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A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, declarou na noite deste domingo que tem como prioridade estabelecer uma relação “equilibrada e respeitosa” com os Estados Unidos, um dia após o ataque americano a Caracas e a captura do presidente Nicolás Maduro. Nas redes sociais, Rodriguez publicou uma mensagem direta ao presidente americano, Donald Trump, e reforçou seu apelo pela paz no país sul-americano.
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“Consideramos prioritário avançar rumo a uma relação internacional equilibrada e respeitosa entre os EUA e a Venezuela, e entre a Venezuela e os países da região, baseada na igualdade soberana e na não interferência. Esses princípios norteiam nossa diplomacia com o resto do mundo”, escreveu Rodriguez em uma publicação nas redes sociais. “Estendemos um convite ao governo dos EUA para trabalharmos juntos em uma agenda de cooperação, orientada para o desenvolvimento compartilhado, dentro da estrutura do direito internacional, e para fortalecer a coexistência comunitária duradoura”.
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Em declaração
Em declaração a repórteres quase simultaneamente à postagem da líder venezuelana, Trump insistiu que os Estados Unidos estão “no comando” da Venezuela após a prisão de Maduro e enquanto dialoga com a nova liderança do governo venezuelano.
— Estamos lidando com as pessoas que acabaram de assumir o cargo. Não me perguntem quem está no comando, porque eu darei uma resposta muito controversa — disse Trump a repórteres a bordo do Air Force One, quando questionado se havia conversado com a presidente interina Delcy Rodríguez.
Quando solicitado a esclarecer o que queria dizer, Trump respondeu:
— Significa que nós estamos no comando.
*Matéria em atualização
Num áudio divulgado neste domingo, o filho do presidente venezuelano Nicolás Maduro, o deputado governista Nicolás Maduro Guerra, conhecido como “Nicolasito”, incitou protestos em apoio ao pai na Venezuela, um dia após a captura do líder chavista durante uma ação militar dos EUA no país sul-americano. Na mensagem, o parlamentar declarou ainda que “a História dirá quem foram os traidores”, em referência a relatos divulgados pela imprensa de que pelo menos uma pessoa dentro do círculo próximo de Maduro havia colaborado com a Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA).
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Na Operação Firmeza Absoluta, realizada na madrugada de sábado, Maduro foi capturado por Forças Especiais americanas junto com a esposa, Cilia Flores, e levado aos Estados Unidos, onde é acusado de terrorismo e narcotráfico. Apesar de vários membros do governo venezuelano também serem acusados de “narcoterrorismo” pela justiça americana e terem mandados de prisão emitidos contra si, o presidente e a primeira-dama foram os únicos alvos detidos pelas forças americanas em Caracas.
Segundo informações publicadas pelo New York Times e pela Reuters, a CIA tinha uma pequena equipe atuando na Venezuela desde agosto, quando os EUA iniciaram o deslocamento militar de frotas de guerra para o Caribe. Os agentes de inteligência conseguiram fornecer informações sobre o padrão de vida de Maduro, o que teria facilitado a sua captura.
Fontes afirmaram que a agência de espionagem americana também tinha um informante próximo a Maduro que monitorava seus movimentos e estava pronto para revelar sua localização exata conforme a ação militar se desenrolasse. Isso indica que pode ter havido colaboração interna com os EUA para a ação de sábado, partindo supostamente de algum integrante do corpo de segurança de Maduro ou algum membro do alto escalão do regime chavista.
O filho de Maduro, que também aparece entre os acusados em uma corte federal de Nova York e é procurado pelas autoridades americanas, afirmou estar “bem” e “tranquilo” após os bombardeios no território venezuelano, e reiterou o chamado à mobilização popular de apoiadores do regime.
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“Estamos bem, estamos tranquilos. Vocês vão nos ver nas ruas, vão nos ver ao lado deste povo, vão nos ver levantando as bandeiras da dignidade. Eles querem nos ver fracos, não vão nos ver fracos”, disse Maduro Guerra em um áudio que foi divulgado nas redes sociais e teve veracidade confirmada por sua equipe à AFP. “Eles não vão conseguir (…), eu juro pela minha vida, eu juro pelo meu pai, eu juro pela Cilia, que dessa dificuldade nós vamos sair. Estou firme. Estamos firmes e minha família está firme, forte e e dura”.
