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O governo da Costa Rica denunciou nessa terça-feira um suposto plano para assassinar o presidente Rodrigo Chaves, quando faltam pouco mais de duas semanas para as eleições presidenciais, nas quais o governismo é favorito.
Jorge Torres, chefe da Direção de Inteligência e Segurança Nacional (DIS), vinculada à Presidência, afirmou que o órgão tomou conhecimento do suposto complô na segunda-feira por meio de uma “fonte confidencial” que, segundo ele, relatou o pagamento a um pistoleiro que executaria o atentado.
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– Nos alerta claramente sobre o pagamento a um pistoleiro que quer atentar contra a vida do presidente da República – declarou Torres a jornalistas na entrada da Promotoria, onde foi registrar a denúncia sobre a suposta trama.
Após a diligência, o procurador-geral, Carlo Díaz, informou a repórteres que uma suspeita está sendo investigada, a quem descreveu como “bastante ativa nas redes sociais”, sem entrar em detalhes.
A denúncia vem à tona na véspera das eleições gerais de 1º de fevereiro. A ex-ministra conservadora Laura Fernández lidera amplamente as intenções de voto, com um discurso centrado no enfrentamento à crescente insegurança ligada ao narcotráfico.
O caso também ganhou repercussão no mesmo dia em que o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, iniciou visita oficial à Costa Rica para lançar a pedra fundamental de uma prisão inspirada em sua megaprisão para integrantes de gangues.
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Bukele, de quem Chaves é admirador, foi recebido no aeroporto de San José pela vice-presidente de Costa Rica, Mary Munive, e pelo chanceler Arnoldo André.
Outrora um dos países mais seguros do continente, Costa Rica, com população de 5,2 milhões de pessoas, encerrou 2025 com taxa de 16,7 homicídios por 100 mil habitantes, ante 11,2 em 2020.
Controlar Congresso e Justiça
Fernández, considerada sucessora de Chaves, busca vencer no primeiro turno e obter maioria contundente de deputados para controlar o Congresso e reformar o Poder Judiciário, como fez Bukele. A visita, segundo a oposição costarriquenha, é propaganda para alcançar esses objetivos.
O chefe de inteligência evitou opinar se o suposto plano criminoso, sobre o qual não deu maiores detalhes, está relacionado à disputa eleitoral.
– Não gostaria de me aprofundar nisso – afirmou o diretor da DIS, órgão de inteligência sob comando do presidente.
O procurador-geral, por sua vez, descartou inicialmente vínculo com as eleições. – Não vemos isso em nenhum âmbito eleitoral – sustentou.
Díaz acrescentou que não se surpreende com “membros do Poder Executivo recebendo ameaças”, lembrando que promotores que combatem o crime organizado também estão “geralmente” sujeitos a intimidações.
A candidata presidencial Claudia Dobles, da opositora Coalizão Agenda Cidadã (centrista), colocou em dúvida a veracidade da denúncia, ao afirmar que antes houve um “show midiático”.
Em Costa Rica não é permitida a reeleição imediata, de modo que Chaves não pode se candidatar apesar de sua alta aprovação, que, segundo a oposição, se baseia em um discurso populista e retórico.
Torres informou, ainda, que a segurança de Chaves e de sua família será reforçada e disse esperar celeridade nas investigações da Promotoria, uma das instituições com as quais o presidente manteve duro confronto ao longo de seus quatro anos de gestão.
O embate entre os Poderes também envolve a Corte Suprema de Justiça, o Congresso e o Tribunal Supremo Eleitoral, acusados pelo mandatário de sabotagem contra seu governo.
Por sua vez, dirigentes dessas instituições acusam Chaves de não respeitar a independência entre os Poderes e lhe atribuem tendências autoritárias que buscariam desmontar o Estado de Direito costarriquenho, reconhecido internacionalmente.
Chaves, economista de 64 anos, enfrentou no ano passado dois processos no Congresso para a retirada de sua imunidade — um por suposta corrupção e outro por participação em política eleitoral —, mas ambos foram rejeitados em votação do plenário legislativo.
Rubina era uma estilista promissora, inspirada pela população multiétnica do Irã. Rebin era um jovem jogador de futebol em ascensão. Mehdi era um fisiculturista campeão que também conquistava títulos de levantamento de peso. Erfan tinha acabado de completar 18 anos. Os quatro, de diferentes regiões e origens, foram, segundo grupos de direitos humanos, vítimas da repressão do governo iraniano aos protestos, mortos a tiros pelas forças de segurança.
