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A eleição de Donald Trump para seu segundo mandato à frente da Casa Branca foi entoada, mais uma vez, pelos lemas patrióticos “Faça a América Grande de Novo” e “América primeiro”, mas a opinião de cidadãos ao redor de um mundo cada vez mais multipolar sugere que, um ano após a vitória do republicano, os efeitos provocados pela liderança de Trump em Washington têm surtido efeito contrário. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Em meio à escalada de protestos e à pressão internacional, o governo iraniano sinalizou um recuo pontual na repressão. O ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araghchi, declarou que não há execuções previstas “nem hoje, nem amanhã”, após familiares de Erfan Soltani, de 26 anos — o primeiro manifestante condenado à morte desde o início das mobilizações contra o regime — serem avisados do adiamento da pena. Em entrevista à emissora americana Fox News, Araghchi insistiu que 10 dias de manifestações pacíficas contra as dificuldades econômicas do Irã foram seguidos por três dias de violência orquestrada por Israel, e que a calma já havia sido restabelecida.
Contexto: Trump avalia ação militar, cibernética ou econômica ao Irã em meio a protestos que já deixaram ao menos 200 mortos
Escalada dos EUA: Trump encoraja manifestantes no Irã a tomar instituições e diz que ‘a ajuda está a caminho’
“Posso afirmar com certeza que não há nenhum plano para enforcamento”, disse Araghchi.
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O gesto coincidiu com o fechamento temporário do espaço aéreo do país, autorizado apenas para voos civis internacionais específicos, e ocorreu enquanto Washington dizia acompanhar de perto a situação. Segundo o Flightradar24, um site sueco que rastreia voos ao redor do mundo, o aviso é válido para pouco mais de duas horas de duração. Veja a baixo o aviso emitido:
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Ainda de acordo com o Flightradar24, o governo da Alemanha emitiu um alerta às companhias aéreas do país para que evitassem sobrevoar o espaço aéreo iraniano. A orientação, analisa a plataforma, reflete a avaliação de risco crescente na região em meio às restrições impostas por Teerã e ao agravamento das tensões internas e externas.
Trump recuou?
Mais cedo, presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira que foi informado de que os assassinatos “cessaram” no Irã, após dias de brutal repressão, de acordo com grupos de direitos humanos. A declaração ocorre em meio à onda de protestos que ocorrem há duas semanas no Irã e a violenta repressão promovida pelo governo, que rendeu ameaças do líder americano a Teerã.
Durante um evento na Casa Branca, Trump afirmou que lhe foi dito “por uma fonte confiável” que “as mortes no Irã estão cessando, pararam”. “E não há planos para executar” os detidos, acrescentou Trump, que havia dito que tal repressão poderia provocar uma reação enérgica de sua parte. O presidente dos EUA disse que ficaria “muito chateado” se a informação se provasse falsa e a repressão violenta continuasse.
Perguntado se a ação militar estava descartada, Trump disse que iria “observar” e “ver qual seria o processo”.
— Mas recebemos uma declaração muito, muito boa de pessoas que estão cientes do que está acontecendo — disse Trump.
Os comentários surgem depois de Trump ter instado os iranianos a continuarem os protestos contra o governo do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. O presidente afirmou que “agiria de acordo” após ser informado sobre o número de manifestantes mortos. Ele publicou nas redes sociais que “a ajuda está a caminho” para os que protestam no Irã.
Alguns militares americanos e britânicos destacados na maior base dos Estados Unidos no Oriente Médio receberam ordens para deixar o local até a noite desta quarta-feira, em meio a crescente tensão.
Em resposta, a República Islâmica disse que, se os EUA atacarem, teria instalações americanas no Oriente Médio como “alvos legítimos”. A decisão de retirada da base em al-Udeid, no Catar, indica, portanto, uma medida de “precaução” da Casa Branca frente a escalada de retórica entre os dois países, que já travaram uma guerra de 12 dias em junho do ano passado. A informação foi confirmada pelo Escritório Internacional de Mídia do Catar.
Nesta quarta-feira, o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, afirmou que o Irã está preparado para responder “com firmeza” aos Estados Unidos e a Israel, acusando Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de estarem por trás dos protestos que sacodem a República Islâmica.
Nos últimos dias, Trump ameaçou em diversas ocasiões intervir militarmente no Irã e, na terça-feira, em uma tentativa de intensificar a pressão, anunciou tarifas de 25% aos parceiros comerciais da República Islâmica.
Trump também havia ameaçado agir “de maneira muito firme” se as autoridades iranianas começassem a executar os manifestantes, depois que o Ministério Público de Teerã afirmou que seriam apresentadas acusações por crimes capitais de “moharebeh” (“guerra contra Deus”) contra alguns dos suspeitos detidos nos protestos. No passado, houve casos em que essas acusações levaram à pena de morte.
