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Quando o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) anunciou a morte do cubano Geraldo Lunas Campos no último dia 3, em um centro de detenção no Texas, a agência afirmou que “os funcionários o observaram em sofrimento”, mas não divulgou a causa da morte. Nesta semana, segundo o jornal americano Washington Post, um médico legista concluiu que a causa preliminar foi “asfixia por compressão do pescoço e do tórax”, o que deve levar as autoridades — dependendo dos resultados do exame toxicológico — classificarem a morte como homicídio. Família afirma que o FBI está investigando o caso.
Entenda: Aumento da violência em operações anti-imigrantes nos EUA põe táticas do ICE em xeque e expõe falhas em recrutamento
Veja: México exige esclarecimentos sobre morte de cidadão sob custódia do ICE nos EUA
Geraldo Lunas Campos, um imigrante cubano de 55 anos que foi preso pelo ICE em julho do ano passado, estava no Acampamento East Montana, um extenso terreno com tendas na base militar de Fort Bliss, em El Paso, alvo de críticas de grupos de direitos humanos devido a relatos de abusos e condições desumanas. O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), por exemplo, já classificou a prisão onde estava Lunas Campos como uma das “piores entre as piores”.
Inicialmente, em comunicado, o ICE alegou que Lunas Campos morreu após “sofrer um mal súbito” e que a causa da morte estava sendo investigada. Ele possui acusações de abuso sexual infantil, porte de arma de fogo e agressão qualificada.
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Em entrevista ao Washington Post, Santos Jesus Flores, um homem que afirma ter sido detido na cela de isolamento no dia da morte de Lunas Campos, afirmou que o cubano morreu após uma luta com funcionários do centro de detenção. Flores disse ter visto cinco guardas estrangulando Lunas Campos enquanto ele resistia a entrar na cela de isolamento, reclamando que não tinha seus medicamentos. Durante a luta, ele disse ter ouvido o cubano repetir várias vezes que não conseguia respirar.
— Ele disse: “Não consigo respirar, não consigo respirar”. Depois disso, não ouvimos mais a voz dele e acabou — contou.
Ao Post, a porta-voz do DHS, Tricia McLaughlin, afirmou que Lunas Campos morreu após uma tentativa de suicídio. “Campos resistiu violentamente à equipe de segurança e continuou tentando tirar a própria vida. Durante a luta, Campos parou de respirar e perdeu a consciência”, informou a porta-voz. “Após repetidas tentativas de reanimá-lo, os paramédicos o declararam morto no local”.
Lunas Campos foi um dos quatro detentos do ICE que morreram sob custódia nos primeiros 10 dias deste ano. O ano passado, por exemplo, foi o mais letal para a agência em mais de duas décadas. A morte do cubano ocorre em meio à comoção nacional causada pelo assassinato da americana Renee Nicole Good, baleada em seu carro no último dia 7, em Minneapolis, no estado de Minnesota, por um agente do ICE. O caso levantou questões sobre o treinamento do ICE, que ajuda a implementar a repressão à imigração promovida pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
Número de mortos sob custódia do ICE por ano
Editoria de Arte / O Globo
Entre as mais de 280 mortes documentadas em centros de detenção do ICE desde 2004, houve apenas alguns casos confirmados de detentos mortos por terceiros, de acordo com Andrew Free, pesquisador e advogado que representou famílias de imigrantes que morreram sob custódia. No ano passado, dois detentos foram mortos por um atirador que disparou contra um escritório do ICE em Dallas; e em 2013, um imigrante detido em Porto Rico morreu após ser esfaqueado diversas vezes por outros detentos.
México exige esclarecimentos
Na quinta-feira, o Ministério das Relações Exteriores do México pediu esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte de um de seus cidadãos, enquanto estava sob custódia do ICE. Segundo o governo mexicano, a morte ocorreu na última quarta-feira.
Leia também: Dados mostram que mais imigrantes estão morrendo sob custódia do ICE durante governo Trump
O consulado mexicano em Atlanta solicitou “que as circunstâncias do incidente sejam esclarecidas” e afirmou que “está cooperando nos esforços necessários para garantir que a investigação seja conduzida de forma rápida e transparente”.
O Ministério das Relações Exteriores do México não divulgou o nome da vítima, mas confirmou que o consulado “estabeleceu contato imediato” com sua família.
Centros de detenção fatais
As táticas de confronto do ICE durante o governo Trump estão sob os holofotes desde a morte de Renee Good. Dados publicados pela agência mostram, no entanto, que os centros de detenção de imigrantes também podem ser fatais para os reclusos.