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Com a dimensão da repressão começando agora a ser revelada, grupos de direitos humanos afirmam ter verificado a morte de centenas de manifestantes, mas temem que o número final de vítimas possa chegar a milhares.
O diretor da organização Iran Human Rights (IHR), Mamood Amiry Moghaddam, disse à AFP que os manifestantes mortos eram “em sua maioria homens jovens”, embora seis mulheres também tenham sido identificadas. Ele acrescentou que nove das 648 pessoas identificadas e confirmadas como mortas pelas forças de segurança eram menores de idade.
“Os assassinatos são intensos em todo o país, onde ocorreram protestos”, acrescentou.
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Dezenas de membros das forças de segurança também foram mortos, de acordo com autoridades iranianas, que culparam “manifestantes violentos” e inimigos do Irã no exterior por transformarem protestos inicialmente motivados por queixas econômicas em dias de agitação.
Fisiculturista campeão
Mehdi Zatparvar, de 39 anos, natural de Rasht, na província de Gilan, no Mar Cáspio, era um ex-campeão de fisiculturismo que se tornou treinador e possuía mestrado em fisiologia do esporte, disse Hengaw.
“Zatparvar começou a praticar levantamento de peso aos 13 anos e conquistou títulos nacionais e internacionais em levantamento de peso e powerlifting entre 2011 e 2014”, acrescentou. Ele foi baleado e morto na sexta-feira, disse Hengaw.
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Uma estilista promissora
Rubina Aminian, de 23 anos, era estudante de design têxtil e de moda na Faculdade Shariati em Teerã, uma instituição de prestígio reservada para mulheres. Seu feed do Instagram mostra ela exibindo com orgulho roupas inspiradas em suas origens curdas no oeste do país, mas também na região de Sistão-Baluchistão, no sudeste.
Na noite de 8 de janeiro, a primeira noite de protestos em massa em que milhares de iranianos tomaram as ruas, ela saiu da faculdade e se juntou às manifestações, de acordo com a IHR, organização sediada na Noruega, que analisou e verificou seu caso. Ela foi baleada à queima-roupa pelas costas, com um tiro atingindo sua cabeça, segundo uma fonte da família, que acrescentou que parentes viajaram de Kermanshah, no oeste do Irã, para identificar o corpo e se depararam com os corpos de centenas de jovens mortos nos protestos.
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Eles conseguiram recuperar o corpo dela após superarem as objeções das autoridades, mas, ao retornarem a Kermanshah, não tiveram permissão para realizar nenhuma cerimônia de luto e foram obrigados a enterrá-la à beira da estrada.
Um adolescente
O grupo de direitos humanos Hengaw, também sediado na Noruega, verificou tanto as mortes quanto o histórico de vários manifestantes que, segundo o grupo, foram mortos pelas forças de segurança. Erfan Faraji, morador de Rey, nos arredores de Teerã, foi morto a tiros por forças do governo iraniano durante os protestos de 7 de janeiro, segundo informações. Ele havia completado 18 anos apenas uma semana antes.
Uma fonte próxima à família de Faraji disse a Hengaw que seu corpo foi identificado entre os transferidos no sábado para o necrotério de Kahrizak, de onde imagens de dezenas de sacos para cadáveres provocaram alarme internacional. Sua família recolheu o corpo no sábado e ele foi sepultado sem nenhum anúncio público.
Jogador de futebol promissor
Rebin Moradi, um estudante curdo de 17 anos, originário de Salas-e Babajani, na província de Kermanshah, mas residente em Teerã, era membro da principal liga juvenil de futebol da capital e jogador das categorias de base do Saipa Club na época de sua morte. Ele era visto como “um dos jovens talentos promissores no cenário do futebol juvenil de Teerã”, disse Hengaw.
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Moradi foi morto a tiros por forças do governo iraniano na quinta-feira, disse Hengaw. Uma fonte familiarizada com o caso disse a Hengaw que a família de Moradi recebeu a confirmação de sua morte, mas que ainda não havia sido autorizada a tomar posse do corpo.
