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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi capturado pelos Estados Unidos em uma operação realizada no último sábado. A ação, que envolveu o envio do mandatário e de sua esposa, a advogada e política Cilia Flores, aos EUA, foi criticada pelo deputado venezuelano Nicolás Ernesto Maduro Guerra, filho do presidente detido e conhecido no país como “Nicolasito”. Nascido em 1990, Nicolás Ernesto é economista e atualmente dirige o Partido Socialista Unido da Venezuela, legenda do pai.
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Em uma nota publicada nas redes sociais, o político escreveu que o objetivo do governo americano é “se apoderar dos recursos estratégicos da Venezuela, em particular de seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação”, mas afirmou que as forças dos EUA “não conseguirão” ter sucesso.
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Nascido em 1990, ‘Nicolasito’ é fruto do casamento entre o presidente venezuelano e Adriana Guerra, com quem Maduro permaneceu por seis anos. Maduro ainda possui três enteados de seu casamento com Cilia Flores: Yoswal Gavidia Flores, Yosser Gavidia Flores e Walter Gavidia Flores.
Quem são os filhos de Nicolás Maduro?
Walter Jacob Gavidia Flores nasceu em 15 de dezembro de 1978, na Venezuela, e atua como juiz de primeira instância da Área Metropolitana de Caracas, capital venezuelana, em julgamentos penais.
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Yosser Gavidia Flores é o segundo filho de Cilia Flores com seu primeiro marido, Walter Gavidia Rodríguez. Nasceu em 1988. Estudou Direito na Universidade Santa María (USM), também em Caracas.
Walter e Yosser foram citados anteriormente em processo relacionados a corrupção, gastos luxuosos desproporcionais de verba pública e supostos vínculos com o narcotráfico
Já Yoswal Gavidia Flores, terceiro filho de Cilia Flores com Rodríguez, mantém um perfil discreto e afastado da atuação pública da mãe e do padastro. Ele nasceu em 1990 e estudou Comunicação Social na Universidade Santa María, em Caracas.
Nas primeiras declarações públicas após a operação militar dos EUA que capturou Nicolás Maduro, no sábado, o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino López, classificou como “fator de instabilidade” o fato do líder chavista estar fora da Venezuela, sob custódia das autoridades americanas. Em um tom mais conciliatório, defendeu a retomada das atividades econômicas e confirmou que as Forças Armadas reconhecem Delcy Rodríguez como presidente interina do país.
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Em uma fala dirigida ao comando militar e transmitida pela TV estatal, Padrino López disse que a captura de Maduro na madrugada de sábado foi um “sequestro”, exigindo sua pronta libertação e afirmando que sua manutenção fora da Venezuela é um “fator de instabilidade” para o país. Ainda no sábado, Maduro foi levado para Nova York, onde está sob custódia das autoridades locais e que deve se apresentar perante um tribunal na segunda-feira.
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Ele confirmou que vários integrantes das Forças Armadas morrreram durante a ofensiva americana — segundo o ministro, os militares foram “assassinados a sangue frio”. De acordo com relatos de integrantes do governo venezuelano ao New York Times, ao menos 40 pessoas morreram no ataque. Uma das mortes confirmadas é a de uma senhora de 80 anos, cuja casa nos arredores do aeroporto de Caracas foi atingida por um míssil. Padrino López ainda anunciou que o espaço aéreo local não tem mais restrições, e disse que há uma “perfeita fusão popular, militar e policial” para enfrentar a “agressão estrangeira”, uma referência aos EUA.
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Mas diferentemente de suas inflamadas declarações anteriores ao ataque, ou à publicação horas depois das primeiras bombas caírem sobre Caracas, quando disse que “a honra, o dever e a História” convocavam o povo, Padrino parece ter escolhido tons menos bélicos neste domingo.
O ministro confirmou que as Forças Armadas já reconhecem Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela, seguindo decisão da Suprema Corte emitida no final de sábado, acrescentando que “as instituições continuarão a empregar todos os seus recursos disponíveis para a defesa militar, a manutenção da ordem interna e a preservação da paz”. Indo além, confirmou que a nova Assembleia Nacional, eleita no ano passado, em votação boicotada pela oposição, tomará posse na segunda-feira, e sugeriu que o momento é de retomar a normalidade.
— Apelo ao povo da Venezuela para que retome suas atividades econômicas, laborais e todas as demais, incluindo a educação, nos próximos dias, e a nação deve voltar a trilhar o caminho de seus princípios constitucionais — afirmou. — [Peço que os cidadãos] mantenham a paz e a ordem, e não sucumbam às tentações da guerra psicológica e à ameaça do medo que querem nos impor.
