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Os restos de um raro “super navio” medieval foram descobertos na costa da Dinamarca e já são considerados um marco da arqueologia marítima. Trata-se da maior coca — principal embarcação de carga da Idade Média — já encontrada no mundo, com cerca de 28 metros de comprimento, nove metros de largura e capacidade estimada para transportar até 300 toneladas de mercadorias. O navio tem aproximadamente 600 anos e data do início do século XV.
Batizado de Svælget 2, em referência ao canal onde foi localizado, o naufrágio está excepcionalmente bem preservado graças a uma camada de areia que o manteve protegido das correntes e da ação do tempo, a uma profundidade de 13 metros. A conservação permitiu identificar detalhes estruturais raramente observados, como vestígios do cordame e as extensas ruínas de um castelo de popa — uma espécie de convés coberto que oferecia abrigo à tripulação.
Vida a bordo e avanços tecnológicos
Durante as escavações, mergulhadores encontraram objetos pessoais como pratos de madeira pintados, sapatos, pentes e terços, além de utensílios domésticos, oferecendo um retrato direto do cotidiano dos marinheiros no século XV. Também foram identificados restos de provisões, como peixe e carne, e peças de madeira finamente cortadas que podem ter sido usadas na preparação de bacalhau seco.
Uma das descobertas mais surpreendentes foi a cozinha de tijolos do navio, considerada a mais antiga desse tipo já encontrada em águas dinamarquesas. Composta por cerca de 200 tijolos e 15 telhas, a estrutura permitia cozinhar em fogo aberto. No local, arqueólogos localizaram panelas de bronze, tigelas de cerâmica e utensílios de mesa. Segundo o líder da escavação, Otto Uldum, do Museu de Navios Vikings, a presença da galera indica um nível de conforto e organização incomum para a época, aproximando a alimentação a bordo da rotina em terra firme.
Uma panela encontrada nos destroços de um navio medieval. Especialistas descreveram a descoberta como um “marco para a arqueologia marítima”
Divulgação/Viking Ship Museum
“A descoberta é um marco para a arqueologia marítima. É a maior coca que conhecemos e nos dá uma oportunidade única de entender tanto a construção quanto a vida a bordo dos maiores navios mercantes da Idade Média”, afirmou Uldum. Ele destacou ainda que os castelos — plataformas de madeira nas extremidades do navio — eram conhecidos apenas por ilustrações históricas e nunca haviam sido documentados arqueologicamente.
Especialistas explicam que as cocas eram embarcações eficientes, capazes de transportar grandes volumes de carga com tripulações relativamente pequenas. Esses navios eram fundamentais nas rotas comerciais que ligavam a atual Holanda, contornavam a região de Skagen e seguiam pelo Estreito de Øresund até as cidades do Mar Báltico.
Mergulhadores descobriram até mesmo pratos de madeira pintados, sapatos, pentes e terços, oferecendo um vislumbre da vida da tripulação a bordo
Divulgação/Viking Ship Museum
Apesar da dimensão do navio, nenhum vestígio direto da carga foi encontrado. Os pesquisadores acreditam que mercadorias como sal, tecidos ou madeira teriam se dispersado no momento do naufrágio, já que o porão não era coberto. A ausência de lastro sugere que o Svælget 2 estava carregado até o limite, reforçando sua função estritamente mercante, sem indícios de uso militar.
Os componentes do navio passam agora por um processo de conservação no Museu Nacional de Brede. Para Uldum, o achado confirma que as cocas podiam atingir proporções muito maiores do que se imaginava. “O Svælget 2 nos oferece uma peça tangível do quebra-cabeça e ajuda a entender como tecnologia e sociedade evoluíram juntas em uma época em que o transporte marítimo era a espinha dorsal do comércio internacional”, concluiu.
A União Europeia fará uma reunião de emergência neste domingo (18) para discutir as tarifas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra os países que apoiaram a Groenlândia diante das ameaças americanas.
No sábado, Trump anunciou que vai taxar em 10%, a partir de 1º de fevereiro, produtos de países europeus que se uniram em apoio à Groenlândia diante das ameaças do republicano de anexar o território semiautônomo dinamarquês. Trump acrescentou que as tarifas aumentariam para 25% a menos que “um acordo seja alcançado para a compra completa e total da Groenlândia”.
“Integridade territorial e soberania são princípios fundamentais da lei internacional. Eles são essenciais para a Europa e para a comunidade internacional como um todo”, afirmaram António Costa e Ursula von der Leyen, líderes do Conselho Europeu, em um comunicado oficial. “As tarifas prejudicariam as relações transatlânticas e poderiam desencadear uma espiral descendente perigosa. A Europa permanecerá unida, coordenada e comprometida com a defesa de sua soberania.”
A reunião entre os representantes dos 27 países da União Europeia vai acontecer no Chipre, às 17h (12h, no horário de Brasília).
Em seu retorno ao poder, Donald Trump investiu muito mais na redefinição da política externa dos Estados Unidos do que o previsto. Eleito por uma coalizão conservadora com base isolacionista, no primeiro ano do Trump 2.0 o republicano bombardeou o Irã e alvos do Estado Islâmico. Na América Latina, pairou em pleitos na Argentina, Chile, Bolívia e Honduras, questionou decisões do Judiciário brasileiro, atacou embarcações no Caribe e no Pacífico que causaram a morte de ao menos 107 pessoas e, no último dia 3, ordenou a captura cinematográfica do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e de sua esposa, Cilia Flores, presos em Nova York, acusados de narcoterrorismo.
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O ataque inédito de Washington a um país sul-americano não foi precedido por consultas ao Conselho de Segurança das Nações Unidas ou ao Capitólio. Após comunicar que gerenciaria Caracas de Washington, Trump já ameaçou Cuba, Colômbia, México, Groenlândia e Irã. Ao New York Times, o presidente dos EUA, que na terça-feira completa um ano de seu segundo mandato e acaba de anunciar a retirada do país de 66 organismos internacionais, sintetizou seu desdém pelo multilateralismo: “Não preciso do direito internacional”.
