Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmam que a decisão de aceitar ou não o convite dos Estados Unidos para integrar o chamado Conselho da Paz em Gaza precisa ser tomada com extrema cautela.
Um interlocutor do governo declarou que não há como dar uma resposta “sem entender as consequências” e que “essa decisão não pode ser tomada de forma açodada”. Esse mesmo interlocutor ressalta a necessidade de avaliação detalhada dos impactos diplomáticos e geopolíticos antes de qualquer posicionamento definitivo.
Procurado, o Itamaraty ainda não se manifestou.
O convite foi feito pelo presidente Donald Trump a diversos líderes globais, incluindo o argentino Javier Milei, o turco Recep Tayyip Erdogan, o egípcio Abdel Fattah al‑Sisi e o canadense Mark Carney.
A proposta do Conselho da Paz visa supervisionar a reconstrução, a governança e a transição política na Faixa de Gaza após o cessar‑fogo mediado pelos EUA, em meio a mais de dois anos de conflito entre Israel e o Hamas.
A iniciativa americana, anunciada como parte de sua estratégia de estabilização do território palestino, tem sido alvo de críticas internacionais, sobretudo pela ausência de representantes palestinos no núcleo decisório e pelo protagonismo explícito dos Estados Unidos.
A composição do conselho inclui ainda figuras controversas pçara o governo brasileiro, o que levanta dúvidas sobre a legitimidade e eficácia prática do órgão.
Até o momento, o governo brasileiro não confirmou oficialmente a aceitação do convite, e os auxiliares de Lula reforçam que a decisão será tomada apenas após análise cuidadosa das implicações para a diplomacia brasileira e o histórico de atuação do país no conflito do Oriente Médio.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou a pressão diplomática e econômica sobre o continente europeu. Em uma publicação em sua rede social, a Truth Social, na tarde deste sábado, Trump condicionou a estabilidade comercial da região à venda da Groenlândia. O republicano anunciou a intenção de impor tarifas progressivas a produtos de oito nações europeias a partir de fevereiro de 2026, com alíquotas que podem atingir 25% em junho do mesmo ano.
Segundo a postagem, Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia enfrentariam uma tarifa inicial de 10% sobre todos os bens exportados para os EUA. O cronograma de escalada tarifária funcionaria da seguinte forma:
Fevereiro de 2026: Início das taxas em 10%.
Junho de 2026: Elevação para 25% caso não haja progresso nas tratativas.
Duração: As taxas permaneceriam em vigor até a ratificação de um acordo para a “compra completa e total” do território.
Trump fundamentou a proposta em pilares de segurança nacional e defesa estratégica. Segundo o presidente, a soberania dinamarquesa sobre a ilha é “vulnerável” diante de supostas “ambições de Rússia e China no Ártico”.
O presidente americano chegou a ironizar a capacidade militar local, afirmando que a defesa da ilha se limita a “dois trenós puxados por cães”. Ele também classificou visitas recentes de líderes europeus ao território como “movimentações por motivos desconhecidos”, tratando-as como uma ameaça à estabilidade internacional.
Um dos pontos centrais da nova argumentação é a integração da Groenlândia ao “Domo Dourado”, o ambicioso sistema de defesa antimísseis de última geração dos EUA.
“O projeto, que prevê investimentos de centenas de bilhões de dólares e a possível extensão da cobertura ao Canadá, só atingiria sua eficiência máxima com o controle territorial e estratégico da Groenlândia”, afirmou o presidente.
Agora, Trump argumenta que os EUA tentam essa aquisição há mais de 150 anos (referindo-se a propostas históricas de 1867 e 1946) e que o momento exige uma “resolução definitiva”.
Apesar das ameaças, o presidente declarou estar “imediatamente aberto à negociação”, embora tenha ressaltado que Washington não aceitará mais manter a “proteção máxima” à Europa sem contrapartidas estratégicas. Até o fechamento desta edição, a União Europeia e o governo dinamarquês não haviam emitido uma resposta oficial às ameaças.
Leia abaixo o texto da postagem na íntegra:
“Nós subsidiamos a Dinamarca, e todos os países da União Europeia, além de outros, por muitos anos ao não cobrar tarifas, nem qualquer outra forma de remuneração. Agora, depois de séculos, chegou a hora de a Dinamarca retribuir — a paz mundial está em jogo! China e Rússia querem a Groenlândia, e não há absolutamente nada que a Dinamarca possa fazer a respeito. Atualmente, eles contam com dois trenós puxados por cães como proteção, sendo que um foi acrescentado recentemente.
Somente os Estados Unidos da América, sob o PRESIDENTE DONALD J. TRUMP, podem entrar nesse jogo — e com grande sucesso! Ninguém tocará nesse pedaço sagrado de terra, especialmente porque a segurança nacional dos Estados Unidos e do mundo como um todo está em risco.
Além de tudo isso, Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia viajaram à Groenlândia por motivos desconhecidos. Trata-se de uma situação extremamente perigosa para a segurança, a estabilidade e a sobrevivência do nosso planeta. Esses países, ao entrarem nesse jogo altamente arriscado, colocaram em cena um nível de risco que não é aceitável nem sustentável.
