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A iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criar um chamado “Conselho da Paz” ganhou novos contornos nos últimos dias, com o envio de convites a uma lista ampliada de países e a divulgação de regras que preveem uma contribuição financeira bilionária para quem quiser garantir assento permanente no órgão. Nesta segunda-feira, o Kremlin anunciou que o líder russo, Vladimir Putin, foi convidado a integrar a organização, acrescentando que a Rússia busca “esclarecer todas as nuances” da proposta antes de dar uma resposta.
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O convite a Putin marca uma ampliação significativa do escopo do conselho, que também estendeu convites à União Europeia, por meio da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, além de Belarus e Tailândia. Segundo autoridades europeias, Von der Leyen recebeu formalmente a carta e informou que discutirá a iniciativa com outros líderes do bloco antes de qualquer decisão. Não houve indicação sobre se ela aceitará ou não o convite, embora o porta-voz da comissão, Olof Gill, tenha dito que o órgão executivo da UE deseja “contribuir para um plano abrangente que ponha fim ao conflito em Gaza”.
As primeiras nomeações para o Conselho da Paz, anunciadas na sexta, incluíram o próprio Trump como presidente, com um “conselho executivo fundador” formado pelo ex-premier britânico Tony Blair e pelo atual secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Também foram nomeados o enviado de Trump para missões especiais, Steve Witkoff; o genro do presidente, Jared Kushner; e o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga. Depois, veio a público que Trump enviou convites a líderes de países como Argentina, Paraguai, Turquia, Egito e Brasil.
Também nesta segunda-feira, o Palácio do Planalto e a diplomacia brasileira começaram a analisar o convite. A análise busca medir até que ponto a participação do Brasil pode ampliar o protagonismo internacional do país sem repetir os impasses que marcaram a tentativa de mediação no Oriente Médio há mais de uma década. Na época, Lula atuou ao lado da Turquia na tentativa de mediar o impasse entre o país persa e as potências ocidentais. Ambos negociaram diretamente com Teerã um acordo de troca de combustível nuclear que atendesse às exigências dos EUA. A iniciativa, porém, não foi acolhida por Washington, e a frente acabou esvaziada.
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Agora, auxiliares do petista afirmam que a proposta de Trump precisa ser examinada com cautela antes de qualquer decisão. Segundo esses interlocutores, não há como definir uma posição sem compreender com clareza as consequências políticas e diplomáticas da iniciativa, e a avaliação não pode ser feita de forma açodada, dada a sensibilidade do conflito e o papel dos Estados Unidos na condução do processo. A avaliação é semelhante no Egito, com o presidente Abdel-Fattah al-Sisi ainda avaliando se integrará o conselho, segundo a AFP.
Belarus, por sua vez, anunciou que seu líder, Alexander Lukashenko, foi convidado e que recebeu o convite com satisfação. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, teria sido procurado na semana passada com uma oferta de participação, mas aguardava um convite formal. O presidente da Argentina, Javier Milei, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, devem se tornar membros fundadores, conforme anunciaram no sábado. O líder da Hungria, Viktor Orbán, também aceitou o convite para integrar o conselho.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que o país foi convidado a participar. No domingo, ela disse acreditar que “pode desempenhar um papel de liderança” e que está pronta para contribuir “na construção do plano de paz”. O presidente francês, Emmanuel Macron, por outro lado, não pretende aceitar o convite, segundo uma pessoa próxima ao mandatário. Macron acredita que a ideia de Trump vai “além de Gaza”, disse a fonte, e levanta preocupações significativas, sobretudo em relação ao respeito aos princípios e ao arcabouço institucional das Nações Unidas, que a França considera inegociáveis.
Crítica à ONU
Os convites incluíam uma carta afirmando que o conselho buscaria “solidificar a paz no Oriente Médio” e, ao mesmo tempo, “iniciar uma nova e ousada abordagem para a resolução de conflitos globais”. Cada líder teria um mandato máximo de três anos no conselho, a menos que seu governo pagasse uma taxa de US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões) para se tornar membro permanente. O documento diz que “o conselho de paz é uma organização internacional que busca promover a estabilidade [e] restaurar uma governança confiável e legal”:
“O conselho deve ter a coragem de se afastar de abordagens e instituições que, com frequência, falharam”, acrescenta o texto, em provável crítica à ONU. O entendimento é compartilhado por autoridades europeias de alto escalão, que, em relatos à Bloomberg, disseram ver a iniciativa como uma tentativa de criar um rival ou substituto para a ONU, instituição da qual Trump é crítico de longa data. Segundo elas, o conselho vai muito além da reconstrução de Gaza, e Trump o enxerga como um instrumento para resolver e controlar eventos internacionais.
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No convite compartilhado por Milei, Trump escreveu que o esforço “reunirá um grupo distinto de nações prontas para assumir a nobre responsabilidade de construir uma PAZ DURADOURA, uma honra reservada àqueles preparados para liderar pelo exemplo e investir brilhantemente em um futuro seguro e próspero para as próximas gerações”. Os parceiros devem se reunir “em um futuro próximo”, acrescentou, sem dar mais detalhes. A estrutura exata do órgão, porém, permanece incerta, e novos membros continuam sendo convidados.
Reação israelense
Trump tenta cumprir seu plano de 20 pontos para uma transformação ampla — e potencialmente de décadas — de Gaza, que foi em grande parte destruída por dois anos de guerra entre Israel e o Hamas. Ele anunciou a criação do conselho na quinta-feira, nas redes sociais, mas não revelou quem faria parte do órgão. Um dia depois, a Casa Branca anunciou o primeiro painel executivo — com a participação de Rubio, Witkoff, Kushner e Blair — e um segundo grupo, nomeado como uma “comissão executiva”, que deve realizar a maior parte do trabalho de reconstrução de Gaza. Ele inclui o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, e o diplomata Ali al-Thawadi, ministro de Assuntos Estratégicos do Catar.
Esse segundo painel, no entanto, motivou a objeção do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que considera Catar e Turquia próximos demais do grupo terrorista Hamas. Ele ainda avalia que os dois países seriam pouco propensos a remodelar a área costeira da forma desejada pelo Estado judeu. Declarações do premier israelense e de membros linha-dura do seu governo marcaram um raro desacordo público com Trump, já que a liderança em Israel tem buscado consistentemente retratar sua relação com a Casa Branca como amigável.
Netanyahu convocou uma reunião com seus principais assessores para discutir o Conselho da Paz, após afirmar que não foi incluído nas conversas sobre a composição da comissão executiva — e que a decisão “contraria a política” israelense. No sábado, a ministra Miri Regev, integrante do partido conservador Likud, de Netanyahu, declarou que Israel se opõe à participação do Catar e da Turquia, acrescentando que o premier “fará de tudo para mudar essa decisão”. Por sua vez, o líder da oposição, Yair Lapid, classificou o anúncio como um “fracasso diplomático para Israel”. Até o momento, o único israelense no Conselho Executivo de Gaza é Yakir Gabay, empresário atualmente radicado no Chipre. Não há palestinos em nenhum dos dois conselhos.
— É hora de explicar ao presidente [Trump] que seu plano é ruim para o Estado de Israel e de cancelá-lo — disse nesta segunda-feira o ministro das Finanças de extrema direita de Israel, Bezalel Smotrich. — Gaza é nossa, seu futuro afetará o nosso futuro mais do que o de qualquer outro. Nós assumiremos a responsabilidade pelo que acontecer lá, imporemos uma administração militar e concluiremos a missão.
Como o Hamas ainda controla quase metade de Gaza e se recusa a se desarmar, a perspectiva de uma paz duradoura e próspera é incerta. O grupo apoiado pelo Irã ainda não devolveu os restos mortais do último refém levado nos ataques de outubro de 2023 que desencadearam o conflito — um elemento central da primeira fase da proposta de Trump. Ainda assim, Trump anunciou o início da segunda fase de seu plano, incluindo a formação de um governo tecnocrata de 15 membros para substituir o domínio do Hamas em Gaza.
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Uma Força Internacional de Estabilização, composta por soldados de diferentes países e também prevista no plano de Trump, deve ser criada em um momento posterior. Por enquanto, não está claro quais países contribuiriam nem em que termos, e os EUA já afirmaram que não enviarão tropas para Gaza. Israel, por sua vez, ameaçou retomar a guerra caso a força internacional não consiga persuadir ou obrigar o Hamas a depor as armas. O grupo não demonstrou nenhuma inclinação nesse sentido desde que o cessar-fogo foi acordado, em outubro.
Enquanto isso, as Nações Unidas alertaram no sábado que a crise humanitária em Gaza está “longe de acabar”. A ONU estima que cerca de 80% dos edifícios em Gaza foram destruídos ou danificados, e famílias que sobreviveram à guerra agora enfrentam o inverno, além da falta de alimentos e abrigo. Olga Cherevko, do escritório da ONU para coordenação de ajuda humanitária, afirmou que a entrega de toneladas de ajuda e os reparos em estradas nos meses desde a entrada em vigor do cessar-fogo foram apenas um “curativo”, e não uma solução.
(Com Bloomberg, AFP e New York Times)

