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Embora não seja membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Brasil pretende pedir para se pronunciar na reunião marcada para esta segunda-feira, em Nova York, que discutirá o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa Cilia Flores.
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A participação brasileira, por meio do embaixador brasileiro nas Nações Unidas, Sergio Danese, deve ocorrer com base na regra 37 do regulamento do órgão, que permite a manifestação de países não integrantes.
Segundo interlocutores a par do assunto, a ideia é reforçar a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No sábado, Lula condenou publicamente a ofensiva dos EUA. Em publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que os bombardeios e a captura de Maduro representam uma “afronta gravíssima” e ultrapassam uma “linha inaceitável”, ao violarem a soberania da Venezuela e princípios do direito internacional.
O presidente também disse que a ação cria um “precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional” e evocou “os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe”. De acordo com Lula, cabe à ONU responder de forma firme ao episódio, reiterando a defesa brasileira do multilateralismo, do diálogo e da solução pacífica dos conflitos.
De acordo com interlocutores do governo, o discurso a ser proferido por Danese será também em defesa de uma resolução pacífica para o conflito. O Brasil chegou a se colocar como mediador. O cumprimento das normas internacionais também deverá ser enfatizado, assim como a importância do multilateralismo.
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Integrantes do governo brasileiro afirmam que não há expectativa de que o encontro resulte na aprovação de qualquer resolução. A avaliação é que qualquer tentativa nesse sentido seria vetada pelos EUA, o que limita o alcance deliberativo da sessão. “Não vai ter nenhuma resolução do Conselho”, afirmou um importante interlocutor.
Os países que solicitarem participação poderão fazer pronunciamentos após as falas dos membros permanentes e não permanentes do Conselho de Segurança. Nesse tipo de reunião, os membros permanentes e rotativos falam antes, seguidos por aqueles que pediram para discursar.
A reunião ocorre em meio à escalada da crise diplomática provocada pela ação militar americana em território venezuelano e pela detenção de Maduro, que foi levado aos Estados Unidos junto com sua esposa, Cila Flores, para responder a acusações de narcotráfico e outros crimes, segundo autoridades americanas.
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Neste domingo, os governos de Brasil, Chile, Colômbia, México, Uruguai e Espanha divulgaram uma nota conjunta, na qual expressam “profunda preocupação e rejeição” às ações militares realizadas de forma unilateral em território venezuelano. Segundo o documento, divulgado pela chancelaria colombiana, as iniciativas violam princípios fundamentais do direito internacional, consagrados na Carta das Nações Unidas.
Na avaliação dos países, as ações contrariam a proibição do uso e da ameaça da força, além de desrespeitarem a soberania e a integridade territorial dos Estados. A nota afirma que esse tipo de iniciativa constitui um “precedente sumamente perigoso para a paz e a segurança regional” e “coloca em risco a população civil”.
Os signatários reiteram que a situação na Venezuela deve ser resolvida “exclusivamente por vias pacíficas”, por meio do diálogo e da negociação, com respeito à vontade do povo venezuelano “em todas as suas expressões” e sem ingerências externas. O texto sustenta que “somente um processo político inclusivo, liderado pelos venezuelanos”, pode conduzir a uma solução democrática, sustentável e respeitosa da dignidade humana.
Na nota, os governos também reafirmam o caráter da América Latina e do Caribe como “zona de paz”, construída sobre o respeito mútuo, a solução pacífica das controvérsias e a não intervenção. Nesse contexto, fazem um apelo à “unidade regional, além das diferenças políticas”, diante de qualquer ação que coloque em risco a estabilidade da região.
O documento ainda manifesta preocupação com qualquer tentativa de “controle governamental, administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos”, classificando essas iniciativas como incompatíveis com o direito internacional e como fatores que ameaçam a estabilidade política, econômica e social da região.