Vídeo mostra momento em que agente do ICE atira em mulher em Minneapolis
Ao menos quatro pessoas morreram enquanto estavam detidas pelo ICE em 2026, segundo dados divulgados pela agência. Todas as mortes ocorreram nos primeiros dez dias do ano, e três delas foram anunciadas entre 9 e 10 de janeiro.
Os imigrantes, todos homens, tinham entre 42 e 68 anos. Dois deles eram cidadãos de Honduras, um terceiro era de Cuba, e o quarto, do Camboja. Duas mortes foram atribuídas a “problemas de saúde relacionados com o coração”, e a causa das outras duas não foi informada claramente. Um dos casos foi classificado como “sob investigação”.
Na última quarta, o ICE respondeu a um pedido de comentários da AFP. A agência informou que, “coerente com a informação da última década, a taxa de mortalidade sob custódia é de 0,00007%”. “No entanto, a mídia tenta deturpar os dados para difamar a aplicação da lei do ICE”, afirmou, em um comunicado, McLaughlin. “Não houve um aumento nas mortes”.
Com mais espaço para leitos nos centros de detenção do ICE, a agência tem mantido “um padrão maior de cuidado” que a maioria das prisões com cidadãos americanos reclusos, “incluindo acesso a um atendimento médico adequado”, disse. “Para muitos estrangeiros ilegais, este é o melhor serviço de saúde que receberam em todas as suas vidas”.

Veja outras postagens

Um barco turístico com 12 pessoas a bordo virou na tarde deste sábado nas proximidades da Gruta de Benagil, em Lagoa, no Algarve, sul de Portugal. Segundo informações divulgadas pelas autoridades marítimas portuguesas, ao menos duas pessoas ficaram feridas.
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De acordo com fonte das operações de socorro, as vítimas começaram a ser retiradas do local por uma embarcação do Instituto de Socorros a Náufragos (ISN) e foram encaminhadas para Portimão, onde receberam assistência médica. A Marinha portuguesa informou que todos os ocupantes estavam a bordo de um salva-vidas com destino à cidade. Um centro de apoio também foi montado na Marina de Portimão, em ação coordenada com a Proteção Civil e o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
Até o momento, não foram divulgadas as causas do acidente nem o estado de saúde detalhado dos feridos. O alerta mobilizou equipes de resgate marítimo e autoridades locais durante a tarde.
Destino turístico famoso
A Gruta de Benagil, também conhecida como Algar de Benagil, é um dos pontos turísticos mais conhecidos do Algarve e recebe diariamente dezenas de embarcações, especialmente durante a alta temporada europeia. O monumento natural fica na Praia de Benagil, em Lagoa, e é conhecido pela formação rochosa com uma abertura circular no teto da caverna.
O acesso ao local é feito exclusivamente pelo mar, por meio de barcos turísticos, caiaques ou stand-up paddle. Embora seja possível chegar nadando, autoridades e operadores turísticos alertam para os riscos provocados pelas correntes marítimas da região.
A Rússia confirmou neste domingo (24) o lançamento de um míssil balístico hipersônico Oreshnik, com capacidade nuclear, contra a Ucrânia em ataques massivos realizados durante a noite.
“Em resposta aos ataques terroristas da Ucrânia contra infraestrutura civil em território russo, as Forças Armadas da Federação Russa realizaram um ataque massivo utilizando mísseis balísticos Oreshnik, mísseis balísticos lançados do ar Iskander, mísseis balísticos hipersônicos lançados do ar Kinzhal e mísseis de cruzeiro Tsirkon”, além de drones, afirmou o ministério em um comunicado.
A Rússia atacou a Ucrânia com 600 drones e 90 mísseis em uma grande ofensiva noturna, incluindo um míssil balístico de médio alcance, informou a Força Aérea Ucraniana neste domingo (24).
As defesas aéreas interceptaram 549 dos drones e 55 mísseis, segundo comunicado da Força Aérea no Telegram. Autoridades da capital Kiev e da região metropolitana relataram quatro mortos e mais de 60 feridos.
Pelo menos 24 pessoas morreram neste domingo (24) em uma explosão em um trem que transportava militares na província do Baluchistão, no sudoeste do Paquistão, informou um alto funcionário à AFP.
Entre as vítimas do ataque, que ocorreu na capital provincial, Quetta, estavam soldados, disse a fonte, acrescentando que mais de 50 ficaram feridos.
A violência tem aumentado nos últimos meses nesta província que faz fronteira com o Irã, onde atuam grupos separatistas como o Exército de Libertação do Baluchistão, considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos.
Um homem morreu após um ataque de tubarão no norte de Queensland, no nordeste da Austrália, informou a polícia neste domingo (24).
O homem de 39 anos morreu em decorrência dos ferimentos em um píer, após ser retirado da água na sequência do ataque em Kennedy Shoal, informou a Polícia de Queensland em um comunicado.
