, abrimos mão da janela de fevereiro e miramos março para o lançamento mais cedo possível da Artemis 2”, disse o diretor da Nasa, Jared Isaacman, em um comunicado no X.
Durante o lançamento simulado, “as equipes tiveram que gerenciar um vazamento de hidrogênio líquido em uma interface do estágio central (do foguete) durante o abastecimento dos tanques, o que exigiu interrupções para aquecer o equipamento e ajustar a vazão do propelente”, explicou Isaacman.
Todos os tanques estavam cheios e a contagem regressiva chegou a cerca de cinco minutos antes de o vazamento piorar e as operações serem interrompidas, detalhou.
“Como sempre, a segurança é nossa prioridade absoluta (…) só seguiremos com o lançamento quando considerarmos que estamos prontos para empreender esta missão histórica”, acrescentou.
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Por volta das 16h25 GMT (13h25 em Brasília) de segunda-feira na Flórida, o chefe da missão havia dado sinal verde para iniciar o abastecimento de combustível no enorme foguete SLS na plataforma de lançamento de Cabo Canaveral.
Além de demonstrar a capacidade de carregar mais de 700 mil galões de propelentes criogênicos no foguete de 98 metros de comprimento, as equipes simularam uma contagem regressiva de lançamento e praticaram a retirada segura do propelente.
A missão, que tem previsão de durar cerca de dez dias, não pousará na Lua, mas voará ao redor do satélite terrestre, e terá a participarão de três americanos e um canadense.
Antes deste teste, foram consideradas 14 janelas de lançamento entre 8 de fevereiro e 30 de abril.
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O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, senador Fabiano Contarato (PT-ES), informou nesta terça-feira (3), em Brasília, que vai pedir a convocação do governador do Distrito Federal (DF), Ibaneis Rocha (foto). Se aprovado pelo colegiado, Ibaneis será obrigado a comparecer.

Convidado a ir à sessão da CPI de hoje, Ibaneis enviou um ofício informando que mandaria o secretário de Segurança, Sandro Avelar, para representar o governo do DF. Porém, quem compareceu foi o número 2 da secretaria, o secretário-executivo Alexandre Patury.

“Por esse motivo, a sessão desta terça-feira (3) da CPI está cancelada. O presidente da CPI irá apresentar requerimento para convocação do governador Ibaneis Rocha à comissão”, informou a assessoria do senador Fabiano Contarato.

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), defendeu o convite feito a Ibaneis argumentando que, embora o DF apresente uma taxa de homicídio “controlada”, a capital é sede do poder político e econômico.

“Seus gestores poderão detalhar as estratégias de combate à lavagem de dinheiro, descapitalização das facções e infiltração do crime organizado em setores da economia e do Estado”, disse Vieira no requerimento que pediu a oitiva de Ibaneis.

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A Agência Brasil procurou a assessoria do Governo do Distrito Federal (GDF) para comentar o tema, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

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Banco Master

O governador do DF está relacionado ao escândalo do Banco Master e enfrenta na Câmara Legislativa pedidos para abertura de CPI e de impeachment. O Banco de Brasília (BRB), o banco público do DF, é investigado por tentar comprar o Banco Master, que teria emitido créditos falsos para arrecadar recursos no mercado financeiro.

De acordo com as investigações, as fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões. Diante dos indícios de fraude, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central.

Ibaneis nega qualquer irregularidade e diz estar tranquilo quanto à investigação envolvendo o BRB.

Outros governadores

A CPI do Crime Organizado escolheu esta semana para ouvir governadores sobre a atuação do crime organizado e facções em seus estados. Na quarta-feira (4), está previsto o depoimento do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Porém, a sessão também foi cancelada. O governador do Rio informou à CPI que está em agenda oficial na Europa e não poderá comparecer.  