Guga Chacra: Em defesa das iranianas e iranianos
Enquanto isso, o balanço de vítimas deixado pela repressão não para de aumentar.
Segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, as forças de segurança iranianas mataram ao menos 3.428 manifestantes e detiveram mais de 10 mil pessoas. Ainda assim, a entidade advertiu que o número real provavelmente é muito maior.
A internet segue cortada em todo o país pelo sétimo dia consecutivo, segundo a organização de cibersegurança NetBlocks, o que dificulta o acesso à informação. Ainda assim, algumas informações acabam vazando.
Novos vídeos publicados nas redes sociais e verificados pela AFP mostram dezenas de corpos em um necrotério no sul da capital iraniana.
Diante da repressão e do corte das comunicações, parece que a intensidade dos protestos diminuiu drasticamente.
O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), com sede nos Estados Unidos, afirmou que as autoridades estavam empregando “um nível de brutalidade sem precedentes para reprimir os protestos” e que os relatos sobre atividade de protesto na terça-feira se encontravam em “um nível relativamente baixo”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira que foi informado de que os assassinatos “cessaram” no Irã, após dias de brutal repressão, de acordo com grupos de direitos humanos. A declaração ocorre em meio à onda de protestos que ocorrem há duas semanas no Irã e a violenta repressão promovida pelo governo, que rendeu ameaças do presidente americano a Teerã.
Contexto: Trump avalia ação militar, cibernética ou econômica ao Irã em meio a protestos que já deixaram ao menos 200 mortos
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Durante um evento na Casa Branca, Trump afirmou que lhe foi dito “por uma fonte confiável” que “as mortes no Irã estão cessando, pararam”. “E não há planos para executar” os detidos, acrescentou Trump, que havia dito que tal repressão poderia provocar uma reação enérgica de sua parte. O presidente dos EUA disse que ficaria “muito chateado” se a informação se provasse falsa e a repressão violenta continuasse.
Perguntado se a ação militar estava descartada, Trump disse que iria “observar” e “ver qual seria o processo”.
— Mas recebemos uma declaração muito, muito boa de pessoas que estão cientes do que está acontecendo — disse Trump.
Os comentários surgem depois de Trump ter instado os iranianos a continuarem os protestos contra o governo do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. O presidente afirmou que “agiria de acordo” após ser informado sobre o número de manifestantes mortos. Ele publicou nas redes sociais que “a ajuda está a caminho” para os que protestam no Irã.
Alguns militares americanos e britânicos destacados na maior base dos Estados Unidos no Oriente Médio receberam ordens para deixar o local até a noite desta quarta-feira, em meio a crescente tensão.
Em resposta, a República Islâmica disse que, se os EUA atacarem, teria instalações americanas no Oriente Médio como “alvos legítimos”. A decisão de retirada da base em al-Udeid, no Catar, indica, portanto, uma medida de “precaução” da Casa Branca frente a escalada de retórica entre os dois países, que já travaram uma guerra de 12 dias em junho do ano passado. A informação foi confirmada pelo Escritório Internacional de Mídia do Catar.
Nesta quarta-feira, o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, afirmou que o Irã está preparado para responder “com firmeza” aos Estados Unidos e a Israel, acusando Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de estarem por trás dos protestos que sacodem a República Islâmica.
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Entenda: Trump diz que Irã procurou EUA para negociar após ameaça sobre resposta militar a repressão a protestos
Nos últimos dias, Trump ameaçou em diversas ocasiões intervir militarmente no Irã e, na terça-feira, em uma tentativa de intensificar a pressão, anunciou tarifas de 25% aos parceiros comerciais da República Islâmica.
Trump também havia ameaçado agir “de maneira muito firme” se as autoridades iranianas começassem a executar os manifestantes, depois que o Ministério Público de Teerã afirmou que seriam apresentadas acusações por crimes capitais de “moharebeh” (“guerra contra Deus”) contra alguns dos suspeitos detidos nos protestos. No passado, houve casos em que essas acusações levaram à pena de morte.
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Enquanto isso, o balanço de vítimas deixado pela repressão não para de aumentar.
Segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, as forças de segurança iranianas mataram ao menos 3.428 manifestantes e detiveram mais de 10 mil pessoas. Ainda assim, a entidade advertiu que o número real provavelmente é muito maior.
A internet segue cortada em todo o país pelo sétimo dia consecutivo, segundo a organização de cibersegurança NetBlocks, o que dificulta o acesso à informação. Ainda assim, algumas informações acabam vazando.
Novos vídeos publicados nas redes sociais e verificados pela AFP mostram dezenas de corpos em um necrotério no sul da capital iraniana.
Diante da repressão e do corte das comunicações, parece que a intensidade dos protestos diminuiu drasticamente.