O chavismo começou a mobilizar sua militância já no sábado, pouco depois de se tornar conhecida a detenção do presidente. Desde então, a vice-presidente Delcy Rodríguez exerce o poder de forma interina por ordem da Suprema Corte venezuelana e com apoio das Forças Armadas.
(Com AFP)
A Venezuela entrou em uma nova era, marcada pela incerteza, após a captura de Nicolás Maduro, ordenada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no sábado. Em meio à apreensão sobre o futuro do país, as ruas de Caracas, a capital, e de outras cidades têm permanecido incomumente silenciosas um dia depois do ataque americano. As pessoas estão receosas de sair às ruas. Aqueles que se aventuraram a sair têm uma prioridade: estocar suprimentos básicos caso haja confrontos ou saques. Neste domingo, apesar das ruas praticamente vazias, longas filas se formaram em supermercados e farmácias.
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— Eu queria encher o tanque de gasolina, mas os postos já estão fechados, então aproveitei para comprar comida porque não sabemos o que vai acontecer. Parece uma cidade abandonada — disse o mecânico Jairo Chacin, de 39 anos, em entrevista à Reuters. — Sinceramente, estou com uma mistura de medo e alegria.
A realidade na capital venezuelana é de cautela, com os cidadãos divididos entre a expectativa pelo futuro e a preocupação com o abastecimento de alimentos em suas casas. Neste domingo, em Caricuao, os moradores começaram a se reunir em torno dos mercados antes das 9h para tentar comprar itens de primeira necessidade. Essa situação se repetiu em diversas partes da capital.
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As pessoas enchiam seus carrinhos com água, papel higiênico e outros produtos. Vídeos gravados em La Candelaria, no centro de Caracas, mostraram dezenas de pessoas em fila para comprar comida. Numa loja localizada num conjunto habitacional público da cidade, cerca de 10 pessoas corriam para encher jarras de água.
Moradores formaram filas para encher galões de água em uma área residencial de Caracas
The New York Times
— Quero saber o que acontecerá daqui pra frente — contou Nancy Pérez, de 74 anos, que saiu para ir a uma padaria perto de sua casa em Valência, no centro da Venezuela.
Em Valência, cidade a duas horas a oeste de Caracas, os supermercados também abriram cedo. As compras, motivadas pela incerteza, levaram algumas pessoas a utilizarem dois carros para transportar todos os produtos que compraram. Alguns produtos esgotaram em determinados mercados, como em Maracaibo, onde os estabelecimentos relataram que frango e ovos acabaram, enquanto em outras cidades as prateleiras de laticínios e os refrigeradores de proteínas estavam vazios.
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Muitas lojas, postos de gasolina e igrejas permaneceram fechados neste domingo. Num bairro de baixa renda na zona leste de Caracas, o operário da construção civil Daniel Medalla sentou-se nos degraus em frente a uma igreja católica e disse a alguns fiéis que não haveria missa matinal. Medalla, segundo a agência Associated Press (AP), disse acreditar que as ruas permaneceram praticamente vazias porque as pessoas temem a repressão do governo caso ousem comemorar.
— Não sabemos o que está acontecendo, ninguém sabe — disse Cecilia Martínez, de 47 anos. — Mas somos cinco pessoas em casa e meus pais têm mais de 80 anos, então não posso ficar sentada esperando que digam se haverá toque de recolher ou não. Por isso, vim para cá e gastei tudo o que tinha.
Vista de uma rua vazia em Caracas
Federico Parra/AFP
O sistema de transporte público está operando com capacidade reduzida. Tanto o metrô de Caracas quanto o trem estão funcionando normalmente, embora com baixo volume de passageiros. Pessoas também foram vistas em estações de metrô procurando pontos de recarga para seus celulares, confirmando que diversas partes da cidade ainda estão sem energia desde o ataque.