Sob uma leva de protestos que se espalharam por todo o país, a República do Irã lança mão de uma de suas principais armas, o grupo paramilitar Basij, que há décadas atua como braço auxiliar do regime na contenção de dissidências. Parlamentares iranianos chegaram a pedir ao ministro da Inteligência a retomada das patrulhas da milícia, enquanto as forças de segurança intensificam ações contra manifestantes em diferentes regiões do país. Veja a seguir o que se sabe sobre o Basij e a maneira como ele impõe os dogmas da teocracia iraniana, liderada pelo aiatolá Ali Khamenei. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Liderados pela Arábia Saudita, os rivais árabes do Irã na região do Golfo Pérsico vêm contatando o governo de Donald Trump para pedir que não recorra a uma ação militar contra a República Islâmica, como ameaça desde o fim do ano passado. O republicano, que na segunda-feira anunciou tarifas de 25% contra parceiros comerciais do Irã, nesta terça-feira instou os manifestantes, que desde 28 de dezembro protestam contra o regime e que são alvo de uma repressão que deixou milhares de mortos, a tomar o controle de instituições, prometendo que “a ajuda está a caminho”.
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Embora em público mantenham silêncio perante a crise e não esteja claro de qual ação os EUA podem lançar mão, Arábia Saudita, Omã e Catar vêm usando canais diplomáticos para advertir a Casa Branca de que uma tentativa de derrubar o regime abalaria os mercados do petróleo, impactando negativamente seus países econômica e politicamente e prejudicando a própria economia americana, afirmaram ao Wall Street Journal funcionários da região.
De acordo com o jornal americano, os Estados árabes temem que ataques no Irã atrapalhem petroleiros que se movem pelo Estreito de Ormuz, a estreita passagem na boca do Golfo Pérsico que separa a República Islâmica de seus vizinhos árabes e pela qual passa um quinto dos carregamentos petrolíferos do mundo.
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Espaço aéreo vetado
Funcionários sauditas garantiram a Teerã que o país não se envolverá em um potencial conflito ou permitirá que os EUA usem seu espaço aéreo para lançar ataques, em um esforço para se distanciar e tentar evitar qualquer ação americana, diz o jornal.
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Segundo analistas ouvidos pelo WSJ, a Arábia Saudita é especialmente sensível à crescente precariedade da situação. O reino ordenou que a mídia local limitasse a cobertura e o apoio às manifestações para evitar uma retaliação iraniana.
Embora os países do Golfo não se oponham ao enfraquecimento das capacidades militares e nucleares do Irã, preocupam-se com as alternativas que possam surgir caso haja uma escalada que leve à queda do líder supremo, Ali Khamenei.
— Eles não apreciam o regime iraniano de nenhuma forma, mas têm uma grande aversão pela instabilidade — afirmou ao jornal Michael Ratney, que serviu como embaixador dos EUA na Arábia Saudita durante o governo de Joe Biden. — Quando se abre uma caixa de Pandora de mudança de regime, seja orgânica internamente ou instigada pelo exterior, cria-se uma ampla incerteza.
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Na avaliação dos líderes sauditas, há o risco de que a instabilidade possa desencadear protestos dentro de suas próprias fronteiras e possivelmente causar interrupções em seu ambicioso plano de desenvolvimento econômico e social, chamado Visão 2030, que visa a impulsionar o turismo e reduzir a dependência do reino em relação aos petrodólares.
O controle exercido pelo regime iraniano ao menos provê ao Golfo alguma previsibilidade, disse Ratney, completando: “Uma vez que isso acaba, torna-se muito perigoso.”
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Limites para Trump
No último ano, os EUA reduziram sua presença militar no Golfo e no Mediterrâneo, enviando alguns navios de guerra para se juntarem à campanha de Trump contra barcos narcotráficos no Caribe e no Pacífico. Atualmente, segundo a emissora americana ABC News, há 30 mil soldados americanos mobilizados no Oriente Médio e na região do Golfo Pérsico, incluindo 2.500 no Iraque e 1.000 na Síria. Além disso, existem seis navios da Marinha americana na região, incluindo três contratorpedeiros de mísseis guiados.
Ao New York Times, uma autoridade dos EUA afirmou que os comandantes na região gostariam de ter mais tempo antes de qualquer possível ataque para consolidar as posições militares e preparar as defesas para eventuais contra-ataques do Irã. No caso de ataque, Teerã também prometeu retaliar contra quaisquer ativos dos EUA na região, e Trump prometeu revidar “em níveis nunca antes vistos”, aumentando o risco de uma escalada rápida.