O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), com sede nos Estados Unidos, afirmou que as autoridades estavam empregando “um nível de brutalidade sem precedentes para reprimir os protestos” e que os relatos sobre atividade de protesto na terça-feira se encontravam em “um nível relativamente baixo”.
Em atualização.
Na primeira rodada de negociações entre Estados Unidos, Groenlândia e Dinamarca, que aconteceu nesta quarta-feira na Casa Branca, o vice americano, JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e os chanceleres dos outros dois países “concordaram em discordar” — pelo menos neste primeiro momento — sobre a ambição do presidente Donald Trump de anexar a ilha. Assim, segundo o ministro das Relações Exteriores dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, os países decidiram formar “um grupo de trabalho de alto nível”, que deve se reunir “dentro de algumas semanas”, para “encontrar um caminho comum a seguir”.
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Horas antes da reunião, Trump afirmou na sua plataforma Truth Social que a Otan, a aliança militar liderada por Washington, deveria comandar “o caminho” para que os EUA sigam com o plano de anexação da Groenlândia para “fins de Segurança Nacional”. E concluiu: “A Otan se torna muito mais eficaz com a Groenlândia nas mãos dos EUA. Qualquer coisa menos do que isso é inaceitável”.
Depois do encontro entre os líderes, que durou cerca de 90 minutos, Rasmussen afirmou que ele e a chanceler groenlandesa, Vivian Motzfeldt, tiveram “uma conversa franca e construtiva” com Rubio e Vance, mas que suas “perspectivas continuam divergindo”.
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— A reunião fez sentido para explorar se existem possibilidades de atender às preocupações do presidente [Trump], respeitando, ao mesmo tempo, as linhas vermelhas do Reino da Dinamarca — afirmou o ministro dinamarquês, indicando que vão acontecer outras rodadas de negociações. — Portanto, este é o trabalho que iniciaremos.
Vice americano, JD Vance, com o secretário de Estado Marco Rubio antes da reunião na Casa Branca
Brendan Smialowski / AFP
Rasmussen também afirmou que a reunião com o governo Trump “se concentrou em como garantir a segurança a longo prazo na Groenlândia”.
— Ideias que não respeitem a integridade territorial do Reino da Dinamarca e o direito à autodeterminação do povo da Groenlândia são, obviamente, totalmente inaceitáveis — afirmou. — Ainda temos um desacordo fundamental, mas também concordamos em discordar e, por isso, continuaremos a conversar.
Questionado sobre o encontro na Casa Branca, Trump, que não participou da reunião, disse que “acha que algo vai dar certo”.
— Os EUA têm uma relação muito boa com a Dinamarca. Vamos ver o que acontece — afirmou o presidente.
Desde que voltou ao cargo, há quase um ano, Trump insiste em assumir o controle da estratégica ilha pouco povoada no Ártico, que é território autônomo da Dinamarca e rico em minerais. Ecoando a autopercepção americana do século XIX de possuir um “Manifest Destiny” (Destino Manifesto, em tradução livre) para se expandir, Trump tem falado da necessidade de os EUA crescerem. Incorporar a Groenlândia e seus 2,16 milhões de km² colocaria os EUA à frente da China e do Canadá, tornando-os o segundo maior país do mundo em extensão territorial, atrás apenas da Rússia.
Veja: Trump diz que EUA ficarão com a Groenlândia ‘de uma forma ou de outra’
Encorajado pela operação bem-sucedida que capturou o líder chavista Nicolás Maduro na Venezuela, Trump deu um ultimato à Otan: “Digam à Dinamarca para sair daí agora!”. “Se não o fizermos, Rússia ou China o farão, e isso não vai acontecer”, escreveu o presidente americano.
Durante a entrevista coletiva depois da reunião na Casa Branca, Rasmussen observou que os Estados Unidos reduziram sua presença militar na Groenlândia durante a Guerra Fria, quando o país mantinha diversas bases e milhares de soldados na ilha. Agora, Washington têm apenas uma base estacionada lá, que foi visitada por Vance em março do ano passado.
Além disso, o ministro reconheceu que a “nova situação de segurança no Ártico” exige uma resposta, mas assegurou que isso não é responsabilidade dos EUA. Já a ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, disse que era possível fortalecer a cooperação com os EUA, mas isso não significa que a Groenlândia queira ser propriedade do país.
O perigo russo ou chinês
Há muito, Trump argumenta que os EUA precisam da Groenlândia, se não Rússia ou China a ocupariam. As duas potências rivais, de fato, intensificaram sua atividade no Ártico, onde o gelo está derretendo devido às mudanças climáticas, mas nenhuma reivindica a Groenlândia.
À medida que derretimento do gelo acelera, abre-se a possibilidade de rotas comerciais mais curtas para a Ásia. Isso poderia facilitar a extração e o transporte de depósitos inexplorados de minerais essenciais para computadores e telefones.