O Aeroporto Internacional Simón Bolívar, conhecido como Maiquetía, que serve Caracas, permanece fechado. Não há voos programados, nem domésticos nem internacionais. O mesmo aconteceu no aeroporto Cipriano Castro, em San Antonio del Táchira, onde a chegada de cinco voos e a partida de outros quatro foram suspensas.
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No estado costeiro de La Guaira, famílias com casas danificadas pelas explosões da operação americana que capturou Maduro na madrugada de sábado limpavam os escombros. Wilman González, que ficou com um olho roxo devido à explosão, vasculhava os escombros no chão, cercado por móveis quebrados. Uma parte de seu prédio foi quase completamente destruída. Várias pessoas, ainda de acordo com a AP, foram mortas pelos ataques dos EUA, embora as autoridades venezuelanas não tenham confirmado o número exato. Entre os mortos estava a tia de González.
— É só isso que nos restou: ruínas — disse González à AP. — Somos civis, não estamos ligados ao governo nem a ninguém.
(Com El Nacional)
Na Praça do Ciclista, na esquina da Avenida Paulista com a Rua da Consolação, há uma estátua de Francisco Miranda (1750-1816), militar venezuelano que lutou ao lado de Simón Bolívar contra o domínio espanhol. Mais tarde, foi preso a mando do próprio Bolívar, acusado de traição. Foi ali, aos pés da estátua do “primeiro venezuelano universal”, como Miranda é conhecido, que seus compatriotas residentes em São Paulo decidiram comemorar a queda de Nicolás Maduro, líder do chavismo, movimento político que reivindica o legado de Bolívar.
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Neste sábado (3), Maduro foi deposto por forças americanas e levado para Nova York, onde será julgado por narcotráfico e terrorismo. O presidente americano Donald Trump anunciou que os Estado Unidos vão governar interinamente a Venezuela e controlar a produção petrolífera do país.
Convocado pela Associação Brasileira de Amigos para a Venezuela, o ato começou por volta das 15h e reuniu algumas dezenas de pessoas. À primeira vista, parecia uma manifestação da direita brasileira: homens e mulheres de verde e amarelo, com camisas da seleção brasileira, empunhavam bandeiras do Brasil e dos EUA (e até uma da Ucrânia). A expressão “Bolsonaro livre” se repetia aqui e ali. Cerca de metade do público era venezuelano. Ao GLOBO, alguns deles disseram experimentar uma mistura de alegria e apreensão quanto ao futuro de seu país. Também relataram incômodo com a instrumentalização política do drama venezuelano levada a cabo tanto pela direita quanto pela esquerda brasileiras.
— Ambas as partes se apropriam da dor dos venezuelanos por oportunismo político. O que aconteceu na Venezuela não tem nada a ver com a prisão de Bolsonaro — afirma o advogado Renzo Moreno, que vive há oito anos no Brasil com a mãe.
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Ruan de Sousa Gabriel
Moreno fugiu da Venezuela quando soube que havia uma ordem de prisão em seu nome. Ele era uma das lideranças da ala jovem do partido de María Corina Machado, líder da oposição ao chavismo, e entrou na mira do governo de Maduro. Saiu da Venezuela pela fronteira com a Colômbia e chegou ao Brasil com 20 anos. Ele e a mãe passaram a madrugada de sábado conversando com parentes que ainda vivem na Venezuela, perto de um dos aeroportos atingidos por bombas americanas. Dava para ouvir as explosões pelo telefone, diz ele.
— Estamos vivendo uma felicidade angustiada — afirma o rapaz, que espera que haja um governo de transição que reúna todas as forças políticas do país, do chavismo à oposição. — Houve sim um atentado à soberania da Venezuela, uma violação das leis internacionais. Ao mesmo tempo, o que tínhamos na Venezuela era uma ditadura que causava sofrimento ao povo. É como se diz: siga sempre o direito, mas quando o direito e a justiça divergirem, siga a justiça. O povo da Venezuela merece esperança, liberdade e democracia. Isso é o principal.