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De acordo com o Financial Times, os alvos poderiam incluir a infraestrutura militar e da Guarda Revolucionária iraniana, centros de comando e controle e depósitos de armas e suprimentos usados ​​pelo governo e suas milícias. Citando especialistas militares e ex-funcionários, o jornal britânico afirma que a ação poderia até se estender a ataques contra altos líderes iranianos — durante o primeiro mandato de Trump, os EUA mataram o comandante Qassem Soleimani.
Mas os estrategistas militares dos EUA enfrentam imensos desafios na identificação de alvos que possam incentivar deserções e causar maiores falhas na capacidade do governo de reprimir os manifestantes. Lançar ataques militares “para proteger manifestantes da repressão do regime não é realmente um objetivo militar alcançável”, disse ao FT Dana Stroul, que atuou como subsecretária adjunta de Defesa para o Oriente Médio durante o governo Biden.
Mas a operação bem-sucedida para capturar o líder chavista Nicolás Maduro em 3 de janeiro desatou especulações de que as opções de Trump poderiam incluir uma operação semelhante para decapitar o regime iraniano. Alguns assessores, porém, já alertaram Trump que atacar Khamenei seria muito mais complicado.
— A grande diferença entre a Venezuela e o Irã é o acesso — disse Stroul. — Os alcances são grandes. As margens são muito pequenas.
Autoridades americanas disseram que precisavam ter cuidado para que quaisquer ataques militares não tenham o efeito oposto — galvanizando a opinião pública iraniana a apoiar o governo — ou desencadeiem uma série de ataques retaliatórios que pudessem ameaçar o pessoal militar e diplomático americano na região.
Pela primeira vez, o mundo teve uma sequência de três anos (2023-2025) com a temperatura média 1,5°C acima do pré-industrial (1850-1900), aproximando o limite do Acordo de Paris. O alerta é do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S), da Comissão Europeia, que anunciou hoje a avaliação de 2025. Esse é o dado mais importante do relatório do Copernicus, atualmente a principal agência climática internacional, porque evidencia que a Terra está em clara rota de aquecimento em níveis considerados perigosos. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O governo brasileiro avalia que sua principal frente de atuação para ajudar Cuba, no atual contexto, está concentrada na área de energia, ainda que de forma indireta e estrutural. Segundo um importante interlocutor que acompanha o tema em Brasília, o Brasil não tem condições de suprir combustíveis ou atuar como fornecedor direto de petróleo, mas busca contribuir por meio de cooperação técnica, regulatória e de planejamento energético, além da manutenção do comércio de alimentos e de projetos de cooperação em áreas consideradas essenciais, como agricultura, produção de sementes e capacitação profissional.
O país também figura entre os principais fornecedores de alimentos para Cuba, ao lado de Estados Unidos e Espanha, em bases comerciais. Apesar dessas iniciativas, o governo brasileiro reconhece que sua capacidade de atuação é limitada diante da profundidade do colapso econômico da ilha. “São problemas muito maiores, e o Brasil não tem como atuar como a Venezuela atuava no passado, com fornecimento de petróleo”, afirmou o interlocutor.
A situação crítica vivida por Cuba é resultado de fatores acumulados ao longo dos últimos anos: perda gradual de fontes externas de financiamento e de fornecimento de energia, impacto prolongado das sanções americanas, queda da produção venezuelana e dificuldades internas de investimento e modernização da infraestrutura. 
O quadro ganhou nova dimensão no domingo, quando o presidente Donald Trump afirmou publicamente que não permitiria mais o envio de petróleo ou recursos da Venezuela para Cuba, elevando o grau de incerteza sobre o abastecimento energético da ilha. Embora o alcance prático das declarações ainda seja incerto, a retórica causou apreensão em Havana.
Nesse cenário, a cooperação brasileira na área energética se concentra no apoio à modernização dos marcos regulatórios do setor elétrico cubano, com o objetivo de torná-lo mais atrativo a investimentos estrangeiros. O diálogo inclui troca de experiências sobre planejamento energético, organização do setor e mecanismos que permitam ampliar a participação de capital externo. Também há conversas prospectivas sobre bioenergia e biocombustíveis, área em que o Brasil é referência, mas cujo avanço depende de reformas regulatórias internas em Cuba.