De acordo com o comunicado, os serviços de emergência receberam um chamado para o píer de Hull River Heads pouco antes do meio-dia (horário local).
“Eles retiraram o homem da água”, mas ele “morreu devido aos ferimentos”, diz o comunicado.
O píer de Hull River Heads está localizado a 160 quilômetros ao sul da cidade turística de Cairns.
O incidente ocorreu uma semana após outro ataque de tubarão na Austrália Ocidental.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse no domingo que o atirador que abriu fogo contra agentes do Serviço Secreto em frente à Casa Branca tinha um “histórico de violência e uma possível obsessão” pelo prédio.
“Agradeço ao nosso excelente Serviço Secreto e às forças policiais pela ação rápida e profissional tomada esta noite contra um atirador perto da Casa Branca, que tinha um histórico de violência e uma possível obsessão pela estrutura mais querida do nosso país”, disse ele em uma publicação no Truth Social.
Os crescentes casos de racismo de argentinos e chilenos contra brasileiros — o mais recente envolvendo um executivo chileno contra um comissário de bordo da Latam — reacenderam um debate incômodo no Cone Sul: como países que durante décadas cultivaram a imagem de sociedades brancas e europeizadas lidam com sua própria história negra, frequentemente apagada dos livros, dos censos e da memória oficial? Nos últimos anos, pesquisadores e movimentos sociais vêm mostrando que, por trás desse imaginário, Argentina e Chile têm um passado negro mais profundo do que se tentou transmitir por gerações, e que o racismo contemporâneo não pode ser dissociado desse processo histórico de invisibilização. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
A historiadora e jornalista americana Anne Applebaum, de 61 anos, escreveu, nas últimas três décadas, obras centrais para entender tanto o totalitarismo soviético quanto o atual retrocesso democrático no mundo ocidental. Recebeu o Pulitzer em 2004 por “Gulag” e sublinhou um padrão no avanço autocrático, com a instrumentalização da Justiça para sufocar as oposições e facilitar o enriquecimento pessoal de autocratas e seus aliados. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
A menos de três meses da celebração dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, e em meio ao conflito com o Irã, Donald Trump tenta colocar sua marca sobre alguns dos símbolos mais reconhecíveis do país. O presidente americano já terá sua imagem em passaportes comemorativos, sua assinatura em futuras cédulas de dólar e seu governo disputa, ao mesmo tempo, arquivos presidenciais, monumentos em Washington e a moldura política da festa nacional. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O principal porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, evocou o passado da nação persa em um primeiro comentário após a declaração do presidente dos EUA, Donald Trump, de que um acordo entre Washington e Teerã havia sido “em grande parte negociado” neste sábado. Em uma referência a disputas entre a Pérsia e o Império Romano, Baghaei afirmou que “o imperador teve que chegar a um acordo” — em uma possível mensagem indireta a Trump.
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“Na mente romana, Roma era o centro indiscutível do mundo. No entanto, os iranianos destruíram essa ilusão; quando Marcus Julius Philippus (Felipe, o Árabe) marchou para o leste contra a Pérsia, a campanha não resultou em vitória romana — terminou em uma paz estabelecida nos termos sassânidas: o imperador teve que chegar a um acordo!”, escreveu Baghaei em uma publicação na rede social X.
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O contexto narrado pelo porta-voz faz referência a uma guerra do século III entre o Império Romano e a Pérsia, na qual o imperador romano encerrou uma campanha militar com um acordo com os persas. A publicação parece ter sido a única declaração pública de um alto funcionário iraniano desde o anúncio de Trump.
Analistas pró-Irã e apoiadores do governo comemoraram o potencial acordo de paz com os EUA como uma vitória diplomática em publicações nas redes sociais, embora não haja confirmação de que tenha sido finalizado — e poucos detalhes tenham sido divulgados. Ainda assim, alguns iranianos elogiaram a liderança do país por sobreviver à guerra e evitar um conflito maior. Outros consideraram o acordo uma derrota para Trump.
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“Mantenham a cabeça erguida e orgulhem-se de fazer parte da nação Khamenei”, escreveu Eshan Salehi em uma publicação no X. “Aquele mesmo que disse que o Irã deveria se render esta noite, declarou com entusiasmo que está chegando a um acordo com a ‘República Islâmica do Irã’.”
Muitos iranianos comuns, incluindo críticos do governo, ficaram aliviados ao saber que uma nova guerra com os EUA e Israel pode ter sido evitada.
— Estávamos tentando decidir se deveríamos sair de Teerã caso as bombas caíssem novamente e comprando água e baterias — disse Nazanin, uma engenheira de 56 anos em Teerã. — Dei um grande suspiro de alívio. (Com NYT)

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