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Acusado pelo Departamento de Justiça dos EUA de participação em um esquema de tráfico de drogas que passa pelos altos escalões do governo venezuelano, Vladimir Padrino López é procurado pelos americanos, que oferecem uma recompensa de US$ 15 milhões por sua captura. Mesmo assim, não foi um dos alvos da operação militar de sábado, assim como outros compatriotas que são procurados pelas autoridades americanas, como o ministro do Interior, Diosdado Cabello, cuja recompensa era de US$ 25 milhões.
Cartaz do Departamentoi de Estado dos EUA com oferta de recompensa por Vladimir Padrino López, ministro da Defesa da Venezuela
Divulgação
Em entrevista à rede CBS News, neste domingo, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, tentou justificar a escolha dos EUA pela prisão apenas de Maduro e sua mulher, Cilia Flores, no ataque.
— Imagine o alvoroço que teríamos se tivéssemos que ficar lá quatro dias para capturar mais quatro pessoas. Tínhamos a prioridade máxima. A pessoa número um da lista era o cara que alegava ser o presidente do país, e ele foi preso junto com a esposa, que também foi indiciada — disse Rubio, irritado com a pergunta da apresentadora da CBS News. — Ele (Maduro) era um traficante de drogas condenado e indiciado. Ele foi preso. Sua esposa também foi presa e agora estão sendo julgados pelo sistema judiciário americano. Então você queria que pousássemos em outras cinco bases militares?
Ao comentar a captura do líder chavista, Nicolás Maduro, no sábado, o presidente dos EUA, Donald Trump, não demorou a incluir a ação contra Caracas como parte de seu resgate da Doutrina Monroe — linha de política externa americana do Século XIX, que a atual administração da Casa Branca reitera como pilar central da visão americana sobre o restante do mundo. Acusando Maduro de tornar o país sul-americano em uma base para adversários, Trump afirmou que a deposição do líder efetivaria esse objetivo.
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— A Doutrina Monroe é muito importante, mas nós a superamos bastante. Muito mesmo. Agora a chamam de Doutrina “Donroe”, mas não sei. É a Doutrina Monroe — disse Trump a partir de sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida, durante uma coletiva de imprensa que atraiu a atenção de todo o mundo — [A Doutrina Monroe] Era muito importante, mas nos esquecemos disso. Não nos esqueceremos mais.
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Enunciada pelo presidente americano James Monroe, em 1823, a famosa doutrina de política externa consolidou a hegemonia americana no Hemisfério Ocidental. Lançada como uma forma de alerta (e, em mesma medida, de ameaça) às potências europeias, preconizou a não-intervenção dos europeus no continente, colocando-se como fiador pela força — em uma dinâmica que beneficiou o movimento de descolonização naquele período.
Embora Trump argumente que a operação na Venezuela afasta da região países como China, Irã e Rússia, que mantém laços próximos com o regime chavista há décadas, as declarações de alguns dos integrantes da cúpula do governo no sábado, e do próprio presidente, indicam que os objetivos da ação estão muito mais alinhados a uma outra famosa linha de política externa.
Trump deixou claro que principal objetivo americano no país era o petróleo. O retorno das companhias americanas ao setor energético venezuelano mereceram mais espaço na coletiva do que mensagens à diáspora venezuelana nos EUA. Também não ficou claro o futuro do chavismo — que, inicialmente, não deixa o poder, para frustração da diáspora venezuelana.
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A permanência de autoridades chavistas no comando do governo, segundo o próprio Trump, estaria condicionada à cumprir com os interesses americanos — uma garantia existencial aparentemente ligada a uma lógica negocial, relacionada ao petróleo. O próprio sinal verde para Delcy Rodríguez, vice de Maduro, assumir a Presidência teria sido decidido a partir da expectativa de que ela fosse pragmática em relação ao setor.
Mais do que a Doutrina Monroe, descrita com destaque em documentos e pronunciamentos, o caso venezuelano indica que Trump está resgatando em seu “corolário” outra política que marcou a região: o “big stick” (ou “grande porrete”, em tradução livre), lançado por Theodore Roosevelt, no começo do século XX.
Resumida no lema “falar macio, mas carregar um grande porrete”, a linha de política externa americano preceituava usar a via diplomática para alcançar objetivos, mas recorrer ao uso da força — no caso dos EUA, sempre muito superior aos seus vizinhos de Hemisfério — caso contrariado. Foi por meio dessa política que Washington interviu em uma série de países, incluindo a Venezuela, na primeira década do século passado.
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Apesar de se referir às atrocidades cometidas pelo regime de Maduro, Trump deu sinal expresso de que, em última instância, o caso se tratou, por fim, de negociações sem o desfecho pretendido — não se sabe se elas envolviam cortar laços com China e Rússia, por exemplo. O presidente, porém, falou abertamente em reparar os danos pelo processo de nacionalização realizado ainda no governo de Hugo Chávez.