Casa Branca publica imagem mostrando dois possíveis caminhos para a Groenlândia
Reprodução / Redes sociais
A Dinamarca, por sua vez, rejeitou as alegações dos Estados Unidos de que não estaria protegendo a Groenlândia da Rússia e da China. Segundo Copenhague, o país investiu quase 14 bilhões de dólares (cerca de R$ 75 bilhões, na cotação atual) para reforçar sua presença militar no Ártico. Pouco antes da reunião na Casa Branca, Alemanha, França, Suécia e Noruega também anunciaram que enviarão militares à ilha para reforçar a defesa da região.
A Groenlândia foi incorporada à Dinamarca em 1953. Em 1979, obteve autonomia limitada em assuntos internos e estabeleceu seu próprio Parlamento. Em 2009, a Groenlândia conquistou a autogovernança e o direito de realizar um referendo sobre a independência, mas ainda não o fez.
A retórica
Os líderes da Groenlândia parecem estar mudando a abordagem em relação à forma como estão lidando com a crise diplomática. Até recentemente, eles enfatizavam o caminho da Groenlândia rumo à independência. Mas, agora, suas declarações públicas dão mais ênfase à unidade da ilha com a Dinamarca.
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— Não é hora de arriscar nosso direito à autodeterminação, quando outro país fala em nos dominar — disse o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, em entrevista ao jornal groenlandês Sermitsiaq, publicada nesta quarta-feira. — Isso não significa que não desejamos algo no futuro. Mas aqui e agora fazemos parte do reino e estamos ao lado do reino. Isso é crucial nesta situação grave.
Questionado por jornalistas na terça-feira sobre as declarações de Nielsen de que a ilha prefere continuar como território autônomo da Dinamarca, Trump respondeu:
— É problema dele. Não sei nada sobre ele, mas isso vai ser um grande problema para ele.
Em resposta as novas ameaças de Trump contra a ilha, o presidente francês Emmanuel Macron afirmou que uma violação da soberania da Groenlândia acarretaria “consequências em cascata” que seriam “inéditas”. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que os habitantes da Groenlândia “podem contar conosco”.
(Com AFP)
Mensagens virais nas redes sociais atribuem os incêndios florestais na Patagônia argentina a supostos planos israelenses de povoar a região, o que reaviva teorias conspiratórias centenárias e motivou, nesta semana, denúncias de antissemitismo por parte de organizações judaicas.
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“Quero os judeus fora do meu país” ou “os israelenses estão queimando a Patagônia” são algumas das mensagens que circulam em espanhol e, com adaptações, em pelo menos outras cinco línguas. As autoridades argentinas confirmaram a intervenção humana na origem dos incêndios, que já queimaram mais de 15 mil hectares, mas não apontaram responsáveis.
— Quanto aos autores, ainda não sabemos — disse na terça-feira à AFP Carlos Díaz Mayer, promotor da província de Chubut.
Mesmo assim, multiplicam-se nas redes mensagens que atribuem os incêndios a interesses estrangeiros, sobretudo israelenses, e os vinculam a um debate sobre mudanças nas leis que regulam a propriedade de terras rurais por não residentes e o uso de áreas atingidas pelo fogo.
Um dos exemplos é a circulação da foto de uma granada que, segundo usuários, seria de origem israelense e teria sido usada para provocar os incêndios. A informação, porém, é falsa. As autoridades de Chubut confirmaram a apreensão do explosivo em dezembro, mas informaram que ele foi produzido pela empresa argentina Fabricaciones Militares.
A Organização Sionista Argentina negou na segunda-feira, em comunicado, que os incêndios tenham sido provocados por israelenses “como parte de algum tipo de plano conspiratório”. A entidade também ressaltou a gravidade da “reaparição do chamado ‘Plano Andínia’, uma corrente antissemita sem qualquer respaldo histórico ou político”.
A teoria conspiratória segundo a qual Israel pretende se apropriar da Patagônia e estabelecer ali um Estado judeu circula desde a década de 1960 e ganhou força a partir dos anos 1970. O enraizamento dessa narrativa serviu de ponto de partida para a série da Amazon “Iosi, o espião arrependido” (2022), baseada em uma história real.
Essa teoria tem antecedentes no panfleto antissemita do fim do século XIX “Protocolos dos Sábios de Sião”, que acusa os judeus de conspirar para dominar o mundo, explicou à AFP o historiador Ernesto Bohoslavsky, do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet).
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Segundo o especialista, esse tipo de narrativa “que parece explicar de forma simples processos complexos” é especialmente sedutor, sobretudo nas redes sociais.
— O relato está sempre sendo atualizado. Em 2001 e 2002, por exemplo, circulava a versão de que a Argentina venderia parte da Patagônia para pagar a dívida externa — acrescentou.
O presidente da Delegação de Associações Israelitas Argentinas (DAIA), Mauro Berenstein, alertou na rede X que apontar culpados sem provas “reforça uma narrativa antijudaica e de ódio”.