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Um homem de 79 anos foi preso na Flórida, nos Estados Unidos, acusado de se expor repetidamente e fazer gestos obscenos em um condomínio residencial. Tyrone James Causey, morador de Hollywood, foi detido em 22 de maio e indiciado por cinco acusações de exposição indecente, depois que vizinhos acionaram a polícia dizendo estar “cada vez mais preocupados e frustrados com seu comportamento contínuo”, segundo a emissora Local 10 News.
De acordo com o relato policial, Causey abriu a porta para os agentes vestindo apenas um “fio-dental tipo G-string” e afirmou que tinha “direito de andar nu” com base no Estatuto 800.001 da Flórida, desde que não estivesse em um “parque”. A policial Savannah Hutcheson, do Departamento de Polícia de Hollywood, explicou ao idoso que “andar em público se expondo” era ilegal. Ele, porém, insistiu que era “permitido” e disse que não sabia que estava sendo filmado, informou a emissora.
A abordagem ficou ainda mais incomum quando, segundo Hutcheson, o idoso passou batom diante dela, “começou a tocar o próprio pênis” e pediu à policial: “Pule corda para mim, boneca”. Ele foi preso e levado para a cadeia do condado de Broward, mas acabou liberado ainda em 22 de maio.
Ao menos cinco vizinhos disseram à polícia que Causey havia se exposto pelo prédio e costumava circular por áreas comuns fazendo “gestos obscenos”. Ele também foi acusado de “empurrar o pênis” em direção à câmera da campainha de uma mulher.
As cinco acusações foram inicialmente registradas como crimes graves por causa de uma prisão anterior por exposição indecente, em 1987, o que caracterizaria reincidência. A medida veio após uma citação emitida em relação a outro chamado policial, em 14 de maio. No entanto, um juiz do condado de Broward considerou haver causa provável apenas para acusações padrão de contravenção, e os crimes graves foram rebaixados.
Além do caso de exposição indecente, Causey também havia sido detido após uma perseguição em alta velocidade em Florida Keys, em março de 2026, de acordo com o gabinete do xerife do condado de Monroe. Segundo as autoridades, o idoso dirigia um Toyota em alta velocidade por uma zona de obras e, ao receber ordem de parada, continuou de forma errática, ultrapassando 160 km/h, colando em outros veículos e “cometendo outras infrações de trânsito”. Ele acabou parando, foi preso e acusado de direção imprudente e excesso de velocidade.
O caso ocorre em meio a outro episódio de comportamento vulgar atribuído a um morador em um prédio residencial nos EUA. No início deste mês, residentes de um edifício no Bronx, em Nova York, disseram que um “inquilino do inferno” os vinha assediando ao exibir armas, se masturbar em um corredor e quase causar uma tragédia ao ligar todos os queimadores de gás do apartamento.
Um vídeo obtido pelo “New York Post”, gravado pelo olho mágico de uma porta, mostra Anthony Orozco batendo em uma porta com uma machadinha enquanto usava um vestido preto justo. Outras imagens, segundo o jornal, mostram o homem se tocando no corredor e circulando por áreas comuns apenas de cueca. Orozco, de 28 anos, foi preso posteriormente e acusado de ameaça.
Uma briga entre dois rinocerontes-de-um-chifre interrompeu a rotina de turistas e moradores de Sauraha, cidade turística próxima ao Parque Nacional de Chitwan, no Nepal, nesta quarta-feira. Os animais foram flagrados se enfrentando violentamente a poucos metros de uma rua movimentada da região.
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Vídeos que circularam nas redes sociais mostram os rinocerontes correndo em alta velocidade, avançando um contra o outro e se empurrando enquanto pessoas observavam a cena à distância, escondidas em sacadas, calçadas e estabelecimentos próximos.
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Sauraha é conhecida pelos safáris e pela proximidade com a fauna selvagem do Parque Nacional de Chitwan, uma das principais reservas de rinocerontes-indianos do mundo. A presença de animais próximos a áreas urbanas é frequente, mas confrontos desse porte em vias públicas são considerados incomuns.
