A líder da oposição venezuelana e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, espera ser eleita presidente da Venezuela “na hora certa”, declarou em entrevista transmitida nesta sexta-feira pela Fox News. A atual líder do país, Delcy Rodríguez, assumiu a presidência interina após a captura e deposição do presidente Nicolás Maduro pelas forças americanas em 3 de janeiro, mas para a rival política, ela governa sob ordens dos Estados Unidos.
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Em Caracas: Diretor da CIA se reuniu com presidente interina da Venezuela
— Há uma missão: vamos transformar a Venezuela naquela terra de graça, e acredito que serei eleita presidente da Venezuela na hora certa, a primeira mulher presidente — afirmou na entrevista, gravada após seu encontro de quinta-feira com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca.
Nem María Corina e nem a oposição venezuelana reconhecem os resultados das eleições presidenciais de julho de 2024, nas quais Maduro se proclamou reeleito. Os Estados Unidos, a União Europeia e outros países latino-americanos também não reconheceram o chavista como o líder democraticamente eleito da Venezuela.
Após a operação militar americana em Caracas, Trump descartou, por ora, pressionar por uma mudança de regime no país sul-americano e já manteve pelo menos uma conversa por telefone com Delcy, com quem está disposto a fortalecer os laços.
A presidente interina, que era vice-presidente de Maduro, já declarou publicamente que pretende colaborar com os EUA para manter a paz no país. Em comunicado oficial divulgado na semana passada, o novo governo venezuelano deixou claro que pretende lidar com a ação militar americana e a captura de Maduro, que classificam como “agressão e sequestro”, por meio da diplomacia.
Questionada sobre o que aguarda a Venezuela agora, María Corina respondeu:
— Liberdade. E não só isso, teremos um país que será a inveja do mundo.
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Ordens americanas
Após o encontro de ontem com Trump, a agenda oficial da vencedora do Prêmio Nobel em Washington nesta sexta-feira consistia oficialmente em uma coletiva de imprensa, durante a qual ela destacou mais uma vez que acredita na “conquista da liberdade” em seu país “com o apoio de Trump e dos EUA”.
— Estamos definitivamente nos primeiros passos de uma verdadeira transição para a democracia — disse María Corina. — É um processo complexo — acrescentou, em alusão ao governo atual, nas mãos dos herdeiros chavistas do presidente deposto Nicolás Maduro.
A jornalistas, a líder oposicionista declarou ainda Delcy está governando o país sob ordens americanas.
— Ela não concorda com isso, nem se sente confortável. Ela está recebendo ordens porque, no fim das contas, se algo ficou demonstrado em 3 de janeiro, foi que havia uma ameaça real — declarou, aludindo à deposição de Maduro, atualmente preso em Nova York. — Isso não tem nada a ver com uma tensão ou uma decisão entre Delcy Rodríguez e eu. Trata-se de um cartel e de Justiça.
O diretor da Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA), John Ratcliffe, reuniu-se com a presidente interina da Venezuela em Caracas, na quinta-feira, informou um funcionário do governo americano. Esta foi a visita de mais alto nível dos EUA desde os ataques americanos à Venezuela.
— A pedido do presidente Trump, o diretor Ratcliffe viajou à Venezuela para se encontrar com a presidente interina Delcy Rodríguez e transmitir a mensagem de que os Estados Unidos esperam uma melhoria nas relações de trabalho — disse o funcionário à AFP sob condição de anonimato.
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A medalha de Bolívar
Durante a reunião de ontem, a líder oposicionista chegou a “presentear” o presidente americano com a medalha recebida em Oslo como parte da premiação. Horas após ela ter anunciado o fato à imprensa, Trump agradeceu o “gesto maravilhoso” de María Corina nas redes sociais. A líder da oposição, que vivia escondida na Venezuela, deixou o país em dezembro com o apoio dos EUA para receber o prêmio na Noruega.
O Instituto Nobel em Oslo esclareceu, ao tomar conhecimento das intenções de María Corina, que o prêmio é pessoal e intransferível. Em entrevista à Fox News, ela ofereceu uma explicação baseada em eventos históricos para justificar sua decisão.
— Foi um momento muito emocionante. Decidi entregar a medalha ao presidente [Trump] em nome do povo da Venezuela e expliquei a ele onde encontrei a inspiração. Duzentos anos atrás, o general Lafayette presenteou Simón Bolívar, o libertador dos venezuelanos, com uma medalha com a imagem de George Washington — contou, mencionando o primeiro presidente dos Estados Unidos.
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O general e marquês francês Lafayette (1757-1834) participou da Guerra da Independência americana e foi posteriormente uma figura-chave na Revolução Francesa de 1789.
— Bolívar guardou essa medalha até o fim de seus dias. Sendo assim, duzentos anos depois, o povo de Bolívar está presenteando o herdeiro de Washington com uma medalha — neste caso, o Prêmio Nobel — acrescentou.
Trump afirma ter resolvido oito conflitos em todo o mundo desde que assumiu o segundo mandato como presidente dos EUA, incluindo guerras com décadas de massacres, como o conflito entre Camboja e Tailândia. Por esse motivo, ele ambicionava abertamente o Prêmio Nobel da Paz de 2025, que acabou sendo concedido a María Corina.
O republicano ressuscitou a chamada “Doutrina Monroe”, aludindo às ambições dos Estados Unidos de controlar de perto os destinos da América Latina e do Caribe, tanto contra interferências “externas”, como a crescente presença chinesa ou os movimentos do Irã e da Rússia na região, quanto contra o que ele considera falta de cooperação de alguns países no combate à imigração irregular e ao tráfico de drogas.