Pesquisador-chefe da ONG Centro de Ética e Políticas Públicas, Henry Olsen destacou ao The Guardian o peso das movimentações além-fronteira de Washington: “Não esperava que o Trump 2.0 fosse mais definido pela seara externa do que pela interna. Foi o caso.” Ao GLOBO, Michael Montgomery, catedrático da Universidade de Michigan-Dearborn, destacou o maior protagonismo do secretário de Estado, Marco Rubio, com consequências diretas para a América Latina.
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Foi o ex-senador descendente de cubanos, defende Montgomery, quem avançou mais casas no Trump 2.0, com força consolidada após o anúncio, mês passado, da nova Estratégia de Segurança Nacional. Com o corolário Trump à Doutrina Monroe, a da “América para os americanos”, o documento, apelidado de Doutrina Donroe, redireciona a atenção militar e econômica dos EUA para o Hemisfério Ocidental, o que foi posto à prova com sucesso, pela ótica da Casa Branca, na captura de Maduro e Flores.
Rubio, que acumula o comando da diplomacia americana com o Conselho de Segurança Nacional, foi central na argumentação, sem provas, de que os ataques na região são respostas ao tráfico de drogas e à imigração ilegal para os EUA, demandas da Justiça americana. A apresentação de um esboço de plano pós-Maduro que prioriza a exploração econômica, com o chavismo no poder, e deixa como coadjuvante a redemocratização da Venezuela, enfatiza o contraste entre o realismo predador trumpista e as custosas ocupações de Iraque e Afeganistão, condenadas pelo movimento Façam os EUA Grandes Novamente (Maga, na sigla em inglês).
– Se alguém saiu mais forte no primeiro ano do Trump 2.0, foi Rubio — afirmou o acadêmico.
Veja, abaixo, as principais características da política externa do republicano no primeiro ano do segundo mandato.
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UM ANO DE TRUMP 2.0 NO MUNDO

UNILITERALISMO E ZONAS DE INFLUÊNCIA
A política externa do Trump 2.0 abandonou a ordem global cristalizada após o fim da Segunda Guerra Mundial, da qual os EUA foram os principais beneficiários. A maior potência militar do planeta estende o conceito de “America first” para o Hemisfério Ocidental e favorece o estabelecimento de zonas de influência globais, com China e Rússia menos pressionadas em suas vizinhanças. Multiplicam-se riscos de conflitos sem mediação da ONU.

DOUTRINA DONROE
Washington busca impedir potências rivais de controlar “ativos estratégicos”, “infraestrutura crítica” e “militar” nas Américas, em recado à China. Os planejamentos militar e econômico para a região foram reestruturados e a formulação posta em prática, com ataques no Caribe, no Pacífico e à Venezuela, com legalidade contestada internamente e no direito internacional. A queda de Maduro e o controle do país por coerção, com a manutenção do comando chavista, explicitou o método encontrado para justificar a intervenção aos eleitores americanos. Sai a construção da democracia, bandeira neoconservadora, entram a exploração do petróleo e demais riquezas em benefício dos americanos e o combate à entrada de drogas e imigrantes em situação irregular nos EUA. Assume-se a posição de xerife das Américas, com adversários locais, como Cuba e Nicarágua, e países com a presença do narcotráfico, entre eles México e Colômbia, como alvos prioritários.
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BRASIL E TARIFAÇOS
Brasília penou para estabelecer diálogo com a diplomacia pouco convencional do Trump 2.0 e levar a discussão dos tarifaços para a realidade econômica, com o superávit americano na balança comercial. Para driblar a tentativa de interferência de Washington em decisões do Supremo Tribunal Federal que puniram o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, e as que miram a regulamentação das big tech americanas, foram centrais as movimentações de ministros e empresários dos dois países. Para se reverter a penalização, que chegou a 50%, também ajudou o encontro “com química” entre os presidentes Trump e Lula na Assembleia-Geral da ONU. Mas o ataque à Venezuela e o dar de ombros ao multilateralismo, que incluiu o boicote à COP30, sediada em Belém, foram condenados pelo Brasil, que só tem a perder em um mundo regido pela lei do mais forte.
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EUROPA E OTAN
Apresentada como “continente em decadência” na Estratégia de Segurança Nacional, a Europa termina o primeiro ano do Trump 2.0 com outra dor de cabeça — a obsessão de Washington em anexar a Groenlândia, território associado à Dinamarca, membro da Otan, rico em minerais e terras raras. Escanteada pelo republicano nas negociações sobre a invasão russa da Ucrânia, que completará quatro anos em fevereiro, coagida em diminuir a dependência militar dos EUA, a União Europeia teve como ponto positivo o avanço, após 25 anos, do Tratado de Livre Comércio com o Mercosul, respiro ao unilateralismo trumpista.

UCRÂNIA E RÚSSIA
As negociações entre Kiev e Moscou intermediadas por Washington tiveram como efeito prático o reposicionamento de Vladimir Putin no tabuleiro global. O russo foi recebido com tapete vermelho no Alasca e o plano de paz elaborado pelo Trump 2.0 favorece os invasores, com perda territorial da Ucrânia, indefinição sobre a segurança do país após o cessar-fogo e desatenção aos 20 mil menores capturados pela Rússia. Humilhado publicamente por Trump em reunião na Casa Branca, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelesnky, quer debate direto com Putin sobre temas delicados, entre eles a administração da usina nuclear de Zaporíjia.