Portanto, para proteger a paz e a segurança globais, é imperativo que sejam adotadas medidas firmes para que essa situação potencialmente perigosa termine rapidamente e sem questionamentos. A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países mencionados acima (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia) serão taxados em 10% sobre quaisquer bens enviados aos Estados Unidos da América. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será elevada para 25%. Essa tarifa será devida e exigível até que seja fechado um acordo para a compra completa e total da Groenlândia.
Os Estados Unidos vêm tentando realizar essa transação há mais de 150 anos. Muitos presidentes tentaram — e por bons motivos —, mas a Dinamarca sempre se recusou. Agora, por causa do Domo Dourado e dos sistemas modernos de armamentos, tanto ofensivos quanto defensivos, a necessidade de adquirir esse território tornou-se especialmente importante. Centenas de bilhões de dólares estão sendo gastos atualmente em programas de segurança relacionados ao “Domo”, incluindo a possível proteção do Canadá, e esse sistema extremamente sofisticado, embora altamente complexo, só pode operar em seu máximo potencial e eficiência, por razões de ângulos, limites e delimitações territoriais, se essa terra estiver incluída.
Os Estados Unidos da América estão imediatamente abertos à negociação com a Dinamarca e/ou com qualquer um desses países que colocaram tanto em risco, apesar de tudo o que fizemos por eles, inclusive oferecendo proteção máxima ao longo de muitas décadas.
Obrigado pela atenção a este assunto!
DONALD J. TRUMP
PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliou a lista de líderes internacionais convidados a integrar o chamado “Conselho da Paz” para a Faixa de Gaza, órgão criado por Washington para conduzir a transição política, a reconstrução e a segurança do território palestino. Entre os convidados anunciados neste sábado estão os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, da Argentina, Javier Milei, da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.
Contexto: Trump nomeia secretário de Estado dos EUA e ex-premier britânico para conselho de paz de Gaza
Ameaça de Trump: Entenda como guerra em Gaza enfraqueceu Irã e por que Venezuela alimenta vulnerabilidade do regime
Lula ainda não aceitou o convite. Ao compartilhar uma imagem da carta-convite, Milei escreveu nas redes sociais que seria “uma honra” participar do conselho. No Canadá, um assessor sênior de Mark Carney indicou que o premier pretende aceitar o convite. Já o ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdelatty, afirmou que o Cairo está “estudando” a solicitação para que al-Sisi se junte ao grupo. Um porta-voz do governo turco disse que Erdogan foi convidado a atuar como “membro fundador”.
Na sexta-feira, Trump já havia nomeado para o conselho o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair como membros fundadores. O republicano também incluiu seu enviado especial, Steve Witkoff, seu genro, Jared Kushner, e o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, entre os membros do “conselho executivo fundador”, composto por sete pessoas. O próprio Trump presidirá o órgão, e espera-se que mais nomeações sejam anunciadas nas próximas semanas, segundo comunicado.
A iniciativa faz parte da visão de Trump para o pós-guerra em Gaza. Na quarta, três meses após a implementação da trégua entre Israel e o grupo terrorista Hamas, os Estados Unidos já haviam determinado o início da segunda fase do plano abrangente de 20 pontos do americano para o enclave. O anúncio, por sua vez, foi feito após o Egito anunciar que foi alcançado um consenso sobre a formação de uma comissão palestina de 15 tecnocratas para administrar o território.
A comissão deverá assumir, por exemplo, a gestão da vida cotidiana e dos serviços essenciais no enclave. O grupo terrorista Hamas, a Jihad Islâmica e outras facções declararam apoio à iniciativa, assim como a Presidência palestina, sediada em Ramallah, na Cisjordânia. Como parte da nova etapa do plano americano, os Estados Unidos devem anunciar formalmente a composição da comissão tecnocrática, que será chefiada por Ali Shaath, ex-vice-ministro do Planejamento da Autoridade Nacional Palestina, natural de Gaza e atualmente na Cisjordânia.
A governança tecnocrática será supervisionada pelo Conselho de Paz, presidido pelo próprio Trump e composto pelos líderes internacionais anunciados. Com cerca de 12 integrantes, o órgão fornecerá orientações estratégicas de alto nível sobre os assuntos relacionados a Gaza. O ex-enviado da ONU para o Oriente Médio e ex-chanceler da Bulgária Nickolay Mladenov foi indicado como alto representante do conselho e deverá atuar como elo entre a comissão e a instância internacional.
Até agora, porém, a lista de nomes pouco faz para dissipar as críticas, vindas de alguns setores, de que o plano do presidente dos Estados Unidos se assemelha, em sua essência, a uma solução colonial imposta aos palestinos sem que eles tenham voz. Ainda há vários pontos em aberto, incluindo quem mais poderá ser incluído e qual será a estrutura exata do que, por ora, é um arranjo bastante complexo. Nenhum nome palestino aparece nos conselhos superiores que foram apresentados.
Impasses permanecem
Apesar do comunicado, a fase dois do plano tem início após a manutenção de um cessar-fogo considerado frágil entre Israel e o Hamas, em vigor desde outubro. Embora o grupo terrorista tenha sinalizado disposição para transferir a prestação de serviços públicos à comissão tecnocrática, ainda não iniciou o desarmamento, ponto central do plano americano. O impasse fez com que pessoas a par das discussões declarassem ao Wall Street Journal que as Forças Armadas de Israel elaboraram planos para uma nova operação terrestre em Gaza.