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O principal porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, evocou o passado da nação persa em um primeiro comentário após a declaração do presidente dos EUA, Donald Trump, de que um acordo entre Washington e Teerã havia sido “em grande parte negociado” neste sábado. Em uma referência a disputas entre a Pérsia e o Império Romano, Baghaei afirmou que “o imperador teve que chegar a um acordo” — em uma possível mensagem indireta a Trump.
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“Na mente romana, Roma era o centro indiscutível do mundo. No entanto, os iranianos destruíram essa ilusão; quando Marcus Julius Philippus (Felipe, o Árabe) marchou para o leste contra a Pérsia, a campanha não resultou em vitória romana — terminou em uma paz estabelecida nos termos sassânidas: o imperador teve que chegar a um acordo!”, escreveu Baghaei em uma publicação na rede social X.
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O contexto narrado pelo porta-voz faz referência a uma guerra do século III entre o Império Romano e a Pérsia, na qual o imperador romano encerrou uma campanha militar com um acordo com os persas. A publicação parece ter sido a única declaração pública de um alto funcionário iraniano desde o anúncio de Trump.
Analistas pró-Irã e apoiadores do governo comemoraram o potencial acordo de paz com os EUA como uma vitória diplomática em publicações nas redes sociais, embora não haja confirmação de que tenha sido finalizado — e poucos detalhes tenham sido divulgados. Ainda assim, alguns iranianos elogiaram a liderança do país por sobreviver à guerra e evitar um conflito maior. Outros consideraram o acordo uma derrota para Trump.
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“Mantenham a cabeça erguida e orgulhem-se de fazer parte da nação Khamenei”, escreveu Eshan Salehi em uma publicação no X. “Aquele mesmo que disse que o Irã deveria se render esta noite, declarou com entusiasmo que está chegando a um acordo com a ‘República Islâmica do Irã’.”
Muitos iranianos comuns, incluindo críticos do governo, ficaram aliviados ao saber que uma nova guerra com os EUA e Israel pode ter sido evitada.
— Estávamos tentando decidir se deveríamos sair de Teerã caso as bombas caíssem novamente e comprando água e baterias — disse Nazanin, uma engenheira de 56 anos em Teerã. — Dei um grande suspiro de alívio. (Com NYT)
Uma forte mobilização policial e de segurança foi registrada na noite deste sábado nas proximidades da Casa Branca, em Washington, após relatos de disparos na região, segundo autoridades americanas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estava na residência oficial no momento do incidente, enquanto participava de negociações sobre um possível acordo com o Irã.
A polícia isolou os acessos ao complexo da Casa Branca, enquanto tropas da Guarda Nacional bloquearam a entrada de áreas próximas no centro da capital americana. Em publicação na rede X, o diretor do FBI, Kash Patel, afirmou que agentes da agência estavam no local para apoiar o Serviço Secreto na resposta aos disparos registrados perto da sede do governo americano.
Jornalistas que estavam no gramado norte da Casa Branca relataram ter sido orientados a correr e buscar abrigo na sala de imprensa após ouvirem uma sequência de tiros. A correspondente da ABC News Selina Wang gravava um vídeo para as redes sociais quando os disparos começaram e registrou o momento em que se joga no chão. “Pareciam dezenas de tiros”, escreveu a jornalista em sua conta nas redes sociais.
Um turista canadense que estava na região relatou à AFP ter ouvido entre 20 e 25 estampidos. “No começo parecia fogos de artifício, mas eram tiros, e então todo mundo começou a correr”, disse. Até o momento, não há relatos imediatos de feridos, e o Serviço Secreto informou que ainda reunia informações sobre o incidente.
O episódio ocorre em meio a um contexto de reforço da segurança em torno de Trump, que já foi alvo de outras ameaças recentes, enquanto autoridades seguem investigando as circunstâncias dos disparos.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou neste sábado que um acordo com o Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio havia sido “em grande parte negociado”, citando entre os termos acertados a reabertura do Estreito de Ormuz — principal rota naval para o escoamento da produção de petróleo e gás dos países produtores da região. A reabertura da via marítima estratégica não foi confirmada por fontes iranianas, que ainda não se pronunciaram oficialmente. Não há anuncio oficial até o momento.