A questão energética é apontada como a principal preocupação concreta a curto prazo. Cuba enfrenta uma crise severa de geração elétrica, produzindo atualmente menos de 50% da energia necessária para atender à demanda nacional. Embora o governo tenha acelerado a transição para fontes solares, o petróleo continua sendo essencial para o funcionamento das termoelétricas que sustentam a base do sistema elétrico do país. 
O fornecimento de petróleo da Venezuela permanece crucial, embora tenha caído de cerca de 100 mil barris diários no auge da cooperação durante os governos de Chávez, para algo entre 20 mil e 30 mil barris atualmente, segundo dados extraoficiais. Qualquer nova redução agravaria de forma imediata a situação já crítica.
Além da energia, o Brasil mantém o envio de ajuda humanitária, medicamentos e vacinas, com esforços concentrados em ações essenciais, conforme experiências anteriores, como o envio de equipamentos de hemodiálise à Venezuela. Até o momento, não há registros de alertas graves na ilha caribenha, além das dificuldades recorrentes já conhecidas.
Apesar do endurecimento do discurso do governo americano, interlocutores ouvidos pelo GLOBO afirmam que, a despeito de o regime cubano estar sob risco com Trump, neste momento, faltam elementos clássicos para uma intervenção direta em Cuba, como oposição interna organizada ou fraturas visíveis nas estruturas de poder. O cenário considerado mais provável é o de recrudescimento das pressões econômicas, especialmente no campo energético.
Do ponto de vista político, não há sinais de ruptura da normalidade no cotidiano cubano, apesar do ambiente de forte tensão regional. O dia a dia segue sem alterações significativas, e o que se intensificou recentemente foram manifestações verbais, especulações internacionais e o acompanhamento atento dos desdobramentos após a intervenção ocorrida na Venezuela. A morte de cidadãos cubanos que atuavam na guarda presidencial venezuelana provocou comoção interna e recebeu ampla visibilidade na imprensa oficial, levando Havana a acompanhar com maior apreensão os movimentos no entorno regional.
Na avaliação de integrantes do governo brasileiro, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos, demonstra uma obsessão por pressionar por mudanças no regime de Havana. Cuba está sob sanções econômicas dos EUA há mais de seis décadas, desde o início do embargo em 1962, que restringem comércio, crédito e investimentos externos, agravando dificuldades estruturais do país, como escassez de energia e combustíveis.
A Venezuela começou a libertar prisioneiros americanos, disse um funcionário do Departamento de Estado nessa terça-feira, saudando a iniciativa de Caracas, dez dias após a captura e deposição do presidente Nicolás Maduro.
– Saudamos a libertação de americanos detidos na Venezuela. Este é um passo importante na direção certa por parte das autoridades interinas – disse o funcionário do Departamento de Estado, sob condição de anonimato.
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O funcionário não forneceu detalhes imediatos sobre a libertação. Também não disse quantos foram libertados, embora tenha afirmado que foi mais de um.
O governo interino de Delcy Rodríguez anunciou a libertação de presos políticos após a deposição e captura de Maduro durante um ataque aéreo dos EUA em Caracas, em 3 de janeiro.
O presidente Donald Trump comemorou a libertação dos primeiros presos políticos na semana passada e disse que, em resposta, cancelou uma segunda onda de ataques contra a Venezuela.
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Muitas pessoas foram presas na Venezuela após participarem de protestos contra as eleições de 2024, nas quais Maduro foi declarado vencedor, apesar das acusações generalizadas de fraude eleitoral. Entre os libertados recentemente pela Venezuela estão cidadãos espanhóis e italianos.
Os Estados Unidos priorizaram a libertação de seus cidadãos no exterior e garantiram a liberdade de alguns em um acordo com Maduro no ano passado.
Venezuela voltou a ter acesso à rede social X desde a noite de terça-feira, após o bloqueio ordenado há mais de um ano pelo presidente deposto Nicolás Maduro, depois de sua controversa reeleição em julho de 2024.
Maduro suspendeu a plataforma em 9 de agosto de 2024, pouco depois de ser proclamado vencedor das eleições presidenciais, em meio a denúncias de fraude.
Ministros, parlamentares e instituições do governo interromperam o uso dessa rede, que era o principal canal de informação do país. Desde então, o acesso dentro da Venezuela só era possível por meio do uso de VPN.
