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O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que evitou que a Otan acabasse “na lata do lixo da História” e que nenhum presidente fez mais pela aliança militar transatlântica do que ele, enquanto líderes europeus reunidos no Fórum Econômico de Davos prometeram uma resposta “inflexível” às suas ameaças de anexar a Groenlândia. O presidente convocou uma coletiva de imprensa na Casa Branca às 18h (15h em Brasília), antes de embarcar para a Suíça.
O primeiro longo ano: Em versão ‘sem coleira’, Trump inicia 2º ano no poder dos EUA com débil contrapeso a seu ‘Executivo imperial’
Análise: Trump tem uma saída pacífica para a Groenlândia, mas não parece disposto a usá-la
“Nenhuma pessoa, ou presidente, fez mais pela Otan do que o presidente Donald J. Trump. Se eu não tivesse aparecido, não haveria Otan agora!!! Ela estaria na lata do lixo da História. Triste, mas VERDADE!!!”, publicou Trump em sua plataforma Truth Social, enquanto a questão da Groenlândia agitava a aliança de defesa transatlântica.
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A declaração do presidente foi a mais recente de uma série de manifestações hostis à parte europeia da Otan, que se manifestou diretamente contra os planos expansionistas do republicano, sobre anexar a Groenlândia. Vários líderes ocidentais que discursaram nesta terça-feira em Davos reservaram ao menos parte de seus discursos para defenderem a soberania e a integridade territorial como valores centrais, e criticaram as ameaças tarifárias — em alguns casos citando Washington de forma expressa.
Durante a madrugada, o perfil oficial do presidente na rede social Truth Social já havia feito publicações provocativas. Entre elas, vazou mensagens pessoais trocadas com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e com o presidente da França, Emmanuel Macron; publicou fotos geradas por IA que pareciam mostrar cenários em que a anexação da Groenlândia estava concluída; e voltou a dizer que apenas os EUA podem garantir as próprias demandas de segurança na região.
Montagem publicada pelo Trump
Reprodução/Truth
“Não há como voltar atrás — nisso, todos concordam!”, escreveu Trump, que continuou: “Os Estados Unidos da América são, de longe, o país mais poderoso do planeta. Grande parte disso se deve à reconstrução de nossas Forças Armadas durante meu primeiro mandato, reconstrução essa que continua em ritmo ainda mais acelerado. Somos a única POTÊNCIA capaz de garantir a PAZ no mundo todo — e isso se faz, simplesmente, através da FORÇA!”.
Ao longo do dia, em Davos, uma série de líderes europeus — e também o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney — afirmaram que a entrega da Groenlândia não era um tema passível de negociação. Muitos condenaram as pressões econômicas e tentativas de imposição pela força. O presidente da França, Emmanuel Macron, acusou diretamente os EUA de tentarem subordinar a Europa por meio de uma política de tarifas que classificou como “inaceitáveis”.
(AFP)
*Matéria em atualização
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao afirmar o norte-americano quer “governar o mundo pelo Twitter”. Em Rio Grande (RS), Lula voltou a fazer críticas ao chefe da Casa Branca ao afirmar que “todo o dia o mundo fala” do que o Trump escreve nas redes sociais.
— Vocês já perceberam uma coisa, que o presidente Trump quer governar o mundo pelo Twitter? É fantástico. Todo dia ele fala uma coisa e todo dia o mundo fala da coisa que ele falou. Vocês acham que é possível? É possível tratar o povo com respeito se eu não olhar na cara de vocês, se eu achar que vocês são objetos, e não um ser humano — afirmou em durante cerimônia de entregas de unidades habitacionais em Rio Grande (RS).
Essa é primeira crítica que Lula faz citando Trump desde o presidente brasileiro e o líder americano passaram a ter diálogo diplomático formal, a partir de outubro do ano passado. Nem mesmo durante a invasão da Venezuela para captura do Nicolas Maduro, Lula fez críticas citando o presidente americano.
No episódio, o governo braseiro optou por direcionar críticas ao governo americano. Lula disse que a iniciativa americana sobre a Venezuela ultrapassava “uma linha aceitável” e cobrou uma reação da comunidade internacional. Porém, no comunicado de 153 palavras, Lula não citou diretamente nem Trump nem os Estados Unidos.
