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Em meio ao embate entre EUA, Dinamarca e Groenlândia sobre o futuro da estratégica ilha no Oceano Ártico, o deslocamento de tropas por parte dos aliados europeus da Otan para o território congelado desagradou tanto Washington quanto Moscou — adversários estratégicos que fazem cálculos a partir das movimentações em solo. Enquanto o presidente americano, Donald Trump, já classificou como “insuficiente” uma estrutura de defesa europeia para garantir a segurança da aliança ocidental, a Rússia citou a escalada como um gesto hostil.
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O envio de militares faz parte de um plano da Dinamarca para aumentar as capacidades de defesa do território autônomo dentro do país, que tem menos de 60 mil habitantes. Aliados europeus da Otan, como Alemanha, Noruega e Suécia já tinham confirmado participação na iniciativa — batizada “Operação Resistência no Ártico”, e apelidada por veículos de imprensa internacional de “Operação Convencendo Trump” —, enquanto o presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou a adesão do país nesta quinta.
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Em um momento em que a discussão sobre a anexação do território pelos EUA é motivo de disputa entre os EUA e a parte europeia da Otan, que aponta como inaceitável qualquer ação unilateral por parte de Washington, o envio dos militares para a Groenlândia se assemelha a uma tentativa de dissuasão. Por outro lado, lideranças dentro da Europa tentam caracterizar a operação como uma demonstração de que os aliados podem entregar as garantias de segurança pretendidas por Trump.
Em uma manifestação nesta quinta, o Ministério da Defesa da Alemanha afirmou que a missão na Groenlândia tem como objetivo “explorar opções para garantir a segurança em vista das ameaças russas e chinesas no Ártico”. A manifestação parece seguir uma linha anteriormente adotada por Bruxelas, que a Casa Branca já repeliu.
Em Washington, Trump repete que a anexação da Groenlândia é uma necessidade de segurança nacional dos EUA. Em uma manifestação na quarta-feira, o republicano afirmou que o território seria fundamental para o “Domo de Ouro” — um desejado sistema de defesa antiaérea inspirado em Israel, que prometeu construir.
Estação de satélites construída pelos EUA na Guerra Fria, conhecida como ‘Mickey Mouse’, em colina perto de Kangerlussuaq, no oeste da Groenlândia, em junho de 2025
Ivor Prickett/The New York Times
“A Otan deveria estar liderando o caminho para que possamos obtê-la [a Groenlândia]. SE NÃO O FIZERMOS, A RÚSSIA OU A CHINA O FARÃO, E ISSO NÃO VAI ACONTECER!”, escreveu Trump em uma publicação nas redes sociais. “A Otan se torna muito mais formidável e eficaz com a Groenlândia nas mãos dos ESTADOS UNIDOS. Qualquer coisa menos do que isso é inaceitável”.
Embora as partes diretamente envolvidas na disputa tenham engajado em negociações diplomáticas diretas e um grupo de trabalho tenha sido montado, as tensões não estão perto de se dissipar entre os aliados. O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, afirmou nesta quinta que Varsóvia não enviaria soldados para a Groenlândia — apesar de ter declarado apoio à Dinamarca e à ilha ártica. Ele se disse preocupado com o quadro atual.
— Uma tentativa de tomada de [parte de] um Estado-membro da ONU por outro Estado-membro da ONU seria um desastre político — disse Tusk, acrescentando que seria “o fim do mundo como o conhecemos”.
Videográfico: A história e a evolução da atuação da Otan no mundo
Ao mesmo tempo em que provoca tensões entre os aliados, a estratégia europeia de agir por conta própria também atraiu uma resposta adversa de Moscou. Em uma manifestação nesta quinta-feira, a diplomacia russa expressou “grave preocupação” sobre o envio de tropas à ilha.
“Em vez de realizar um trabalho construtivo no âmbito das instituições existentes, em particular o Conselho do Ártico, a Otan optou por acelerar a militarização do norte e reforçar a sua presença militar na região sob o pretexto imaginário de uma crescente ameaça de Moscou e Pequim”, afirmou a embaixada russa em Bruxelas, onde fica a sede da Otan.
O ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, afirmou em entrevista nesta quinta que a intenção por trás da Operação Resistência do Ártico era “estabelecer uma presença militar mais permanente” na Groenlândia, com um rodízio de militares de vários países.
Questionado se os exercícios militares tinham a intenção de enviar um sinal aos americanos, ele se recusou a comentar. (Com AFP)
A polícia espanhola cercou um avião de passageiros que pousou nesta quinta-feira no Aeroporto de Barcelona-El Prat após a identificação de uma ameaça a bordo, segundo autoridades locais e a imprensa espanhola.
Bebê de um ano passa por cirurgia facial após ataque de cão da família na Inglaterra
A aeronave, um Airbus A321 da Turkish Airlines, havia partido de Istambul e pousou pouco antes das 11h (horário local). De acordo com o jornal El Nacional, o voo foi escoltado por aviões de guerra espanhóis e franceses durante o trajeto sobre o Mar Mediterrâneo.
Ainda segundo as informações divulgadas, o alerta foi detectado quando o avião se aproximava da costa da Itália, por volta das 10h. Ao chegar ao espaço aéreo espanhol, a aeronave realizou manobras de espera, dando voltas antes de receber autorização para pousar.
Após a aterrissagem, forças de segurança cercaram o avião e embarcaram imediatamente para verificar a situação. Havia 148 passageiros e sete tripulantes a bordo no momento do pouso, conforme dados da mídia local.
Até a última atualização, as autoridades não haviam detalhado a natureza da ameaça nem informado se houve detenções.
Uma criança de um ano precisou ser submetida a uma cirurgia facial após ser atacada pelo cachorro de estimação da própria família, no sábado (10), em Doncaster, no condado de South Yorkshire, na Inglaterra. O ataque ocorreu dentro da residência, na região de Hyde Park, e mobilizou equipes de emergência e a polícia local.
Segundo informações das autoridades, paramédicos foram acionados após relatos de que um buldogue americano havia avançado contra o bebê. A criança estava no chão quando o animal pulou sobre ela, causando ferimentos graves no rosto. A polícia foi chamada ao local enquanto os socorristas prestavam atendimento, e o cão foi apreendido, permanecendo sob custódia em um canil policial.
Sinais prévios de agressividade
De acordo com a Polícia de South Yorkshire, o animal já havia apresentado comportamentos agressivos em relação à criança antes do episódio. Durante a apuração inicial, os agentes constataram que o ataque não foi um evento isolado, mas resultado de sinais que não teriam sido adequadamente tratados.
O inspetor de armas de fogo Steve Usher afirmou que casos como esse refletem uma demanda crescente enfrentada pelas forças de segurança. “Pessoas inocentes e vulneráveis sofrem cicatrizes físicas e mentais para toda a vida devido à falta de posse responsável de cães. É um fato que esses incidentes poderiam ter sido evitados”, disse.
Ainda segundo Usher, “não se trata de um mal-entendido. São comportamentos que precisam ser abordados, com treinamento adequado e mudanças no estilo de vida para garantir que ninguém se machuque”. Ele acrescentou que a polícia seguirá adotando medidas educativas e punitivas contra situações que representem risco, reforçando o apelo para que famílias revejam rotinas e cuidados com animais, especialmente com a chegada de 2026.
Quatro astronautas a bordo de uma cápsula Crew Dragon, da SpaceX, fizeram um pouso de emergência no Oceano Pacífico na madrugada desta quinta-feira, encerrando antecipadamente a missão Crew-11 à Estação Espacial Internacional. A decisão foi tomada pela Nasa após a identificação de um problema médico em um dos tripulantes, cuja identidade não foi divulgada.
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A cápsula se desacoplou da estação espacial por volta das 17h20 (horário da Costa Leste dos EUA) de quarta-feira, iniciando uma viagem de cerca de dez horas até a reentrada na atmosfera terrestre. A amerissagem ocorreu pouco depois das 3h40, na costa de San Diego, na Califórnia. Imagens da transmissão oficial mostraram golfinhos nadando nas proximidades do local do pouso.