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Usuários da operadora telefônica Digitel já conseguiam acessar o X, constatou a AFP. Em outras companhias, como Movistar e a estatal Cantv, o acesso à plataforma ainda era parcial.
Altos dirigentes do chavismo, como a presidenta interina, Delcy Rodríguez, e o ministro do Interior, Diosdado Cabello, publicaram mensagens mais cedo para informar que retomavam o uso do X.
“Retomamos contato por esta via. Venezuela segue de pé, com força e consciência histórica. Sigamos unidos, avançando pela tranquilidade econômica, pela justiça social e pelo Estado de bem-estar no qual merecemos nos encontrar!”, publicou Rodríguez.
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A presidente interina assumiu o poder após a captura de Maduro, em 3 de janeiro, durante ataques de forças dos Estados Unidos que deixaram mais de 100 mortos na Venezuela, segundo números oficiais.
Na conta do X de Maduro também foi publicada uma mensagem com uma fotografia ao lado de sua esposa, Cilia Flores. “Queremos vocês de volta”, lê-se na publicação. Ambos respondem a processos na Justiça dos Estados Unidos por supostas acusações de narcotráfico.
A missão do Irã na ONU acusou nesta terça-feira os Estados Unidos de buscarem “um pretexto para intervenção militar” depois que o presidente Donald Trump ameaçou agir “com muita firmeza” contra Teerã caso o país execute pessoas detidas durante os protestos que tomaram as ruas desde 28 de dezembro. O presidente americano incentivou nesta terça-feira os manifestantes no Irã a manterem o movimento e a derrubar as autoridades da República Islâmica, cuja repressão aos protestos já deixou 734 mortos, segundo uma ONG.
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“As fantasias e a política dos Estados Unidos em relação ao Irã têm como base a mudança de regime, com sanções, ameaças, agitação orquestrada e caos como modus operandi para fabricar um pretexto para uma intervenção militar”, disse a delegação iraniana em uma mensagem divulgada no dia X, acompanhada de uma carta de protesto dirigida aos líderes das Nações Unidas, assinada pelo O embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani. Ele prometeu que “o manual” usado por Washington “vai falhar novamente”.
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“Patriotas iranianos, MANTENHAM AS MANIFESTAÇÕES”, escreveu Donald Trump em sua plataforma Truth Social. “Cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que CESSEM este massacre sem sentido de manifestantes. A AJUDA ESTÁ A CAMINHO”.
Os protestos tiveram início em 28 de dezembro, motivados pela disparada dos preços e pelo agravamento da crise econômica. Com o passar dos dias, as manifestações ganharam um caráter mais amplo e passaram a questionar diretamente a elite clerical que governa o país desde a Revolução Islâmica de 1979. A insatisfação também se voltou contra a Guarda Revolucionária, força poderosa com interesses bilionários em setores estratégicos da economia iraniana.
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Trump ameaçou em diversas ocasiões intervir militarmente e, agora, em uma tentativa de intensificar a pressão, anunciou que imporá “imediatamente” tarifas de 25% aos parceiros comerciais da República Islâmica.
Embora a conexão telefônica internacional tenha sido restabelecida nesta terça-feira, os iranianos seguem sem acesso à internet desde 8 de janeiro, o que organizações de direitos humanos denunciam como uma tentativa de ocultar a magnitude do derramamento de sangue.
Trump ameaçou agir “de maneira muito firme” se as autoridades iranianas começarem a executar os manifestantes, depois que o Ministério Público de Teerã afirmou que serão apresentadas acusações por crimes capitais de “moharebeh” (“guerra contra Deus”) contra alguns dos suspeitos detidos nos protestos. No passado, houve casos em que essas acusações levaram à pena de morte.
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No âmbito internacional, o tom endureceu. O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, declarou-se “horrorizado” com a repressão, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que sanções serão propostas “rapidamente” em resposta ao número “aterrorizante” de mortos.
Espanha, França, Reino Unido, Finlândia, Dinamarca e Alemanha convocaram diplomatas iranianos para expressar sua “condenação” à repressão aos protestos.
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A ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, informou nesta terça-feira que verificou 734 mortes, incluindo a de nove menores, mas alertou que o número real de mortos pode ultrapassar 6 mil A ONG também informou que mais de 10 mil pessoas foram detidas.