Moreno acrescenta que, neste momento, o povo venezuelano “não está preocupado com quem vai explorar o petróleo”.
— O nosso petróleo estava nas mãos do governo e dos russos e o povo passava fome. Quando eram os EUA quem exploravam o petróleo venezuelano, tínhamos comida na mesa.
País em transição
Carla Ramos era advogada na Venezuela e agora trabalha com marketing em São Paulo, onde vive com a mãe, Isabel Urrea, que é aposentada. Para Carla, o que aconteceu neste sábado não foi uma invasão estrangeira ou um atentado à soberania venezuelana.
— Foi a extradição de um ditador narcoterrorista. Agora, o país entra em transição — afirma.
Carla e Isabel migraram para o Brasil devido à crise política e econômica em seu país.
— Muita inflação, poder aquisitivo baixo, salários que não davam, não havia como viver — conta Isabel. — Agora, estamos felizes, temos esperança e fé em Deus que tudo vai melhorar, que serão implementadas políticas que vão terminar com a tirania e dar oportunidades ao povo.
Isabel espera que, após a transição capitaneada pelos EUA, a Venezuela seja governada pela chapa que disputou as eleições com Maduro no ano passado: Edmundo González e María Corina Machado. Devido às suspeitas de fraude, a reeleição de Maduro não foi reconhecida por boa parte da comunidade internacional (o Brasil incluso). Trump, porém, disse numa coletiva de imprensa que descarta passar o poder para Machado, que venceu o Prêmio Nobel da Paz em outubro passado. “Ela não conta com apoio nem respeito dentro de seu país”, disse o americano.
O venezuelano Jorge Modernell com a mãe, Marisa Guerra e a esposa, Camila Agostinho
Ruan de Sousa Gabriel
Jorge Modernell vive no Brasil desde 2008. Sem perspectivas econômicas, saiu da Venezuela aos 26 anos para fazer um intercâmbio universitário e tentar a vida por aqui. Hoje, trabalha com análise de dados.
— Eu não via futuro na Venezuela. Era uma época de crise, de muita influência de (Hugo) Chávez na economia, muita pressão sobre o setor privado — conta ele, cujo irmão também deixou o país em busca de oportunidades econômicas e hoje vive nos EUA. — O chavismo sequestrou o futuro e a esperança de uma geração de venezuelanos. Já não havia vida possível. Agora, estamos otimistas, temos esperança de alguma normalidade. Mas há incertezas, porque Maduro nunca foi o cabeça do movimento chavista. Quem toma as decisões são os militares e os cubanos e a estrutura do governo continua a mesma. Trump está negociando com Delcy Rodríguez. Não acho que muita coisa vai mudar do dia para a noite.
Por volta das 16h, houve discursos de dois ativistas venezuelanos radicados no Brasil: Roderick Navarro e Carlos José León, que criticaram duramente o apoio de parcelas da esquerda brasileira ao chavismo. Padre Kelmon, um dos candidatos da extrema direita na eleição presidencial de 2022, também falou. Atacou políticos que acusaram a violação da soberania venezuelana, como o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador gaúcho Eduardo Leite (PSD). Também disse esperar que a queda de Maduro seja “o início de uma faxina ideológica para devolver a esquerda para o lugar dela, o inferno”, e convocou os presentes para rezar um Pai-Nosso e uma Ave-Maria.
No fim do ato, os venezuelanos cantaram seu Hino Nacional e foram convidados a sair em passeata até o Masp — mas pela calçada, por orientação da Polícia Militar.