Desde o ataque à Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro, a Groenlândia, ilha pertencente à Dinamarca localizada entre os Estados Unidos e a Europa, entrou no radar de Donald Trump. O presidente do EUA tem gerado preocupação não só no velho continente quanto a seus próximos passos que, segundo ele, incluem a anexação do território. Esse cenário de tensão tem se espalhado e, no último fim de semana, chegou também à quadra. Durante um jogo da NBA em Londres, na Inglaterra, enquanto o hino do EUA era cantado, um torcedor gritou: “Deixe a Groenlândia em paz”. A iniciativa foi aplaudida por parte do público.
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O primeiro longo ano: Em versão ‘sem coleira’, Trump inicia 2º ano no poder dos EUA com débil contrapeso a seu ‘Executivo imperial’
O hino era cantado pela atriz Vanessa Williams, na apresentação do Star-Spangled Banner antes da partida entre Memphis Grizzlies e Orlando Magic, na O2 Arena, no último domingo (18). Em dado momento, uma pessoa gritou a frase a favor da ilha que foi arrastada para o centro de uma disputa. Vanessa continuou a cantar, mesmo com a reação do público de apoio ao torcedor. O momento foi gravado por pessoas nas arquibancadas, e uma delas compartilhou o vídeo nas redes sociais (veja abaixo).
A iniciativa elevou a preocupação de parte dos norte-americanos, que aguardavam o início do jogo. Muitos usaram as redes sociais para culpar Trump por reações como esta, destacou o Daily Mail.
Um comentou: ‘Trump transformou nosso país em um completo desastre’.
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E esta não foi a primeira vez que torcedores aproveitaram competições para reagir às ameaças feitas por Trump, lembrou o The Gardian. No Canadá houve vaia no Star-Spangled Banner em jogos de basquete e hóquei no gelo no ano passado assim que o presidente do EUA passou a afirmar que transformaria o país vizinho em um “51º estado”, além de ter aumentado as tarifas sobre produtos canadenses.
Mesmo em casa Trump foi vaiado por fãs de esportes, como aconteceu em um jogo do Washington Commanders nesta temporada.
Ameaças continuam
Donald Trump afirmou que líderes europeus não oferecerão muita resistência à sua tentativa de anexar a Groenlândia, em meio à crise aberta com aliados ocidentais pelo avanço do republicano em direção ao território no Ártico. Em uma série de publicações antes de viajar ao Fórum Econômico de Davos, o presidente do EUA fez provocações aos parceiros europeus, e voltou a afirmar textualmente que Washington acredita que apenas uma abordagem pela força pode conter adversários estratégicos.
Montagem publicada pelo Trump
Reprodução/Truth
“Eles não oferecerão muita resistência. Temos que conseguir. Eles têm que aceitar”, disse Trump a um repórter na Flórida que lhe perguntou o que ele planejava dizer aos líderes do Velho Continente que se opõem aos seus planos.
Durante a madrugada, o presidente americano voltou a se manifestar sobre a celeuma com os aliados na Europa, em publicações nas redes sociais. Trump disse ter conversado com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, por telefone, e que concordou com uma reunião à margem do encontro econômico em Davos, com diversas partes. O republicano disse ter “deixado claro” que o território semiautônomo da Dinamarca é “imprescindível para a segurança nacional e mundial” — um argumento que tem reiterado.
Imagem gerada por IA mostra líderes europeus enfileirados, ouvindo Trump; ao fundo, mapa mostra Groenlândia, Canadá e Venezuela como territórios americanos
Reprodução
Ainda durante a madrugada, o presidente americano publicou duas imagens geradas por IA. Em uma delas, líderes europeus — incluindo Macron e Rutte — aparecem em volta de uma mesa, olhando para Trump, enquanto ele discursa e gesticula ao lado de um mapa, que mostra a Groenlândia, o Canadá e a Venezuela com a bandeira americana.
Escavadeiras israelenses iniciaram nesta terça-feira a demolição da sede da agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA) em Jerusalém Oriental, o que levou a organização a classificar o episódio como um “ataque sem precedentes”. Israel, por sua vez, acusa a UNRWA de servir de fachada para membros do Hamas e afirma que alguns de seus funcionários participaram do ataque terrorista em Israel, em 7 de outubro de 2023.