A Ucrânia acusou, nesta terça-feira, a Rússia de ter executado o ataque “mais potente” do ano contra suas já fragilizadas instalações de energia, o que deixou centenas de milhares de pessoas sem aquecimento sob uma onda de frio extremo, na véspera das negociações em busca de uma saída para quase quatro anos de guerra.
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Os ataques foram executados poucas horas antes da chegada à Ucrânia do secretário-geral da Otan, Mark Rutte.
— Ataques russos como os de ontem à noite não demonstram seriedade a respeito da paz — opinou Rutte em um discurso no Parlamento ucraniano.
Segundo a Força Aérea ucraniana, o Exército russo disparou 71 mísseis e 450 drones de ataque. Trinta e oito mísseis e 412 drones foram interceptados.
Zelensky condenou duramente um “ataque deliberado contra a infraestrutura energética, com um número recorde de mísseis balísticos”. Também acusou Moscou de ter aproveitado a pausa para “acumular mísseis” e “esperar os dias mais frios do ano” para atacar.
A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022, o que desencadeou o pior conflito armado na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, com um balanço de dezenas de milhares de mortos nos dois lados, ou até centenas de milhares. Os ataques não dão trégua, mesmo com a previsão de um segundo ciclo de negociações na quarta e quinta-feira em Abu Dhabi para buscar uma saída diplomática, com a mediação dos Estados Unidos.
Explosões foram ouvidas durante toda a noite na capital ucraniana e mais de mil edifícios ficaram sem aquecimento, com temperaturas abaixo de 20 graus negativos. O novo ataque contra o setor energético ucraniano ocorre após alguns dias de calma. O Kremlin anunciou na semana passada que havia aceitado, a pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, interromper os ataques contra Kiev “até 1º de fevereiro”.
— Centenas de milhares de famílias, incluindo crianças, foram deliberadamente privadas de aquecimento — lamentou o ministro da Energia ucraniano, Denis Shmigal.
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O governo ucraniano está convencido de que os ataques pretendem abalar o ânimo da população. Os disparos atingiram oito regiões, incluindo Kiev, Dnipro (centro-leste), Kharkiv (nordeste) e Odessa (sul).
Monumento soviético
Segundo a operadora privada de energia DTEK, foi “o ataque mais potente contra o setor energético desde o começo do ano”. Pelo menos 1.100 prédios estão sem aquecimento nos bairros da zona leste da capital, informou o prefeito, Vitali Klitschko. Especialistas avaliam as possibilidades de reparos nas instalações, acrescentou.
Em Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, mais de 100.000 casas foram afetadas.
— Acordei com um clarão e ouvi uma explosão muito forte. Em pânico, eu e meu pai saímos correndo — declarou à AFP Mikita, um estudante.
— Nossas janelas estão quebradas e não temos aquecimento. Não sabemos o que fazer — disse Anastasia Gritsenko.
Segundo a ministra da Cultura, Tetyana Berezhna, um ataque com míssil russo danificou o Salão da Glória do Museu Nacional da História da Ucrânia na Segunda Guerra Mundial, localizado na base do Monumento soviético da “Mãe Pátria”, em Kiev, que celebra a vitória sobre a Alemanha nazista.Aterrorizar a população
Como é habitual, o Ministério da Defesa da Rússia afirmou que visou o “complexo militar-industrial ucraniano e instalações energéticas utilizadas em seu benefício”. Antes da trégua da semana passada, a Rússia já havia atacado centrais elétricas e o setor de gás ucraniano, provocando uma crise energética.
— Aproveitar os dias de inverno mais frios para aterrorizar a população é mais importante para a Rússia do que escolher a diplomacia — denunciou Zelensky.
As negociações diplomáticas são complexas. Segundo Zelensky, o principal ponto de atrito é territorial. Moscou exige que as forças ucranianas abandonem as áreas sob seu controle no Donbass, uma região industrial do leste do país. Kiev não aceita.
A Rússia ocupa atualmente pouco mais de 19% da Ucrânia, incluindo a península da Crimeia, anexada em 2014.
A reabertura da passagem de Rafah, que conecta a Faixa de Gaza ao Egito, começou timidamente na segunda-feira, em um momento em que a cidade do extremo sul do enclave palestino se converte no centro das atenções internacionais sobre a região. Enquanto ao menos oito pessoas cruzaram para o território egípcio, doze palestinos retornaram a Gaza após quase dois anos, em busca de refazer suas vidas em meio ao processo de paz em andamento. Fontes israelenses afirmaram que um programa para a reconstrução de Rafah já foi aprovado em Israel, antes mesmo do desarmamento total do Hamas — ponto que continua a ser apontado como principal barreira para a sequência da implementação das novas fases do acordo assinado em outubro.