Veja o pouso:
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Após o retorno, a tripulação foi retirada da cápsula por equipes especializadas e levada para um navio de resgate. Como é habitual após longos períodos em microgravidade, os astronautas utilizaram macas para auxiliar a locomoção durante o processo de readaptação à gravidade. Todos foram vistos conscientes, sorrindo e acenando ao deixarem a espaçonave.
Segundo a NASA, os astronautas passarão por exames médicos de rotina. No entanto, diferentemente do procedimento padrão, um dos tripulantes deverá ser encaminhado a um hospital para avaliações adicionais.
— Queremos utilizar os recursos disponíveis na Terra para oferecer o melhor atendimento possível — afirmou a porta-voz da agência, Leah Cheshier, durante a transmissão ao vivo do retorno.
A agência espacial informou que o astronauta afetado encontra-se em condição estável e não precisou de cuidados especiais durante a viagem de volta. Por questões de privacidade, detalhes médicos não foram divulgados. A decisão de antecipar o retorno foi tomada na semana passada, após o cancelamento de uma caminhada espacial prevista para a missão.
— Não se trata de uma lesão ocorrida durante operações — explicou James Polk, diretor médico da Nasa. Segundo ele, o problema está relacionado às condições adversas da microgravidade, que exigem exames de diagnóstico indisponíveis na estação espacial.
A Crew-11 era composta pelos astronautas Mike Fincke e Zena Cardman, da NASA, além de Kimiya Yui, da Agência Espacial do Japão (JAXA), e Oleg Platonov, da agência espacial russa Roscosmos.
O retorno antecipado deixou a estação espacial temporariamente com apenas três tripulantes: os cosmonautas russos Sergey Kud-Sverchkov e Sergei Mikaev, além do astronauta da NASA Chris Williams, que integra um acordo de compartilhamento de missões entre Estados Unidos e Rússia.
A família da garçonete Cyane Panine, de 24 anos, apontada como responsável pelo incêndio que matou 40 pessoas em um bar na Suíça na noite de Ano Novo, contesta a versão apresentada pelos proprietários do estabelecimento. Segundo parentes, a jovem estava envolvida em uma disputa trabalhista com os donos do local e não mantinha relação de amizade com eles.
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De acordo com o jornal inglês Daily Mail, ela morreu no incêndio ocorrido no Le Constellation, na estação de esqui de Crans-Montana. Imagens gravadas antes da tragédia mostram a garçonete segurando garrafas de champanhe com velas de faísca enquanto estava nos ombros de um colega.
As autoridades investigam se os artefatos pirotécnicos deram início ao fogo ao atingir material inflamável do teto do porão, o que resultou também em 116 feridos.
Os proprietários do bar, Jacques Moretti e Jessica Moretti, respondem na Justiça por acusações que incluem homicídio culposo por negligência. Em audiências, o casal afirmou que Cyane era tratada como “enteada” e “irmã”, versão rebatida pela família da vítima.
Em entrevista à televisão francesa, a advogada Sophie Haenni, que representa os parentes da garçonete, afirmou que Cyane havia procurado o serviço de proteção ao trabalhador para reivindicar direitos básicos, como contrato formal, comprovantes de salário e certificado de trabalho — documentos exigidos pela legislação suíça.
— Não havia familiaridade entre eles. O que existia era uma relação profissional marcada por conflitos — disse a advogada, acrescentando que a jovem também reclamava de ordens e do tratamento recebido no ambiente de trabalho.
Segundo a defesa da família, as mensagens trocadas entre Cyane e os proprietários tinham tom formal, incompatível com a imagem de proximidade apresentada pelos réus. Jacques Moretti permanece em prisão preventiva e, de acordo com registros judiciais, já teve condenações anteriores por outros crimes.