Veja: Kremlin diz que Putin foi convidado para Conselho da Paz de Trump, que amplia lista de países e provoca objeção de Israel
Plano americano: Trump convida Lula, Milei, Erdogan e líderes do Egito e Canadá a integrar ‘Conselho da Paz’ para Gaza
Várias investigações — incluindo uma conduzida pela ex-ministra das Relações Exteriores da França, Catherine Colonna — identificaram alguns “problemas relacionados à neutralidade” na UNRWA, mas consideram que Israel não apresentou provas conclusivas.
Escavadeiras israelenses demoliram edifícios da sede da UNRWA em Jerusalém Oriental
ILIA YEFIMOVICH / AFP
“UNRWA-Hamas já havia cessado suas operações naquele local e não mantinha mais pessoal da ONU nem realizava atividades ali. O recinto não goza de qualquer tipo de imunidade, e sua apreensão pelas autoridades foi realizada de acordo com a legislação israelense e o direito internacional”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores de Israel, em comunicado.
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— A demolição é uma violação grave do direito internacional e dos privilégios e imunidades das Nações Unidas — afirmou Roland Friedrich, diretor da UNRWA na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.
Segundo Jonathan Fowler, porta-voz da agência, forças israelenses “invadiram” o local e expulsaram os seguranças antes da entrada das escavadeiras, que iniciaram a demolição dos prédios.
— Assim como todos os Estados-membros da ONU, Israel deve proteger e respeitar a inviolabilidade das instalações da [organização] — afirmou Fowler. — Isso deveria servir como um alerta. O que acontece hoje com a UNRWA pode acontecer amanhã com qualquer outra organização internacional ou missão diplomática em qualquer lugar do mundo.
O ministro da Segurança Nacional de Israel, o ultradireitista Itamar Ben-Gvir, fez uma breve visita ao local. Em comunicado, o ministro afirmou que “este é um dia histórico” e que os “apoiadores do terrorismo estão sendo removidos daqui”.
UNRWA em Israel e Gaza
O complexo em Jerusalém Oriental — parte da cidade de maioria árabe anexada por Israel — estava sem funcionários da UNRWA desde janeiro de 2025, quando entrou em vigor uma lei que proibiu suas operações após meses de embate sobre o trabalho da agência na Faixa de Gaza. A proibição se aplica a Jerusalém Oriental, mas a UNRWA ainda opera na Cisjordânia ocupada e em Gaza.
Entenda: Conselho de paz de Gaza prevê mandato de três anos e cargos vitalícios por US$ 1 bilhão
No início de dezembro, o chefe da UNRWA, Philippe Lazzarini, denunciou a apreensão de bens do complexo pelas autoridades israelenses. Na ocasião, a polícia afirmou que a ação fazia parte de uma operação de cobrança de dívidas.
Em uma publicação no X, Lazzarini disse que as autoridades confiscaram “móveis, equipamentos de informática e outras propriedades”, e que a bandeira da ONU foi substituída por uma israelense.
À época, o secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou a “entrada não autorizada” em “instalações das Nações Unidas”.
O presidente da França, Emmanuel Macron, acusou os Estados Unidos de tentar subordinar a Europa por meio de uma política de tarifas que classificou como “inaceitáveis” nesta terça-feira, durante a sua participação no Fórum Econômico de Davos, que reúne os principais líderes mundiais anualmente na Suíça. O discurso de Macron acontece em meio a uma disputa aberta com o presidente americano, Donald Trump, que ameaçou novas tarifas sobre a França, no contexto da discordância com os aliados europeus sobre a Groenlândia.
Análise: Trump tem uma saída pacífica para a Groenlândia, mas não parece disposto a usá-la
Leia também: Trump afirma que líderes europeus não oferecerão muita resistência à compra da Groenlândia
— A competição dos EUA por meio de acordos comerciais que prejudicam nossos interesses de exportação exigem concessões máximas e visam abertamente enfraquecer e subordinar a Europa —disse Macron, que falou às autoridades reunidas na cidade suíça usando um óculos escuro espelhado. — [Essas tarifas] somadas a um acúmulo interminável de novas tarifas são fundamentalmente inaceitáveis, ainda mais quando usadas como forma de pressionar a soberania territorial.