— Nós construímos toda aquela indústria lá, e eles só tiraram de nós como se fôssemos nada, e tivemos um presidente que decidiu não fazer nada. Fizemos algo sobre isso. Tarde, mas fizemos — disse o presidente.
Outro sinal de que o ataque está inserido em uma lógica negocial, o secretário de Estado e conselheiro de Segurança Nacional Marco Rubio afirmou, ao lado de Trump, que Maduro poderia “estar vivendo em outro lugar”, mas que enfrentou o desfecho visto neste sábado por não ter atendido às demandas americanas.
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— Eu quero ser claro sobre uma coisa. Nicolás Maduro teve muitas oportunidades de evitar isso. Ele teve muitas múltiplas ofertas generosas e escolheu, em vez disso, agir como um lunático — disse Rubio, acrescentando posteriormente. — Ele poderia estar vivendo em outro lugar neste momento, muito feliz, mas em vez disso ele quis bancar o ‘garotão’.
Seja pela Doutrina ou pelo Porrete, o retorno dos EUA à política da força é preocupante do ponto de vista da ordem internacional. Ao contrário de Monroe e Roosevelt, Trump assumiu os EUA inseridos em um mundo mediado por princípios como direito internacional, direitos humanos e organismos multilaterais — construído desde o fim da Segunda Guerra sob toneladas de influência americana.
Ao virar as costas para esse arcabouço legal, normativo e principiológico, Trump se aproxima de líderes como russo Vladimir Putin, que ignora o processo civilizatório das últimas gerações e não vê problema em perseguir seus objetivos por meio da força.
Durante os ataques dos Estados Unidos à Venezuela, na madrugada do último sábado (3), o presidente Nicolás Maduro foi capturado e levado à força para Nova York. Agora, ele aguarda para responder à Justiça ao ser acusado por quatro crimes, incluindo narcotráfico e terrorismo. Enquanto aguarda, o líder venezuelano permanece detido em uma prisão federal de segurança máxima.
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Quando chegou aos EUA, primeiro, Maduro foi levado para uma unidade da agência antidrogas (DEA, na sigla em inglês), também em Nova York, no início da noite de sábado. O presidente ficará detido no Centro de Detenção Metropolitano (MDC) do Brooklyn, única unidade federal da cidade. Nela estão presos provisórios e condenados considerados de alta periculosidade.
O presídio é famoso por diferentes motivos, que vão desde escândalos das condições em que funciona, como por abrigar nomes famosos e de casos de grande repercussão. Um dos mais recentes é o rapper Sean “Diddy” Combs, e outros como o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin — que ficou detido no local entre 2017 e 2020 — e Michael Cohen, ex-advogado de Donald Trump, para quem atuou por cerca de 12 anos.
Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (C), é escoltado por agentes federais na sede da agência antidrogas dos EUA, em Nova York
Reprodução/Redes Sociais
Por nomes de peso, o MDC e suas condições sempre vêm à tona. Em ocasiões anteriores, o The New York Times noticiou que detentos da unidade enfrentam más condições, como infestações de ratos e banheiros com esgoto exposto, e episódios de violência entre os presos, como a morte de dois homens por facadas no último.
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O próprio Michael Cohen falou, no ano passado, sobre as condições do MDC, como camas sem travesseiro e colchão de pouco mais de 3 centímetros, o ambiente apertado e todo de concreto da cela, além dos riscos para a segurança de quem está detido ali.
“É um ambiente desolador, sem livros ou qualquer conforto”, definiu à época em entrevista à CNN no ano passado.
Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn
Reprodução/ United States Department of Justice
O MDC foi inaugurado no início da década de 1990. A penitenciária, um extenso complexo de concreto que abriga cerca de 1.200 detentos, acumula reclamações há muitos anos. Segundo a Associated Press, uma equipe do Bureau of Prisons trabalha para resolver os problemas da unidade, adicionando funcionários de segurança e médicos e se dispondo a resolver as mais de 700 solicitações de manutenção em atraso.
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Em 2019, um incêndio de origem elétrica deixou alguns internos sem aquecimento no auge do inverno. Um advogado de um preso que morreu no local em julho do ano passado, em decorrência de ferimentos sofridos em uma briga, descreveu o estabelecimento como “uma prisão federal superlotada, com falta de funcionários e negligenciada, que é um inferno na Terra”.
A unidade é usada principalmente para a detenção de pessoas que aguardam julgamento. Nos últimos anos também foram registrados suicídios entre os presos. Além disso, seis funcionários foram acusados de crimes, como subornos ou contrabando, segundo a AP. Em 2025, o MDC operava com cerca de 55% da sua capacidade total de funcionários.