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Autoridades americanas e iranianas se referiram mais cedo a negociações sobre um memorando de entendimento entre as partes, mediado pelo Paquistão. Trump afirmou que Ormuz seria reaberto, mas que os detalhes finais ainda estavam sendo definidos, e que portanto poderiam mudar. A mídia estatal iraniana classificou a declaração sobre o estreito como “falsas”, apontando que a concordância teria sido com a retomada de um tráfego naval compatível com o pré-guerra — o que não significa “livre passagem” como existia antes do conflito.
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Fontes ouvidas pela rede americana CNN apontaram que versões recentes do memorando discutido pelas partes incluíam entre seus pontos o fim das hostilidades com o Irã, uma reabertura gradual de Ormuz — incluindo o bloqueio americano aos portos iranianos — e o desbloqueio de parte dos bens de Teerã congelados em bancos no exterior. Fontes iranianas disseram que o valor chegaria a US$ 25 bilhões. Mais cedo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que o programa nuclear iraniano não estava nos termos.
O memorando também foi descrito por fontes com conhecimento das negociações como um ponto de partida, que daria início a um prazo de pelo menos 30 dias para a continuidade das negociações — enquanto três altos funcionários iranianos ouvidos pelo New York Times disseram que o prazo para discussões sobre os pontos de discórdia seria de até 60 dias.
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As fontes iranianas afirmaram que o Irã concordou com um memorando de entendimento que cessaria as hostilidades, reabriria Ormuz e interromperia os combates em todas as frentes, inclusive no Líbano. Trump disse ter conversado com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e se referiu ao diálogo como “muito bom”. O premier já afirmou publicamente ser contra o encerramento do conflito antes do fim da ameaça regional iraniana, mas autoridades do país não se manifestaram após os comentários do presidente americano.
Os funcionários, que falaram sob condição de anonimato devido à sensibilidade das negociações, disseram que mediadores paquistaneses e cataris facilitaram a elaboração do rascunho do acordo, mas não disseram se os termos aos quais se referiram eram o mesmo comentado por Trump. (Com NYT)
*Matéria em atualização
O presidente da França, Emmanuel Macron, conversou neste sábado com o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, e com líderes dos Emirados Árabes Unidos, Catar, Arábia Saudita e Jordânia para discutir a guerra no Oriente Médio e a situação no Estreito de Ormuz, informou o entorno do governo francês à AFP.
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As conversas ocorrem em um momento de intensificação das negociações entre Washington e Teerã, em meio às tensões regionais e ao temor de impactos sobre a segurança marítima no Golfo. O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo, o que faz de qualquer ameaça à navegação no local um fator de preocupação para mercados e governos.
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Segundo uma fonte diplomática francesa, a França tem defendido uma saída negociada para o conflito, com prioridade para a reabertura “completa e sem pedágio” do Estreito de Ormuz, além da busca por um cessar-fogo.
De acordo com a mesma fonte, Paris também defende a retomada das negociações sobre outros temas envolvendo o Irã, como o programa nuclear, a capacidade balística e questões regionais.
O presidente dos EUA, Donald Trump, e autoridades dos governos americano e do Irã afirmaram neste sábado que houve progresso nas negociações sobre um acordo de paz para encerrar em definitivo as hostilidades entre os países, suspensas desde abril por um frágil cessar-fogo temporário. A sinalização positiva acontece em um momento em que o Paquistão intensifica a atividade de mediação, apesar de ambos os lados continuarem a trocar ameaças públicas sobre a retomada de ataques.
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Em uma entrevista à rede americana CBS, Trump afirmou que Teerã está “cada vez mais perto” de aceitar um acordo, após declarar pela manhã, em entrevista menos otimista ao portal de notícias Axios, que havia uma chance “sólida de 50/50” de se chegar a um acordo. Outras autoridades também apontaram progressos.
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O secretário de Estado americano, Marco Rubio, sinalizou que os dois países poderiam estar se aproximando de um acordo, durante visita oficial à Índia. O chefe da diplomacia dos EUA sugeriu que poderia “​​haver notícias ainda hoje”.