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O discurso do presidente francês aconteceu horas após Trump voltar a provocar os aliados europeus, que se opõem às tentativas americanas de anexar a Groenlândia — território semiautônimo do Reino da Dinamarca no Ártico. Em uma série de mensagens na Truth Social, o presidente americano voltou a dizer que a aquisição do território é “imprescindível para a segurança nacional e mundial” e publicou imagens provocativas feitas por IA — uma delas, em que Macron aparece ao lado de uma fileira de líderes europeus, que ouvem Trump falar diante de um mapa em que Groenlândia, Canadá e Venezuela aparecem como territórios americanos.
Uma publicação em particular pareceu uma provocação ainda mais direcionada a Macron. Trump divulgou trechos de mensagens privadas enviadas pelo presidente francês, que em tom cordial parece tentar uma aproximação com o republicano, em meio às tensões entre os dois. O presidente dos EUA também publicou uma mensagem enviada pelo secretário-geral da Otan, Mark Rutte, com quem anunciou ter falado.
Imagem gerada por IA mostra líderes europeus enfileirados, ouvindo Trump; ao fundo, mapa mostra Groenlândia, Canadá e Venezuela como territórios americanos
Reprodução
“Meu amigo, nós estamos totalmente alinhados sobre a Síria. Nós podemos fazer grandes coisas no Irã. Eu não entendo o que você está fazendo na Groenlândia. Deixe-nos tentar construir grandes coisas”, diz um dos trechos das mensagens atribuídas a Macron, que também teria sugerido uma reunião do G7 e um jantar com Trump na quinta-feira, em Paris.
Em Davos, Macron disse que nenhuma reunião do G7 estava marcada para a quinta-feira, mas que a Presidência francesa estaria disposta a organizar um encontro.
Em versão ‘sem coleira’: Trump inicia 2º ano no poder dos EUA com débil contrapeso a seu ‘Executivo imperial’
As tensões diretas entre Macron e Trump começaram com os novos avanços americanos em direção à Groenlândia, pouco depois do ataque à Venezuela. O líder francês atendeu a uma iniciativa europeia e enviou soldados para um treinamento no território ártico, em um momento em que o presidente dos EUA já havia retomado a retórica sobre anexação da região. Em resposta, Paris foi incluída em um novo tarifaço americano, direcionado aos oito países que enviaram militares para a ilha.
Macron foi um dos líderes europeus a reagir com mais intensidade — dentro de uma resposta ainda tímida e limitada ao campo retórico. Ele foi um dos principais defensores de que a União Europeia, em resposta, utilizasse o instrumento anticoerção (ACI, na sigla em inglês, apelidado de “bazuca” comercial da Europa), para restringir o acesso de companhias americanas ao mercado do bloco.
Em meio ao imbróglio, Trump ainda adicionou mais pressão sobre a França — e sobre Macron pessoalmente — e sugeriu que poderia impor uma tarifa de 200% sobre as exportações de vinho e champanhe franceses para os EUA, pela recusa de Macron em participar do Conselho da Paz em Gaza — uma medida vista por alguns líderes internacionais e meios diplomáticos como uma forma de contornar a ONU.
Em Davos, o presidente francês disse que prefere “o respeito do que os valentões” e “o Estado de Direito à brutalidade”.
— A França e a Europa estão ligadas à soberania e independência nacionais, às Nações Unidas e à sua carta — disse Macron. (Com AFP)
O governo brasileiro acompanha os sinais dos líderes dos demais países convidados antes de qualquer decisão sobre o convite feito ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo mandatário americano, Donald Trump, para integrar um novo conselho internacional de paz. Segundo interlocutores que acompanham o tema em Brasília, a maior parte dos países tem adotado uma postura de espera, avaliando o conteúdo da proposta e observando como outros atores relevantes irão se posicionar.
O conselho foi apresentado pela gestão Trump como um foro voltado à discussão de temas ligados à paz internacional, com foco em Gaza. A proposta prevê a reunião de líderes e representantes internacionais com o objetivo de supervisionar a reconstrução e a governança do território, hoje destruído após anos de conflito entre Israel e o grupo palestino Hamas.
De acordo com diplomatas ouvidos pelo GLOBO, o texto encaminhado por Trump não foi apresentado como base para negociação, mas como uma proposta fechada, o que levou diferentes países a ganhar tempo para analisar seus termos, considerados complexos. Nos bastidores, a avaliação é que os principais convidados estão “testando” o cenário para entender se haverá espaço para mudanças no desenho original da iniciativa. A impressão é que, embora a proposta não tenha sido apresentada como negociável, isso não significa, segundo esses diplomatas, que ajustes estejam descartados ao longo do processo.