Outros nomes de destaque que passaram por essa prisão são a socialite Ghislaine Maxwell, ex-companheira de Jeffrey Epstein; e o empresário Sam Bankman-Fried, fundador da corretora de criptomoedas FTX, por desviou bilhões de dólares do dinheiro de seus clientes para investimentos de capital de risco.
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Antes mesmo dos helicópteros americanos avançarem sobre Caracas na madrugada do ataque de sábado que resultou na captura do líder venezuelano, Nicolás Maduro, os Estados Unidos colocaram em ação aeronaves de “guerra eletrônica” capazes de “cegar” sistemas de defesa, comunicações e até a rede elétrica da capital venezuelana. Trata-se dos aviões EA-18G Growler, projetados para ataques eletrônicos e cibernéticos.
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Segundo a imprensa americana, a ofensiva começou com uma combinação de ações cibernéticas destinadas a desorganizar as defesas venezuelanas. Moradores de Caracas relataram apagões em vários bairros no exato momento da incursão, o que o próprio presidente Donald Trump confirmou depois, ao afirmar que as luzes da capital “foram em grande parte desligadas” graças à “expertise” americana.
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O EA-18G Growler é uma versão modificada do caça F/A-18 Super Hornet, projetada especificamente para missões de interferência eletrônica. Em vez de priorizar o combate aéreo tradicional, o Growler é equipado com sensores avançados e sistemas capazes de detectar, bloquear e enganar radares inimigos, redes de comunicação e sistemas de defesa aérea. Seu papel principal é abrir caminho para outras aeronaves, neutralizando ameaças antes mesmo que o inimigo perceba que está sob ataque.
Aviões EA-18G Growler foram projetados para ataques eletrônicos e cibernéticos
Reprodução / Força Aérea Real Australiana
De acordo com o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, a missão aérea teve também como objetivo neutralizar os sistemas de defesa aérea da Venezuela, garantindo a passagem segura dos helicópteros que transportaram forças especiais até os pontos-chave da operação, incluindo o Forte Tiuna, onde Maduro foi encontrado com sua esposa, Cilia Flores.
Para isso, segundo o jornal americano Wall Street Journal, os Growler atuaram em conjunto com caças F-18, F-22 e F-35, aeronaves de comando e controle E-2 Hawkeye, bombardeiros B-1 — cada um capaz de lançar até 24 mísseis de cruzeiro — e drones pilotados remotamente.
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Um dos alvos do ataque americano foi o Cerro El Volcán, um dos pontos mais altos nos arredores de Caracas e considerado estratégico para as comunicações do país. Segundo David Smolansky, porta-voz da líder da oposição venezuelana María Corina Machado, o local abriga a principal antena de transmissão de sinais da capital, além de infraestrutura de comunicações via satélite.
A ofensiva envolveu mais de 150 aeronaves militares, que decolaram de cerca de 20 bases e navios da Marinha dos EUA espalhados pelo Caribe e outras regiões. À medida que os aviões avançavam em direção a Caracas, o fator surpresa, segundo Caine, havia sido mantido.
Ainda de acordo com Caine, a operação foi resultado de meses de planejamento meticuloso e de décadas de experiência na integração de operações conjuntas marítimas, terrestres, aéreas e espaciais.
Em seu balanço final, o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA classificou a missão como “uma demonstração poderosa da força conjunta dos Estados Unidos” e afirmou que as forças americanas permanecem mobilizadas na região em alto estado de alerta.
— Pensamos, treinamos, ensaiamos e voltamos a ensaiar não para fazer as coisas darem certo, mas para garantir que nada possa dar errado. Quando recebemos a ordem, podemos agir com força esmagadora no momento e no local que escolhermos, contra qualquer adversário — declarou.
Os governos de Brasil, Chile, Colômbia, México, Uruguai e Espanha divulgaram uma nota conjunta, neste domingo, na qual expressam “profunda preocupação e rejeição” às ações militares realizadas de forma unilateral em território venezuelano. Segundo o documento, divulgado pela chancelaria colombiana, as iniciativas violam princípios fundamentais do direito internacional, consagrados na Carta das Nações Unidas.
Na madrugada de sábado, após atacar o país latino-americano com bombas, o presidente americano Donald Trump, afirmou Nicolás Maduro e sua esposa foram capturados. Trump disse que os EUA irão governar a Venezuela até “uma transição adequada” e deixou claro seu interesse pelas grandes reservas de petróleo em território venezuelano.
Na avaliação dos países, as ações contrariam a proibição do uso e da ameaça da força, além de desrespeitarem a soberania e a integridade territorial dos Estados. A nota afirma que esse tipo de iniciativa constitui um “precedente sumamente perigoso para a paz e a segurança regional” e “coloca em risco a população civil”.