Os pais da vítima, Jérôme e Astrid Panine, demonstraram indignação com declarações emocionadas feitas por Jessica Moretti em audiência recente, nas quais ela se referiu à garçonete como “uma irmã” e admitiu saber que a prática com velas de champanhe era recorrente no bar, apesar dos riscos.
A família afirma ter recebido com frustração o pedido de desculpas apresentado pela proprietária, por considerá-lo incompatível com os fatos apurados. — Há um sentimento profundo de injustiça e impotência. Eles vão lutar para que os responsáveis sejam condenados — afirmou a advogada.
Uma mulher do Wyoming acusada de matar o próprio filho de 11 meses durante uma disputa judicial pela guarda teve o pedido de libertação negado pela Justiça do Novo México. Madeline Daly, de 35 anos, responde por homicídio em primeiro grau pela morte de Basil Stoner, ocorrida dois dias antes do Natal, após um mês de embates legais com o pai biológico da criança.
Seis filhotes são resgatados por bombeiros após suspeita de envenenamento nos EUA
Segundo as autoridades, Daly teria desrespeitado uma ordem judicial que concedia a guarda ao pai, Jake Stoner, e fugido com o bebê em novembro. A polícia passou a procurá-la para cumprir um mandado de prisão por sequestro qualificado, até localizá-la em um trailer no condado de Grant, no Novo México.
Ação policial terminou em tragédia
De acordo com o relato oficial, os agentes tentaram contato com Daly, que se recusou a sair do veículo onde estava com o filho. Após informações de que ela poderia estar armada, uma equipe da SWAT foi acionada. Antes que a polícia pudesse intervir, disparos foram ouvidos. Dentro do trailer, os agentes encontraram a mulher ferida e o bebê baleado. Apesar das tentativas de socorro, a criança morreu no local.
Daly foi presa e levada ao Centro de Detenção do Condado de Grant, onde permanece sem direito a fiança. Em audiência, o advogado da acusada pediu sua libertação, argumento rejeitado pelo promotor distrital Mark Abramson, que classificou o caso como de “circunstâncias ultrajantes”, segundo o site Cowboy State Daily.
O promotor afirmou que há risco concreto de fuga e destacou o caráter “extremamente pessoal” do crime, além da robustez das provas reunidas. O juiz também negou o pedido, citando preocupações com a segurança da própria acusada e de terceiros, e mencionou uma declaração atribuída a Daly — interpretada como indicativo de intenção de impedir o contato do pai com a criança — para justificar a manutenção da prisão.
Seis filhotes de cachorro, com cerca de 10 semanas de idade, foram salvos por bombeiros no estado de Washington após uma suspeita de exposição a opioides. Os animais chegaram inconscientes a um quartel do Corpo de Bombeiros de Sky Valley e apresentavam quadro crítico, com insuficiência respiratória e parada cardíaca, segundo comunicado oficial da corporação.
Três filhotes foram levados inicialmente ao Quartel 54 no começo desta semana. Diante da gravidade, bombeiros-paramédicos iniciaram manobras de reanimação cardiopulmonar, oxigenoterapia e administraram naloxona — medicamento usado para reverter overdoses de opioides, também conhecido como Narcan. Como os três apresentavam sintomas semelhantes, a equipe descartou doença e passou a suspeitar de envenenamento ambiental.
Suspeita de exposição ao fentanil
De acordo com as autoridades, a exposição a opioides foi considerada a causa mais provável. Substâncias como o fentanil, afirmaram, podem ser extremamente perigosas quando inaladas, sobretudo para animais de pequeno porte. Durante o atendimento, um policial acionou o Gabinete do Xerife do Condado de Snohomish para apoio à ocorrência.
Os três filhotes responderam ao tratamento e foram reanimados. Pouco depois, agentes do xerife localizaram as pessoas que haviam levado os animais ao quartel e seguiram até a residência delas, onde encontraram outros três filhotes em grave sofrimento. Eles também foram levados às pressas ao Posto 54 e receberam os mesmos procedimentos de emergência.