Por outro lado, Israel tem realizado ataques no enclave que já deixaram mais de 440 mortes desde o início do cessar-fogo. Em relatório divulgado na segunda, o Fundo da ONU para a Infância (Unicef) indicou que pelo menos 100 menores estão entre os mortos, a grande maioria por ataques aéreos. “A vida em Gaza continua sufocante. A sobrevivência ainda é condicionada. Embora os bombardeios tenham diminuído durante o cessar-fogo, eles não pararam”, diz o relatório.
O Hamas, por sua vez, tem concentrado seus esforços na reconstrução de capacidades militares perdidas durante a guerra, incluindo partes de sua infraestrutura de túneis danificada, disseram autoridades árabes e israelenses ao veículo. O grupo ainda recebeu um novo influxo de recursos financeiros, o que voltou a permitir o pagamento regular de salários a seus combatentes. E, ainda que a trégua tenha sido em grande parte mantida, os esforços dos Estados Unidos para convencer países a enviar forças de paz para Gaza encontraram poucos interessados.
— [Anunciar a comissão] pode refletir um desejo de mostrar progresso, dado que o avanço em outras frentes tem sido difícil — disse ao New York Times Michael Koplow, analista do Israel Policy Forum, um centro de pesquisa com sede em Nova York. — Parece, para mim, que muito disso é apenas para mostrar que estão fazendo alguma coisa.
Pós-cessar-fogo
O cessar-fogo firmado em outubro passado encerrou dois anos de combates intensos entre as partes, que deixaram mais de 70 mil palestinos mortos e o enclave em ruínas. Um retorno à guerra teria consequências graves para cerca de dois milhões de palestinos em Gaza, a maioria deslocada ao longo do conflito e muitos vivendo em acampamentos de tendas ou abrigos improvisados. Com a primeira fase do plano, o território ficou dividido: Israel passou a controlar pouco mais de 50% da área, enquanto o Hamas controla o restante.
Desde então, o Hamas intensificou a repressão a opositores e avançou para reforçar seu controle sobre Gaza. O grupo vem nomeando novos comandantes para substituir os que foram mortos e vem recompondo seus cofres com acesso a dinheiro armazenado em túneis, arrecadação de impostos e um novo fluxo de recursos do Irã, disseram as autoridades. Caso decida atacar novamente, analistas de segurança israelenses dizem que Israel pode optar por uma invasão em grande escala da Cidade de Gaza numa tentativa de forçar uma rendição rápida do Hamas, ou avançar de forma gradual, tomando o controle do território aos poucos.
Embora autoridades israelenses digam que não há previsões imediatas para uma incursão militar em Gaza sob controle do Hamas e que Israel está disposto a dar tempo para que o plano americano avance, os planos antecipados ao WSJ indicam a possibilidade de retomada dos combates. O movimento ocorre no momento em que o Estado judeu avalia uma nova rodada de confrontos com o grupo libanês Hezbollah e com o Irã, que estaria buscando reconstruir seu programa de mísseis balísticos após a guerra de 12 dias em junho passado.
Analistas de segurança israelenses observam, no entanto, que Israel terá de decidir a quais frentes de batalha dará prioridade. Combater o Hamas agora seria mais fácil para Israel porque não há mais a preocupação com a segurança de reféns, afirmou ao WSJ Erez Winner, que ocupou um cargo sênior de planejamento nas Forças Armadas israelenses durante a maior parte da guerra em Gaza e hoje é pesquisador no Israel Centre for Grand Strategy. Israel também poderia oferecer segurança aos palestinos no lado de Gaza controlado pelo governo israelense.
O Hamas concordou, em princípio, com o desarmamento no âmbito do plano de paz de Trump, e caberá ao Conselho de Paz e ao governo tecnocrático palestino decidir o que constitui esse desarmamento — se ele inclui, por exemplo, armas leves — e como ele será implementado, segundo uma fonte familiarizada com o tema. Este não é, no entanto, o único ponto que deveria ter sido resolvido antes do avanço para a segunda etapa da proposta americana: Israel ainda não abriu a passagem de Rafah, na fronteira entre Gaza e o Egito, para permitir a entrada e saída de palestinos do enclave, e o corpo do último refém israelense morto que permanece em Gaza ainda não foi devolvido.
— Enquanto o Hamas continuar mantendo o controle da segurança, há limites para o que a comissão pode fazer — disse Ghaith al-Omari, pesquisador sênior do Washington Institute for Near East Policy, acrescentando que os tecnocratas enfrentarão enorme pressão dos palestinos por avanços, que podem depender do afrouxamento, por Israel, das restrições à entrada de suprimentos no enclave. — Para que a comissão opere e ganhe alguma credibilidade, ele precisa entregar resultados. Não está claro para mim se os israelenses vão colaborar.
(Com agências internacionais)
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou neste sábado uma nota em que comemora o avanço do Acordo de Associação entre o Mercosul e a União Europeia. Em nota, o Poder Executivo disse que o acordo “representa marco histórico para as relações entre os dois blocos”.
Lula foi o único chefe de Estado do bloco sul-americano que não esteve presente no ato de assinatura do acordo, realizado mais cedo neste sábado, em Assunção, capital do Paraguai. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representou o Brasil.