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O primeiro dia da reativação da passagem ficou aquém do número estimado de 50 pessoas cruzando a fronteira em cada sentido. O Ministério do Interior de Gaza, citado pelo New York Times, afirmou que apenas oito palestinos, incluindo pessoas necessitando atendimento médico e seus acompanhantes, saíram por Rafah. Uma fonte que trabalha na fronteira informou à agência AFP que 12 pessoas teriam passado em direção ao Egito. Um funcionário do Ministério da Saúde do país africano detalhou que três ambulâncias transportaram pacientes palestinos, e que eles “foram imediatamente examinados para determinar para qual hospital seriam transferidos”.
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Fontes oficiais na fronteira egípcia afirmaram que estão autorizadas a permitir a passagem de 50 pacientes por dia, acompanhados por um máximo de dois acompanhantes cada. Cerca de 20 mil pacientes, incluindo 4,5 mil crianças, têm necessidade urgente de atendimento médico em Gaza, segundo o diretor do Hospital al-Shifa, Mohammed Abu Salmiya, principal unidade de saúde do território palestino.
O palestino Mohammed Mahdi, de 25 anos, acompanhou o pai, Akram Mahdi, de 61 anos, na segunda-feira, demonstrou otimismo. Akram foi ferido em abril de 2024 por estilhaços de um ataque israelense a um campo de refugiados, perdendo a vista do olho direito e ferindo o esquerdo. Os médicos em Gaza pouco puderam fazer além de estabilizá-lo.
— Finalmente podemos receber tratamento avançado no exterior — disse Mohammed, antes de embarcar.
Ambulâncias aguardam em fila no lado egípcio da passagem de fronteira de Rafah com a Faixa de Gaza
AFP
Do lado egípcio da fronteira, 150 hospitais e 300 ambulâncias foram incluídas na operação para receber os palestinos, além de 12 mil médicos e 30 equipes de emergência, segundo informações do AlQahera News, meio de comunicação estatal. Uma das preocupações do Cairo, que recebeu cerca de 80 mil palestinos desde o começo da guerra entre Israel e Hamas, em 2023, seria o de garantir que o fluxo de entradas e saídas fosse similar, disseram fontes ouvidas sob a condição de anonimato. Ao menos no primeiro dia isso se confirmou, com 12 pessoas retornando a Gaza.
O pequeno grupo se reencontrou com suas famílias após quase dois anos do fechamento da fronteira, em uma jornada de volta que também carregou um peso simbólico. Retornar a um território ainda sem sinal de cessar-fogo definitivo, em escombros e que a organizações internacionais afirmam ainda ser uma situação de crise humanitária grave, segundo alguns deles, expõe uma rejeição a qualquer ideia de expulsão permanente do território — algo que foi defendido por radicais em Israel e pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
— Não à expulsão — disse Huda Abu Abed, de 56 anos, que retornou após a conclusão de tratamento médico. — Ninguém quer deixar o próprio país.
Palestinos retornam do Egito e desembarcam em Khan Younis, na Faixa de Gaza
Bashar Taleb/AFP
‘Nova Rafah’
Em meio à retomada da atividade do posto de fronteira, e da pressão de agências da ONU e ONGs com atuação em Gaza para que seja permitida a entrada de carregamentos com ajuda humanitária, novos planos para Rafah parecem estar em curso. Fontes ouvidas pelo jornal israelense Haaretz afirmaram que o governo do Estado judeu concordou com o plano de reconstrução da “Nova Rafah” — área sob controle militar israelense — depois que receber um compromisso para desarmamento do Hamas em 100 dias.
A decisão, segundo as fontes israelenses, foi tomada após um pedido dos EUA para que houvesse uma separação do que seria a “Velha Gaza” — ainda sob controle total do Hamas — e a área que vai ficar sob responsabilidade do comitê de tecnocratas já designado. A reconstrução da “Velha Gaza”, por outro lado, ficaria condicionada à conclusão do desarmamento total do grupo palestino.
Além do compromisso do Hamas com o desarmamento, outros pontos ainda estariam em aberto para o início da reconstrução, incluindo o financiamento por parte de países colaboradores do processo de paz e a formalização da Força Internacional de Estabilização. Apesar disso, o Exército israelense vem atuando como parte dos preparativos para a mudança no terreno, removendo há muito tempo entulhos de construção e munições não-detonadas. (Com AFP e NYT)
As primeiras bombas caíram nas primeiras horas de 3 de janeiro, exatamente um mês atrás. O som das hélices dos helicópteros, o ruído e o clarão das explosões acordaram os venezuelanos, atônitos com o resultado desta incursão dos Estados Unidos: Nicolás Maduro não era mais presidente. Maduro foi capturado juntamente com sua mulher, Cilia Flores, e transferido para Nova York para ser julgado por tráfico de drogas.