Segundo autoridades locais, os animais aparentavam disputar território, comportamento comum entre machos adultos da espécie, especialmente em períodos ligados à dominância e reprodução. Rinocerontes-de-um-chifre podem ultrapassar duas toneladas e atingir altas velocidades em curtas distâncias.
Apesar da intensidade da briga e da proximidade com turistas, ninguém ficou ferido. Após a repercussão das imagens, autoridades reforçaram orientações para que visitantes mantenham distância de animais selvagens e evitem aproximações para fotos e vídeos.
Uma mulher morreu após ser atingida por um guarda-sol arrancado pela força do vento durante uma tempestade na Carolina do Sul, nos Estados Unidos. A vítima foi identificada como Dana Winger, de 56 anos, segundo o legista do Condado de Clarendon.
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O acidente aconteceu na noite de sábado (23), no restaurante Driftwood Grill, localizado às margens do Lago Marion, cerca de 110 quilômetros a noroeste de Charleston. Dana jantava com o marido quando os fortes ventos provocados pela tempestade fizeram com que o objeto se soltasse e atingisse sua cabeça e pescoço por volta das 19h40, diante de outros clientes.
De acordo com a legista Jacqueline Blackwell, Dana foi encontrada inconsciente e com ferimentos graves na cabeça e no pescoço. As equipes de emergência tentaram reanimá-la, mas ela foi declarada morta cerca de uma hora depois. O caso é investigado como acidente, e uma autópsia será realizada na Universidade Médica da Carolina do Sul, em Charleston.
Comoção nas redes sociais
A morte provocou uma onda de homenagens de amigos e familiares nas redes sociais. Em uma publicação no Facebook, a amiga Heather Iosa relembrou a convivência próxima com Dana e a relação dela com seus filhos.
“Dana esteve comigo em todos os momentos, bons e ruins. Ela ajudou a criar meus filhos. Nunca perdia um jogo ou um momento importante da vida deles. Vou sentir muita saudade dela”, escreveu.
Em outra mensagem, Heather afirmou: “Ela não era apenas uma amiga. Era da família. Uma segunda mãe para os meus filhos”.
Cameron Winger, apontado por veículos locais como enteado de Dana, também publicou uma homenagem.
“Prometo que vou cuidar do papai e da nossa família. Só porque você não está mais aqui não significa que deixará de viver através de nós”, escreveu.
O Driftwood Grill havia sido inaugurado um dia antes da tragédia, segundo informações divulgadas pelo próprio restaurante nas redes sociais. Em comunicado, o estabelecimento lamentou o ocorrido e prestou solidariedade à família.
“Nossos corações estão com a família, amigos e todos os afetados por este trágico incidente durante o severo evento climático da noite passada no Lago Marion”, informou o restaurante.
Enquanto a Terra e a maioria dos planetas do Sistema Solar têm um padrão de rotação semelhante, girando no sentido anti-horário de oeste para leste, o segundo planeta mais próximo do Sol, o gigante Vênus, gira na direção oposta, com uma rotação retrógrada.
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Vênus possui uma rotação lenta e extremamente retrógrada devido à influência de sua atmosfera. Esse fenômeno a torna uma exceção no Sistema Solar, fazendo com que gire na direção oposta à dos outros planetas que a circundam.
Anomalias que podem ser a causa de sua rotação reversa
Ao contrário dos gigantes gasosos ou do nosso próprio planeta Terra, a atmosfera de Vênus é extremamente densa, e isso faz com que essa anomalia ocorra no planeta mais brilhante e quente visível da Terra, de acordo com um estudo publicado na revista Nature Astronomy.
Planeta Vênus
Pexels
Segundo o Jornal da USP, a atração gravitacional do Sol atua sobre essas massas atmosféricas deformadas, criando um efeito de fricção ou torque que mudou sua direção ao longo do tempo.
Existe uma teoria, pouco aceita pela comunidade científica, que fala de um impacto gigante, sugerindo que o planeta foi atingido por outro que alterou sua trajetória original, o que perde força por ser muito improvável.