Após o resgate, os seis filhotes foram encaminhados a uma clínica veterinária de atendimento 24 horas. Veterinários informaram posteriormente que todos estão se recuperando bem e devem sobreviver, conforme comunicado divulgado pelas autoridades locais.
Imagens divulgadas pelo Corpo de Bombeiros de Sky Valley mostram os filhotes ao lado dos socorristas. Em vídeo publicado pelo Gabinete do Xerife de Snohomish, os cães aparecem brincando com os bombeiros após a reanimação, abanando o rabo e interagindo com a equipe. As autoridades afirmaram esperar que, após a recuperação completa, os filhotes encontrem lares definitivos.
O agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) que disparou contra Renee Nicole Good em Minneapolis no dia 7 de janeiro de 2026 sofreu hemorragia interna no tronco após o incidente, segundo duas autoridades americanas com conhecimento direto de seu estado de saúde.
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Identificado como Jonathan Ross, veterano do ICE com cerca de 10 anos de serviço, foi levado ao hospital no mesmo dia, mas recebeu alta posteriormente, informou a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, em entrevistas anteriores.
Vídeos feitos no local mostram Ross se afastando da cena após os disparos, mas até o momento não há informações públicas detalhadas sobre a extensão exata do sangramento ou sobre quaisquer tratamentos adicionais que ele tenha recebido desde então. Autoridades também confirmaram que ele não retornou ao trabalho, mas não divulgaram motivos oficiais para sua ausência.
O Departamento de Segurança Interna confirmou apenas que Ross foi hospitalizado e liberado no mesmo dia, sem comentar além disso sobre seus ferimentos. Em declarações feitas quando o caso ganhou atenção nacional, Noem descreveu o agente como um policial experiente que acreditava estar agindo em legítima defesa de si e de seus colegas no momento em que disparou sua arma.
O tiroteio que resultou na morte de Good, uma cidadã americana de 37 anos, tem sido amplamente coberto pela imprensa e se tornou foco de protestos e debates sobre uso de força por parte de agentes federais em operações de imigração. A investigação segue com contribuições de autoridades locais e federais, e novos desdobramentos podem ser divulgados à medida que a apuração avançar.
A Rússia anunciou nesta quinta-feira a expulsão de um diplomata britânico, acusado de atuar a serviço dos “serviços secretos” do Reino Unido, em mais um episódio de agravamento das tensões com o Ocidente desde o início da guerra na Ucrânia.
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A encarregada de negócios britânica em Moscou, Danae Dholakia, foi convocada na manhã desta quinta ao Ministério das Relações Exteriores da Rússia, onde foi informada da “retirada da acreditação” de um funcionário da embaixada, em razão de “informações recebidas (…) sobre sua vinculação aos serviços secretos”, segundo comunicado divulgado pela diplomacia russa.
De acordo com a nota oficial, o diplomata terá duas semanas para deixar o país.
Os serviços de segurança russos (FSB) identificaram o funcionário como Gareth Samuel Davies, que teria sido “enviado à Rússia sob o pretexto de ocupar o cargo de segundo-secretário da embaixada britânica”.
No comunicado, Moscou “voltou a sublinhar que não tolerará em território russo membros não declarados dos serviços secretos britânicos” e afirmou estar disposta a adotar “uma resposta simétrica e decisiva caso Londres opte por uma escalada”.
Cerca de vinte jornalistas russos aguardavam a chegada de Dholakia na entrada do ministério, segundo vídeo divulgado pela própria diplomacia russa.
A representante britânica permaneceu no local por cerca de 15 minutos antes de se retirar, de acordo com agências de notícias locais.
As relações entre Londres e Moscou já vinham se deteriorando e se encontravam no nível mais baixo em décadas mesmo antes do lançamento da ofensiva militar russa em grande escala contra a Ucrânia.
As acusações de espionagem, em particular, têm marcado os intercâmbios bilaterais há décadas.
Em 2006, o ex-agente russo Alexander Litvinenko foi assassinado em Londres após ser envenenado com polônio, em um ataque que, segundo investigadores britânicos, foi realizado pelos serviços secretos russos.