ORIENTE MÉDIO
Maior tento diplomático do Trump 2.0, que lhe fez demandar o Prêmio Nobel da Paz, o cessar-fogo em Gaza foi assinado em outubro do ano passado após a devastação do enclave. Desde o ataque do Hamas, que deixou quase matou 1.200 pessoas e sequestrou 251 em outubro de 2023, mais de 71 mil palestinos padeceram na investida israelense. Milhares ainda passam fome. O governo Trump conseguiu, após o ataque de Israel a líderes do Hamas no Catar, agilizar a troca de reféns, prisioneiros e restos mortais, diminuir a intensidade do conflito e aumentar a ajuda humanitária. Mas não houve avanço para uma paz duradoura. Em junho, Washington ajudou Israel na guerra do aliado com o Irã e bombardeou o país, em ataque celebrado pela Casa Branca como cirúrgico, com a alegada destruição do aparato nuclear do rival. Trump ameaça intervir novamente para apoiar os manifestantes antigoverno.
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CHINA
Maior competidor do Trump 2.0, Pequim enfrentou o tarifaço sem baixar a cabeça e aproveitou o vácuo global do “America first” para aprovar tratados de livre comércio e defender a globalização, apresentando-se como parceira confiável em oposição à imprevisibilidade de Washington. Os EUA disputam com a China os avanços em tecnologias de ponta, como a inteligência artificial, mas, com a lupa posicionada para o controle do mercado de petróleo, oferecem ao rival a liderança na transformação energética, crucial para a América Latina. O ataque à Venezuela abriu precedente perigoso para eventual invasão chinesa a Taiwan, estratégica por sua dominação na fabricação de semicondutores avançados.

Embora os atuais protestos no Irã venham sendo tratados como o maior desafio interno ao regime dos aiatolás em anos, a professora iraniana Sara Bazoobandi aponta as manifestações como o episódio mais recente de um movimento de insatisfação mais longo e com raízes profundas no país. Em entrevista ao GLOBO, a doutora em Economia Política do Oriente Médio pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, e pesquisadora não-residente do Centro de Análise de Conflitos e Gestão de Crises da Universidade de Kiel, na Alemanha, afirmou que a insatisfação doméstica é uma ameaça real à Revolução Islâmica, mas que a expertise de repressão do regime teocrático — enfraquecido pelos golpes desferidos por EUA e Israel no ano passado — ainda é uma barreira para a população civil. Leia a entrevista:
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O regime iraniano corre risco real de cair com os protestos?
O regime corre risco de ser deposto, mas talvez não imediatamente. Quando eu falo com iranianos que estão nas ruas agora, e estiveram nas ruas em 2019, eles me dizem que todo mundo está contando os dias desde aquele levante, e que já percorreram um longo caminho. Tem sido uma longa batalha. Esse pode não ser o último episódio, mas se a República Islâmica permanecer como está, com todas as suas estratégias domésticas e internacionais, certamente é uma bomba-relógio prestes a explodir. Quando isso vai acontecer? Não faço ideia.
O que torna o regime iraniano tão resistente a contestações internas e por que é tão difícil vermos deserções entre forças de segurança e no governo?
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Violência e morte. Se você analisar o histórico do regime, não há um único meio violento que eles [líderes iranianos] não tenham explorado. Eles atiraram nos olhos de pessoas, torturaram, prenderam, executaram, estupraram, mataram, fizeram de tudo. Enquanto estiverem dispostos a usar todos esses meios indefinidamente e sem limites, provavelmente permanecerão no poder. Foi assim que Bashar al-Assad e seu pai se mantiveram no poder na Síria por muito tempo.
Qual foi o impacto dos ataques americanos e israelenses no ano passado sobre o regime? É possível dizer que eles enfraqueceram o Irã internamente e externamente?
O impacto da guerra entre Israel, EUA e Irã em junho foi realmente imenso. Muitas das pessoas que estão nas ruas protestando contra o governo agora, acreditaram na época dos ataques que eles iriam derrubar o regime. Os bombardeios expuseram a fragilidade do regime: Embora se mantenha “poderoso” frente a civis desarmados, regime é extremamente fraco contra potências globais. Portanto, esse episódio realmente destacou a fragilidade do regime e encorajou os dissidentes iranianos a irem às ruas desta vez.
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Alguns analistas argumentam que o nível da repressão é uma tentativa de um regime enfraquecido demonstrar força. Você concorda com essa linha de raciocínio?
Sim, eu concordo totalmente. Eu acredito que o regime é consciente de suas fragilidades e que está a par de que perdeu completamente sua legitimidade. Entretanto, o regime tem 14 anos de experiência na Síria. Bashar al-Assad controlou metade do país e incendiou a outra metade. A República Islâmica está disposta a matar até o último manifestante, o último iraniano que se oponha a ela dentro e fora do Irã. E enquanto estiver disposta a fazer isso, derrubá-la sem qualquer tipo de poder externo será muito difícil.
Sara Bazoobandi, pesquisadora não-residente do Centro de Análise de Conflitos e Gestão de Crises da Universidade de Kiel, na Alemanha
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O presidente dos EUA, Donald Trump, está ameaçando tomar medidas contra o Irã. Existe alguma possibilidade real de ele impor uma mudança de regime ou reformas?
É muito difícil entender o que Trump realmente pretende fazer. Ele é um mestre em dar sinais contraditórios. O que posso dizer é que não consigo prever se haverá alguma ação militar aprovada pelo governo dos EUA nos próximos dias, algo que muitas pessoas começaram a especular. Por outro lado, Trump parece muito determinado a pressionar o governo iraniano, e parece estar funcionando. Em uma entrevista recente concedida pelo ministro das Relações Exteriores da República Islâmica, ele basicamente afirmou que não haverá execuções. É um sinal do impacto real e rápido da estratégia de Trump. O que vem depois disso não está claro. Os EUA têm algum plano para algum grupo específico dentro da oposição iraniana ou estão abertos a todas as possibilidades? Eu realmente não sei.