Ocupação virtual. O achado foi cunhado pelo setorista de segurança nacional do New York Times, o veterano David E. Sanger, para sintetizar a situação imediata da Venezuela após o ataque dos Estados Unidos neste sábado. Quando afirmou, ao usar termo característico do mundo dos negócios, que Washington passaria a gerenciar o país sul-americano — “to run”, em inglês —, o presidente Donald Trump não se referia à administração formal. No dicionário do republicano, o verbo significa comando por coerção. Em entrevista por telefone para a revista The Atlantic, ao ser questionado sobre o papel esperado pela Casa Branca de Delcy Rodriguez, presidente interina do país após a captura de Nicolás Maduro pelas forças especiais americanas, o republicano foi direto: “Se ela não fizer a coisa certa, pagará um preço muito alto, provavelmente maior do que Maduro.” Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
As autoridades do Irã anunciaram que concederão um subsídio mensal a todos os cidadãos do país para aliviar a pressão econômica, após uma semana de protestos, que chegam ao oitavo dia neste domingo. Durante os protestos — motivados pela incerteza econômica após a desvalorização da moeda —, ao menos 12 pessoas morreram, incluindo integrantes das forças de segurança, de acordo com um balanço baseado em informações oficiais. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, diz ser solidário à “luta do povo iraniano”.
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— As pessoas poderão receber um valor equivalente a 1 milhão de tomans (cerca de R$ 40) por mês, que será creditado em suas contas por um período de quatro meses — afirmou a porta-voz do governo iraniano, Fatemeh Mohajerani, em entrevista à televisão estatal, acrescentando que o valor poderá ser utilizado para a compra de determinados produtos, com o objetivo de “reduzir a pressão econômica sobre a população”.
No Irã, que tem uma população de mais de 85 milhões de habitantes, o salário mínimo é de cerca de US$ 100 (mais de R$ 500, na cotação atual), enquanto os salários mensais médios giram em torno de US$ 200 (cerca de R$ 1.000). Os iranianos utilizam majoritariamente celulares e cartões de débito para compras do dia a dia, em vez de dinheiro em espécie.
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Há anos, a economia iraniana enfrenta duras sanções impostas pelos Estados Unidos e pela comunidade internacional devido ao programa nuclear de Teerã. A moeda nacional perdeu mais de um terço de seu valor frente ao dólar americano no último ano, provocando uma forte queda no poder de compra da população e amplo descontentamento no país.
As manifestações dos últimos dias foram organizadas, em maior ou menor escala, em pelo menos 40 cidades, em sua maioria de porte médio e localizadas no oeste do país, segundo uma contagem da agência de notícias francesa France-Presse (AFP) baseada em comunicados oficiais e reportagens da imprensa.
Segundo a ONG Hengaw, sediada na Noruega e especializada na defesa dos direitos humanos, a Guarda Revolucionária — o Exército ideológico do Irã — abriu fogo contra manifestantes no condado de Malekshahi, na província ocidental de Ilam, no sábado, matando quatro membros da minoria curda. Outra ONG, a Iran Human Rights, também com sede na Noruega, apresentou o mesmo número de mortos, além de relatar cerca de 30 feridos.
Com as próprias mãos
Israel é “solidário com a luta do povo iraniano, com suas aspirações à liberdade e à justiça”, afirmou Netanyahu neste domingo, em seu primeiro comentário público desde o início do movimento de protestos no Irã.
Durante uma reunião do conselho de ministros, o premier disse ter tratado do tema com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante sua recente visita oficial a Washington.
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— É perfeitamente possível que estejamos em um momento em que o povo iraniano tome seu destino com suas próprias mãos — afirmou Netanyahu, referindo-se ao movimento de protestos que sacode o Irã desde 28 de dezembro.
Irã e Israel, inimigos declarados desde a criação da República Islâmica em 1979, enfrentaram-se em junho em uma guerra de 12 dias, desencadeada por um ataque israelense de magnitude sem precedentes contra instalações militares, nucleares e áreas habitadas no território iraniano.
‘Morte ao ditador’
Novos confrontos esporádicos e letais entre manifestantes e forças de segurança eclodiram na noite de sábado. As concentrações em Teerã foram classificadas como “limitadas” pela agência de notícias Fars e descritas como “compostas geralmente por grupos de entre 50 e 200 jovens”. Segundo a agência, foram ouvidos slogans políticos como “morte ao ditador”, voltados ao líder supremo, Ali Khamenei, mas não houve distúrbios de grande escala, à exceção de “alguns lançamentos de pedras e o incêndio de alguns contêineres de lixo”.