Já em 2018, o Reino Unido afirmou que o ex-espião duplo Serguei Skripal foi envenenado com o agente nervoso Novichok na cidade inglesa de Salisbury.
Na ocasião, um cidadão britânico morreu após manusear o dispositivo utilizado no ataque — um frasco de perfume —, episódio que desencadeou a maior expulsão coordenada, por países ocidentais, de diplomatas russos acusados de espionagem em décadas.
Um homem iraniano detido durante os protestos recentes, que, segundo várias ONGs e o governo dos Estados Unidos, enfrentaria uma execução iminente, não foi condenado à pena capital e nem corre esse risco. A informação foi divulgada nesta quinta-feira pelo Poder Judiciário do Irã.
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Erfan Soltani está preso na cidade de Karaj, nos arredores de Teerã. De acordo com comunicado oficial exibido pela televisão estatal, ele é acusado de fazer propaganda contra o regime islâmico e de agir contra a segurança nacional.
Segundo o Judiciário, o jovem “não foi condenado à morte” e, caso venha a ser considerado culpado, “a punição, de acordo com a lei, será uma pena de prisão, pois a pena de morte não se aplica a tais acusações”.
No entanto, em meio à onda de protestos que ocorrem há duas semanas no Irã — e a violenta repressão promovida pelo governo —, uma organização de direitos humanos alertou nesta quarta-feira que pode haver “muitos outros casos” semelhantes ao de Erfan Soltani, o jovem iraniano de 26 anos até então condenado à morte e cuja execução havia sido marcada para ocorrer ainda na quarta-feira.
Segundo a ONG curda Hengaw, o apagão quase total da internet imposto pelas autoridades tem dificultado a obtenção de informações sobre outros manifestantes que possam ter recebido sentenças capitais.
— Tememos que existam muitos casos como o de Erfan — disse à BBC Awyer Shekhi, da Hengaw, acrescentando que a falta de comunicação torna “praticamente impossível” saber quantas pessoas já foram condenadas à morte nos bastidores do sistema judicial iraniano.
Nesta quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump declarou ter sido informado que as “execuções” pararam no Irã, em meio a informes de grupos de defesa dos direitos humanos de que as autoridades iranianas reprimiram brutalmente os protestos contra o regime. Durante um evento na Casa Branca, Trump disse que soube por “fonte segura” que “o massacre no Irã está parando. Parou… E não há plano para execuções”, acrescentou, sem dar mais detalhes.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, também afirmou que seu governo tem controle total da situação no país, em um momento em que as autoridades conduzem a repressão mais severa a protestos em anos.
— Após três dias de operação terrorista, agora há calma. Temos o controle total — disse Araghchi ao programa “Special Report”, da emissora americana Fox News.
O caso de Soltani ganhou destaque internacional por ter sido apontado como a primeira sentença de morte desta nova onda de protestos contra o regime do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Também chamou a atenção por desafiar a ameaça do presidente americano de intervir caso as autoridades mantenham a repressão. Segundo a ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, a família foi informada de que o jovem foi preso em 8 de janeiro, na cidade de Fardis, a oeste de Teerã, e condenado sem um julgamento formal.
— Estou em completo choque, fico me sentindo como se estivesse em um sonho. As pessoas confiaram nas palavras de Trump e foram às ruas. Eu imploro, por favor, não deixem que Erfan seja executado — disse à CNN Somayeh, parente de Soltani, em referência ao encorajamento feito pelo líder americano para que os iranianos sigam protestando.
Erfan Soltani
Reprodução
Não está claro de quais acusações Soltani é formalmente alvo. Familiares relatam que ele foi mantido incomunicável desde a prisão, sem acesso a advogado ou direito à defesa. Sua irmã, que é advogada, tentou acompanhar o caso, mas foi informada pelas autoridades de que não havia processo a ser contestado. As informações eram de que a família teria autorização apenas para uma última visita antes da execução.