Esses interlocutores citam a Argentina como um caso à parte, por avaliarem que o governo do presidente Javier Milei tem demonstrado disposição para aderir às iniciativas propostas por Washington, enquanto a maior parte dos demais países prefere aguardar e analisar o conteúdo do texto antes de se posicionar.
Além de Lula e Milei, estão entre os convidados o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan; o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair; o secretário de Estado americano, Marco Rubio; o genro de Trump, Jared Kushner; o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga; e o diplomata búlgaro Nickolay Mladenov, indicado para o cargo de diretor-geral do colegiado. A lista completa de convidados, assim como a composição final do conselho, ainda não está plenamente esclarecida.
Faltam detalhes
Auxiliares do presidente afirmam que a decisão ainda não foi tomada, diante da necessidade de analisar com profundidade os objetivos do grupo, os custos potenciais e a relação da proposta com as instituições multilaterais existentes, como a Organização das Nações Unidas, que tradicionalmente lidera esforços de paz e que, segundo críticos, estaria sendo em parte ofuscada pela iniciativa americana. O modelo de governança proposto, com forte concentração de poder sob a presidência vitalícia de Trump e mecanismos específicos de financiamento, tem suscitado cautela no Palácio do Planalto quanto às implicações políticas e diplomáticas.
Outro ponto de preocupação na análise brasileira é a composição dos convidados e o papel de atores centrais no conflito. Embora a administração americana tenha estendido convites a diversos líderes e figuras internacionais — e tenha convidado formalmente Israel para participar do conselho, segundo autoridades israelenses — não há representantes palestinos entre os membros anunciados. Essa ausência tem sido apontada por observadores e críticos como uma lacuna relevante da proposta e alimenta dúvidas no Itamaraty sobre o alinhamento da iniciativa com os princípios do multilateralismo e da inclusão de todas as partes envolvidas.
Dúvidas sobre o alcance do novo órgão também pesam na análise feita no Itamaraty. Ainda não está claro se a iniciativa foi concebida para tratar especificamente da situação na Faixa de Gaza ou se há a pretensão de criar uma instância internacional mais ampla, com atribuições que extrapolem esse conflito.
Segundo integrantes do governo Lula, ainda faltam informações consideradas essenciais, como os procedimentos formais de adesão e a definição de prazos para resposta. Diante desse quadro, a avaliação é de que a decisão exige cautela e uma leitura atenta do movimento dos demais países.
O desenho do conselho prevê mandatos de três anos, renováveis, e uma estrutura com forte concentração de poder na presidência do órgão, que ficaria com Trump. O texto, com quatro páginas, também menciona a possibilidade de participação permanente mediante o pagamento de US$ 1 bilhão, alternativa associada a mandatos vitalícios. A representação, nesses casos, seria dos países, e não de seus presidentes individualmente.
A facilidade encontrada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em avançar com os pontos mais polêmicos de sua agenda política no primeiro ano de governo, interna e externamente, fomentou a imagem de um líder despreocupado com a oposição e confiante no apoio de uma base de fidelidade inquestionável. A projeção de um conjunto de apoiadores homogêneo e alinhado aos ideais mais radicais do republicano, porém, não corresponde à realidade, segundo um relatório publicado nesta terça-feira. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
O segundo mandato do presidente dos EUA, Donald Trump, completa um ano nesta terça-feira, com o mundo ainda tentando acompanhar todos os desdobramentos e impactos da mudança brusca de direção promovida pelo republicano no comando da Casa Branca. Entre tensões internas e disputas externas, de ataques diretos a adversários ao aprofundamento de crises com aliados, pouco ficou de fora do raio de ação do presidente — que ainda sobrecarregou o trabalho da imprensa com falas quase diárias para além da execução de sua agenda política. O GLOBO produziu uma série de reportagens, análises e entrevistas sobre o primeiro ano de mandato de Trump, que deve permanecer em evidência por ao menos mais três anos — mas cujo impacto para a política americana e internacional pode ter efeitos para além de seu mandato. Veja abaixo uma seleção exclusiva de textos:
1) Em versão ‘sem coleira’, Trump inicia 2º ano no poder dos EUA com débil contrapeso a seu ‘Executivo imperial’
O presidente dos EUA, Donald Trump, ao desembarcar em Michigan nesta terça-feira
Mandel Ngan/AFP
Entenda como o republicano avança sobre instituições, governa com pouca contenção e enfrenta reação eleitoral que testa os limites da guinada radical à direita (Clique aqui para ler a matéria completa).