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Em Malekshahi, um condado com cerca de 20 mil habitantes e com uma expressiva população curda, os confrontos causaram no sábado a morte de um integrante das forças de segurança, de acordo com a mídia iraniana. Segundo a Fars, “alguns agitadores tentaram invadir uma delegacia, e dois suspeitos foram abatidos”.
Esses protestos são considerados os mais significativos no Irã desde o movimento de 2022–2023, desencadeado pela morte sob custódia policial de Mahsa Amini, detida por supostamente violar o rígido código de vestimenta imposto às mulheres.
O presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, comparecerá diante de um juiz de Nova York na segunda-feira (5) ao meio-dia no horário local, 14h no horário de Brasília, anunciou neste domingo (4) o tribunal, que lhe notificará formalmente as acusações apresentadas contra ele.
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Acusado pela Justiça dos Estados Unidos por crimes de narcotráfico e terrorismo, Maduro, capturado em Caracas no sábado por meio de uma operação americana, comparecerá perante o Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan. A formalização das acusações foi confirmada neste sábado pela procuradora-geral americana, Pam Bondi.
Em uma mensagem publicada na rede social X, Bondi afirmou que ambos enfrentarão em breve todo o rigor da lei em solo americano e perante tribunais dos Estados Unidos, sinalizando que a custódia do casal já é uma realidade jurídica para Washington.
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A procuradora-geral detalhou que o processo contra Maduro, que tramitará no Distrito Sul de Nova York, sustenta-se em quatro acusações criminais:
Conspiração para narcoterrorismo: Acusação de liderar uma organização que utiliza o tráfico de drogas como arma política e financeira para desestabilizar a região e financiar atividades ilícitas;
Conspiração para importação de cocaína: O envolvimento direto na logística de envio de toneladas de entorpecentes para território norte-americano através do chamado “Cartel dos Sóis”;
Uso e posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos: Referente ao armamento pesado utilizado por grupos paramilitares sob o comando de Maduro para proteger as rotas do tráfico e manter o controle coercitivo;
Conspiração para posse de armamento pesado: A articulação para adquirir e manter arsenais de guerra com o intuito de sustentar as operações de narcotráfico internacional.
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Enquanto aguarda, o líder venezuelano permanece detido em uma prisão federal de segurança máxima. Quando chegou aos EUA, primeiro, Maduro foi levado para uma unidade da agência antidrogas (DEA, na sigla em inglês), também em Nova York, no início da noite de sábado. O presidente ficará detido no Centro de Detenção Metropolitano (MDC) do Brooklyn, única unidade federal da cidade. Nela estão presos provisórios e condenados considerados de alta periculosidade.
Centro de Detenção Metropolitano, no Brooklyn, Nicolás Maduro está detido
Adam Gray / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
O presídio é famoso por diferentes motivos, que vão desde escândalos das condições em que funciona, como por abrigar nomes famosos e de casos de grande repercussão. Um dos mais recentes é o rapper Sean “Diddy” Combs, e outros como o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin — que ficou detido no local entre 2017 e 2020 — e Michael Cohen, ex-advogado de Donald Trump, para quem atuou por cerca de 12 anos.
A PDVSA, petroleira estatal venezuelana, pediu a companhias parceiras a redução da produção de petróleo bruto diante da paralisação das exportações do país, de acordo com pessoas que acompanham a decisão informaram à agência Reuters. Isso deve elevar ainda mais as tensões sobre uma empresa já em situação de “colapso”, de acordo com a reportagem, num momento em que o governo interino atua para continuar no poder após a invasão do país pelos Estados Unidos e a captura do presidente Nicolás Maduro.
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As exportações da Venezuela foram paralisadas. Em dezembro, forças americanas fizeram um bloqueio à passagem de navios-tanque impondo sanções, além da apreensão de dois carregamentos de petróleo. Mesmo as remessas da americana Chevron para os EUA, que estavam de fora desse impedimento, acabaram interrompidos na última quinta-feira.