“A assinatura do Acordo de Parceria MERCOSUL-União Europeia, realizada hoje (17/1) em Assunção, representa marco histórico para as relações entre os dois blocos. Fruto de mais de 26 anos de negociações, o Acordo criará uma área de livre comércio com cerca de 720 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) de mais de US$ 22 trilhões”, disse em nota o governo brasileiro.
O texto é assinado pelos ministérios de Relações Exteriores, de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e pelo de Agricultura e Pecuária.
“O Acordo de Parceria MERCOSUL – União Europeia é emblemático do esforço empreendido pelo governo do Presidente Lula para ampliar e diversificar mercados e gerar emprego, renda e desenvolvimento para o país”, diz ainda o texto.
Nessa sexta-feira, Lula foi ao Rio de Janeiro receber a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em um encontro simbólico para antecipar politicamente o desfecho do acordo e reforçar o protagonismo brasileiro na negociação. Ao lado da dirigente europeia, o presidente classificou o processo como resultado de “mais de 25 anos de sofrimento e tentativa” e destacou o alcance do tratado.
A União Europeia manteve, em 2025, a posição de segundo maior parceiro comercial do Brasil, respondendo por 14,3% das exportações brasileiras e 17,9% das importações, segundo dados compilados pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).
A entrada em vigor do tratado deverá ocorrer em etapas. A parte estritamente comercial poderá ser aplicada provisoriamente após aprovação do Parlamento Europeu e decisão do Conselho da União Europeia.
No Mercosul, sua vigência dependerá da ratificação pelos respectivos parlamentos nacionais.
Já o pilar político do acordo, que abrange temas como democracia, multilateralismo e cooperação institucional, precisará ser submetido aos legislativos dos 27 países da União Europeia.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliou a lista de líderes internacionais convidados a integrar o chamado “Conselho da Paz” para a Faixa de Gaza, órgão criado por Washington para conduzir a transição política, a reconstrução e a segurança do território palestino. Entre os convidados anunciados neste sábado estão os presidentes da Argentina, Javier Milei, da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.
Contexto: Trump nomeia secretário de Estado dos EUA e ex-premier britânico para conselho de paz de Gaza
Ameaça de Trump: Entenda como guerra em Gaza enfraqueceu Irã e por que Venezuela alimenta vulnerabilidade do regime
Ao compartilhar uma imagem da carta-convite, Milei escreveu nas redes sociais que seria “uma honra” participar do conselho. No Canadá, um assessor sênior de Mark Carney indicou que o premier pretende aceitar o convite. Já o ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdelatty, afirmou que o Cairo está “estudando” a solicitação para que al-Sisi se junte ao grupo. Um porta-voz do governo turco disse que Erdogan foi convidado a atuar como “membro fundador”.
Na sexta-feira, Trump já havia nomeado para o conselho o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair como membros fundadores. O republicano também incluiu seu enviado especial, Steve Witkoff, seu genro, Jared Kushner, e o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, entre os membros do “conselho executivo fundador”, composto por sete pessoas. O próprio Trump presidirá o órgão, e espera-se que mais nomeações sejam anunciadas nas próximas semanas, segundo comunicado.
A iniciativa faz parte da visão de Trump para o pós-guerra em Gaza. Na quarta, três meses após a implementação da trégua entre Israel e o grupo terrorista Hamas, os Estados Unidos já haviam determinado o início da segunda fase do plano abrangente de 20 pontos do americano para o enclave. O anúncio, por sua vez, foi feito após o Egito anunciar que foi alcançado um consenso sobre a formação de uma comissão palestina de 15 tecnocratas para administrar o território.
A comissão deverá assumir, por exemplo, a gestão da vida cotidiana e dos serviços essenciais no enclave. O grupo terrorista Hamas, a Jihad Islâmica e outras facções declararam apoio à iniciativa, assim como a Presidência palestina, sediada em Ramallah, na Cisjordânia. Como parte da nova etapa do plano americano, os Estados Unidos devem anunciar formalmente a composição da comissão tecnocrática, que será chefiada por Ali Shaath, ex-vice-ministro do Planejamento da Autoridade Nacional Palestina, natural de Gaza e atualmente na Cisjordânia.
A governança tecnocrática será supervisionada pelo Conselho de Paz, presidido pelo próprio Trump e composto pelos líderes internacionais anunciados. Com cerca de 12 integrantes, o órgão fornecerá orientações estratégicas de alto nível sobre os assuntos relacionados a Gaza. O ex-enviado da ONU para o Oriente Médio e ex-chanceler da Bulgária Nickolay Mladenov foi indicado como alto representante do conselho e deverá atuar como elo entre a comissão e a instância internacional.
Até agora, porém, a lista de nomes pouco faz para dissipar as críticas, vindas de alguns setores, de que o plano do presidente dos Estados Unidos se assemelha, em sua essência, a uma solução colonial imposta aos palestinos sem que eles tenham voz. Ainda há vários pontos em aberto, incluindo quem mais poderá ser incluído e qual será a estrutura exata do que, por ora, é um arranjo bastante complexo. Nenhum nome palestino aparece nos conselhos superiores que foram apresentados.
Impasses permanecem
Apesar do comunicado, a fase dois do plano tem início após a manutenção de um cessar-fogo considerado frágil entre Israel e o Hamas, em vigor desde outubro. Embora o grupo terrorista tenha sinalizado disposição para transferir a prestação de serviços públicos à comissão tecnocrática, ainda não iniciou o desarmamento, ponto central do plano americano. O impasse fez com que pessoas a par das discussões declarassem ao Wall Street Journal que as Forças Armadas de Israel elaboraram planos para uma nova operação terrestre em Gaza.