Fatos interessantes sobre Vênus
Graças à sua lenta rotação leste-oeste, um dia em Vênus equivale a 243 dias terrestres. Em contraste, sua órbita ao redor do Sol leva 225 dias terrestres , de acordo com a Nasa Science.
Visto do Polo Norte, é o único planeta com movimento inverso, girando no sentido horário.
“Estar na superfície de Vênus seria como estar no fundo de um oceano muito, muito quente”, explicou o pesquisador Kane à revista Nature, “chegando a temperaturas de até 475 °C”.
Israel anunciou na quarta-feira que matou o novo chefe do braço armado do movimento islâmico palestino Hamas, que havia sido alvo de um atentado a bomba em Gaza no dia anterior, apesar do cessar-fogo que deveria estar em vigor desde outubro.
“O comandante do braço armado da organização terrorista Hamas em Gaza foi eliminado ontem”, escreveu o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, na plataforma de mídia social X.
Katz e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, haviam anunciado na terça-feira que o exército realizou “um ataque em Gaza contra Mohamed Odeh”, comandante das Brigadas Ezzedine al-Qassam, o braço armado do Hamas. O grupo não se pronunciou.
Oito oficiais militares venezuelanos, incluindo um general, acusados ​​em 2017 de conspirar para um golpe de Estado contra Nicolás Maduro, foram libertados da prisão na terça-feira, em meio a uma nova onda de solturas concedidas pelo governo interino de Delcy Rodríguez a presos políticos.
Esses oito oficiais estão ligados ao chamado “Caso Paraquedista”, no qual foram acusados ​​de incitar a violência contra o governo Maduro. Entre eles também estava o General Raúl Isaías Baduel, ex-aliado de Hugo Chávez, que morreu na prisão em 2021.
Duas filhas do General Baduel, Andreína e Margareth, lideram a campanha pela libertação de presos políticos e exigem a libertação de seu irmão, Josnars Baduel, preso desde 2020 por suposto envolvimento em uma incursão para derrubar Maduro.
Os sargentos deixaram o tribunal sob aplausos de um grupo de pessoas que os abraçaram e choraram. Vestidos com camisetas amarelas, alguns ergueram o punho em sinal de vitória, segundo imagens transmitidas pela ONG Foro Penal, no canal X. O general Lozada, por sua vez, saiu em uma cadeira de rodas, mas se levantou e cobriu o peito com uma bandeira venezuelana.
“Confirmamos a libertação, após cumprirem suas penas, dos sargentos paraquedistas e do general (Ramón) Lozada”, informou Gonzalo Himiob, vice-presidente da ONG, ao canal X. Eles estavam presos há mais de nove anos, acrescentou.
O presidente interino, que assumiu o poder na Venezuela após a captura de Maduro em uma operação dos EUA, promoveu uma lei de anistia que exclui a maior parte dos militares, que também são considerados presos políticos por ONGs.
Jorge Arreaza, presidente da comissão parlamentar que monitora a anistia, argumentou na terça-feira que houve “atrasos em alguns processos” e que, durante o governo Maduro, não havia “condições políticas” para que os casos fossem julgados. “Estávamos numa situação muito polarizada”, disse ele numa entrevista à televisão estatal.
Um primeiro grupo de 31 militares, também acusados ​​de rebelião e traição, foi libertado em fevereiro sob liberdade condicional. Segundo o Foro Penal, quase 800 presos políticos foram libertados desde janeiro. O governo alega que 8 mil pessoas foram beneficiadas pela anistia em vigor desde fevereiro, mas a maioria não foi presa, e sim estava respondendo a processos judiciais.
A ONG alertou que, em 25 de maio, ainda havia 409 presos políticos no país.