Qual seria o impacto para o Irã se os EUA lançassem uma operação similar a que ocorreu na Venezuela contra Nicolás Maduro, mas tendo o aiatolá Ali Khamenei como alvo?
Para ser honesta, [o cenário] Maduro é o meu maior pesadelo, pessoalmente, porque mesmo que ele tenha sido capturado e a operação que levou à captura seja impressionante ao extremo, qual foi o impacto para os venezuelanos comuns? Qual foi o impacto para a economia ou para o sistema político da Venezuela? Isso levou ou está levando o país para uma democracia? Tudo isso ainda está para ser visto, mas se os EUA fizerem no Irã o mesmo que na Venezuela e levarem o Líder Supremo, o presidente ou mesmo alguns líderes da Guarda Revolucionária, se o sistema permanecer intacto, isso não vai ser uma vitória para o povo do Irã.
Por que o Irã vive a maior onda de protestos desde 2022?
Por que alguns rivais regionais do Irã, como a Arábia Saudita, temem uma ação contra o Irã neste momento?
Eles fizeram o mesmo da última vez. Os cataris salvaram o governo iraniano em junho, intermediaram o fim da crise entre Teerã e Washington. Há várias razões para isso, mas se você perguntar a cidadãos iranianos comuns porque os sauditas, os emiratis e os cataris estão intermediando para manter a República Islâmica no Irã, eles dirão que é porque não querem ver um Irã próspero e livre. Se você perguntar aos próprios formuladores de políticas no Golfo, eles dirão: “Não precisamos de mais crises, não precisamos de mais desestabilização”. Acontece que o que está completamente ausente em tudo isso é a atuação do povo iraniano. Foram eles que iniciaram esta revolta, e são eles que querem ver a República Islâmica desaparecer. Infelizmente, parece que chegaram a mais um beco sem saída, e a decisão final está fora de seu alcance.
Alguma facção da oposição ou ramo do governo tem capacidade para assumir o poder após um possível colapso e mudar a estrutura do regime?
Sim. Há uma luta interna pelo poder há muito tempo, ao longo dos últimos anos. As partes têm capacidade para assumir o poder político, mas nenhuma das pessoas do atual governo inspira confiança nos manifestantes, e nenhuma delas parece disposta a promover mudanças ou reformas significativas. Se alguém de dentro do sistema assumisse o poder, teríamos uma República Islâmica 2.0. Seria a mesma coisa de sempre, apenas com um grupo de pessoas ligeiramente diferente, e não é isso que os manifestantes querem.
Fósseis revelam que o acasalamento entre algumas espécies de dinossauros era tão violento que resultava em fraturas ósseas. É o que aponta um estudo publicado na revista científica iScience, segundo o qual as evidências deixadas por esses animais pré-históricos indicam relações literalmente de quebrar ossos.
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O foco da pesquisa é o Olorotitan, dinossauro herbívoro de bico de pato que podia alcançar cerca de oito metros de comprimento e pesar aproximadamente três toneladas. Ao analisar restos esqueléticos da espécie, paleontólogos encontraram repetidamente um número elevado de ossos quebrados e vértebras fraturadas sobrepostas à região da cauda.
Esses grandes herbívoros, conhecidos por mandíbulas potentes e dentes próprios para triturar plantas, eram comuns no período Cretáceo Superior, entre 66 milhões e 100 milhões de anos atrás. Também exibiam cristas chamativas na cabeça, que, segundo especialistas, funcionavam como adornos para atrair parceiros.
Estrutura óssea do Olorotitan
Reprodução: Acta Palaentologica Polonica
Inicialmente, os cientistas levantaram a hipótese de que as fraturas seriam resultado de brigas ou do deslocamento em grandes bandos. Com o surgimento de novas evidências, porém, a equipe concluiu que os danos compartilhavam uma origem diferente — e ligada ao comportamento reprodutivo.
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Em 2019, o paleontólogo Filippo Bertozzo, do Instituto de Ciências Naturais de Bruxelas, viajou ao Museu Paleontológico de Blagoveshchensk, na Rússia, para examinar ossos do dinossauro quando notou lesões incomuns, segundo a revista National Geographic. “Quando percebi o que tinha diante de mim, dei um grito de alegria”, afirmou Bertozzo, autor principal do estudo.
Ele já havia observado fraturas semelhantes em outras pesquisas e na literatura científica, especialmente vértebras quebradas próximas aos quadris dos hadrossauros. A análise detalhada confirmou uma teoria que já circulava entre os pesquisadores: as fraturas teriam sido causadas pelos métodos brutais de acasalamento, quando um animal montava o outro.
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A forma como os dinossauros conseguiam se reproduzir sempre foi um enigma para a ciência. “Não existem outros animais vivos com uma cauda como a dos hadrossauros, uma cauda grande, longa e musculosa, mantida alta e horizontal em relação ao solo”, explicou Bertozzo.
Esses animais possuíam uma única abertura reprodutiva, chamada cloaca, usada para digestão, eliminação de resíduos e reprodução — uma estrutura ainda presente nos répteis atuais. Para copular, macho e fêmea precisavam alinhar perfeitamente essas aberturas, o que exigia contato corporal intenso. Com as caudas rígidas e erguidas, o peso e a pressão envolvidos tornavam o ato propenso a causar traumas severos em um ou em ambos os indivíduos.
Os ossos se regeneravam naturalmente com o teAcasalamento à força: fósseis indicam que dinossauros quebravam ossos durante o sexompo — até a temporada seguinte de acasalamento. Segundo especialistas, esses dinossauros viviam entre 10 e 20 anos.
Apesar da violência do ato em si, os pesquisadores destacam que o ritual de cortejo era elaborado. De acordo com a National Geographic, os animais realizavam danças complexas para impressionar possíveis parceiros. Arranhões preservados em rochas antigas indicam que eles se reuniam em arenas de cortejo, raspando o solo em exibições rituais — uma espécie de pista de dança pré-histórica.