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A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nesta quarta-feira que 406 presos políticos foram libertados desde dezembro, num processo que, segundo ela, foi iniciado por Nicolás Maduro, deposto após operação militar dos EUA em Caracas em 3 de janeiro. Segundo Delcy, seu país “está se abrindo para um novo momento político”.
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— A mensagem é de uma Venezuela que se abre para um novo momento político, que permite a compreensão a partir da divergência e da diversidade política e ideológica — disse a repórteres no Palácio Presidencial de Miraflores, em Caracas.
O governo interino de Delcy anunciou em 8 de janeiro um processo de libertação de um número “significativo” de presos políticos sob pressão dos Estados Unidos. Mas a ONG especializada Foro Penal contabiliza cerca de 180 libertações desde então, somando dois lotes em dezembro e os libertados no processo atual, que avança aos poucos.
Uma nova rodada de libertações ocorreu na quarta-feira, na qual 17 jornalistas e profissionais da imprensa foram libertados, incluindo o renomado ativista da oposição Roland Carreño.
— Queremos informar que ainda não foi concluído; esse processo permanece em aberto — afirmou a presidente interina.
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Delcy explicou que o processo de libertação inclui crimes relacionados à “ordem constitucional”, bem como “ódio, violência e intolerância”, e não “crimes graves” como homicídio e tráfico de drogas.
Centenas de pessoas foram presas e processadas sob acusações de “incitação ao ódio” e “traição à pátria”, especialmente no contexto de eleições e protestos da oposição.
Rocío San Miguel, presa em fevereiro de 2024, ex-candidato presidencial Enrique Márquez, que foi detido em janeiro de 2025, e Juan Pablo Guanipa (ex-governador de Zulia e líder do partido ¨Primer Justicia¨) figuram na primeira lista de libertos pelo chavismo
Arte O GLOBO
Entre os primeiros libertados estavam o ex-candidato presidencial Enrique Márquez, que foi solto juntamente com o ativista Biagio Pilieri. Rocío San Miguel, que tem dupla cidadania, foi libertada junto com outros quatro espanhóis e viajaram para Madri.
A ONG Foro Penal estima que a Venezuela tenha atualmente 806 presos por razões políticas, entre eles 175 militares. Em 2024, a mesma ONG anunciou que o país tinha o maior número de presos políticos dos últimos 25 anos, com cerca de 1.780 detidos. Na ocasião, a Venezuela tinha apresentado um aumento considerável nas detenções após as eleições contestadas de 28 de julho, quando Maduro foi proclamado o presidente eleito. Do total de detidos, 114 eram menores.
As vítimas do trágico incêndio em um bar na Suíça na noite de Ano Novo, que deixou 40 mortos e 116 feridos, receberão uma ajuda urgente, anunciaram as autoridades locais nesta quarta-feira. O Conselho de Estado do cantão suíço do Valais decidiu conceder uma ajuda financeira urgente às vítimas da tragédia ocorrida no bar Le Constellation, na estação de esqui de Crans-Montana.
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“Uma ajuda de urgência de 10 mil francos suíços [cerca de R$ 67 mil, na cotação atual] será disponibilizada para cada vítima hospitalizada ou falecida”, anunciaram em comunicado as autoridades deste cantão do sudoeste do país.
As 156 pessoas, oriundas de 19 países, incluindo Suíça, França e Itália, serão contactadas pelas autoridades de Valais.
“A pedido de várias pessoas ou organizações que desejavam enviar doações”, o governo de Valais abriu uma conta destinada a receber os “depósitos”, que será administrada por uma fundação independente.
As modalidades de redistribuição das doações serão definidas posteriormente. O Conselho Federal (governo) suíço declarou nesta quarta-feira estar “disposto a pedir, se necessário, ao Parlamento o compromisso de meios financeiros para apoiar as vítimas e seus familiares”, caso os dispositivos previstos pela Lei de Ajuda às Vítimas (LAVI) não sejam suficientes para responder de imediato às suas necessidades.
O coproprietário do bar suíço, Jacques Moretti, foi colocado nesta segunda-feira em prisão preventiva por três meses. Sua mulher, Jessica, foi libertada, mas com restrições. O casal é alvo de uma investigação criminal e enfrenta acusações de homicídio por negligência, lesões por negligência e incêndio provocado por negligência.
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O fogo começou na madrugada de Ano Novo, quando o bar estava lotado. A tragédia foi causada por faíscas de velas pirotécnicas, colocadas sobre garrafas de champanhe, que entraram em contato com a espuma acústica no teto do subsolo do estabelecimento, segundo os primeiros elementos da investigação.
A ex-chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Hillary Clinton, não compareceu nesta quarta-feira (14) perante uma comissão do Congresso que buscava interrogá-la sobre a investigação do criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein, um dia depois de seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, ter feito o mesmo. A ausência dos Clinton os expõe a acusações de desacato.