Os signatários reiteram que a situação na Venezuela deve ser resolvida “exclusivamente por vias pacíficas”, por meio do diálogo e da negociação, com respeito à vontade do povo venezuelano “em todas as suas expressões” e sem ingerências externas. O texto sustenta que “somente um processo político inclusivo, liderado pelos venezuelanos”, pode conduzir a uma solução democrática, sustentável e respeitosa da dignidade humana.
Na nota, os governos também reafirmam o caráter da América Latina e do Caribe como “zona de paz”, construída sobre o respeito mútuo, a solução pacífica das controvérsias e a não intervenção. Nesse contexto, fazem um apelo à “unidade regional, além das diferenças políticas”, diante de qualquer ação que coloque em risco a estabilidade da região.
O documento ainda manifesta preocupação com qualquer tentativa de “controle governamental, administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos”, classificando essas iniciativas como incompatíveis com o direito internacional e como fatores que ameaçam a estabilidade política, econômica e social da região.
Em reunião neste domingo, a OPEP+ decidiu manter seus planos de pausar os aumentos de oferta de petróleo no primeiro trimestre do ano. Isso porque os mercados globais enfrentam excedente de suprimentos, e o grupo aguarda entender melhor os impactos no setor relativos à captura do líder venezuelano Nicolás Maduro pelo governo de Donald Trump.
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Membros-chave, liderados pela Arábia Saudita e Rússia, manterão os níveis coletivos de produção até o final de março, segundo delegados da OPEP+ que pediram anonimato, já que a decisão ainda não é pública. A OPEP+ é uma organização de países exportadores de petróleo.
Embora tenham acrescentado que seria prematuro ajustar o fornecimento em resposta à captura de Maduro, o panorama da produção venezuelana pode se tornar uma questão importante nos próximos meses para o grupo.
Os contratos futuros de petróleo caíram 18% no ano passado, a maior queda anual desde a pandemia de 2020, à medida que os suprimentos aumentaram entre os membros da OPEP+ e produtores importantes em outras regiões. Os analistas ainda preveem um excedente significativo e crescente em 2026.
A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo, mas atualmente bombeia menos de 1% da demanda global. Após a operação militar que resultou na captura de Maduro, o presidente Donald Trump afirmou que petrolíferas dos EUA investirão bilhões de dólares para reconstruir a infraestrutura energética em ruínas da Venezuela. Ela não foi afetada pelos ataques com bombas na capital venezuela no último sábado, garantem fontes.
No começo de dezembro, o presidente dos EUA, Donald Trump, surpreendeu muitos em Washington ao conceder perdão ao ex-líder de Honduras, Juan Orlando Hernández, condenado a 45 anos de prisão pela Justiça americana por comandar o que as autoridades chamaram de “uma das maiores e mais violentas conspirações para o tráfico de drogas do mundo”. Um mês depois, acusações similares contra um outro chefe de Estado, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, motivaram uma inédita ação militar dos EUA. Duas histórias semelhantes, mas cujos desfechos mostram a influência de Trump no sistema jurídico dos Estados Unidos, refletindo suas próprias visões e interesses.
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A investigação contra Hernández começou ainda no primeiro mandato de Trump, centrada em denúncias sobre o uso de recursos do Estado hondurenho para o transporte de drogas aos Estados Unidos. Embora tenha chegado ao poder com o discurso de combate à violência e ao narcotráfico, o inquérito revelou que ele mantinha laços com organizações criminosas desde 2004, e que cobrava milhões de dólares como “pedágio” para que elas pudessem atuar sem problemas.
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Os investigadores também descobriram que o dinheiro foi usado em campanhas eleitorais, e os promotores do Departamento de Justiça dos EUA descreveram o esquema não apenas como “uma das maiores e mais violentas conspirações para o tráfico de drogas do mundo”, mas também como um mecanismo para que Hernández se mantivesse no poder.
Ele foi preso em 2022, pouco depois de terminar seu segundo mandato, e extraditado para os Estados Unidos, onde foi condenado, em 2024, a 45 anos de prisão e pagamento de multa de US$ 8 milhões. Segundo os promotores, “ele pavimentou uma estrada de cocaína para os EUA, com o apoio de metralhadoras”. Gravações exibidas no tribunal mostraram diálogos explícitos com traficante: em um deles, disse que queria “enfiar drogas nos narizes dos gringos” nos EUA.
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Maduro, capturado no sábado, também enfrenta acusações ligadas ao tráfico: conspiração para o narcoterrorismo; conspiração para a importação de cocaína nos EUA; posse ilegar de metralhadoras e equipamentos explosivos e conspiração para a posse desses armamentos. O venezuelano também é acusado, em um processo aberto em 2020, de liderar uma organização criminosa, o Cartel de los Soles, que, de acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, é responsável por exportar toneladas de drogas para o país. O Departamento de Estado oferecia uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à sua prisão.