Os parlamentares da União Europeia estão prestes a suspender a aprovação do acordo comercial da UE com os EUA devido à promessa do presidente Donald Trump de impor tarifas aos países que apoiaram a Groenlândia diante das ameaças americanas.
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Manfred Weber, presidente do Partido Popular da Europa (PPE), o maior grupo político do Parlamento Europeu, afirmou neste sábado que um acordo com os EUA já não é mais possível.
“O PPE é a favor do acordo comercial UE-EUA, mas, dadas as ameaças de Donald Trump em relação à Groenlândia, a aprovação não é possível nesta fase”, publicou Weber nas redes sociais, acrescentando que o acordo para reduzir as tarifas sobre “produtos americanos deve ser suspenso”.
O acordo comercial entre a UE e os EUA, que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, firmou com Trump no verão passado, já foi parcialmente implementado, mas ainda precisa da aprovação do Parlamento Europeu. Se os representantes do PPE se unirem a grupos políticos de esquerda, é provável que tenham votos suficientes para atrasar ou bloquear a aprovação.
O acordo comercial estabeleceu uma tarifa americana de 15% para a maioria dos produtos da UE em troca da promessa europeia de eliminar as tarifas sobre produtos industriais americanos e alguns produtos agrícolas. Von der Leyen, que supervisiona as negociações comerciais para a UE, fechou o acordo na esperança de evitar uma guerra comercial declarada com Trump.
Uma ala vocal de parlamentares da UE há muito critica o acordo, argumentando que ele era demasiadamente desequilibrado a favor dos EUA. Essa indignação aumentou depois que os EUA ampliaram a tarifa de 50% sobre aço e alumínio para centenas de outros produtos da UE após o acordo de julho.
O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, criticou a UE no mês passado por não cumprir certos aspectos do acordo, particularmente no que diz respeito à regulamentação das empresas de tecnologia pelo bloco.
No sábado, Trump anunciou que vai taxar em 10%, a partir de 1º de fevereiro, produtos de países europeus que se uniram em apoio à Groenlândia diante das ameaças do republicano de anexar o território semiautônomo dinamarquês. Trump acrescentou que as tarifas aumentariam para 25% a menos que “um acordo seja alcançado para a compra completa e total da Groenlândia”.
O anúncio provocou uma rápida repreensão dos líderes europeus, que estão definindo os próximos passos. Von der Leyen afirmou em comunicado que “as tarifas prejudicariam as relações transatlânticas e poderiam levar a uma espiral descendente perigosa”, enquanto o presidente francês, Emmanuel Macron, rejeitou as ameaças de Trump como “inaceitáveis”.
Em consequência das últimas medidas, a aprovação do acordo comercial UE-EUA tornou-se mais complicada.
“É evidente que a soberania nacional de qualquer país precisa ser respeitada por todos os parceiros do acordo comercial”, disse Bernd Lange, presidente de longa data da comissão de comércio do Parlamento Europeu, que ajuda a supervisionar a discussão sobre a ratificação do acordo comercial, em entrevista esta semana.
Após o anúncio de Trump, Lange publicou nas redes sociais que o trabalho de implementação do acordo comercial com os EUA deveria ser suspenso até que as ameaças de Trump cessassem. Ele também pediu que a UE utilizasse seu instrumento anticoerção (ACI), a ferramenta retaliatória comercial mais poderosa do bloco.
O ACI, que nunca foi utilizado, foi concebido principalmente como um mecanismo de dissuasão e, se necessário, para responder a ações coercitivas deliberadas de países terceiros que utilizam medidas comerciais como meio de pressionar as escolhas políticas da UE ou dos seus membros.
Essas medidas podem incluir tarifas, novos impostos sobre empresas de tecnologia ou restrições específicas a investimentos na UE. Também podem envolver a limitação do acesso a certas partes do mercado da UE ou a restrição da participação de empresas em licitações para contratos públicos na Europa.
O parlamento está em compasso de espera há dias. Os membros da comissão de comércio de Lange reuniram-se na quarta-feira para uma discussão inicial sobre a possibilidade de vincular a soberania da Groenlândia ao acordo comercial com os EUA e decidiram voltar a reunir-se na próxima semana.
Per Clausen, eurodeputado dinamarquês do partido A Esquerda, reuniu 30 assinaturas para uma carta enviada na quarta-feira aos líderes do Parlamento instando-os a “congelar” o acordo comercial “enquanto as reivindicações sobre a Groenlândia e as ameaças continuarem por parte da administração dos EUA”.
“Seria extremamente estranho se celebrássemos um acordo com os EUA agora”, disse Clausen em entrevista. “Isso seria um sinal claro de que, da parte da UE, estamos preparados para usar os instrumentos que temos em relação aos EUA, caso eles continuem com sua agressão.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a atacar o JPMorgan Chase, maior banco do país, e seu CEO, Jamie Dimon. Trump afirmou que foi vítima de discriminação política e ameaçou entrar com um processo contra a instituição por ter, segundo ele, perdido acesso a serviços bancários após o ataque ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021.
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Em uma publicação nas redes sociais, Trump afirmou que o banco solicitou o fechamento de contas que ele mantinha havia décadas. Segundo o presidente, a decisão teria sido motivada por suas posições políticas e pelo episódio de 6 de janeiro de 2021, quando apoiadores seus invadiram o Congresso, no chamado ataque ao Capitólio, para tentar impedir a confirmação da vitória de Joe Biden na eleição presidencial de 2020.
Trump afirmou que pretende processar o JPMorgan nas próximas semanas, alegando que foi tratado de forma injusta e discriminatória. Ele não apresentou detalhes sobre como teria ocorrido essa exclusão do sistema bancário. Procurado pela Bloomberg, o banco não comentou o assunto até o momento.