A Human Rights Watch (HRW) acrescentou que existem “relatos confiáveis de que as forças de segurança estão realizando massacres em grande escala”.
Com agências internacionais.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos não acredita que haja, no momento, fundamento para abrir uma investigação criminal por violação de direitos civis no caso do assassinato de uma mulher por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) em Minneapolis, afirmou um alto funcionário do departamento nesta terça-feira à AP. Fontes ouvidas pelo New York Times também afirmaram que a Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça — que costuma investigar mortes causadas por agentes do Estado — não abriu inquérito para apurar eventual violação de direitos civis da vítima.
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Em um comunicado, divulgado hoje pela CNN, , o vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou que “atualmente não há fundamento para uma investigação criminal de direitos civis”, mas não explicou como o departamento chegou à conclusão de que nenhuma investigação era justificada.
Segundo a Associated Press, embora uma investigação do FBI esteja em andamento, os advogados da Divisão de Direitos Civis foram informados na semana passada de que não participariam da investigação neste momento, de acordo com duas pessoas familiarizadas com o assunto, que falaram sob condição de anonimato.
O caso está sob comando do FBI, que afastou a polícia local e conduz uma apuração detalhada sobre o episódio, incluindo a análise da atuação do agente de imigração responsável pelo disparo, Jonathan Ross, e de provas materiais, como a arma usada no disparo.
A decisão de manter a Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça fora da investigação sobre o assassinato de Renee Nicole Good, de 37 anos, representa uma mudança drástica em relação às administrações anteriores, que costumavam agir rapidamente para investigar casos de disparos contra civis por agentes da lei por possíveis violações de direitos civis.
A investigação federal sobre a morte de Renee Good, de 37 anos, baleada por um agente do ICE na última quarta-feira durante um protesto em Minneapolis, também caminha para não resultar em acusações criminais contra o responsável pelo disparo. Segundo informações do New York Times, investigadores avaliam que é “cada vez menos provável” que Ross seja formalmente indiciado.
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Renúncia de promotores
Além da avaliação do Departamento de Justiça, outros acontecimentos relacionados à investigação do caso têm chamado a atenção da imprensa americana. Seis promotores federais em Minnesota renunciaram nesta terça-feira por causa do esforço do Departamento de Justiça para investigar a viúva de Good e a relutância do departamento em investigar o atirador, segundo pessoas com conhecimento de sua decisão informaram ao New York Times.
José H. Thompson, que era o segundo em comando no escritório do procurador dos EUA e supervisionou uma extensa investigação de fraude que abalou o cenário político de Minnesota, está entre aqueles que se demitiram hoje.Sua renúncia veio depois que altos funcionários do Departamento de Justiça pressionaram por uma investigação criminal sobre as ações da viúva da mulher de Minneapolis morta por um agente do ICE na quarta-feira. O promotor de carreira, de 47 anos se opôs a essa abordagem, bem como à recusa do Departamento de Justiça em incluir autoridades estaduais na investigação de que o tiroteio em si era legal.
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O chefe de polícia de Minneapolis, Brian O’Hara, disse em uma entrevista que a renúncia de Thompson causou um grande golpe nos esforços para erradicar roubos desenfreados das agências estaduais. Os casos de fraude, que envolvem esquemas para enganar programas de rede de segurança, foram a principal razão que o governo do presidente Donald Trump citou para sua repressão à imigração no estado. A grande maioria dos réus acusados nos casos são cidadãos americanos de origem somali.
— Quando você perde o líder responsável por fazer os casos de fraude, isso diz que isso não se trata realmente de processar fraudes — afirmou O’Hara.
Os outros promotores seniores de carreira que renunciaram incluem Harry Jacobs, Melinda Williams e Thomas Calhoun-Lopez. Jacobs era o adjunto de Thompson que supervisionava a investigação de fraude, que começou em 2022. Calhoun-Lopez era o chefe da unidade de crimes violentos e graves. Tanto Thompson, como Jacobs, Williams e Calhoun-Lopez se recusaram a discutir as razões pelas quais renunciaram. O Departamento de Justiça não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
As renúncias desta terça-feira seguiram dias tumultuados no escritório do procurador dos EUA em Minnesota, enquanto os promotores de lá e em Washington lutavam para controlar a indignação com o assassinato de Good, que desencadeou protestos furiosos em Minnesota e em todo o país.
(Com New York Times)

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