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Em boa parte do planeta, acusações semelhantes levariam a desfechos parecidos. Mas na Era Trump 2.0, interesses do presidente furam a fila.
Ainda em 2022, quando foi extraditado, Hernández acusava o então presidente dos EUA, Joe Biden, de perseguição política contra ele, ignorando que a investigação foi lançada pelo Departamento de Justiça ainda no primeiro mandato de Trump. Com o retorno do republicano à Casa Branca, a defesa viu a oportunidade perfeita para agir.
Em outubro, por intermédio de um velho conhecido de Washington, o conselheiro político Roger Stone, a defesa de Hernández enviou uma carta de quatro páginas a Trump, na qual apontava para uma suposta perseguição política, repetia argumentos caros ao presidente (“esquerda radical”, por exemplo) e citava Joe Biden. Dias antes de conceder o perdão, Trump já dava sinais de que a estratégia funcionou.
— Ele era o presidente do país, e basicamente disseram que ele era um traficante de drogas porque era o presidente do país — disse Trump a jornalistas, no final de novembro. — E disseram que foi uma armação do governo Biden. E eu analisei os fatos e concordei com eles.
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Apesar do perdão, Hernández não voltará tão cedo a Honduras. Dias depois da decisão de Trump, a Justiça local emitiu um mandado internacional de prisão contra ele, citando acusações de lavagem de dinheiro e fraude, ligadas à sua primeira eleição, em 2014.
“Fomos feridos pelos tentáculos da corrupção e pelas redes criminosas que marcaram profundamente a vida do nosso país”, disse o procurador-geral de Honduras, Johel Antonio, Zelaya ao anunciar o mandado de prisão, na rede social X.
Desde o início do ano, quando voltou à Presidência, Trump emitiu mais de 1,5 mil perdões a pessoas condenadas por crimes de diferentes tipos, incluindo a invasão ao Capitólio, em janeiro de 2021. Em praticamente todos os casos, os beneficiados eram seus apoiadores.
(Com The New York Times)
Semanas antes da operação que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, autoridades dos EUA já haviam se decidido por uma candidata aceitável para substitui-lo após sua deposição — pelo menos temporariamente: a vice-presidente Delcy Rodríguez. A líder chavista, uma aliada de Maduro, impressionou funcionários do presidente americano, Donald Trump, com sua gestão da crucial indústria petrolífera venezuelana. Pessoas envolvidas nas discussões disseram que intermediários convenceram o governo de que ela protegeria e defenderia futuros investimentos americanos no setor de energia do país.
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— Venho acompanhando a carreira dela há muito tempo, então tenho uma noção de quem ela é e do que ela representa — disse um alto funcionário dos EUA, referindo-se a Delcy. — Não estou alegando que ela seja a solução permanente para os problemas do país, mas ela certamente é alguém com quem achamos que podemos trabalhar em um nível muito mais profissional do que conseguíamos com ele.
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As frequentes aparições públicas de Maduro, somada a outras demonstrações de indiferença, ajudaram a convencer integrantes da equipe de Trump de que o presidente venezuelano estava zombando deles, tentando pagar para ver o que ele acreditava ser um blefe, segundo duas das pessoas, que falaram sob condição de anonimato por não estarem autorizadas a discutir as conversas confidenciais. Na semana passada, Maduro desdenhou da então mais recente escalada dos EUA — um ataque a um cais que os EUA afirmaram ser usado para o tráfico de drogas —, dançando ao som de uma batida eletrônica na televisão estatal, enquanto sua voz gravada repetia em inglês: “No crazy war” (Sem guerras loucas). Antes, havia recusado uma proposta de exílio na Turquia.
Assim, a Casa Branca decidiu levar adiante suas ameaças militares.
A opção por permitir a posse de Delcy foi uma escolha fácil, disseram as fontes. Trump não simpatiza com a líder da oposição María Corina Machado, que organizou uma campanha presidencial vitoriosa em 2024, o que lhe rendeu o Prêmio Nobel da Paz no ano passado. No sábado, Trump disse que aceitaria Delcy, afirmando que a opositora carecia do “respeito” necessário para governar a Venezuela.
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Autoridades americanas afirmam que o relacionamento com o governo interino será baseado na capacidade dela de jogar conforme as regras deles, acrescentando que reservam-se ao direito de tomar medidas militares adicionais caso não respeite os interesses dos EUA. Em uma declaração neste domingo, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que Washington irá trabalhar com as atuais lideranças da Venezuela se elas tomarem “as decisões certas”.