Por outro lado, Israel tem realizado ataques no enclave que já deixaram mais de 440 mortes desde o início do cessar-fogo. Em relatório divulgado na segunda, o Fundo da ONU para a Infância (Unicef) indicou que pelo menos 100 menores estão entre os mortos, a grande maioria por ataques aéreos. “A vida em Gaza continua sufocante. A sobrevivência ainda é condicionada. Embora os bombardeios tenham diminuído durante o cessar-fogo, eles não pararam”, diz o relatório.
O Hamas, por sua vez, tem concentrado seus esforços na reconstrução de capacidades militares perdidas durante a guerra, incluindo partes de sua infraestrutura de túneis danificada, disseram autoridades árabes e israelenses ao veículo. O grupo ainda recebeu um novo influxo de recursos financeiros, o que voltou a permitir o pagamento regular de salários a seus combatentes. E, ainda que a trégua tenha sido em grande parte mantida, os esforços dos Estados Unidos para convencer países a enviar forças de paz para Gaza encontraram poucos interessados.
— [Anunciar a comissão] pode refletir um desejo de mostrar progresso, dado que o avanço em outras frentes tem sido difícil — disse ao New York Times Michael Koplow, analista do Israel Policy Forum, um centro de pesquisa com sede em Nova York. — Parece, para mim, que muito disso é apenas para mostrar que estão fazendo alguma coisa.
Pós-cessar-fogo
O cessar-fogo firmado em outubro passado encerrou dois anos de combates intensos entre as partes, que deixaram mais de 70 mil palestinos mortos e o enclave em ruínas. Um retorno à guerra teria consequências graves para cerca de dois milhões de palestinos em Gaza, a maioria deslocada ao longo do conflito e muitos vivendo em acampamentos de tendas ou abrigos improvisados. Com a primeira fase do plano, o território ficou dividido: Israel passou a controlar pouco mais de 50% da área, enquanto o Hamas controla o restante.
Desde então, o Hamas intensificou a repressão a opositores e avançou para reforçar seu controle sobre Gaza. O grupo vem nomeando novos comandantes para substituir os que foram mortos e vem recompondo seus cofres com acesso a dinheiro armazenado em túneis, arrecadação de impostos e um novo fluxo de recursos do Irã, disseram as autoridades. Caso decida atacar novamente, analistas de segurança israelenses dizem que Israel pode optar por uma invasão em grande escala da Cidade de Gaza numa tentativa de forçar uma rendição rápida do Hamas, ou avançar de forma gradual, tomando o controle do território aos poucos.
Embora autoridades israelenses digam que não há previsões imediatas para uma incursão militar em Gaza sob controle do Hamas e que Israel está disposto a dar tempo para que o plano americano avance, os planos antecipados ao WSJ indicam a possibilidade de retomada dos combates. O movimento ocorre no momento em que o Estado judeu avalia uma nova rodada de confrontos com o grupo libanês Hezbollah e com o Irã, que estaria buscando reconstruir seu programa de mísseis balísticos após a guerra de 12 dias em junho passado.
Analistas de segurança israelenses observam, no entanto, que Israel terá de decidir a quais frentes de batalha dará prioridade. Combater o Hamas agora seria mais fácil para Israel porque não há mais a preocupação com a segurança de reféns, afirmou ao WSJ Erez Winner, que ocupou um cargo sênior de planejamento nas Forças Armadas israelenses durante a maior parte da guerra em Gaza e hoje é pesquisador no Israel Centre for Grand Strategy. Israel também poderia oferecer segurança aos palestinos no lado de Gaza controlado pelo governo israelense.
O Hamas concordou, em princípio, com o desarmamento no âmbito do plano de paz de Trump, e caberá ao Conselho de Paz e ao governo tecnocrático palestino decidir o que constitui esse desarmamento — se ele inclui, por exemplo, armas leves — e como ele será implementado, segundo uma fonte familiarizada com o tema. Este não é, no entanto, o único ponto que deveria ter sido resolvido antes do avanço para a segunda etapa da proposta americana: Israel ainda não abriu a passagem de Rafah, na fronteira entre Gaza e o Egito, para permitir a entrada e saída de palestinos do enclave, e o corpo do último refém israelense morto que permanece em Gaza ainda não foi devolvido.
— Enquanto o Hamas continuar mantendo o controle da segurança, há limites para o que a comissão pode fazer — disse Ghaith al-Omari, pesquisador sênior do Washington Institute for Near East Policy, acrescentando que os tecnocratas enfrentarão enorme pressão dos palestinos por avanços, que podem depender do afrouxamento, por Israel, das restrições à entrada de suprimentos no enclave. — Para que a comissão opere e ganhe alguma credibilidade, ele precisa entregar resultados. Não está claro para mim se os israelenses vão colaborar.
(Com agências internacionais)
As autoridades da Indonésia iniciaram, neste sábado (17), as buscas por um avião de pequeno porte com 10 pessoas a bordo após a perda de contato enquanto a aeronave sobrevoava o leste do país, informaram à AFP os responsáveis pelas equipes de resgate.