— Existe a possibilidade de que, ainda hoje, amanhã ou dentro de alguns dias, tenhamos algo a anunciar — disse Rubio em Nova Délhi, acrescentando esperar “boas notícias”. — Mesmo enquanto falo com vocês, há trabalho em andamento.
Lideranças iranianas também declararam neste sábado que um “memorando de entendimento” de 14 pontos estava “em fase final”. O principal porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que as posições de Teerã e Washington “estão se aproximando”, e que já vislumbrava “uma solução mutuamente aceitável”. A discussão sobre o programa nuclear iraniano, um ponto de atrito nas negociações, provavelmente seria deixado para um segundo momento.
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Os mencionados progressos nas negociações, mediadas sob esforço do Paquistão. O chefe do exército paquistanês, Asim Munir, permaneceu em Teerã nesta semana na tentativa de aproximar as duas partes. Publicações na imprensa americana descreveram uma “corrida contra o tempo” por parte de Islamabad para alcançar uma estrutura que abrisse caminho para novas negociações e impedisse novos ataques — mesmo que isso significasse, de imediato, alcançar um tipo de carta de intenções para novas conversas, e não um acordo final propriamente.
O esforço e o aparente avanço não eliminaram as tensões retóricas. Trump voltou a dizer neste sábado que o Irã sofreria “um golpe severo” caso não chegasse a um acordo. Rubio deixou em aberto a possibilidade de um novo ataque.
Em contrapartida, o presidente do Parlamento do Irã e principal negociador do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse que as Forças Armadas iranianas foram reconstruídas durante o cessar-fogo, em comentários citados na mídia estatal iraniana. Ele também ameaçou com ações militares fortes.
— Se Trump cometer outro ato de loucura e reiniciar a guerra, a resposta contra os EUA certamente será mais esmagadora e amarga do que no primeiro dia da guerra — disse Ghalibaf, após uma reunião com o general paquistanês.
Instabilidades e divergências
Várias semanas de negociações — incluindo as históricas conversas presenciais organizadas em Islamabad — não evoluíram para uma resolução permanente nem restabeleceram o tráfego no Estreito de Ormuz, o que perturbou o fornecimento mundial de enormes quantidades de petróleo. No Irã, a estagnação deixou os cidadãos iranianos em um limbo.
— O estado de ‘nem guerra nem paz’ é muito mais repugnante do que a própria guerra — disse Shahrzad, uma residente de Teerã de 39 anos, à AFP. — Você nem consegue planejar algo tão simples como se matricular em uma academia, e muito menos coisas importantes. Estou prestes a começar um novo trabalho e tenho medo de que a guerra possa voltar, que eu acabe largando o emprego como antes e acabe fugindo para outra outra cidade por medo.
Em conversa com o secretário-geral da ONU, António Guterres, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, reclamou das “posições contraditórias e repetidas exigências excessivas” de Washington. Araghchi manteve uma série de conversas diplomáticas e falou com seus homólogos de Turquia, Iraque, Catar e Omã, informou a Irna.
Trump, por sua vez, falou neste sábado com o emir do Catar, xeque Tamim bin Hamad Al Thani, cujo escritório informou que ele tinha expressado ao mandatário dos EUA apoio a “todas as iniciativas encaminhadas para conter a crise por meio do diálogo e da diplomacia”. Uma delegação do Catar se juntou aos mediadores paquistaneses no Irã, segundo diplomatas com conhecimento dos esforços de mediação.
Além do futuro do programa nuclear iraniano, questões relativas ao fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, também continuam a travar avanços profundos. O grupo armado libanês Hezbollah afirmou neste sábado que na última proposta do Irã, “foi enfatizada a exigência de incluir o Líbano no cessar-fogo”. Israel advertiu, neste sábado, que moradores de 15 vilarejos no sul do Líbano deixassem as suas casas imediatamente, antecipando novos ataques aéreos.
Segundo o Axios, Trump tem um encontro marcado neste sábado com o vice-presidente JD Vance e com os negociadores Steve Witkoff e Jared Kushner. Na sexta-feira, Trump anunciou que não compareceria ao casamento de seu filho neste fim de semana devido a “circunstâncias relacionadas ao governo”.
Relatórios de sexta-feira sugeriram que Trump estaria considerando uma nova rodada de ataques contra o Irã, justamente quando o conflito entre os dois países entrava em sua décima terceira semana. No início da semana, o presidente americano disse ter recuado de um “ataque de grande porte” para dar espaço à diplomacia. Analistas militares duvidam que novos ataques aéreos forcem o Irã a ceder. (NYT e AFP)