— Vamos julgar tudo pelo que fizerem, e vamos ver o que fazem — disse Rubio no programa Face the Nation, da CBS News. — Eu sei o seguinte: se não tomarem as decisões certas, os EUA manterão diversas ferramentas de pressão.
Trump declarou no sábado que os EUA pretendem “administrar” a Venezuela por um período indeterminado e recuperar os interesses petrolíferos dos EUA, uma afirmação extraordinária de poder unilateral e expansionista após argumentos mais estreitos — e também contestados — sobre interromper o fluxo de drogas.
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Com Delcy, o governo Trump estaria se envolvendo com uma líder do governo que repetidamente rotulou como ilegítimo, ao mesmo tempo em que abandona María Corina — além de não estar claro, imediatamente, se Delcy sequer colaboraria. Em um pronunciamento na televisão, ela acusou os EUA de realizarem uma invasão ilegal e afirmou que Maduro continua sendo o líder legítimo da Venezuela.
Para manter o poder de pressão, altos funcionários americanos disseram que as restrições dos EUA às exportações de petróleo venezuelano permanecerão em vigor por enquanto. Outros envolvidos nas negociações expressaram esperança de que o governo pare de deter petroleiros e emita mais licenças para que empresas dos EUA trabalhem no país, a fim de reanimar a economia e dar a Delcy uma chance de sucesso político.
A vice-presidente de 56 anos chega ao posto de líder interina da Venezuela com as credenciais de uma solucionadora de problemas econômicos que orquestrou uma mudança no país: de um socialismo corrupto para um capitalismo laissez-faire igualmente corrupto.
Delcy Rodríguez ao lado de Maduro e da cúpula chavista, em foto de janeiro de 2019
Luis Robayo/AFP
Ela é filha de um guerrilheiro marxista que ganhou fama por sequestrar um empresário americano. Foi educada em parte na França, onde se especializou em direito trabalhista, e ocupou cargos de médio escalão no governo do predecessor de Maduro, Hugo Chávez, antes de ser promovida a cargos maiores com a ajuda de seu irmão mais velho, Jorge Rodríguez, que acabou se tornando o principal estrategista político de Maduro.
Delcy conseguiu estabilizar a economia venezuelana após anos de crise e aumentar, de forma lenta mas constante, a produção de petróleo do país em meio ao endurecimento das sanções dos EUA, um feito que lhe rendeu o respeito relutante até de algumas autoridades americanas.
À medida que Delcy consolidava o controle sobre a política econômica e eliminava rivais, ela construiu pontes com as elites econômicas da Venezuela, investidores estrangeiros e diplomatas, para quem se apresentava como uma tecnocrata de fala mansa, em contraste aos oficiais de segurança robustos que formavam a maior parte do círculo interno de Maduro.
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Essas alianças deram frutos nos últimos meses, rendendo-lhe defensores poderosos que ajudaram a consolidar sua ascensão ao poder. No sábado, sua assunção foi recebida com otimismo cauteloso por alguns líderes da indústria da Venezuela, que disseram em particular que ela tinha as habilidades para gerar crescimento, se conseguisse convencer os EUA a relaxar o sufocamento da economia do país.
Apesar de todas as suas inclinações tecnocráticas, Delcy nunca denunciou a repressão brutal e a corrupção que sustentaram o governo de Maduro, tendo certa vez chamado sua decisão de ingressar no governo de um ato de “vingança pessoal” pela morte de seu pai na prisão em 1976, após ser interrogado por agentes de inteligência de governos pró-EUA.
A capacidade da líder em negociar através do abismo ideológico da Venezuela pode ser útil para aliviar as tensões. Juan Francisco García, ex-parlamentar do partido governista que desde então rompeu com o governo, disse ter algumas apreensões sobre a capacidade dela de governar, mas deu a ela o benefício da dúvida.
Fronteira da Venezuela com o Brasil amanhece reaberta após ataque dos EUA
— A história está cheia de setores e figuras ligadas a ditadores que, em algum momento, serviram como ponte para estabilizar o país e fazer a transição para um cenário democrático — disse García.
As contradições que cercam Delcy ficaram evidentes no sábado, quando ela se dirigiu à nação. Embora Trump tenha dito que ela havia sido empossada como a nova presidente da Venezuela, ficou claro que os apoiadores de Maduro — incluindo a própria, se suas declarações forem levadas ao pé da letra — ainda a veem como a líder da Venezuela. Até mesmo o texto na televisão estatal venezuelana a rotulou como vice-presidente.