Mulher ateia fogo ao próprio corpo em delegacia após prisão de filho e morre nove dias depois
Mulher de 70 anos morre após passar por montanha-russa na Universal Orlando
O avião, pertencente à companhia Indonesia Air Transport, seguia para Makassar, no sul da ilha de Celebes, depois de ter decolado de Yogyakarta, na ilha de Java. A bordo estavam três passageiros e sete tripulantes.
Último registro
O contato com a aeronave foi perdido pouco depois das 13h no horário local (3h da madrugada em Brasília), segundo as autoridades.
A aeronave é um ATR 42-500, de acordo com a ATR, fabricante francesa especializada em aviões regionais turboélice, com sede em Toulouse.
“Os peritos da ATR estão totalmente empenhados em colaborar com as autoridades indonésias e com a companhia aérea”, afirmou a empresa francesa em comunicado oficial.
Operação de busca
O chefe da agência local de busca e resgate, Muhammad Arif Anwar, informou que as equipes foram mobilizadas para uma área montanhosa da região de Maros, a cerca de 42 quilômetros de Makassar, com base na última posição conhecida do avião. Segundo ele, a operação envolve a Força Aérea, a polícia e voluntários.
Devido à sua vasta extensão territorial e ao caráter insular, a Indonésia depende fortemente do transporte aéreo para conectar suas ilhas.
Histórico de segurança
O país, no entanto, apresenta um histórico frágil em segurança aérea. Em setembro de 2025, um helicóptero com seis passageiros e dois tripulantes caiu pouco depois de decolar do sul da ilha de Bornéu, sem sobreviventes.
Menos de duas semanas depois, quatro pessoas morreram na queda de outro helicóptero no distrito de Ilaga, na ilha da Papua.
Uma estudante de 13 anos morreu após um incêndio atingir o quarto onde dormia, em uma casa em Prescot, no Reino Unido. Layla Allen foi encontrada sem vida pelos bombeiros no topo de um beliche, durante a madrugada, depois que o imóvel foi tomado pelas chamas. O caso foi analisado em um inquérito oficial nesta semana, que terminou com conclusão inconclusiva sobre a origem do fogo.
Mulher de 70 anos morre após passar por montanha-russa na Universal Orlando
Os bombeiros foram acionados para a residência e procuraram por Layla, a única integrante da família que ainda estava dentro da casa em chamas. Os pais, Shaun Allen e Michelle McGurry, e os cinco irmãos da adolescente conseguiram escapar. Layla, aluna do 8º ano da St Edmund Arrowsmith School, em Whiston, foi declarada morta no local.
Investigação aponta início do fogo no beliche
Segundo a oficial de investigação do Serviço de Bombeiros e Resgate de Merseyside, Ruth Baller-Wilson, o padrão da queimada indica que o incêndio começou no beliche, mais especificamente na cama superior, espalhando-se pela roupa de cama antes de atingir o colchão. A propagação das chamas teria sido favorecida pelo oxigênio que entrava por uma janela aberta ao lado da cama. Todas as fontes comuns de ignição foram descartadas, com exceção de uma chama exposta, como a de um isqueiro.
Dois isqueiros descartáveis foram encontrados na casa, embora os pais tenham afirmado que não lhes pertenciam. A Polícia de Merseyside informou não haver indícios de envolvimento de terceiros externos à residência. De acordo com Baller-Wilson, Layla foi encontrada deitada de costas, o que reforça a hipótese de que estivesse dormindo quando o fogo começou.
O exame post-mortem apontou que a causa da morte foram os efeitos do incêndio, com altos níveis de monóxido de carbono nos pulmões. A investigadora afirmou que, caso a adolescente estivesse acordada, não haveria um motivo aparente para que não conseguisse sair do beliche e tentar escapar, o que também sustenta a possibilidade de que ela dormia no momento do início do fogo.
A legista Anita Bhardwaj explicou que a apuração foi limitada pela impossibilidade de ouvir as outras crianças que estavam na casa. Segundo ela, entrevistas poderiam causar sofrimento adicional aos menores, posição respaldada pelos pais e pelos serviços de proteção à criança, o que impediu a coleta de novos depoimentos e provas, conforme relatado pelo Liverpool Echo.
Ao encerrar o inquérito, Bhardwaj declarou o veredito como inconclusivo, afirmando que não havia elementos suficientes para apontar quem iniciou o incêndio ou como exatamente ele começou. A legista também destacou a preocupação com o fato de aquele ter sido o segundo incêndio registrado na mesma casa em cerca de um ano, novamente envolvendo isqueiros, desta vez com um desfecho fatal.
Milhares de pessoas foram às ruas de Copenhague neste sábado para protestar contra a intenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de assumir o controle da Groenlândia, território autônomo sob soberania dinamarquesa. Sob um céu cinzento, manifestantes com bandeiras da Dinamarca e da Groenlândia ocuparam a praça da prefeitura da capital, formando uma maré vermelha e branca, segundo jornalistas da AFP.
Comércio, minérios e estratégia: Impacto de mudança climática na Groenlândia aumenta interesse dos EUA por território
Pressão: Trump ameaça impor tarifas a países que não apoiam seu plano de anexação da Groenlândia
Cartazes exibiam frases como “Os Estados Unidos já têm gelo suficiente” e “Make America Go Away” (“Faça os Estados Unidos irem embora”), em alusão ao slogan de campanha de Trump, “Make America Great Again”. Atos semelhantes também foram convocados em outras cidades do país escandinavo.