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deportou milhares de cubanos e de cidadãos de outros países para o México no último ano sem as devidas garantias legais e sem acesso a abrigo, comida ou assistência médica. Segundo um relatório da Human Rights Watch (HRW) divulgado nesta quarta-feira, a maioria dos deportados é formada por idosos, muitos com problemas de saúde crônicos que exigem tratamento contínuo. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Na República Dominicana, imigrantes vivem com medo de dar à luz em unidades de saúde. O motivo está na atuação de agentes de imigração dominicanos. Alocados em hospitais públicos, eles têm detido imigrantes sem documentos, que posteriormente são deportados, incluindo mães e seus recém-nascidos. A operação, em curso há mais de um ano, atingiu principalmente haitianos que fogem da catastrófica crise humanitária no Haiti. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Em julho de 1826, o Congresso do Panamá se consolidava como o primeiro e principal antecedente histórico da integração latino-americana. Convocado pelo venezuelano Simón Bolívar, o encontro buscou criar uma confederação de repúblicas hispano-americanas que fossem capazes de coordenar a defesa comum, resolver conflitos e fortalecer a posição da América Latina frente às potências estrangeiras, mas perdeu força diante de divisões políticas encabeçadas por grandes nações, incluindo o Brasil. Quase 200 anos mais tarde, no entanto, a ideia de união nas Américas permanece sendo vista como um potencial a ser explorado — e, diante das rápidas mudanças globais provocadas pelos Estados Unidos sob Donald Trump, analistas acreditam que, juntos, países da região têm uma oportunidade estratégica a ser explorada. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O Congresso da Bolívia abriu caminho, nesta terça-feira, para que o presidente boliviano, Rodrigo Paz, declare estado de emergência no país, o que lhe permitiria usar as Forças Armadas e restringir certas liberdades para conter os protestos em massa que exigem sua renúncia.
Rodrigo Paz: Presidente da Bolívia anuncia que fará mudanças em seu gabinete em meio à pressão de protestos e bloqueios nas ruas
Leitura de Washington: Vice-secretário de Estado dos EUA diz que protestos na Bolívia configuram tentativa de golpe contra presidente
Com mais de dois terços dos votos a favor, a Câmara dos Deputados revogou uma lei que, desde 2020, limitava a capacidade do presidente de decretar estado de emergência. Já revogada pelo Senado, a legislação dá a Paz um caminho livre para seguir em frente.
O líder legislativo, Roberto Castro, anunciou o decreto da lei após mais de cinco horas de debate em sessão virtual com a participação de 117 dos 130 deputados. A secretaria da Câmara especificou que a legislação foi aprovada com “mais de dois terços” dos votos.
Milhares de manifestantes marcharam na segunda-feira em La Paz para exigir a renúncia do presidente, na quarta semana de protestos que provocaram escassez de produtos básicos em cidades importantes do país andino. Em um momento em que a Bolívia passa por aquela que já é considerada a pior crise econômica em quatro décadas, o mandatário de centro-direita que ascendeu ao poder em novembro classificou os atos como um teste à transição do país para uma economia mais aberta e para a democracia boliviana.
— Há muitos interesses internos e externos em fazer esta democracia fracassar e provocar desordem regional — afirmou Paz em entrevista à rede de TV Wall Street Week, da Bloomberg, no sábado, a partir do Palácio Presidencial. — Esta é uma questão sobre saber se a democracia na Bolívia é viável ou não.
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Paz, que assumiu o cargo após duas décadas de governos socialistas, tem alternando entre tentativas de diálogo com os manifestantes e a mobilização de forças de segurança para reprimi-los. Em viagem à cidade de Sucre, na segunda-feira, o presidente anunciou que reduzirá seu salário pela metade — em uma medida quase simbólica, uma vez que o valor corresponde a 24 mil bolivianos (cerca de 17 mil reais) — e fez um novo apelo ao diálogo com as organizações que lideram os protestos. No entanto, descartou dialogar com manifestantes radicais que usem de violência.
— Uma minoria não pode governar, uma minoria não pode abusar de nós e faremos cumprir claramente a Constituição — advertiu o presidente, que já havia anteriormente destacado que o Ordenamento Jurídico boliviano permite o uso de força para contenção de distúrbios sociais.

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