Ao anunciar que havia detido Maduro e que os EUA iriam supervisionar uma transição de governo na Venezuela, o presidente americano, Donald Trump, disse que havia um “embargo de petróleo” contra o país.
A PDVSA já havia fechado poços e campos de petróleo no fim de 2026, quando deixou de poder exportar o óleo e os estoques subiram. Agora, de acordo com a Reuters, a petroleira venezuelana solicitou as parceiras Sinovensa, da chinesa CNPC, Petropiar e Petroboscan, da Chevron, além da Petromonagas. Esta última, que já foi operada pela PDVSA em parceria com a estatal russa Roszarubezhneft, agora é gerida pela venezuelana.
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Neste domingo, a Sinovensa preparava a desconexão de até dez conjuntos de poços de petróleo, atendendo ao pedido da estatal da Venezuela, segundo uma pessoa próxima à operação relatou à Reuters. Ela afirmou que a reconexão desses poços poderá ser feita de forma rápida adiante.
Procuradas pela Reuters, PDVSA e CNPC não responderam, enquanto a Chevron afirmou seguir operando dentro da regulação.
O quadro já vem gerando descontos nos preços do petróleo venezuelano. E pode, em breve, impactar outras operações na cadeia, como refino e mesmo o abastecimento de combustíveis dentro do país.
“Eu vi a faísca chegando e a explosão”, conta Alpidio Lovera, moradora do bairro Bolívar de La Guaira, onde ficam o porto e aeroporto que atendem a Caracas, capital da Venezuela. Os dois locais foram alvo de ataques americanos na madrugada de sábado que terminaram com a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro.
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Ao menos dois mísseis caíram nos armazéns e contêineres dos cais, a cerca de 100 metros desse bairro popular. Alguns foram destruídos pelas explosões. Até a tarde de domingo, a fumaça continuava saindo dos armazéns.
Bombeiros e funcionários entraram em ação com uma escavadeira cerca de 12 horas depois dos ataques. Policiais de moto, armados com fuzis, patrulhavam o local para evitar saques e alguns curiosos filmavam as barreiras deformadas pela explosão.
Vista de Caracas vazia, um dia após os ataques dos EUA.
Federico PARRA / AFP
No chão, havia restos de vidro e fragmentos de metal que foram arremessados a dezenas de metros ao redor. O impacto danificou edifícios públicos ao longo da costa, estourou os vidros e destruiu vários telhados de zinco de casas antigas em uma rua nos fundos.
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“Todos nos mobilizamos e tiramos as pessoas da comunidade para lá, para o morro”, explica Alpidio, de 47 anos, cuja esposa está grávida. “Se um desses mísseis cair aqui, bem, não sobra nada”, acrescenta.
“Não sabia o que estava acontecendo”
Sua irmã, Linda Unamuno, que tem 39 anos e mora há três décadas no bairro, cai em lágrimas ao recordar sua noite de pesadelo: “Às duas da manhã ouvi o primeiro som. Saí para procurar minha filha” de 11 anos, no quarto ao lado.
“O impacto quebrou todo o telhado da minha casa. Eu me encolhi em um canto para proteger minha filha. O estrondo foi muito alto. Não sabia o que estava acontecendo. Pensei que o morro estava desabando”, diz uma mulher de 26 anos na região que já foi atingida pela tragédia de Vargas, quando um deslizamento de terra provocou mais de 10 mil mortes.
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“Quando saí, vi o que estava acontecendo. Até há pouco eu estava chorando. É traumático. Não desejo isso a ninguém, de verdade”, soluça. “Está mal feito o que fizeram. Muito mal feito. Muito mal feito. Porque, se eles queriam fazer o que iam fazer, teriam feito de outra forma. Não nos assustar assim como nos assustaram”, conclui.
Um vizinho, Alirio Elista, de 68 anos, cuja caixa d’água quebrou, concorda: “É preciso viver isso pra saber. As pessoas que dizem que a invasão é a solução não sabe do que estão falando. É preciso encontrar uma solução pacífica”.