2) Trump 2.0 abraça intervencionismo para impor ‘realismo predador’ ao mundo
Presidente dos EUA, Donald Trump, coloca um boné do movimento Maga durante evento em Washington
Brendan SMIALOWSKI / AFP
Em seu retorno ao poder, presidente republicano investiu muito mais na redefinição da política externa dos Estados Unidos do que o previsto. (Clique aqui para ler a matéria completa).
3) Pressão de Trump sobre aliados por Groenlândia coloca a Otan diante do cenário impensável de fogo amigo
Sede da Otan em Bruxelas
Simon Wohlfahrt / AFP
Presidente americano parece despreocupado em romper a aliança militar mais eficaz da História moderna para satisfazer sua vontade. (Clique aqui para ler a matéria completa).
4) Fator Trump: Eleições latino-americanas deste ano devem estar na mira de líder dos EUA
À direita, volver: Ano de 2025 confirma ascensão conservadora na América Latina
Arte/ O GLOBO
Presidente americano rompeu com ambiguidade estratégica cultivada por Washington e aposta em sistema em que promessas de recompensa ou ameaças se dividem. (Clique aqui para ler a matéria completa).
5) Entrevista: ‘As ações de Trump têm raízes na História dos EUA’, afirma analista Brian Winter
O presidente dos EUA, Donald Trump, em coletiva de imprensa ao lado do secretário de Estado Marco Rubio e do secretário de Defesa Pete Hegseth
Joe Raedle/Getty Images/AFP
Analista político americano avalia que política externa de Trump para a América Latina recupera tendência escrita por outros presidentes, que havia perdido força desde fim da Guerra Fria. (Clique aqui para ler a matéria completa).
6) Volta de Trump à Casa Branca redefine comércio dos EUA e da América Latina
Área de movimentação de contêineres no terminal do Porto de Santos: Trump impôs sobretaxa de 50% a exportações brasileiras para os EUA
Jonne Roriz/Bloomberg
Um ano após início do seu 2º mandato, presidente americano vira a chave tarifária para uma nova Doutrina Monroe para controlar AL, o que acaba reforçando a inclinação da região a firmar laços com China e Europa. (Clique aqui para ler a matéria completa).
7) Aumento da violência em operações anti-imigrantes nos EUA põe táticas do ICE em xeque e expõe falhas em recrutamento
Agentes federais deixam a cena onde Renee Nicole Good foi morta a tiros por um agente em Minneapolis, durante uma operação de imigração que tem provocado protestos na cidade
David Guttenfelder/The New York Times
Morte de Renee Good em Minneapolis reacende críticas às táticas da agência, em meio à aceleração no recrutamento de oficiais, operações agressivas e aumento de mortes sob custódia. (Clique aqui para ler a matéria completa).
8) Percepção de ameaças sob Trump 2.0 impulsiona ‘China first’, indica pesquisa
Donald Trump e Xi Jinping
Bloomberg
Dados coletados em 21 países mostram que opinião pública já enxerga ordem global multipolar. (Clique aqui para ler a matéria completa).
9) Elio Gaspari: As dez piores e melhores decisões políticas e diplomáticas dos EUA em 250 anos, segundo 331 historiadores
As dez piores e melhores decisões políticas e diplomáticas dos EUA em 250 anos, segundo 331 historiadores
Editoria de Arte
Lista reúne desde a invasão no Iraque, como destaque negativo, até o Plano Marshall, como positivo. (Clique aqui para ler o texto completo).
10) Míriam Leitão: Trump foi ruim na economia, mas seu maior risco é à democracia e à civilização
Trump durante entrevista no Salão Oval, na Casa Branca, em 7 de janeiro de 2026
Doug Mills/The New York Times
Trump retrocedeu a instrumentos usados pelos Estados Unidos na crise de 1929, estratégia que fracassou na época. Ainda assim, aspecto mais grave é o risco institucional que ele representou — e ainda representa. (Clique para ler o texto completo).