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O episódio ganhou repercussão depois que uma reportagem do Wall Street Journal informou que Trump teria feito, meses atrás, um comentário sobre indicar Jamie Dimon para presidir o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. Trump negou a informação e usou o episódio para reforçar as críticas ao JPMorgan.
Jamie Dimon, por sua vez, já declarou publicamente que não aceitaria comandar o Federal Reserve e negou que o banco tome decisões com base em preferências políticas.
— Nós não encerramos contas nem retiramos serviços de clientes por motivos religiosos ou políticos — afirmou o executivo em entrevista recente.
Trump ainda não anunciou quem pretende indicar para substituir Jerome Powell no comando do Federal Reserve, cujo mandato termina em maio.
Leia abaixo a postagem traduzida na íntegra:
“Uma reportagem de capa do Fake News Wall Street Journal afirma, sem qualquer verificação, que eu teria oferecido a Jamie Dimon, do JPMorgan Chase, o cargo de presidente do Fed. Essa afirmação é totalmente falsa: nunca houve tal oferta e, na verdade, estarei processando o JPMorgan Chase nas próximas duas semanas por ter me retirado, de forma incorreta e inadequada, do sistema bancário (“DEBANKING”) após o protesto de 6 de janeiro — um protesto que acabou se mostrando correto para aqueles que protestavam — a eleição foi FRAUDADA!
Por que o Wall Street Journal não me ligou para perguntar se essa oferta foi feita ou não? Eu teria respondido muito rapidamente “NÃO”, e isso teria encerrado a história.
Também deu a entender que eu teria oferecido a Jamie Dimon o cargo de secretário do Tesouro, algo que, sim, o interessaria muito. O problema é que eu tenho Scott Bessent fazendo um trabalho fantástico, UM SUPERASTRO — por que eu daria o cargo a Jamie? Nenhuma oferta desse tipo foi feita, nem sequer cogitada.
O Wall Street Journal deveria fazer uma checagem de fatos melhor, ou sua credibilidade, que já está abalada, continuará a DESPENCAR.
Obrigado pela atenção a este assunto!”
Pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmam que a decisão de aceitar ou não o convite dos Estados Unidos para integrar o chamado Conselho da Paz em Gaza precisa ser tomada com extrema cautela.
Um interlocutor do governo declarou que não há como dar uma resposta “sem entender as consequências” e que “essa decisão não pode ser tomada de forma açodada”. Esse mesmo interlocutor ressalta a necessidade de avaliação detalhada dos impactos diplomáticos e geopolíticos antes de qualquer posicionamento definitivo.
Procurado, o Itamaraty ainda não se manifestou.
O convite foi feito pelo presidente Donald Trump a diversos líderes globais, incluindo o argentino Javier Milei, o turco Recep Tayyip Erdogan, o egípcio Abdel Fattah al‑Sisi e o canadense Mark Carney.
A proposta do Conselho da Paz visa supervisionar a reconstrução, a governança e a transição política na Faixa de Gaza após o cessar‑fogo mediado pelos EUA, em meio a mais de dois anos de conflito entre Israel e o Hamas.
A iniciativa americana, anunciada como parte de sua estratégia de estabilização do território palestino, tem sido alvo de críticas internacionais, sobretudo pela ausência de representantes palestinos no núcleo decisório e pelo protagonismo explícito dos Estados Unidos.
A composição do conselho inclui ainda figuras controversas pçara o governo brasileiro, o que levanta dúvidas sobre a legitimidade e eficácia prática do órgão.
Até o momento, o governo brasileiro não confirmou oficialmente a aceitação do convite, e os auxiliares de Lula reforçam que a decisão será tomada apenas após análise cuidadosa das implicações para a diplomacia brasileira e o histórico de atuação do país no conflito do Oriente Médio.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou a pressão diplomática e econômica sobre o continente europeu. Em uma publicação em sua rede social, a Truth Social, na tarde deste sábado, Trump condicionou a estabilidade comercial da região à venda da Groenlândia. O republicano anunciou a intenção de impor tarifas progressivas a produtos de oito nações europeias a partir de fevereiro de 2026, com alíquotas que podem atingir 25% em junho do mesmo ano.
Segundo a postagem, Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia enfrentariam uma tarifa inicial de 10% sobre todos os bens exportados para os EUA. O cronograma de escalada tarifária funcionaria da seguinte forma:
Fevereiro de 2026: Início das taxas em 10%.
Junho de 2026: Elevação para 25% caso não haja progresso nas tratativas.
Duração: As taxas permaneceriam em vigor até a ratificação de um acordo para a “compra completa e total” do território.
Trump fundamentou a proposta em pilares de segurança nacional e defesa estratégica. Segundo o presidente, a soberania dinamarquesa sobre a ilha é “vulnerável” diante de supostas “ambições de Rússia e China no Ártico”.
O presidente americano chegou a ironizar a capacidade militar local, afirmando que a defesa da ilha se limita a “dois trenós puxados por cães”. Ele também classificou visitas recentes de líderes europeus ao território como “movimentações por motivos desconhecidos”, tratando-as como uma ameaça à estabilidade internacional.
Um dos pontos centrais da nova argumentação é a integração da Groenlândia ao “Domo Dourado”, o ambicioso sistema de defesa antimísseis de última geração dos EUA.
“O projeto, que prevê investimentos de centenas de bilhões de dólares e a possível extensão da cobertura ao Canadá, só atingiria sua eficiência máxima com o controle territorial e estratégico da Groenlândia”, afirmou o presidente.
Agora, Trump argumenta que os EUA tentam essa aquisição há mais de 150 anos (referindo-se a propostas históricas de 1867 e 1946) e que o momento exige uma “resolução definitiva”.