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A comissão buscava interrogar Hillary Clinton sobre os vínculos de pessoas próximas com o financista rico, que foi encontrado enforcado em sua cela na prisão de Nova York em 2019, antes de seu julgamento por crimes sexuais.
O presidente da comissão, o republicano James Comer, disse a repórteres nesta quarta-feira que iniciaria um processo contra os Clinton por obstrução do Congresso. Se aprovado, o Departamento de Justiça poderá tomar medidas legais.
Em uma carta publicada na terça-feira, o casal anunciou sua recusa em comparecer às audiências, argumentando que as intimações enviadas a eles eram “legalmente inválidas”. Eles também criticaram a maneira como Comer conduz a investigação da comissão, dizendo que se concentra em atacar oponentes políticos em vez de buscar a verdade.
— Tentamos fornecer a ele as poucas informações que temos. Fizemos isso porque os crimes de Epstein foram horríveis — disseram.
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Figura proeminente na alta sociedade nova-iorquina, Epstein foi acusado de explorar sexualmente mais de mil jovens, algumas delas menores de idade.
A morte de Epstein na prisão alimentou inúmeras teorias da conspiração, apoiadas por aliados de Trump, de que ele teria sido assassinado para proteger personalidades de alto perfil.
Durante sua campanha de 2024, Trump prometeu a seus apoiadores revelações impactantes sobre Epstein.
No entanto, desde que retornou ao poder, o republicano tem se mostrado relutante em divulgar os documentos da investigação sobre o financista, o que levou a acusações de falta de transparência por parte de seus partidários.
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Bill Clinton, que fez diversas viagens no jato particular de Epstein e possui inúmeras fotos com ele, afirmou em 2019 que não tinha contato com o empresário há mais de uma década. Ele também afirma que nunca soube de seus “crimes terríveis”.
No final de dezembro, o governo Trump começou a divulgar milhares de arquivos relacionados à investigação de Epstein devido a uma lei aprovada pelo Congresso em novembro. No entanto, segundo informações do Departamento de Justiça, menos de 1% do total de documentos foi divulgado.
Após o Departamento de Estado dos EUA anunciar nesta quarta-feira a suspensão da concessão de vistos de imigração para cidadãos de 75 países, incluindo o Brasil, por tempo indeterminado, que começa a valer a partir de 21 de janeiro, surgem algumas dúvidas do que isso de fato significa. A informação foi publicada em inicialmente pela Fox News Digital, que teve acesso ao memorando com orientações a funcionários de representações consulares, e posteriormente foi confirmada pela Casa Branca e pelo próprio departamento. Confira a seguir uma série de perguntas e respostas preparada pelo GLOBO com tudo o que se sabe sobre a medida:
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Quem será afetado e o que diz a decisão?
A rede americana afirmou que o memorando, que não foi divulgado publicamente, orienta funcionários a não concederem vistos de imigração com base na legislação atual, enquanto a pasta reavalia os procedimentos e critérios de triagem e verificação de solicitantes. O objetivo seria coibir a entrada de candidatos considerados “propensos a se tornarem um encargo público”.
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“O Departamento de Estado suspenderá o processamento de vistos de imigração de 75 países, cujos migrantes recebem benefícios sociais do povo americano em taxas inaceitáveis. O congelamento permanecerá em vigor até que os EUA possam garantir que os novos imigrantes não irão extrair riqueza do povo americano”, anunciou o Departamento de Estado na tarde desta quarta, após a notícia sobre a suspensão ser veiculada.
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O que alega o governo americano?
Em novembro, o Departamento de Estado determinou que seus consulados aplicassem regras de triagem criadas a partir da disposição sobre “encargo público” da lei de imigração — que visa impedir a entrada no país de pessoas que poderiam se beneficiar de programas governamentais. Entre os fatores sob avaliação estariam a idade, situação financeira e o peso corporal — podendo idosos e obesos terem o visto negado pela análise de risco.
“O Departamento de Estado usará sua autoridade de longa data para considerar inelegíveis potenciais imigrantes que se tornariam um fardo para os Estados Unidos e explorariam a generosidade do povo americano”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, em um comunicado na quarta-feira.
Cidadãos de alguns dos países incluídos, como Afeganistão, Irã, Rússia e Somália, já tinham poucas chances de obter um visto. Parte das nações também estavam englobadas em medidas restritivas anteriores, como a exigência de pagamento de caução para concessão de visto — caso da Nigéria, que começaria a ser impactada pela medida no dia 21, segundo anúncio anterior do Departamento de Estado — e a suspensão de outros processos de imigração — que já afeta há meses Irã e Iêmen.