“Nem Maduro nem María Corina (Machado), quero uma pessoa honesta, que ame o país”, conclui.
Ele lembra os tempos do boom do petróleo, que jorrava livremente. “Hoje em dia, recebo 130 bolívares (cerca de R$ 2,28) de aposentadoria. Não dá pra nada. Passamos fome. Isto não vai ter solução de um dia para o outro, vai demorar 15 anos para se resolver”.
Embora não seja membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Brasil pretende pedir para se pronunciar na reunião marcada para esta segunda-feira, em Nova York, que discutirá o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa Cila Flores.
A participação brasileira, por meio do embaixador brasileiro nas Nações Unidas, Sergio Danese, deve ocorrer com base na regra 37 do regulamento do órgão, que permite a manifestação de países não integrantes.
Segundo interlocutores a par do assunto, a ideia é reforçar a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No sábado, Lula condenou publicamente a ofensiva dos EUA. Em publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que os bombardeios e a captura de Maduro representam uma “afronta gravíssima” e ultrapassam uma “linha inaceitável”, ao violarem a soberania da Venezuela e princípios do direito internacional.
O presidente também disse que a ação cria um “precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional” e evocou “os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe”. De acordo com Lula, cabe à ONU responder de forma firme ao episódio, reiterando a defesa brasileira do multilateralismo, do diálogo e da solução pacífica dos conflitos.
Integrantes do governo brasileiro afirmam que não há expectativa de que o encontro resulte na aprovação de qualquer resolução. A avaliação é que qualquer tentativa nesse sentido seria vetada pelos EUA, o que limita o alcance deliberativo da sessão. “Não vai ter nenhuma resolução do Conselho”, afirmou um importante interlocutor.
Os países que solicitarem participação poderão fazer pronunciamentos após as falas dos membros permanentes e não permanentes do Conselho de Segurança. Nesse tipo de reunião, os membros permanentes e rotativos falam antes, seguidos por aqueles que pediram para discursar.
A reunião ocorre em meio à escalada da crise diplomática provocada pela ação militar americana em território venezuelano e pela detenção de Maduro, que foi levado aos Estados Unidos junto com sua esposa, Cila Flores, para responder a acusações de narcotráfico e outros crimes, segundo autoridades americanas.
Neste domingo, os governos de Brasil, Chile, Colômbia, México, Uruguai e Espanha divulgaram uma nota conjunta, na qual expressam “profunda preocupação e rejeição” às ações militares realizadas de forma unilateral em território venezuelano. Segundo o documento, divulgado pela chancelaria colombiana, as iniciativas violam princípios fundamentais do direito internacional, consagrados na Carta das Nações Unidas.
Na avaliação dos países, as ações contrariam a proibição do uso e da ameaça da força, além de desrespeitarem a soberania e a integridade territorial dos Estados. A nota afirma que esse tipo de iniciativa constitui um “precedente sumamente perigoso para a paz e a segurança regional” e “coloca em risco a população civil”.
Os signatários reiteram que a situação na Venezuela deve ser resolvida “exclusivamente por vias pacíficas”, por meio do diálogo e da negociação, com respeito à vontade do povo venezuelano “em todas as suas expressões” e sem ingerências externas. O texto sustenta que “somente um processo político inclusivo, liderado pelos venezuelanos”, pode conduzir a uma solução democrática, sustentável e respeitosa da dignidade humana.
Na nota, os governos também reafirmam o caráter da América Latina e do Caribe como “zona de paz”, construída sobre o respeito mútuo, a solução pacífica das controvérsias e a não intervenção. Nesse contexto, fazem um apelo à “unidade regional, além das diferenças políticas”, diante de qualquer ação que coloque em risco a estabilidade da região.
O documento ainda manifesta preocupação com qualquer tentativa de “controle governamental, administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos”, classificando essas iniciativas como incompatíveis com o direito internacional e como fatores que ameaçam a estabilidade política, econômica e social da região.

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