— É importante estar aqui porque isso diz respeito ao direito do povo groenlandês de decidir seu próprio futuro. Não podemos nos deixar intimidar por um Estado, nem mesmo por um aliado. Trata-se de uma questão de direito internacional — afirmou à AFP Kirsten Hjoernholm, de 52 anos, funcionária da ONG ActionAid Dinamarca, que participou do protesto em Copenhague.
A manifestação foi organizada pelo movimento Uagut, pelo grupo cidadão “Mãos fora da Groenlândia!” e por um coletivo Inuit que reúne associações locais groenlandesas. Os organizadores buscaram aproveitar a presença de uma delegação bipartidária do Congresso americano na capital dinamarquesa para dar visibilidade às reivindicações.
Entenda: Envio de tropas por aliados europeus da Otan para a Groenlândia atrai críticas da Rússia e dos EUA
Desde que voltou ao poder, há um ano, Trump tem reiterado a ambição de assumir o controle da Groenlândia, considerada estratégica no contexto do Ártico e pouco povoada. O presidente afirmou que isso ocorreria “de uma forma ou de outra”, alegando a necessidade de conter a influência da Rússia e da China na região. Na sexta-feira, o assessor da Casa Branca Stephen Miller reafirmou o interesse americano pela ilha.
— A Groenlândia é tão grande quanto um quarto dos Estados Unidos. A Dinamarca, sem querer faltar com respeito, é um país pequeno, com uma economia pequena e um Exército pequeno. Não pode defender a Groenlândia — disse em entrevista à Fox News.
Na quarta-feira, autoridades dinamarquesas se reuniram em Washington e concluíram que, por ora, não há condições para um acordo com o governo americano. Em resposta às declarações de Trump, líderes europeus manifestaram apoio à Dinamarca, membro fundador da Otan, e uma missão militar europeia foi enviada à Groenlândia para atividades de reconhecimento.
Na sexta-feira, Trump voltou a pressionar aliados ao afirmar que pretende impor tarifas a países que não apoiem seus planos em relação ao território.
‘Menos que isso é inaceitável’: Trump diz que Otan deve colaborar com transferência da Groenlândia para os EUA
“Os acontecimentos recentes colocaram a Groenlândia e os groenlandeses sob pressão, tanto na ilha quanto na Dinamarca”, afirmou Julie Rademacher, presidente do movimento Uagut, em comunicado enviado à AFP. Segundo ela, o aumento das tensões pode gerar mais problemas do que soluções.
Também foi convocado um protesto em Nuuk, capital da Groenlândia. Na página do evento no Facebook, cerca de 900 pessoas confirmaram presença, em um território com aproximadamente 57 mil habitantes. Pesquisa realizada em janeiro de 2025 mostrou que 85% dos groenlandeses rejeitam a ideia de integrar os Estados Unidos.
Neste sábado, último dia da visita da delegação americana a Copenhague, parlamentares do Congresso reafirmaram apoio à Dinamarca e à Groenlândia. O senador democrata Chris Coons, que lidera o grupo, destacou à imprensa os “225 anos” de aliança entre os dois países e afirmou que “não há ameaças imediatas” à segurança da Groenlândia.
— Compartilhamos, no entanto, preocupações reais com a segurança no Ártico no futuro — disse, defendendo a necessidade de ampliar investimentos na proteção da região.
Dez mil soldados foram enviados na sexta-feira a três províncias costeiras do Equador para reforçar a luta contra a violência de grupos do narcotráfico. O governo do presidente Daniel Noboa está determinado a agir com rigor contra esses grupos, no momento em que o país registra recordes de homicídios e outros crimes.
Destino turístico popular: Cinco cabeças humanas são encontradas expostas em praia no Equador
Entenda: Entre críticas e elogios, reações a ataques na Venezuela expõem disputas políticas e prioridades locais
Centenas de soldados de forças especiais chegaram ao aeroporto de Guayaquil para “reforçar as operações de segurança” nas províncias vizinhas de Guayas, Manabí e Los Ríos, informou o general Mauro Bedoya, da Força Aérea Equatoriana. Ali se intensificou a guerra entre organizações do narcotráfico ligadas a cartéis internacionais, que disputam entre si o negócio das drogas.
Bedoya informou que militares também desembarcaram em Manta, onde fica o principal porto pesqueiro do país, e que registra níveis elevados de violência.
Devido ao pico de homicídios nos últimos dias, Noboa suspendeu suas férias e se reuniu com ministros da área de segurança e comandantes militares e policiais na sede da Presidência.
O centro colonial de Quito permanece sob forte vigilância. “A prisão ou o inferno para quem ameaçar a segurança”, diz um comunicado divulgado pelo Ministério da Defesa, cujo titular, Gian Carlo Loffredo, ordenou que o comando militar opere por tempo indefinido a partir de Guayaquil, onde militares inspecionam os portos, estratégicos para o narcotráfico.
Relembre o histórico: Última intervenção militar dos EUA na América Latina foi em 1989
O Equador está localizado entre a Colômbia e o Peru, maiores produtores mundiais de cocaína. Até uma década atrás, o Equador era um país tranquilo, mas se tornou o mais violento da região, com 52 homicídios a cada 100 mil habitantes em 2025, ou um por hora, segundo o Observatório Equatoriano de Crime Organizado.