Ao inaugurar a nova sede do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, neste sábado (23), que esse tipo de entrega dá ao país a certeza de não ser menor ou menos competitivo que nenhum outro.

“Esse centro tecnológico dá ao Brasil a certeza de que a gente não é menor do que ninguém, de que a gente não é menos competitivo do que ninguém. Basta a gente ousar, ter coragem e fazer.”

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Segundo ele, fazer investimento em pesquisa é algo que nem todo mundo gosta de fazer. “Porque o resultado da pesquisa pode não ser positivo. Aí você pensa: ‘Joguei dinheiro fora’. Não. Você não encontraria petróleo se não fizesse pesquisa. Para tudo tem que ser feito pesquisa”, completou.

Em sua fala, Lula também falou sobre os entraves para investimentos em pesquisa. “Normalmente, o que a gente ouve muito no governo é ‘Ah, custa muito. É muito caro. Não tem dinheiro’. Isso é o que a gente mais ouve. As pessoas nunca param para se perguntar quanto custa não fazer”.

O centro

Em nota, o governo federal informou que a nova sede do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde figura como uma estrutura estratégica voltada para o desenvolvimento de tecnologias, medicamentos, vacinas, diagnósticos e soluções inovadoras para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Criado em 2002 com apoio do Ministério da Saúde, o centro atua na conexão entre pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico, acelerando projetos voltados à criação de vacinas, biofármacos, medicamentos, testes diagnósticos e outras tecnologias estratégicas para o SUS.

A nova sede do centro possui 15 mil metros quadrados e, de acordo com o comunicado, foi concebida para funcionar como um hub de inovação em saúde, reunindo pesquisadores, universidades, centros de pesquisa e parceiros nacionais e internacionais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu neste sábado (23) que o governador do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, trabalhe para prender “ladrões e milicianos” que, segundo ele, comandaram o estado ao longo dos últimos anos.

“Ninguém está esperando que você faça um viaduto. Ninguém está esperando que você faça uma ponte. Ninguém está querendo que você faça uma praia artificial. Sabe o que essas pessoas esperam de você nesses meses? Trabalhe para prender todos os ladrões que governaram esse estado. E deputados que fazem parte de uma milícia organizada.”

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“Não é possível o Rio de Janeiro, o estado mais conhecido no mundo, a cidade mais famosa no mundo, a gente ouvir nos jornais que o crime organizado tomou conta do território, que as facções tomaram conta do território”, completou, durante a inauguração do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro.

No evento, Lula garantiu que Couto contará com todo o apoio do governo federal e voltou a dizer que aguarda apenas que o Senado aprove a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/25, conhecida como PEC da Segurança Pública e já aprovada pelo plenário da Câmara dos Deputados, para criar o Ministério da Segurança Pública.


Rio de Janeiro (RJ), 22/05/2026 - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participa da inauguração das novas instalações do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz), o lançamento do Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapias CAR-T e a entrega de 42 veículos do programa Agora Tem Especialistas-Caminhos da Saúde e do SAMU para o estado. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, participa da inauguração de instalações do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz). Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

“Pra gente poder enfrentar [questões envolvendo segurança pública], de fato, tem que definir qual é o papel da União. Pela Constituição de 88, a União não tem muito papel na segurança”, destacou. “Muitas vezes, o governador fica refém da polícia. E aí, não se liberta mais”, completou o presidente.

“Aproveite esses seis meses que você tem. Ou 10 meses. Aproveite. Faça o que muita gente não fez em 10 anos nesse estado. Ajude a consertar esse estado. Pode ficar certo que é isso que o povo do Rio de Janeiro espera de você. Não é possível esse estado poderoso, bonito, ser governado por miliciano. O povo do Rio não merece isso”, concluiu Lula, se dirigindo a Couto.

Entenda

Em abril, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Ricardo Couto, na função de governador interino do Rio de Janeiro. Na decisão, Zanin entendeu que Couto deve continuar no cargo até que a Corte decida sobre as eleições para mandato-tampão do Executivo estadual.

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