— Ele é apenas alguém que se opõe à situação atual no Irã e agora recebeu uma sentença de morte por expressar sua opinião — disse uma parente à rede britânica BBC.
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A suposta condenação ocorre em um contexto de repressão em larga escala, com o número de mortos e feridos ainda incerto. Grupos de direitos humanos estimam que mais de 2 mil pessoas já tenham sido mortas desde o início dos protestos, em 28 de dezembro, enquanto dezenas de milhares teriam sido presas.
Vídeos publicados nas redes por ativistas da oposição mostram fileiras e mais fileiras de sacos para cadáveres. Há relatos de forças de segurança atirando contra multidões, além de detenções arbitrárias e confissões forçadas exibidas pela televisão estatal.
Testemunhas relataram ter observado atiradores de elite posicionados em telhados no centro de Teerã e disparando contra multidões; protestos pacíficos que se transformaram abruptamente em cenas de carnificina e pânico quando balas atravessaram cabeças e torsos, fazendo corpos tombarem ao chão; e um pronto-socorro que atendeu 19 feridos por arma de fogo em apenas uma hora. À BBC Persian, um morador afirmou que manifestantes passaram a sair às ruas usando máscaras e roupas escuras para evitar identificação por câmeras de segurança.
Outros testemunhos apontam para a presença de agentes em hospitais, onde feridos seriam presos, e para a recusa das autoridades em entregar corpos às famílias. Em Ardabil, no noroeste do país, um morador afirmou que agentes de segurança se instalaram em uma unidade de saúde para deter manifestantes feridos. Em Mashhad, no leste do Irã, relatos mencionam um número elevado de mortos e o uso de rajadas de tiros, além da circulação de veículos armados em cidades vizinhas. “Atiram contra a multidão com espingardas”, escreveu um leitor.
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Penas de morte
Embora o Irã esteja entre os países que mais executam no mundo — com mais de 2 mil execuções registradas apenas em 2025 —, especialistas destacam que, historicamente, os processos que resultam em pena de morte costumam levar anos até a sentença definitiva e sua execução. A rapidez no caso de Soltani lembra, segundo ativistas, o que ocorreu durante os protestos de 2022, quando ao menos um manifestante foi executado apenas três meses após ser preso.
O endurecimento do Judiciário foi explicitado nesta semana pelo chefe da Justiça iraniana, Gholamhossein Mohseni Ejei. Em visita a um centro de detenção em Teerã, ele afirmou estar analisando pessoalmente os casos de manifestantes presos, a quem se referiu como “vândalos” e “terroristas”. Segundo Ejei, pessoas acusadas de atacar forças de segurança ou cometer “atos terroristas” devem ter prioridade em julgamentos rápidos e receber punições severas. Ele disse ainda que as autoridades planejam realizar julgamentos públicos a algumas das principais figuras envolvidas nos recentes protestos.
— Se quisermos fazer algo, temos que fazer agora. Se deixarmos para dois ou três meses depois, não terá o mesmo efeito — disse Ejei à mídia estatal, sinalizando que o objetivo das condenações rápidas é servir de exemplo e conter novos protestos.
Por que o Irã vive a maior onda de protestos desde 2022?
Nos últimos três anos, ao menos 12 homens foram executados no Irã após receberem sentenças relacionadas aos protestos de 2022 conhecidos como “Mulher, Vida, Liberdade”. Na ocasião, a onda nacional de manifestações foi desencadeada pela morte sob custódia de Masha Amini, uma jovem curda acusada pela polícia da moralidade de usar o hijab de forma “imprópria”. Grupos de direitos humanos afirmam que a última execução do tipo ocorreu em 6 de setembro, quando Mehran Bahramian foi enforcado na prisão central de Isfahan.
Segundo o grupo Iran Human Rights, com sede na Noruega, autoridades torturaram Bahramian para obter confissões, e ele não recebeu um julgamento justo. A organização afirmou que ele foi condenado à morte em janeiro de 2024 sob a acusação de “inimizade contra Deus” por supostamente ter matado um membro da Guarda Revolucionária durante os protestos.

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