(Com AFP)
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Em Caracas: Diretor da CIA se reuniu com presidente interina da Venezuela
— Há uma missão: vamos transformar a Venezuela naquela terra de graça, e acredito que serei eleita presidente da Venezuela na hora certa, a primeira mulher presidente — afirmou na entrevista, gravada após seu encontro de quinta-feira com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca.
Nem María Corina e nem a oposição venezuelana reconhecem os resultados das eleições presidenciais de julho de 2024, nas quais Maduro se proclamou reeleito. Os Estados Unidos, a União Europeia e outros países latino-americanos também não reconheceram o chavista como o líder democraticamente eleito da Venezuela.
Após a operação militar americana em Caracas, Trump descartou, por ora, pressionar por uma mudança de regime no país sul-americano e já manteve pelo menos uma conversa por telefone com Delcy, com quem está disposto a fortalecer os laços.
A presidente interina, que era vice-presidente de Maduro, já declarou publicamente que pretende colaborar com os EUA para manter a paz no país. Em comunicado oficial divulgado na semana passada, o novo governo venezuelano deixou claro que pretende lidar com a ação militar americana e a captura de Maduro, que classificam como “agressão e sequestro”, por meio da diplomacia.
Questionada sobre o que aguarda a Venezuela agora, María Corina respondeu:
— Liberdade. E não só isso, teremos um país que será a inveja do mundo.
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Ordens americanas
Após o encontro de ontem com Trump, a agenda oficial da vencedora do Prêmio Nobel em Washington nesta sexta-feira consistia oficialmente em uma coletiva de imprensa, durante a qual ela destacou mais uma vez que acredita na “conquista da liberdade” em seu país “com o apoio de Trump e dos EUA”.
— Estamos definitivamente nos primeiros passos de uma verdadeira transição para a democracia — disse María Corina. — É um processo complexo — acrescentou, em alusão ao governo atual, nas mãos dos herdeiros chavistas do presidente deposto Nicolás Maduro.
A jornalistas, a líder oposicionista declarou ainda Delcy está governando o país sob ordens americanas.
— Ela não concorda com isso, nem se sente confortável. Ela está recebendo ordens porque, no fim das contas, se algo ficou demonstrado em 3 de janeiro, foi que havia uma ameaça real — declarou, aludindo à deposição de Maduro, atualmente preso em Nova York. — Isso não tem nada a ver com uma tensão ou uma decisão entre Delcy Rodríguez e eu. Trata-se de um cartel e de Justiça.
O diretor da Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA), John Ratcliffe, reuniu-se com a presidente interina da Venezuela em Caracas, na quinta-feira, informou um funcionário do governo americano. Esta foi a visita de mais alto nível dos EUA desde os ataques americanos à Venezuela.
— A pedido do presidente Trump, o diretor Ratcliffe viajou à Venezuela para se encontrar com a presidente interina Delcy Rodríguez e transmitir a mensagem de que os Estados Unidos esperam uma melhoria nas relações de trabalho — disse o funcionário à AFP sob condição de anonimato.
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A medalha de Bolívar
Durante a reunião de ontem, a líder oposicionista chegou a “presentear” o presidente americano com a medalha recebida em Oslo como parte da premiação. Horas após ela ter anunciado o fato à imprensa, Trump agradeceu o “gesto maravilhoso” de María Corina nas redes sociais. A líder da oposição, que vivia escondida na Venezuela, deixou o país em dezembro com o apoio dos EUA para receber o prêmio na Noruega.
O Instituto Nobel em Oslo esclareceu, ao tomar conhecimento das intenções de María Corina, que o prêmio é pessoal e intransferível. Em entrevista à Fox News, ela ofereceu uma explicação baseada em eventos históricos para justificar sua decisão.
— Foi um momento muito emocionante. Decidi entregar a medalha ao presidente [Trump] em nome do povo da Venezuela e expliquei a ele onde encontrei a inspiração. Duzentos anos atrás, o general Lafayette presenteou Simón Bolívar, o libertador dos venezuelanos, com uma medalha com a imagem de George Washington — contou, mencionando o primeiro presidente dos Estados Unidos.
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O general e marquês francês Lafayette (1757-1834) participou da Guerra da Independência americana e foi posteriormente uma figura-chave na Revolução Francesa de 1789.
— Bolívar guardou essa medalha até o fim de seus dias. Sendo assim, duzentos anos depois, o povo de Bolívar está presenteando o herdeiro de Washington com uma medalha — neste caso, o Prêmio Nobel — acrescentou.
Trump afirma ter resolvido oito conflitos em todo o mundo desde que assumiu o segundo mandato como presidente dos EUA, incluindo guerras com décadas de massacres, como o conflito entre Camboja e Tailândia. Por esse motivo, ele ambicionava abertamente o Prêmio Nobel da Paz de 2025, que acabou sendo concedido a María Corina.
O republicano ressuscitou a chamada “Doutrina Monroe”, aludindo às ambições dos Estados Unidos de controlar de perto os destinos da América Latina e do Caribe, tanto contra interferências “externas”, como a crescente presença chinesa ou os movimentos do Irã e da Rússia na região, quanto contra o que ele considera falta de cooperação de alguns países no combate à imigração irregular e ao tráfico de drogas.
(Com AFP)