Uma vaca é capaz de escolher a ferramenta certa para resolver um problema cotidiano? A pergunta ganhou respaldo científico após pesquisadores austríacos documentarem o comportamento incomum de Veronika, uma vaca que vive em uma fazenda na Áustria e que demonstrou, de forma sistemática, o uso intencional de uma escova para limpar o próprio corpo.
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Veronika vive sob os cuidados de Witgar Wiegele, agricultor orgânico que a mantém como animal de companhia, fora dos circuitos tradicionais de produção de leite ou carne. Nesse ambiente mais estimulante, a vaca desenvolveu uma relação próxima com humanos e apresentou uma longevidade incomum, fatores que chamaram a atenção dos cientistas. O que surpreendeu, no entanto, foi a maneira como ela passou a resolver um incômodo físico: usando uma escova de cabo comprido, manipulada com a boca e a língua.
O comportamento foi analisado por Antonio Osuna-Mascaró e Alice Auersperg, da Universidade de Medicina Veterinária de Viena, a partir de um vídeo que viralizou nas redes sociais. O estudo, publicado nesta segunda-feira (19) na revista Current Biology, é o primeiro a comprovar experimentalmente o uso flexível e multifuncional de ferramentas por vacas, segundo os autores.
Um experimento que desafiou certezas
Ao longo de sete sessões, os pesquisadores registraram 76 interações de Veronika com a escova, posicionada de diferentes formas. A vaca demonstrou escolher com precisão a extremidade adequada para cada parte do corpo: usava as cerdas para esfregar as costas e a ponta lisa para áreas mais sensíveis, como o úbere e a barriga. Também ajustava a força e o tipo de movimento, alternando gestos amplos e firmes com ações suaves e controladas.
Para os cientistas, o comportamento atende à definição científica de uso de ferramentas — a manipulação de um objeto externo para atingir um objetivo mecânico — e exige habilidades como antecipação, coordenação e adaptação da técnica. O uso de diferentes partes de uma mesma ferramenta para funções distintas é classificado como multifuncional e, até então, havia sido documentado apenas em chimpanzés.
Os pesquisadores destacaram a habilidade de Veronika em ajustar sua técnica e pegada no objeto dependendo da área do corpo
Divulgação/Universidade de Medicina Veterinária de Viena
A equipe afirma que o caso “leva a uma reavaliação da cognição bovina” e sugere que a suposta simplicidade intelectual do gado pode estar ligada mais a preconceitos históricos e ao papel utilitário desses animais do que a limitações reais. Segundo os autores, a inteligência de espécies domesticadas tem sido “cognitivamente subvalorizada”, em parte por associações culturais ligadas ao consumo de carne.
Embora reconheçam que se trata de um caso isolado, os pesquisadores defendem que o potencial inovador de animais de fazenda permanece pouco explorado. Eles recomendam novas observações em diferentes contextos e condições de criação, apostando que Veronika pode não ser uma exceção absoluta, mas um exemplo raro de um comportamento que ainda passa despercebido.
O ministro do Interior da Espanha descartou nesta terça-feira a hipótese de sabotagem na colisão entre dois trens que deixou ao menos 41 mortos no domingo à noite, no sul do país. Segundo ele, as apurações conduzidas até o momento indicam problemas de natureza técnica e operacional.
Leia também: Número de mortos em colisão entre trens na Espanha sobe para 41
Vídeo: Tudo o que se sabe sobre o descarrilamento na Espanha, que lançou dois vagões em um barranco e deixou 40 mortos
“Nunca se considerou a possibilidade de sabotagem; em todos os momentos e em todas as circunstâncias, trataram-se de questões técnicas e relacionadas ao transporte ferroviário”, afirmou Fernando Grande-Marlaska em entrevista coletiva após a reunião do Conselho de Ministros.
Em novo balanço divulgado nas primeiras horas da manhã, o governo regional andaluz informou que mais um corpo foi encontrado entre os destroços de uma das composições, elevando o total de vítimas fatais.
“O número de mortos subiu para 41, após a recuperação, na noite passada, do corpo sem vida de uma pessoa em um dos vagões” do trem da companhia Iryo, informou o governo andaluz sobre o acidente ocorrido em Adamuz, na província de Córdoba. As autoridades ressaltaram que o número ainda pode aumentar, já que as buscas continuam.