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O país passou para as mãos de Delcy Rodríguez, que era vice-presidente e que, sob pressão, está liderando as mudanças exigidas pelo presidente americano Donald Trump, mantendo viva a retórica chavista. Uma reaproximação com Washington, abertura do setor petrolífero, anistia geral: o panorama é diferente na Venezuela sem Maduro.
O que mudou? O que permanece igual?
Trump ordenou o bombardeio que terminou com a captura de Maduro e no qual cem pessoas morreram, incluindo civis e militares. Mas ele evitou uma ruptura completa, como os Estados Unidos haviam feito no Iraque no passado. Delcy mantém o chavismo no poder, embora sob a influência de Washington. É uma “estabilidade controlada por tutela”, avaliou Guillermo Tell Aveledo, professor de Estudos Políticos da Universidade Metropolitana.
Trump chamou Delcy de “formidável” e a convidou para a Casa Branca em uma data ainda a ser definida. “Tudo está indo muito bem com a Venezuela”, disse ele em 14 de janeiro, após a primeira ligação telefônica entre os dois.
Ambos os países também estão progredindo na retomada das relações, que foram rompidas por Maduro em 2019, embora o secretário de Estado Marco Rubio o tenha alertado de que ela poderia sofrer o mesmo destino que Maduro se não se alinhar aos objetivos de Washington. Delcy recebeu na segunda-feira a nova chefe da missão diplomática dos EUA, Laura Dogu, que insistiu que a “transição” faz parte da agenda.
Abertura de óleo
Segundo analistas, a Venezuela aprovou uma reforma em sua lei do petróleo, ditada pelos Estados Unidos. A medida revoga a nacionalização de 1976 e, principalmente, o modelo estatista imposto por Hugo Chávez 30 anos depois. Empresas privadas poderão operar de forma independente, e não como acionistas minoritários em parceria com a estatal PDVSA. O plano de Trump é que empresas petrolíferas americanas, como a Chevron, invistam na Venezuela.
A nova lei também torna as percentagens de royalties mais flexíveis e simplifica o pagamento de impostos. Além disso, elimina a exclusividade da exploração e da exploração primária.
“É a única maneira de conseguir investimentos significativos”, explicou o analista de petróleo Francisco Monaldi, professor nos Estados Unidos.
De acordo com especialistas, a Venezuela precisa de cerca de 150 bilhões de dólares para revitalizar sua indústria, que foi duramente afetada por anos de corrupção e má gestão. Trump assumiu o controle de algumas das vendas de petróleo da Venezuela no mercado, sem os descontos obrigatórios pelo embargo que impôs em 2019. Ele realizou uma venda inicial que gerou US$ 500 milhões para o país.
Governo e propaganda
Delcy está, teoricamente, liderando o governo de Maduro em caráter interino. Mas ela trocou ministros e oficiais de alta patente nas Forças Armadas desde que assumiu o poder, embora Diosdado Cabello e Vladimir Padrino, os influentes ministros do Interior e da Defesa, permaneçam em seus cargos por enquanto.
“Trata-se de uma fase de reajuste de um sistema que preferiu não alterar sua hegemonia”, indicou Aveledo.
Manifestantes exigem a libertação de Maduro em protesto em Caracas
A reaproximação com os Estados Unidos entra em conflito com o discurso histórico “anti-imperialista” do chavismo, que permeou as Forças Armadas. O partido governista organiza marchas quase diariamente para condenar o “sequestro” de Maduro, e a TV estatal transmite uma música cativante exigindo sua libertação.
O rosto dele e o de sua mulher foram exibidos em um show de luzes com drones em Fuerte Tiuna, o principal complexo militar do país, onde eles passavam a noite na manhã de 3 de janeiro, que foi bombardeado durante a incursão dos EUA. Uma formação perfeita de drones também exibiu a transcrição de sua queixa no tribunal de Nova York, onde ele se declarou “prisioneiro de guerra”.
Anistia e medo
Delcy declarou uma anistia geral, que o Parlamento precisa aprovar nesta semana. Seu alcance ainda não está claro.
“Liberdade, liberdade!”, gritaram os familiares dos presos políticos do lado de fora das prisões ao saberem da notícia.
Ela também anunciou o fechamento de El Helicoide, uma prisão denunciada durante anos como um centro de tortura. A anistia visa libertar os presos políticos. Delcy havia anunciado anteriormente um processo de libertação, que, no entanto, estava avançando muito lentamente. Até esta segunda-feira, 687 pessoas permaneciam detidas por motivos políticos, segundo a ONG Foro Penal.
“A anistia, em princípio, implica esquecimento, não perdão”, explicou Alfredo Romero, diretor do Foro Penal, que rejeitará qualquer projeto que sirva de “manto da impunidade”.
O medo que Maduro instilou diminuiu, mas não desapareceu. As pessoas ainda criticam o governo em sussurros.
“Há uma ‘liberalização tática'”, estimou Aveledo. “O sistema está recalibrando os custos da repressão.”
Marina Ramos / Câmara dos Deputados
Lindbergh Farias: fim da escala 6×1 vai dominar discussões políticas no país