Por outro lado, a medida será um choque para outros países. Enquanto o escopo do memorando não é detalhado pelas autoridades americanas, a Bloomberg afirmou que a decisão fecha as portas “para mais de um terço dos quase 200 países do mundo”, acrescentando que ocorre cerca de cinco meses antes de os EUA sediarem a Copa do Mundo, quando milhares de pessoas de todo o mundo estarão com os olhos voltados ao país.
Quais os países afetados pela medida?
Embora as autoridades americanas ainda não tenham divulgado uma lista oficial, a Fox News teve acesso a todos as nações impactadas pela nova medida do governo Trump. A emissora americana, citou que além do Brasil, aparecem Afeganistão, Iraque, Iêmen e Tailândia. Veja a seguir os 75 países afetados pela medida, segundo o memorando:

Qual o objetivo de Trump?
O controle na concessão de vistos faz parte de uma política mais ampla da nova administração Donald Trump para controlar a entrada de estrangeiros no país. O Departamento de Estado anunciou na segunda-feira que os EUA revogaram mais de 100 mil vistos desde que o republicano reassumiu a Presidência, em janeiro do ano passado, com um forte discurso anti-imigração. O número foi apontado pelo próprio governo americano como um recorde — duas vezes e meia superior ao de 2024, quando o democrata Joe Biden era presidente.
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O governo americano também endureceu controles para a obtenção de vistos, incluindo a verificação das publicações nas redes sociais dos requerentes. As revogações fazem parte de uma campanha mais ampla, que inclui de deportações em massa por parte do governo, realizada de forma agressiva mediante o aumento do número de agentes federais.
O Departamento de Segurança Interna disse no mês passado que o segundo governo Trump deportou mais de 605 mil pessoas e que outras 2,5 milhões deixaram o país voluntariamente.
Em novembro, após um cidadão afegão disparar contra dois homens da Guarda Nacional perto da Casa Branca, Trump prometeu “suspender permanentemente” a imigração de todos os “países do Terceiro Mundo”.
(Com AFP e Bloomberg)

Agentes do FBI revistaram a casa de um repórter do Washington Post nesta quarta-feira como parte de uma investigação sobre vazamento de informações, uma escalada significativa nas táticas do governo de Donald Trump para obter informações da imprensa. É extremamente raro, mesmo em investigações de divulgação de informações confidenciais, que agentes federais revistem a casa de um repórter. Uma lei de 1980, chamada Lei de Proteção à Privacidade, geralmente impede mandados de busca para materiais de trabalho de repórteres, a menos que os próprios repórteres sejam suspeitos de cometer um crime relacionado a eles.
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A repórter Hannah Natanson passou o último ano cobrindo os esforços do governo Trump para demitir funcionários federais e redirecionar grande parte da força de trabalho para implementar sua agenda. Muitos desses funcionários compartilharam com ela sua raiva, frustração e medo em relação às mudanças promovidas pelo governo.
Um porta-voz do Post afirmou nesta quarta-feira que a publicação estava analisando e monitorando a situação. Um artigo do Post informou que os investigadores disseram a Natanson que ela não é o foco da investigação. Durante a busca, as autoridades apreenderam laptops, um telefone e um smartwatch.
O jornal informou que o mandado de busca e apreensão e a declaração juramentada do FBI indicavam que as autoridades estavam investigando Aurelio Perez-Lugones, um administrador de sistemas em Maryland que possui autorização de segurança de nível máximo e foi acusado de acessar e levar para casa relatórios de inteligência confidenciais encontrados em sua lancheira e em seu porão.
Não está claro se o FBI buscou outros meios para obter as informações que procurava junto ao Post. Segundo a declaração juramentada, o cargo de Perez-Lugones lhe dava acesso a informações sensíveis. De acordo com o documento, ele imprimiu arquivos confidenciais que não tinha autorização para consultar e que, no início deste ano, fez anotações em um relatório classificado relacionado a atividades governamentais.
A repórter Hannah Natanson passou o último ano cobrindo os esforços do governo Trump para demitir funcionários federais e redirecionar grande parte da força de trabalho para implementar sua agenda
Reprodução
Os documentos judiciais mostram que os investigadores suspeitaram que Perez-Lugone, nos últimos meses, tenha lidado de forma indevida e ilegal com informações confidenciais sobre um país estrangeiro não identificado.
Em um comunicado publicado nas redes sociais, a Procuradora-Geral Pam Bondi afirmou que a busca foi realizada a pedido do Pentágono, para procurar evidências na casa de um jornalista “que estava obtendo e divulgando informações confidenciais e vazadas ilegalmente de um contratado do Pentágono”.
Especialistas em liberdade de expressão condenaram a medida como uma escalada agressiva que poderia prejudicar a liberdade de imprensa. Jameel Jaffer, diretor do Knight First Amendment Institute da Universidade Columbia, apontou para o efeito inibidor que isso poderia ter “sobre a atividade jornalística legítima”.