Apesar das ameaças, o presidente declarou estar “imediatamente aberto à negociação”, embora tenha ressaltado que Washington não aceitará mais manter a “proteção máxima” à Europa sem contrapartidas estratégicas. Até o fechamento desta edição, a União Europeia e o governo dinamarquês não haviam emitido uma resposta oficial às ameaças.
Leia abaixo o texto da postagem na íntegra:
“Nós subsidiamos a Dinamarca, e todos os países da União Europeia, além de outros, por muitos anos ao não cobrar tarifas, nem qualquer outra forma de remuneração. Agora, depois de séculos, chegou a hora de a Dinamarca retribuir — a paz mundial está em jogo! China e Rússia querem a Groenlândia, e não há absolutamente nada que a Dinamarca possa fazer a respeito. Atualmente, eles contam com dois trenós puxados por cães como proteção, sendo que um foi acrescentado recentemente.
Somente os Estados Unidos da América, sob o PRESIDENTE DONALD J. TRUMP, podem entrar nesse jogo — e com grande sucesso! Ninguém tocará nesse pedaço sagrado de terra, especialmente porque a segurança nacional dos Estados Unidos e do mundo como um todo está em risco.
Além de tudo isso, Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia viajaram à Groenlândia por motivos desconhecidos. Trata-se de uma situação extremamente perigosa para a segurança, a estabilidade e a sobrevivência do nosso planeta. Esses países, ao entrarem nesse jogo altamente arriscado, colocaram em cena um nível de risco que não é aceitável nem sustentável.
Portanto, para proteger a paz e a segurança globais, é imperativo que sejam adotadas medidas firmes para que essa situação potencialmente perigosa termine rapidamente e sem questionamentos. A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países mencionados acima (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia) serão taxados em 10% sobre quaisquer bens enviados aos Estados Unidos da América. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será elevada para 25%. Essa tarifa será devida e exigível até que seja fechado um acordo para a compra completa e total da Groenlândia.
Os Estados Unidos vêm tentando realizar essa transação há mais de 150 anos. Muitos presidentes tentaram — e por bons motivos —, mas a Dinamarca sempre se recusou. Agora, por causa do Domo Dourado e dos sistemas modernos de armamentos, tanto ofensivos quanto defensivos, a necessidade de adquirir esse território tornou-se especialmente importante. Centenas de bilhões de dólares estão sendo gastos atualmente em programas de segurança relacionados ao “Domo”, incluindo a possível proteção do Canadá, e esse sistema extremamente sofisticado, embora altamente complexo, só pode operar em seu máximo potencial e eficiência, por razões de ângulos, limites e delimitações territoriais, se essa terra estiver incluída.
Os Estados Unidos da América estão imediatamente abertos à negociação com a Dinamarca e/ou com qualquer um desses países que colocaram tanto em risco, apesar de tudo o que fizemos por eles, inclusive oferecendo proteção máxima ao longo de muitas décadas.
Obrigado pela atenção a este assunto!
DONALD J. TRUMP
PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ampliou a lista de líderes internacionais convidados a integrar o chamado “Conselho da Paz” para a Faixa de Gaza, órgão criado por Washington para conduzir a transição política, a reconstrução e a segurança do território palestino. Entre os convidados anunciados neste sábado estão os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, da Argentina, Javier Milei, da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.
Contexto: Trump nomeia secretário de Estado dos EUA e ex-premier britânico para conselho de paz de Gaza
Ameaça de Trump: Entenda como guerra em Gaza enfraqueceu Irã e por que Venezuela alimenta vulnerabilidade do regime
Lula ainda não aceitou o convite. Ao compartilhar uma imagem da carta-convite, Milei escreveu nas redes sociais que seria “uma honra” participar do conselho. No Canadá, um assessor sênior de Mark Carney indicou que o premier pretende aceitar o convite. Já o ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdelatty, afirmou que o Cairo está “estudando” a solicitação para que al-Sisi se junte ao grupo. Um porta-voz do governo turco disse que Erdogan foi convidado a atuar como “membro fundador”.
Na sexta-feira, Trump já havia nomeado para o conselho o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair como membros fundadores. O republicano também incluiu seu enviado especial, Steve Witkoff, seu genro, Jared Kushner, e o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, entre os membros do “conselho executivo fundador”, composto por sete pessoas. O próprio Trump presidirá o órgão, e espera-se que mais nomeações sejam anunciadas nas próximas semanas, segundo comunicado.
A iniciativa faz parte da visão de Trump para o pós-guerra em Gaza. Na quarta, três meses após a implementação da trégua entre Israel e o grupo terrorista Hamas, os Estados Unidos já haviam determinado o início da segunda fase do plano abrangente de 20 pontos do americano para o enclave. O anúncio, por sua vez, foi feito após o Egito anunciar que foi alcançado um consenso sobre a formação de uma comissão palestina de 15 tecnocratas para administrar o território.
A comissão deverá assumir, por exemplo, a gestão da vida cotidiana e dos serviços essenciais no enclave. O grupo terrorista Hamas, a Jihad Islâmica e outras facções declararam apoio à iniciativa, assim como a Presidência palestina, sediada em Ramallah, na Cisjordânia. Como parte da nova etapa do plano americano, os Estados Unidos devem anunciar formalmente a composição da comissão tecnocrática, que será chefiada por Ali Shaath, ex-vice-ministro do Planejamento da Autoridade Nacional Palestina, natural de Gaza e atualmente na Cisjordânia.
A governança tecnocrática será supervisionada pelo Conselho de Paz, presidido pelo próprio Trump e composto pelos líderes internacionais anunciados. Com cerca de 12 integrantes, o órgão fornecerá orientações estratégicas de alto nível sobre os assuntos relacionados a Gaza. O ex-enviado da ONU para o Oriente Médio e ex-chanceler da Bulgária Nickolay Mladenov foi indicado como alto representante do conselho e deverá atuar como elo entre a comissão e a instância internacional.