Além disso, “nos diferentes hospitais andaluzes continuam internadas 39 pessoas, sendo 35 adultos e quatro crianças. Na UTI permanecem 13 pacientes, todos adultos”, acrescentaram.
Reis vão ao local
Coincidindo com o primeiro dos três dias de luto nacional decretados pelo governo espanhol, o rei Felipe VI e a rainha Letizia visitam o local do incidente nesta terça-feira.
Felipe VI e a rainha Letizia vão o local do acidente acompanhados pela Primeira Vice-Presidente do Governo, María Jesús Montero, e pelo Presidente da Junta da Andaluzia, Juanma Moreno. Eles também devem visitar os feridos em um hospital em Córdoba e se encontrarão com familiares das vítimas, segundo o jornal El Mundo.
O acidente ocorreu próximo ao povoado de Adamuz, cujos moradores se mobilizaram nos primeiros momentos para ajudar os sobreviventes, oferecendo abrigo, comida e água.
O ministro dos Transportes, Óscar Puente, afirmou nesta terça-feira que o total definitivo de mortos pode se aproximar do número de desaparecidos registrados, atualmente 43.
“O que é preciso fazer é cruzar os desaparecidos ou as denúncias por desaparecimento com os mortos e ontem, pelo menos no fim do dia, o número era mais ou menos coincidente”, explicou em entrevista à rádio Onda Cero.
Maquinário pesado no resgate
As equipes de resgate concentram esforços na retirada dos vagões de um dos trens que despencaram em um barranco de cerca de quatro metros de altura. Para isso, gruas de grande porte foram levadas ao local.
Em comunicado, o governo andaluz informou que foram “realizados trabalhos de compactação do terreno” para garantir a estabilidade do maquinário. Na noite de segunda-feira, o presidente da Junta da Andaluzia, Juan Manuel Moreno Bonilla, estimou que seriam necessárias “24 a 48 horas” para determinar, “com certeza científica”, o número de vítimas.
O acidente ocorreu às 19h45 de domingo (18h45 GMT), quando dois trens de alta velocidade que circulavam por vias paralelas colidiram, transportando cerca de 500 passageiros no total.
Os últimos carros de um trem da operadora privada Iryo, que fazia o trajeto de Málaga a Madri, descarrilaram e caíram sobre a via ao lado, justamente no momento em que passava uma composição da estatal Renfe, que seguia no sentido contrário, da capital espanhola para Huelva.
Os quatro vagões do trem da Renfe saíram completamente dos trilhos e capotaram. Dois deles aparentam ter sido esmagados pelo impacto, segundo imagens aéreas divulgadas pela Guarda Civil. Mais adiante, era possível ver o trem da Iryo com a maioria dos carros ainda sobre os trilhos e os dois últimos tombados de lado.
Trilho danificado no foco da investigação
Descartadas inicialmente hipóteses como excesso de velocidade — o trecho é reto — ou erro humano, as investigações agora se concentram nas condições da via e do material ferroviário.
“A falha humana está praticamente descartada”, afirmou na segunda-feira o presidente da Renfe, Álvaro Fernández Heredia, à rádio pública RNE.
Uma imagem divulgada pela Guarda Civil, mostrando agentes inspecionando um trilho com um trecho faltante, alimentou especulações. Puente afirmou que ainda é cedo para determinar se a ausência desse pedaço foi “causa ou consequência” do acidente.
“Há muitas rupturas de trilho quando o trem descarrila (…) e existe uma ruptura inicial”, disse o ministro à Onda Cero.
“A questão é determinar — e neste momento nenhum técnico é capaz de assegurar ou sequer afirmar — se essa ruptura é causa ou consequência, e isso não é um detalhe menor”, concluiu.
Puente classificou o acidente como “estranho”, ocorrido em um trecho de via recentemente renovado.
Os serviços ferroviários entre Madri e a Andaluzia permanecem interrompidos e não devem ser totalmente restabelecidos antes de 2 de fevereiro.
Em julho de 2013, a Espanha já havia registrado uma grave tragédia ferroviária com o descarrilamento de um trem em Santiago de Compostela, na Galícia, que deixou 80 mortos.

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