O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), afirmou que o fim da escala de trabalho 6×1 é a prioridade do governo neste ano.

Segundo ele, o Executivo vai encaminhar ao Congresso depois do carnaval um projeto de lei com urgência constitucional sobre o assunto.

Propostas com esse tipo de urgência precisam ser apreciadas em até 45 dias em cada uma das Casas (Câmara e Senado), caso contrário a pauta de votações fica trancada.

Lindbergh acrescentou que o fim da escala 6×1 vai entrar na pauta de discussões do país.

“Esse é um debate central, é prioridade do presidente Lula. Nesta semana, está entrando [no bolso do trabalhador] a isenção do Imposto de Renda e o salário que aumentou, além do projeto Gás do Povo. Enfim, estamos tendo o aumento de renda das famílias brasileiras”, disse.

“O debate do Imposto de Renda está superado, e a próxima bandeira do governo é o fim da escala 6×1, que, com a urgência constitucional, vira o centro da discussão política no país”, continuou o líder.

Lindbergh destacou ainda que deve entrar na pauta outra prioridade do partido: a regulamentação do trabalho por meio de aplicativos. Para o líder do PT, é preciso garantir direito a esses cidadãos.

Banco Master
O deputado também afirmou que o PT deve assinar os pedidos de instauração de CPI e CPMI para investigar irregularidades do Banco Master.

Segundo ele, é uma determinação do governo “ir pra cima da maior fraude da história”.

“Vamos assinar tanto a CPI da Câmara, do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), quanto a CPMI das deputadas Heloísa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchionna (Psol-RS). Não vamos entrar na defensiva, porque somos nós que estamos apurando e que vamos esclarecer tudo”, declarou Lindbergh Farias.

Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
Reunião do Conselho de Ética da Câmara

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados realiza nesta semana duas reuniões sobre duas representações contra deputados.

Nesta terça-feira (3), serão ouvidas as testemunhas do deputado Marcos Pollon (PL-MS), acusado de adotar conduta incompatível com o decoro parlamentar durante a ocupação do Plenário, no início de agosto do ano passado (REP 24/25). A reunião será às 10 horas, no plenário 11.

Na quarta-feira (4) haverá a discussão e votação de parecer preliminar da representação (REP 9/25) do Partido Novo contra o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), por quebra de decoro parlamentar. A reunião será às 14 horas, em plenário a definir.

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, senador Fabiano Contarato (PT-ES), informou nesta terça-feira (3), em Brasília, que vai pedir a convocação do governador do Distrito Federal (DF), Ibaneis Rocha (foto). Se aprovado pelo colegiado, Ibaneis será obrigado a comparecer.

Convidado a ir à sessão da CPI de hoje, Ibaneis enviou um ofício informando que mandaria o secretário de Segurança, Sandro Avelar, para representar o governo do DF. Porém, quem compareceu foi o número 2 da secretaria, o secretário-executivo Alexandre Patury.

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“Por esse motivo, a sessão desta terça-feira (3) da CPI está cancelada. O presidente da CPI irá apresentar requerimento para convocação do governador Ibaneis Rocha à comissão”, informou a assessoria do senador Fabiano Contarato.

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), defendeu o convite feito a Ibaneis argumentando que, embora o DF apresente uma taxa de homicídio “controlada”, a capital é sede do poder político e econômico.

“Seus gestores poderão detalhar as estratégias de combate à lavagem de dinheiro, descapitalização das facções e infiltração do crime organizado em setores da economia e do Estado”, disse Vieira no requerimento que pediu a oitiva de Ibaneis.

A Agência Brasil procurou a assessoria do Governo do Distrito Federal (GDF) para comentar o tema, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

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Banco Master

O governador do DF está relacionado ao escândalo do Banco Master e enfrenta na Câmara Legislativa pedidos para abertura de CPI e de impeachment. O Banco de Brasília (BRB), o banco público do DF, é investigado por tentar comprar o Banco Master, que teria emitido créditos falsos para arrecadar recursos no mercado financeiro.

De acordo com as investigações, as fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões. Diante dos indícios de fraude, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central.

Ibaneis nega qualquer irregularidade e diz estar tranquilo quanto à investigação envolvendo o BRB.

Outros governadores

A CPI do Crime Organizado escolheu esta semana para ouvir governadores sobre a atuação do crime organizado e facções em seus estados. Na quarta-feira (4), está previsto o depoimento do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Porém, a sessão também foi cancelada. O governador do Rio informou à CPI que está em agenda oficial na Europa e não poderá comparecer.  

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