“Existem limites importantes à autoridade do governo para realizar buscas que envolvam atividades protegidas pela Primeira Emenda”, disse Jaffer.
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Bruce D. Brown, presidente do Comitê de Repórteres para a Liberdade de Imprensa, classificou a busca como uma das medidas mais invasivas que as autoridades poderiam tomar. Ele mencionou leis e políticas federais destinadas a limitar as buscas aos casos mais extremos, para que tal medida não iniba o interesse público no livre fluxo de informações para a imprensa, para além do caso em questão.
“Embora não saibamos os argumentos do governo sobre como superar esses obstáculos muito difíceis até que a declaração juramentada seja tornada pública, esta é uma escalada tremenda nas intromissões da administração na independência da imprensa”, disse ele.
Em um relato em primeira pessoa de sua experiência conversando com funcionários federais, Natanson citou algumas das mensagens que recebeu deles.
“Eu entendo os riscos”, disse um funcionário do Departamento de Defesa a ela. “Mas divulgar a verdade e os fatos é muito mais importante.” Natanson também escreveu que alguém que ela descreveu como um funcionário do Departamento de Justiça escreveu: “Eu nunca imaginei que vazaria informações assim.”
O uso de um mandado de busca pelo Departamento de Justiça para obter material de um repórter foi tratado como um escândalo por todos os partidos em 2013, quando foi revelado que investigadores em um caso de vazamento de informações retrataram um repórter da Fox News como criminoso em um pedido de ordem judicial para obter o conteúdo da conta de e-mail do repórter.
Como o Procurador-Geral Eric Holder havia testemunhado recentemente perante o Congresso que não tinha conhecimento de nenhuma tentativa de processar jornalistas em investigações de vazamento de informações, os republicanos o acusaram de perjúrio. Em resposta, o Departamento de Justiça explicou que nunca teve a intenção de acusar o repórter da Fox e que o retratou como criminoso para contornar a lei de 1980.
Como consequência desse episódio, Holder emitiu uma diretriz proibindo o Departamento de Justiça de retratar repórteres como criminosos para obter mandados de busca e apreensão de suas anotações e materiais de trabalho, a menos que realmente pretendesse processá-los.
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Em 2021, o Procurador-Geral Merrick Garland reforçou essa política depois que veio à tona que, no final do primeiro mandato de Trump, o Departamento de Justiça solicitou os registros telefônicos e de e-mail de repórteres do Washington Post, de The New York Times e da CNN como parte de investigações sobre vazamentos. Ele proibiu categoricamente o uso de mandados de busca e intimações para apreender materiais jornalísticos ou exigir que repórteres testemunhassem sobre suas fontes.
No entanto, no ano passado, Bondi revogou a política de Garland, restaurando a capacidade dos investigadores de usar mandados de busca e intimações para obter informações de jornalistas. Ela restaurou em grande parte a política da era Holder, incluindo a exigência de esgotar outros meios de obtenção de provas antes de recorrer às informações dos jornalistas.
Mas Bondi fez uma mudança crucial: ela retirou a restrição que ele havia adicionado em resposta à indignação causada pelo mandado de busca da Fox News, que proibia burlar a lei de 1980 retratando um repórter como suspeito de crime de má-fé. Embora Holder tenha insistido que jamais permitiria que o Departamento de Justiça processasse um repórter por exercer sua função, não está claro se o Departamento de Justiça de Bondi compartilha da mesma opinião.
Uma lei da Primeira Guerra Mundial, chamada Lei de Espionagem, afirma que é crime divulgar informações sensíveis sobre a defesa nacional sem autorização e, à primeira vista, pareceria aplicar-se a jornalistas que escrevem sobre assuntos que o governo considera confidenciais. No entanto, aplicar essa lei a jornalistas é amplamente considerado uma violação da Primeira Emenda, e o Departamento de Justiça, por gerações, não tentou fazê-lo.
Durante o primeiro mandato de Trump, no entanto, o departamento ultrapassou essa barreira ao apresentar acusações, com base na Lei de Espionagem, contra Julian Assange, fundador do WikiLeaks, por publicar documentos confidenciais vazados para a organização por Chelsea Manning, ex-analista de inteligência do exército.
Embora Assange não seja um jornalista tradicional, as acusações tratavam atividades jornalísticas — como receber e divulgar informações confidenciais — como algo que poderia ser considerado crime. Em 2024, o governo Biden firmou um acordo judicial com ele para encerrar o caso, de modo que sua constitucionalidade nunca foi testada em apelação.
O próprio Trump foi acusado, em 2023, com base na Lei de Espionagem, de manter documentos confidenciais sem autorização após deixar o cargo e de obstruir os esforços do governo para recuperá-los. Os promotores tiveram que abandonar esse caso, juntamente com uma acusação separada por seus esforços para reverter os resultados da eleição de 2020, após sua reeleição como presidente em 2024.

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