Até agora, porém, a lista de nomes pouco faz para dissipar as críticas, vindas de alguns setores, de que o plano do presidente dos Estados Unidos se assemelha, em sua essência, a uma solução colonial imposta aos palestinos sem que eles tenham voz. Ainda há vários pontos em aberto, incluindo quem mais poderá ser incluído e qual será a estrutura exata do que, por ora, é um arranjo bastante complexo. Nenhum nome palestino aparece nos conselhos superiores que foram apresentados.
Impasses permanecem
Apesar do comunicado, a fase dois do plano tem início após a manutenção de um cessar-fogo considerado frágil entre Israel e o Hamas, em vigor desde outubro. Embora o grupo terrorista tenha sinalizado disposição para transferir a prestação de serviços públicos à comissão tecnocrática, ainda não iniciou o desarmamento, ponto central do plano americano. O impasse fez com que pessoas a par das discussões declarassem ao Wall Street Journal que as Forças Armadas de Israel elaboraram planos para uma nova operação terrestre em Gaza.
Por outro lado, Israel tem realizado ataques no enclave que já deixaram mais de 440 mortes desde o início do cessar-fogo. Em relatório divulgado na segunda, o Fundo da ONU para a Infância (Unicef) indicou que pelo menos 100 menores estão entre os mortos, a grande maioria por ataques aéreos. “A vida em Gaza continua sufocante. A sobrevivência ainda é condicionada. Embora os bombardeios tenham diminuído durante o cessar-fogo, eles não pararam”, diz o relatório.
O Hamas, por sua vez, tem concentrado seus esforços na reconstrução de capacidades militares perdidas durante a guerra, incluindo partes de sua infraestrutura de túneis danificada, disseram autoridades árabes e israelenses ao veículo. O grupo ainda recebeu um novo influxo de recursos financeiros, o que voltou a permitir o pagamento regular de salários a seus combatentes. E, ainda que a trégua tenha sido em grande parte mantida, os esforços dos Estados Unidos para convencer países a enviar forças de paz para Gaza encontraram poucos interessados.
— [Anunciar a comissão] pode refletir um desejo de mostrar progresso, dado que o avanço em outras frentes tem sido difícil — disse ao New York Times Michael Koplow, analista do Israel Policy Forum, um centro de pesquisa com sede em Nova York. — Parece, para mim, que muito disso é apenas para mostrar que estão fazendo alguma coisa.
Pós-cessar-fogo
O cessar-fogo firmado em outubro passado encerrou dois anos de combates intensos entre as partes, que deixaram mais de 70 mil palestinos mortos e o enclave em ruínas. Um retorno à guerra teria consequências graves para cerca de dois milhões de palestinos em Gaza, a maioria deslocada ao longo do conflito e muitos vivendo em acampamentos de tendas ou abrigos improvisados. Com a primeira fase do plano, o território ficou dividido: Israel passou a controlar pouco mais de 50% da área, enquanto o Hamas controla o restante.
Desde então, o Hamas intensificou a repressão a opositores e avançou para reforçar seu controle sobre Gaza. O grupo vem nomeando novos comandantes para substituir os que foram mortos e vem recompondo seus cofres com acesso a dinheiro armazenado em túneis, arrecadação de impostos e um novo fluxo de recursos do Irã, disseram as autoridades. Caso decida atacar novamente, analistas de segurança israelenses dizem que Israel pode optar por uma invasão em grande escala da Cidade de Gaza numa tentativa de forçar uma rendição rápida do Hamas, ou avançar de forma gradual, tomando o controle do território aos poucos.
Embora autoridades israelenses digam que não há previsões imediatas para uma incursão militar em Gaza sob controle do Hamas e que Israel está disposto a dar tempo para que o plano americano avance, os planos antecipados ao WSJ indicam a possibilidade de retomada dos combates. O movimento ocorre no momento em que o Estado judeu avalia uma nova rodada de confrontos com o grupo libanês Hezbollah e com o Irã, que estaria buscando reconstruir seu programa de mísseis balísticos após a guerra de 12 dias em junho passado.
Analistas de segurança israelenses observam, no entanto, que Israel terá de decidir a quais frentes de batalha dará prioridade. Combater o Hamas agora seria mais fácil para Israel porque não há mais a preocupação com a segurança de reféns, afirmou ao WSJ Erez Winner, que ocupou um cargo sênior de planejamento nas Forças Armadas israelenses durante a maior parte da guerra em Gaza e hoje é pesquisador no Israel Centre for Grand Strategy. Israel também poderia oferecer segurança aos palestinos no lado de Gaza controlado pelo governo israelense.
O Hamas concordou, em princípio, com o desarmamento no âmbito do plano de paz de Trump, e caberá ao Conselho de Paz e ao governo tecnocrático palestino decidir o que constitui esse desarmamento — se ele inclui, por exemplo, armas leves — e como ele será implementado, segundo uma fonte familiarizada com o tema. Este não é, no entanto, o único ponto que deveria ter sido resolvido antes do avanço para a segunda etapa da proposta americana: Israel ainda não abriu a passagem de Rafah, na fronteira entre Gaza e o Egito, para permitir a entrada e saída de palestinos do enclave, e o corpo do último refém israelense morto que permanece em Gaza ainda não foi devolvido.
— Enquanto o Hamas continuar mantendo o controle da segurança, há limites para o que a comissão pode fazer — disse Ghaith al-Omari, pesquisador sênior do Washington Institute for Near East Policy, acrescentando que os tecnocratas enfrentarão enorme pressão dos palestinos por avanços, que podem depender do afrouxamento, por Israel, das restrições à entrada de suprimentos no enclave. — Para que a comissão opere e ganhe alguma credibilidade, ele precisa entregar resultados. Não está claro para mim se os israelenses vão colaborar.
(Com agências internacionais)

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