Pessoas próximas ao governo, porém, disseram que essas exibições de lealdade eram uma estratégia necessária de relações públicas para pacificar os apoiadores leais do partido governista, inclusive nas Forças Armadas e grupos paramilitares, que estavam atordoados com a humilhação militar infligida pelos EUA ao seu país e com a destruição e morte causadas pelo ataque. (Com AFP)
Morador de Santa Elena de Uiarén, cidade venezuelana na fronteira com o Brasil, o técnico de comércio exterior Antonio Cardenas afirma ter pouca esperança de que algo mude em seu país após os Estados Unidos atacar Caracas e levar o presidente Nicolás Maduro para uma prisão em Nova York. Para ele, a ação americana foi um “show”, apenas para tirar Maduro do poder, mas as mesmas pessoas que davam respaldo a seu governo seguem por lá.
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— O povo segue sofrendo, essa é a verdade. Nosso futuro é incerto. Não há um poder democratico na Venezuela. Os extremos, de direita e esquerda, são essa mentira. Quem está no meio sofre, o povo trabalhador e que quer uma economia que seja pujante. As pessoas estão decepcionadas e com muito medo, porque, afinal, não houve liberdade na Venezuela. Não acredito que os EUA vão solucionar nada. Eles não estão interessados na venezuela, estão interessados nos recursos da venezuela — disse ele.
Um dia após os ataques dos Estados Unidos contra a Venezuela, a fronteira com o Brasil amanheceu reaberta, com um fluxo intenso de carros e pessoas em direção a Pacaraima, em Roraima, a primeira cidade do lado brasileiro. Venezuelanos que deixavam seu país de origem relatavam tensão com os bombardeios registrados na madrugada de sábado e incertezas sobre o que irá acontecer daqui para a frente.
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O engenheiro mecânico Maikeel Contrera, que deixou a família no estado de Mérida, na Venezuela, para tentar uma vida melhor no Brasil, diz que a sensação é de insegurança com o que chamou de “vazio de poder”.
— Há que evitar sair às ruas porque na Venezuela não há governo, há um vazio de poder e está cada um por um lado. As pessoas inocentes correm os risco de os grupos armados se enfrentarem. O risco é que não há lei. Há grupos armados em cada estado mandados por coronéis — disse ele ao cruzar a fronteira na manhã deste domingo.
Após os ataques, a fronteira com o Brasil chegou a ser fechada no sábado pelo lado venezuelano, mas segundo relataram integrantes do governo brasileiro, foi reaberta no fim do dia. O fluxo maior é de venezuelanos deixando o país.
Militares brasileiros fazem barreira na fronteira com a Venezuela, em Pacaraima (RR)
Patrik Camporez/ Agência O Globo
Do lado brasileiro, militares montaram uma blitz, como revista minuciosa de todos os carros que entram e identificação de seus ocupantes.
O trabalhador ambulante David Andrés, de 56 anos, e o operário Robert Rodrigues, de 25 anos, também chegaram ao Brasil em busca de oportunidade. Ao cruzar a fronteira neste domingo, eles dizem temer por quem ficou para trás.
— Minha família está toda lá. Está muito complicado. Estamos com medo por quem ficou — diz David.
Ao GLOBO, o governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), disse temer que a crise na Venezuela gere uma nova onda de refugiados no estado e sugeriu ao governo federal o fechamento temporário da fronteira com o país. O pedido foi feito aos ministros da Defesa, José Múcio, da Casa Civil, Rui Costa, e de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, com quem o governador conversou neste sábado.
Em entrevista na noite de ontem, após uma reunião no Itamaraty, o ministro da Defesa afirmou que a situação na fronteira era “tranquila”, mas que haveria um “plantão” para o caso de novos acontecimentos.
Como mostrou o GLOBO, uma das principais preocupações do governo brasileiro diante dos ataques dos Estados Unidos à Venezuela é a extensa fronteira terrestre compartilhada pelos dois países, com mais de 2 mil quilômetros de extensão. Avaliações feitas no Palácio do Planalto e em áreas da segurança indicam que a instabilidade no território venezuelano pode gerar impactos diretos sobre a região norte do Brasil.
A apreensão não se limita a um eventual aumento do fluxo de imigrantes venezuelanos em direção ao Brasil, movimento que já ocorre há anos em função da crise econômica e social no país vizinho. Autoridades brasileiras também veem risco de que a intensificação do conflito facilite a entrada, pela fronteira, de pessoas ligadas a organizações criminosas, especialmente ao narcotráfico.
Desde que começou a crise migratória venezuelana, em 2013, ano em que Maduro foi eleito presidente pela primeira vez — já com denúncias de fraude por parte da oposição —, o Observatório da Diáspora Venezolana estima que 9,1 milhões de pessoas deixaram o país. De acordo com a Agência das Nações Unidas para os Refugiados, a Acnur, a Venezuela tem hoje o maior número de refugiados do mundo (6,3 milhões), superando países como a Síria.

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