Em novembro, um novo relatório da consultoria International Crisis Group (ICG) revelou que o Equador vive sua pior crise de segurança em décadas, consolidando-se como um dos principais centros do narcotráfico para a Europa. A publicação, intitulada “Paradise Lost? Ecuador’s Battle with Organised Crime” (Paraíso Perdido? A batalha do Equador contra o crime organizado, em tradução livre), mostra que, sem sinais de diminuição da violência, o governo pretende intensificar sua postura repressiva, ampliando a cooperação com as Forças Armadas dos Estados Unidos e empresas de segurança privada. A relação do presidente equatoriano, Daniel Noboa, com o americano, Donald Trump, isenta-o da pressão militar de Washington, como a exercida sobre a vizinha Venezuela, ou ainda de sanções, como as aplicadas sobre o chefe de Estado colombiano, Gustavo Petro.
Segundo a ICG, o país tornou-se o mais violento da América do Sul em menos de uma década. O relatório associa a explosão da criminalidade à reconfiguração das rotas do tráfico após o acordo de paz na Colômbia em 2016, que “favoreceram a transformação do Equador em uma plataforma de exportação de drogas” — especialmente dos portos do Pacífico, como Guayaquil, hoje um dos principais pontos de saída dos traficantes rumo à Europa e aos Estados Unidos.
Onda de violência: Seis pessoas, incluindo um bebê, morrem em ataque armado em praia do Equador
O documento descreveu um cenário de colapso institucional e corrupção generalizada em portos, forças de segurança e no sistema prisional, que se transformou em um dos principais centros de comando das facções. Massacres dentro das penitenciárias — mais de 500 mortos desde 2021 — revelam, segundo a ICG, o domínio de gangues como Los Choneros e Los Lobos, que controlam alas inteiras e administram extorsões e tráfico a partir das celas.
O relatório reconheceu que o governo Noboa conseguiu reduzir brevemente os homicídios em 2024, mas alerta que a violência voltou a crescer neste ano, alcançando níveis recordes. A estratégia de recorrer às Forças Armadas em comunidades e presídios, afirma a ICG, tem tido efeitos efêmeros e colaterais graves, como denúncias de detenções arbitrárias e execuções extrajudiciais.
O texto ainda apontou que a militarização, somada ao enfraquecimento de instituições civis e cortes em programas sociais desde 2017, deixou comunidades pobres vulneráveis ao recrutamento por gangues. A organização recomenda que Quito “deveria fazer mais para levar serviços públicos e oportunidades econômicas lícitas aos bairros afetados pela criminalidade, ao mesmo tempo que combate a corrupção, que contribui para a onda de crimes”. (Com AFP)
Uma mulher de 70 anos morreu após andar na montanha-russa Revenge of the Mummy, no parque temático Universal Orlando, na Flórida, segundo registros oficiais divulgados nesta sexta-feira (16). A vítima, que não teve o nome revelado, foi encontrada inconsciente logo após completar o percurso da atração, em 25 de novembro, e levada às pressas para um hospital, onde não resistiu.
De acordo com o relatório, a causa da morte não foi informada. No entanto, documentos apontam que, entre outubro e dezembro, ao menos outros oito ferimentos ou episódios médicos foram registrados no parque. A Revenge of the Mummy, inaugurada em 2004, atinge velocidades de até 72 km/h e já esteve associada a 21 incidentes ao longo de sua operação, incluindo relatos de convulsão, fratura vertebral, além de casos de náusea e tontura.
Histórico recente de ocorrências
De acordo com o The Sun, o episódio ocorre meses após a morte de Kevin Zavala, de 32 anos, que passou mal após andar na montanha-russa Stardust Racers, no Epic Universe, novo parque da Universal. Zavala foi encontrado inconsciente em 17 de setembro e morreu no hospital em decorrência de “múltiplos traumatismos contundentes”, segundo legistas, que classificaram o caso como acidente. Ainda assim, a polícia do Condado de Orange abriu uma investigação por homicídio culposo para apurar possível negligência. Em nota, a corporação afirmou que esse tipo de inquérito é padrão em mortes não naturais, mesmo quando inicialmente tratadas como acidentais.
Casos semelhantes também foram registrados fora dos Estados Unidos. Na Suécia, uma mulher de cerca de 30 anos morreu após cair de uma montanha-russa com defeito no parque Gröna Lund, acidente que deixou outras oito pessoas feridas. Imagens de câmeras de segurança mostraram a vítima despencando durante o trajeto, a cerca de 96 km/h, enquanto visitantes reagiam em choque. Já na Alemanha, em 2024, um operário de 20 anos morreu durante testes da montanha-russa Olympia Looping na Oktoberfest. Segundo as autoridades locais, o jovem foi atingido na cabeça quando o brinquedo alcançou velocidade máxima, e a investigação não identificou falhas técnicas.
Especialistas em segurança de parques destacam que, apesar de estatisticamente raros, episódios desse tipo reforçam a necessidade de avaliações médicas prévias, manutenção rigorosa das atrações e protocolos claros para resposta rápida a emergências.

Assine nossa newsletter

e seja avisado quando surgirem novos artigos

Copyright ® 2025 - Todos os Direitos Reservados

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e está sujeito à Política de Privacidade e aos Termos de Uso do Google.

plugins premium WordPress